Tuesday, July 26, 2005

Soares é bué cool!

Espantem-se os distraídos! O Márinho está de volta. E volta como o salvador da pátria, o Homem que vai salvar o país da ameaça da direita, da crise, dos Americanos e das epidemias de jaquinzinhos assassinos...
Mas quem é este homem, herói da Revolução de Abril, pai da Democracia portuguesa? Convém lembrar algumas façanhas deste senhor,para além de ter dado vida a esse outro tão ilustre personagem, de seu nome João.

Soares, firme lutador anti-facista (boa piada!) , logo após o 25 de Abril , começa logo logo a conspirar contra as conquistas do povo. Ao mesmo tempo que falava em comícios de socialismo e sociedade sem classes e fim da exploração dos trabalhadores, e essas coisas todas, era um amigo do peito do Carlucci (também esse um defensor dos valores da democracia e da liberdade, conhecido especialista da CIA em golpes de Estado e mudanças de regime mais favorável aos EUA num sem número de países), metido em festas na embaixada americana, arquitectando em conjunto planos para levar a sua "revolução" a bom porto (trocando por miúdos: trocar uma democracia avançada por o que temos hoje, uma democracia bárbara).

Depois vem o Marinho primeiro-ministro, e das primeiras coisas que diz é que se tem que pôr o socialismo na gaveta para bem da economia portuguesa (mais uma vez temos que recorrer ao dicionário: para bem dos Champaulimaud's, Mello's e companhia). É deste nosso amigo que surgem os ataques aos trabalhadores no pós 25 de Abril. Pérolas como os contratos a prazo (a pretexto dos trabalhos sazonais, e que agora imperam neste nosso mundo), ou o começo das privatizações (com os custos para o Estado e consequentemente para a população) ou o ataque à Reforma Agrária (com agressões e assassinatos à mistura), ou a entrada na CEE (que tantas coisas boas tem trazido para Portugal), têm como mentor este verdadeiro "pai da democracia portuguesa".

Sim, de facto, quando o chamam assim, estão a fazer jus à ilustre personagem. O bochechas é, de facto, um dos obreiros desta democracia que nós temos, tão democrática que até temos o direito de não ter pão para a boca e um tecto por cima de nós. Soares é, de facto o pai desta "democracia", mas a democracia da pobreza, económica e cultural, do desemprego, da fome e da guerra.

Nos últimos anos, temos assistido a uma nova bochecha (ah!boa laracha) do Bochecas. A do notável, afastado da vida política, mas preocupado com o rumo neo-liberal que o país tem tomado. Não tem sido raro ver esta espécie rara criticar a guerra no Vietnam, o pacote laboral, o crescente desemprego, o aumento dos impostos, tudo preocupações justas. As hostes perguntavam-se : "será que o velho está cheché?Depois de tantos anos a f**er a vida aos trabalhadores é que se lembra deles?Será da velhice?" Pois bem, já temos a resposta. O nosso amigo estava a preparar o terreno. O nosso amigo prepara-se para ser novamente candidato a "presidente de todos os portugueses", diz ele, para "unir os portugueses", para "dar estabilidade política", para "impedir o avanço da Direita".

Pois bem, neste mundo que é o nosso, com notáveis de Esquerda destes, não precisamos da Direita.

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