Wednesday, August 31, 2005

Coelhos e outras promessas de felicidade

Existem (ainda) vários tipos de coelhos: aqueles de estimação (os anões), os que as nossas avós criam para fazerem guisados e os que escrevem. O leitor (deste blog), que por natureza é atento e inconformado (está num blog de esquerda bárbara, ou um blog bárbaro de esquerda, não sei bem) dirá "Este mamute não está morto, está só senil. Os coelhos não escrevem." Ao que este mamute, morto mas (ainda) não senil, responderá: Pelo menos não deviam. Pelo menos o Paulo.
Pois é, detesto o Paulo. Detesto títulos que pretendem ser o suprasumo da originalidade e afinal são só pirosos ( O Zahir, Na margem do rio piedra eu sentei e chorei).
Detesto frases que pretendem ser profundamente profundas (a redundância é propositada) e que pretendem ser guias para a vida, mas que se alguém mergulhasse de cabeça nessas frases, ficava com toda a certeza paraplégico ("Escuta o teu coração, ele conhece todas as coisas, onde ele estiver, é onde estará o teu tesouro"(????), " "Quando alguém quer alguma coisa, todo o universo conspira para que possa consegui- la" (????) "É preciso não abrandar nunca,mesmo tendo chegar tao longe", ou o meu preferido "Os barcos estão mais seguros no porto, mas não foi para isso que foram construídos" muito profundo).

Também detesto Paulo Coelho porque, para mim, uma das coisas boas de se ler um livro, é conhecer-se alguém que também já o leu, e não todas as pessoas que conheces já o terem lido, e adorado e decorado passagens, que escrevem em mensagens (bonitas) às outras pessoas.

Mas acima de tudo, detesto Paulo Coelho porque é um prometedor de felicidade. Mas não um a sério. Não é daqueles que fala de um mundo melhor e de uma vida melhor, mas que é preciso lutar por isso. O nosso amigo faz lembrar aqueles anúncios de jornal "reze pais nossos durantes 9 dias, publique ao 10º dia e os seus desejos vão-se realizar todos". Ou seja, com um bocadinho de magia, tendo fé, acreditando no futuro e seguindo o coração outras balelas que tais, somos todos felizes e encontramos todos o amor e uma mina de ouro e 3 suecas (ou suecos...ou o que preferirem) que nos dão uvas à boca (até os que não têm direito a viver).

Mas há outros prometedores de felicidade, aliás, todos na mesma linha do misticismo e da fé.
Basta darmos um chuto numa pedra e encontramos 3 centros de "atendimento espiritual", ou uma IURD ou outras coisas assim que enganam milhares de pessoas, prometendo uma vida feliz e aproveitando para surripiar uns trocos (no caso do Paulo Coelho, o preço do livro, que ele aproveita para fazer mais um retiro espiritual para se encontrar a si mesmo e ao "nada" nas montanhas isoladas do Kilimanjaro onde só vive um monge altamente sábio onde ele aprende a sua "filosofia"; no caso das igrejas (com aspas e sem) na dízima cobrada para pagar a felicidade).
Causa-me estranheza como esses vendedores de banha da cobra têm tantos seguidores (é só ir a uma 5ª feira à IURD em Chelas e ver o espectáculo...não, não é um jogo do Benfica, é mesmo mais uma sessão para curar paralisias e dívidas e maus-olhados e unhas encravadas, só com o olhar do sacerdote).

Talvez não me cause tanta estranheza assim. Talvez as pessoas precisem de acreditar nalguma coisa, nem que seja nuns charlatães que prometem riqueza e amor e uma cabra se se tiver fé e uns trocos.

Eu também sou (mais) um prometedor de felicidade.
Prometo felicidade a todos se acordarmos para a vida e lutarmos por aquilo que é nosso por direito.

(Morra o Coelho!Pim!)

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