Monday, February 13, 2006

Ir à bola!

Não pretendo entrar em análises sobre como se transformou o futebol numa indústria, transformou-se um desporto que se jogava e via por prazer e amor à camisola, num negócio em que o que mais interessa não é tanto o espectáculo e a exibição, mas a cotação na bolsa e o número de camisolas vendidas.

É tradição generalizada da espécie que vai ao estádio o insulto aos jogadores e respectivas famílias, porque lhes pagam o ordenado e eles não comem a relva nem têm amor à camisola; aos jogadores e às suas mães porque são todos, sem excepção, uns carniceiros que não vêm a bola mas unicamente as pernas dos nossos jogadores; e o preferido de todos, o árbitro e toda, mas toda a sua família, amigos e conhecidos, porque, obviamente, só vê as faltas da nossa equipa e está, claramente, ao serviço da conspiração congeminada pelos outros clubes, Liga de Clubes, governo e quem sabe do amaricanos (que, como toda a gente sabe andam sempre metidos nestas tramóias) para o nosso Benfica não ser campeão.

Eu, que até nem sou daqueles que não come para não perder um jogo nem bate na mulher quando o Benfica perde, sou plenamente a favor do insulto.

Passando a explicar: é terapêutico poder berrar a plenos pulmões que à hora do jogo, a mulher do árbitro não está propriamente a ver a actuação do marido, ou que a mãe do guarda-redes da equipa adversária tinha tantos problemas com a monogamia, que surgem dúvidas quanto à paternidade do jogador...

Mais: é terapêutico e, apesar do que custa um bilhete para um jogo de futebol, sempre é mais barato que ir ao psicanalista e a conta da farmácia em anti-depressivos e afins

(Insulto mais original até agora num jogo de futebol : "Compraste uma tenda a pensar que era uma casa!" ?!?!?! O Império lança desde já um passatempo sobre que raio quer dizer isto.)

3 comments:

pedras contra canhões said...

tá-lhe a chamar cigane!

A. Cabral said...

pois, eu vinha dizer, o mesmo o insulto era aciganado...

so mais um suspiro: ai o nosso Benfica!

Samir Machel said...

"Mais: é terapêutico e, apesar do que custa um bilhete para um jogo de futebol, sempre é mais barato que ir ao psicanalista e a conta da farmácia em anti-depressivos e afins"

É terapêutico, mas é cada vez mais um luxo. Não faço ideia de quanto está um bilhete mas é bastante caro. Especialmente no país onde até há empréstimos para a aquisição de livros escolares.

Brevemente veremos o lançamento de um novo empréstimo, desta vez para a aquisição de lugares cativos...