são 30 anos, 30 festas, muitas mais lutas. Vemo-nos todos por lá.
boa festa!
Wednesday, August 30, 2006
Friday, July 28, 2006
Intervalo
amigos,
o império bárbaro vai fazer um intervalinho de 15 dias, pode ser?
claro que ninguém tira férias ideológicas, mas pelo menos, não escreveremos nada de jeito por 15 dias. Vamos apagar inclusivamente o interruptor da escrita para não sermos forçados a sair do nosso estado feriante - o letárgico.
saudações e boas férias a todos e a todas.
o império bárbaro vai fazer um intervalinho de 15 dias, pode ser?
claro que ninguém tira férias ideológicas, mas pelo menos, não escreveremos nada de jeito por 15 dias. Vamos apagar inclusivamente o interruptor da escrita para não sermos forçados a sair do nosso estado feriante - o letárgico.
saudações e boas férias a todos e a todas.
Embuste Protocolar
Ora, para quem ainda aqui espreita após tão longa espera por prometido post sobre o Protocolo, aqui vão algumas reflexões.
Antes de mais, importaria deixar aqui uma advertência: questionar a teoria do aquecimento global e da poluição atmosférica como factor determinante das alterações climáticas não é negá-la, é antes apresentar as possíveis antíteses que tanto podem, efectivamente, destruir a tese, como, pelo contrário, reforçá-la.
Para quem anda atento a estas coisas terá reparado que os verdadeiros objectivos do chamado “Protocolo de Quioto” começam agora a fazer-se sentir. De um protocolo coberto pelo açúcar das boas intenções, começam agora a nascer problemas importantes, desequilíbrios inaceitáveis e teses imperialistas de dominação. Para quem alguma vez pensou que os Estados capitalistas teriam tido um rasgo de lucidez ecologista, começam agora a esfumar-se, certamente, algumas expectativas.
O que é hoje Quioto, na prática?
Quioto é um dos mais inteligentes mecanismos da manutenção das assimetrias inter-continentais e uma gigantesca máquina de produção de lucro especulativo. Um mercado bastardo e etéreo. Os fundos de carbono, as licenças de emissão, a transmissibilidade de licenças e as quotas por negociação, mais não são senão um regime semelhante às limitações de mercado impostas pela UE, por exemplo.
Todos sabemos que um país não pode passar da indústria sub-desenvolvida ou da agricultura de subsistência para a indústria pesada menos poluente. Assim, a limitação por quotas de emissão de Gases com Efeito Estufa (GEE) dependente também da capacidade de negociação dos Estados é uma malha que impede os países menos desenvolvidos de darem o passo da industrialização, essencial à rentabilização não colonial dos seus recursos naturais. Um Estado sub-sahariano, por exemplo, necessitará de indústria poluente durante pelo menos 3 ou 4 décadas para dar esse passo, enquanto que alguns estados europeus já dispõem de indústria menos poluente. Ora, o que se passa é que as quotas de emissão são distribuídas assimetricamente. Assim, os países menos desenvolvidos, mais pobres, mais afectados pela sobre-exploração, vêem-se obrigados a vender as suas licenças de emissão.
E assim, está montada a malha. Os ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres. O mercado do carbono, como gentilmente agora lhe chamam é, por si só, uma aberração do capital. A aceitação tácita de uma teoria carregada de falhas – a do aquecimento global – tem conduzido a uma aceitação acrítica da instituição de um mercado para o qual todos os cidadãos acabam por contribuir. O aumento do preço dos combustíveis e de todos os bens de consumo, por exemplo, e principalmente nos países que adquirem licenças de emissão, contém uma parcela correspondente à compra dessa mesma licença… e quem a paga? O utente, o consumidor.
O capital tem perfeita noção de que existem dois grandes mundos a dominar urgentemente. Aquilo a que as suas vozes assumem despudoradamente como “os mercados do futuro”: a Natureza e a saúde.
Na Natureza incluem-se naturalmente dois grandes vectores de mercado: água potável e ar respirável.
Não é por nada que estes são os “mercados do futuro”. É exactamente pela estrita e incontornável necessidade que a Humanidade tem de lhes recorrer. Escusado será explicar porquê.
Por último, que outros objectivos tem Quioto servido? Obviamente, os interesses do nuclear.
O capital tem como objectivo rentabilizar tudo, incluindo as tecnologias. Sendo que o nuclear de fissão é uma tecnologia que se encontra próxima do fim da sua vida, importa potenciar a sua capacidade lucrativa urgentemente;
A fissão nuclear é a oportunidade de ouro para conter por mais alguns anos o aparecimento de energia barata e universal, por fusão nuclear.
Quioto é a pedra de toque do capital na sua senda pela implementação da energia pela fissão nuclear. De forma profundamente ignóbil e desonesta, o capital vai fundamentando a necessidade de recorrer ao nuclear como produção de energia sem emissão de GEE – o que, por si, é mentira. O capital pura e simplesmente oblitera cada um dos problemas advenientes da utilização desta tecnologia. Esconde o problema dos resíduos, esconde o problema ambiental da exploração de urânio, esconde a probabilidade inevitável das falhas dos reactores, etc. Para o capital, quioto tem sido o melhor aliado na luta pela fissão nuclear. Acenando com o fim dos combustíveis fósseis, com as alterações climáticas e com o desmantelamento das centrais termo-eléctricas, o capital vai consolidando a sua agenda nuclear.
Nada melhor para calar esses activistas anti-nuclear que dizer-lhes que é isso ou o aquecimento global…
Antes de mais, importaria deixar aqui uma advertência: questionar a teoria do aquecimento global e da poluição atmosférica como factor determinante das alterações climáticas não é negá-la, é antes apresentar as possíveis antíteses que tanto podem, efectivamente, destruir a tese, como, pelo contrário, reforçá-la.
Para quem anda atento a estas coisas terá reparado que os verdadeiros objectivos do chamado “Protocolo de Quioto” começam agora a fazer-se sentir. De um protocolo coberto pelo açúcar das boas intenções, começam agora a nascer problemas importantes, desequilíbrios inaceitáveis e teses imperialistas de dominação. Para quem alguma vez pensou que os Estados capitalistas teriam tido um rasgo de lucidez ecologista, começam agora a esfumar-se, certamente, algumas expectativas.
O que é hoje Quioto, na prática?
Quioto é um dos mais inteligentes mecanismos da manutenção das assimetrias inter-continentais e uma gigantesca máquina de produção de lucro especulativo. Um mercado bastardo e etéreo. Os fundos de carbono, as licenças de emissão, a transmissibilidade de licenças e as quotas por negociação, mais não são senão um regime semelhante às limitações de mercado impostas pela UE, por exemplo.
Todos sabemos que um país não pode passar da indústria sub-desenvolvida ou da agricultura de subsistência para a indústria pesada menos poluente. Assim, a limitação por quotas de emissão de Gases com Efeito Estufa (GEE) dependente também da capacidade de negociação dos Estados é uma malha que impede os países menos desenvolvidos de darem o passo da industrialização, essencial à rentabilização não colonial dos seus recursos naturais. Um Estado sub-sahariano, por exemplo, necessitará de indústria poluente durante pelo menos 3 ou 4 décadas para dar esse passo, enquanto que alguns estados europeus já dispõem de indústria menos poluente. Ora, o que se passa é que as quotas de emissão são distribuídas assimetricamente. Assim, os países menos desenvolvidos, mais pobres, mais afectados pela sobre-exploração, vêem-se obrigados a vender as suas licenças de emissão.
E assim, está montada a malha. Os ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres. O mercado do carbono, como gentilmente agora lhe chamam é, por si só, uma aberração do capital. A aceitação tácita de uma teoria carregada de falhas – a do aquecimento global – tem conduzido a uma aceitação acrítica da instituição de um mercado para o qual todos os cidadãos acabam por contribuir. O aumento do preço dos combustíveis e de todos os bens de consumo, por exemplo, e principalmente nos países que adquirem licenças de emissão, contém uma parcela correspondente à compra dessa mesma licença… e quem a paga? O utente, o consumidor.
O capital tem perfeita noção de que existem dois grandes mundos a dominar urgentemente. Aquilo a que as suas vozes assumem despudoradamente como “os mercados do futuro”: a Natureza e a saúde.
Na Natureza incluem-se naturalmente dois grandes vectores de mercado: água potável e ar respirável.
Não é por nada que estes são os “mercados do futuro”. É exactamente pela estrita e incontornável necessidade que a Humanidade tem de lhes recorrer. Escusado será explicar porquê.
Por último, que outros objectivos tem Quioto servido? Obviamente, os interesses do nuclear.
O capital tem como objectivo rentabilizar tudo, incluindo as tecnologias. Sendo que o nuclear de fissão é uma tecnologia que se encontra próxima do fim da sua vida, importa potenciar a sua capacidade lucrativa urgentemente;
A fissão nuclear é a oportunidade de ouro para conter por mais alguns anos o aparecimento de energia barata e universal, por fusão nuclear.
Quioto é a pedra de toque do capital na sua senda pela implementação da energia pela fissão nuclear. De forma profundamente ignóbil e desonesta, o capital vai fundamentando a necessidade de recorrer ao nuclear como produção de energia sem emissão de GEE – o que, por si, é mentira. O capital pura e simplesmente oblitera cada um dos problemas advenientes da utilização desta tecnologia. Esconde o problema dos resíduos, esconde o problema ambiental da exploração de urânio, esconde a probabilidade inevitável das falhas dos reactores, etc. Para o capital, quioto tem sido o melhor aliado na luta pela fissão nuclear. Acenando com o fim dos combustíveis fósseis, com as alterações climáticas e com o desmantelamento das centrais termo-eléctricas, o capital vai consolidando a sua agenda nuclear.
Nada melhor para calar esses activistas anti-nuclear que dizer-lhes que é isso ou o aquecimento global…
Wednesday, July 12, 2006
O Protocolo de Quioto, o que é?
O dogma, representando uma cristalização estática em torno de uma posição, é o principal inimigo do avanço científico. O rumo da ciência e do conhecimento só conhece passos em frente quando a lógica do homem assenta na dialéctica.
A teoria não é lei e mesmo a lei é mutável. As leis são as fórmulas que determinam o melhor modelo de interpretação da natureza pelo homem. Posto isto, espero que o texto seguinte não seja para o leitor uma ilustração de demência, mas antes, uma demonstração de racionalidade e da importância da dúvida enquanto motor do progresso.
Está enraizado, nos dias de hoje, o modelo de simulação climatológica com base na lógica directa da proporcionalidade entre a concentração atmosférica de anidrido carbónico (CO2) e outros gases com “efeito estufa”. Parece certo que o aumento da concentração de gases na atmosfera terrestre, aumenta a densidade atmosférica e, como consequência, o número de partículas capaz de vibrar, produzindo calor. No entanto, a temperatura média anual global não varia na exclusiva proporção a essa variável e há que, portanto, interrogar qual o peso dessa componente. Diversos trabalhos têm sido assim realizados: tentando compreender qual a influência da actividade antrópica na emissão de gases e, por sua vez, qual a influência dessas emissões no clima.
Para isso, questionar o dogma das alterações climáticas como causa da emissão de gases com efeito estufa é um passo essencial. Escusar-me-ei, por todos os motivos, a ilustrar cientificamente a dúvida, deixando aqui algumas sugestões de leitura para o fazer bem melhor:
http://www.cato.org/pubs/regulation/reg15n2j.html
http://www.resistir.info/climatologia/lindzen_rev2.html
http://www.john-daly.com/hockey/hockey.htm
http://www.resistir.info/climatologia/falsificacao_da_historia_climatica.html
http://www.resistir.info/climatologia/impostura_cientifica.html
http://www.revuefusion.com/images/Art_095_36.pdf
Deixo, por isso, aquilo que julgo caber-me. A dúvida.
Protocolo de Quioto… o que é?
Deixo a dúvida, mais tarde, darei o que considero ser uma possível resposta.
A teoria não é lei e mesmo a lei é mutável. As leis são as fórmulas que determinam o melhor modelo de interpretação da natureza pelo homem. Posto isto, espero que o texto seguinte não seja para o leitor uma ilustração de demência, mas antes, uma demonstração de racionalidade e da importância da dúvida enquanto motor do progresso.
Está enraizado, nos dias de hoje, o modelo de simulação climatológica com base na lógica directa da proporcionalidade entre a concentração atmosférica de anidrido carbónico (CO2) e outros gases com “efeito estufa”. Parece certo que o aumento da concentração de gases na atmosfera terrestre, aumenta a densidade atmosférica e, como consequência, o número de partículas capaz de vibrar, produzindo calor. No entanto, a temperatura média anual global não varia na exclusiva proporção a essa variável e há que, portanto, interrogar qual o peso dessa componente. Diversos trabalhos têm sido assim realizados: tentando compreender qual a influência da actividade antrópica na emissão de gases e, por sua vez, qual a influência dessas emissões no clima.
Para isso, questionar o dogma das alterações climáticas como causa da emissão de gases com efeito estufa é um passo essencial. Escusar-me-ei, por todos os motivos, a ilustrar cientificamente a dúvida, deixando aqui algumas sugestões de leitura para o fazer bem melhor:
http://www.cato.org/pubs/regulation/reg15n2j.html
http://www.resistir.info/climatologia/lindzen_rev2.html
http://www.john-daly.com/hockey/hockey.htm
http://www.resistir.info/climatologia/falsificacao_da_historia_climatica.html
http://www.resistir.info/climatologia/impostura_cientifica.html
http://www.revuefusion.com/images/Art_095_36.pdf
Deixo, por isso, aquilo que julgo caber-me. A dúvida.
Protocolo de Quioto… o que é?
Deixo a dúvida, mais tarde, darei o que considero ser uma possível resposta.
Thursday, June 22, 2006
Burocratas há muitos!
Por diversas vezes ao longo da história, os comunistas têm sido apelidados de “burocratas”. Embora esta acusação seja essencialmente fruto do chorrilho de histeria anticomunista por alturas da experiência soviética, ela tem-se mantido ainda hoje.
Nesta acusação, como aliás em muitas outras, confluem as opiniões de trotskyistas, anarquistas e, ultimamente em Portugal, também dos auto-proclamados ex-Estalinistas. Claro que, em outras acusações, porventura mais importantes no que toca ao posicionamento das forças políticas no tabuleiro da luta de classes, estes três referidos apêndices resquiciais da influência capitalista nos movimentos de esquerda e populares convergem ainda com as grandes forças mais reaccionárias e mais conservadoras da sociedade.
Claro está que, quando toca à defesa dos privilégios da burguesia, esquerdistas, pseudo-radicais e direita dão as mãos numa união capaz de enternecer um rochedo.
Mas, de volta à acusação de burocracia.
Diz-nos esta palavra, pela sua análise etimológica e pela sua decomposição em radicais que o burocrata é aquele que utiliza a força (do grego, krátos) pela via do gabinete (escritório – do francês, bureau). Ora, não me motiva aqui hoje a desmontagem do discurso anticomunista do passado, mas sim o do presente.
Vejamos onde se encontram hoje muitos dos trotskyistas portugueses da antiga LCI e do PSR, muitos dos Estalinistas da UDP, muitos auto-proclamados anarco-guevaristas e outras invenções do género. Encontrá-los-emos no saco de gatos político-partidário-movimentista-situacionista-oportunista-anticomunista que é o bloco de esquerda. São estes mesmos senhores que apelidam recorrentemente os comunistas de burocratas.
Ora, recentemente, tivemos duas boas provas no nosso país que evidenciaram o binómio antagonista burocracia / democracia (novamente, peço que entendam aqui democracia como a tal laocracia a que me refiro aqui).
A chamada “lei da paridade”.
A alteração à “lei eleitoral” – limitação de mandatos.
Curiosamente, o bloco não temeu qualquer acusação de burocrata, porque se há ciência que este grupelho domina é a do oportunismo, na qual, aliás, seus membros devem ter formação avançada. Claro que o bloco sabe perfeitamente que tem sempre a comunicação social do seu lado, pelo menos não atacando, e neste caso, gozava ainda do facto de ser capachinho do PS mais retrógrado dos últimos anos.
Mas o que têm estas leis? Estas leis são imposições burocráticas directas à liberdade de eleger e ser eleito, constitucionalmente garantidas. Esta é uma típica demonstração de como o bloco conceptualiza as massas. Para o bloco de esquerda, o povo é apenas uma massa de irracionais e brutos, para quem são necessárias leis que digam em quem não se pode votar. Para o bloco, o povo é apenas uma massa acéfala, sendo que o bloco e principalmente o Louça são a central nevrálgica, o cérebro a bem-dizer. É no seio deste partido que todas as operações sinápticas se dão.
É neste sentido que o bloco apoia ferverosamente estas limitações às liberdades e direitos dos cidadãos portugueses, querendo impedir os partidos e os cidadãos que não partilhem das mesmas premissas que os iluminados de se candidatarem a cargos públicos. Ou seja, para o bloco, o povo não tem capacidade de escolher, portanto, o bloco escolhe.
Burocractas? O que não conseguem resolver nas urnas querem resolver por força de leis aprovadas longe dos cidadãos, aproveitando e cavalgando ondas demagógicas ao estilo da direita populista.
Impor por força de lei que todas as listas incluem pelo menos um terço de cada sexo na sua composição não é mais que aplicar uma visão mistificada da política e das relações humanas e de produção, esquecer o conceito de classe e desviar a resolução de um problema sério para a esfera do oportunismo. Impor por força de lei que esta ou aquela pessoa não pode candidatar-se porque já lá esteve tempo demais é contribuir para reforçar dois grandes vectores da acção de mistificação do sistema capitalista e dos partidos seus sustentáculos.
I. a corrupção é uma característica humana que grassa independentemente de convicções políticas, formas de exercício de poder e da classe.
II. a corrupção e má-gestão, a relação entre cidadão e exercício do poder são independentes dos partidos em cujas listas se inseria o cidadão e, por consequência, independentes das ideologias seguidas por cada partido e pelas formas de funcionamento deste.
Ora, em boa análise, ambos os anteriores vectores concorrem para um mesmo ponto: o da ilibação dos partidos das tropelias, corrupções e outros atropelos à democracia que por aí se praticam. Os comunistas já entenderam que não há avanços democráticos que advenham da secretaria. Os comunistas não concordam com os parasitas do poder local, por isso lutam com as populações no sentido da consciencialização das massas para um voto diferente. O bloco poupa-se ao trabalho de sapa, o bloco apoia leis que lhe tirem os obstáculos da frente. Em vez de se empenhar na queda do Alberto com as massas, os jovens, as mulheres e os homens da Madeira, que dá trabalho, o bloco defende que se aplique uma lei que o impede de candidatar-se no futuro. Sai ileso o PSD, saem desmobilizados os cidadãos madeirenses. Sai um sorriso de Louçã nos jornais.
Nesta acusação, como aliás em muitas outras, confluem as opiniões de trotskyistas, anarquistas e, ultimamente em Portugal, também dos auto-proclamados ex-Estalinistas. Claro que, em outras acusações, porventura mais importantes no que toca ao posicionamento das forças políticas no tabuleiro da luta de classes, estes três referidos apêndices resquiciais da influência capitalista nos movimentos de esquerda e populares convergem ainda com as grandes forças mais reaccionárias e mais conservadoras da sociedade.
Claro está que, quando toca à defesa dos privilégios da burguesia, esquerdistas, pseudo-radicais e direita dão as mãos numa união capaz de enternecer um rochedo.
Mas, de volta à acusação de burocracia.
Diz-nos esta palavra, pela sua análise etimológica e pela sua decomposição em radicais que o burocrata é aquele que utiliza a força (do grego, krátos) pela via do gabinete (escritório – do francês, bureau). Ora, não me motiva aqui hoje a desmontagem do discurso anticomunista do passado, mas sim o do presente.
Vejamos onde se encontram hoje muitos dos trotskyistas portugueses da antiga LCI e do PSR, muitos dos Estalinistas da UDP, muitos auto-proclamados anarco-guevaristas e outras invenções do género. Encontrá-los-emos no saco de gatos político-partidário-movimentista-situacionista-oportunista-anticomunista que é o bloco de esquerda. São estes mesmos senhores que apelidam recorrentemente os comunistas de burocratas.
Ora, recentemente, tivemos duas boas provas no nosso país que evidenciaram o binómio antagonista burocracia / democracia (novamente, peço que entendam aqui democracia como a tal laocracia a que me refiro aqui).
A chamada “lei da paridade”.
A alteração à “lei eleitoral” – limitação de mandatos.
Curiosamente, o bloco não temeu qualquer acusação de burocrata, porque se há ciência que este grupelho domina é a do oportunismo, na qual, aliás, seus membros devem ter formação avançada. Claro que o bloco sabe perfeitamente que tem sempre a comunicação social do seu lado, pelo menos não atacando, e neste caso, gozava ainda do facto de ser capachinho do PS mais retrógrado dos últimos anos.
Mas o que têm estas leis? Estas leis são imposições burocráticas directas à liberdade de eleger e ser eleito, constitucionalmente garantidas. Esta é uma típica demonstração de como o bloco conceptualiza as massas. Para o bloco de esquerda, o povo é apenas uma massa de irracionais e brutos, para quem são necessárias leis que digam em quem não se pode votar. Para o bloco, o povo é apenas uma massa acéfala, sendo que o bloco e principalmente o Louça são a central nevrálgica, o cérebro a bem-dizer. É no seio deste partido que todas as operações sinápticas se dão.
É neste sentido que o bloco apoia ferverosamente estas limitações às liberdades e direitos dos cidadãos portugueses, querendo impedir os partidos e os cidadãos que não partilhem das mesmas premissas que os iluminados de se candidatarem a cargos públicos. Ou seja, para o bloco, o povo não tem capacidade de escolher, portanto, o bloco escolhe.
Burocractas? O que não conseguem resolver nas urnas querem resolver por força de leis aprovadas longe dos cidadãos, aproveitando e cavalgando ondas demagógicas ao estilo da direita populista.
Impor por força de lei que todas as listas incluem pelo menos um terço de cada sexo na sua composição não é mais que aplicar uma visão mistificada da política e das relações humanas e de produção, esquecer o conceito de classe e desviar a resolução de um problema sério para a esfera do oportunismo. Impor por força de lei que esta ou aquela pessoa não pode candidatar-se porque já lá esteve tempo demais é contribuir para reforçar dois grandes vectores da acção de mistificação do sistema capitalista e dos partidos seus sustentáculos.
I. a corrupção é uma característica humana que grassa independentemente de convicções políticas, formas de exercício de poder e da classe.
II. a corrupção e má-gestão, a relação entre cidadão e exercício do poder são independentes dos partidos em cujas listas se inseria o cidadão e, por consequência, independentes das ideologias seguidas por cada partido e pelas formas de funcionamento deste.
Ora, em boa análise, ambos os anteriores vectores concorrem para um mesmo ponto: o da ilibação dos partidos das tropelias, corrupções e outros atropelos à democracia que por aí se praticam. Os comunistas já entenderam que não há avanços democráticos que advenham da secretaria. Os comunistas não concordam com os parasitas do poder local, por isso lutam com as populações no sentido da consciencialização das massas para um voto diferente. O bloco poupa-se ao trabalho de sapa, o bloco apoia leis que lhe tirem os obstáculos da frente. Em vez de se empenhar na queda do Alberto com as massas, os jovens, as mulheres e os homens da Madeira, que dá trabalho, o bloco defende que se aplique uma lei que o impede de candidatar-se no futuro. Sai ileso o PSD, saem desmobilizados os cidadãos madeirenses. Sai um sorriso de Louçã nos jornais.
Wednesday, June 21, 2006
A Destruição do Ser na Educação de Massas - parte II
Dizia então que urge desmascarar a linguagem do grande capital no que toca à educação, pois ela é apenas mais uma expressão da forte ofensiva contra a emancipação dos trabalhadores de todo o mundo. Ofensiva que, no que toca à Educação, tem como principal objectivo a destruição do Ser humano enquanto tal. De acordo com os desígnios do capitalismo, Ser é algo que ficará ao alcance apenas da elite, o que aliás, já hoje se vem verificando.
O Processo de Bolonha é um óptimo exemplo de estratégia capitalista. A forma como tem sido propulsionado, propagandeado e implementado está repleta dos já habituais malabarismos retóricos do poder capitalista, com o apoio incondicional dos Estados submissos à sua lógica.
O chamado Processo de Bolonha não é mais que um plano de internacionalização do ensino enquanto mercado e enquanto fonte de mão-de-obra para o mercado. A formação do Homem, da Mulher, é esquecida. A grande questão passa a ser a sua empregabilidade, a sua competitividade, conceitos tão vagos quanto o necessário para justificar em novo léxico as velhas aspirações d patronato.
O que é a destruição do Ser?
O Ser humano, os homens, as mulheres, os jovens, distinguem-se dos animais essencialmente pela capacidade de trabalhar recorrendo a ferramentas, que radica no facto de serem capazes de efectuar um desenvolvimento do conhecimento que adquirem bastante superior àquilo que se verifica nos outros animais. Assim, biologicamente, somos diferentes porque a nossa adaptação ao meio estagnou anatomicamente e passou a fazer-se intelectualmente. Ou seja, estagnámos no curso evolutivo, porque as ferramentas que criamos são a nossa adaptação ao meio. Os outros animais, adaptam o seu próprio corpo às novas condições, o polegar oponível possibilitou-nos a manutenção da forma física, adaptando a ferramenta. O desenvolvimento da ferramenta, seja ela física, informática ou intelectual, é fruto do desenvolvimento do conhecimento. O desenvolvimento do Ser Humano está interligado com esta capacidade de interpretar para além de executar. O Homem, na plenitude do termo, é um ser que pode saber enroscar um parafuso, mas o essencial é que o homem compreende porque é que o parafuso enrosca neste sentido e não no outro.
Se, de futuro, o Homem passar a aprender exclusivamente a enroscar o parafuso, sem entender o porquê da operação, então, uma parte significativo daquilo que o faz humano, está castrada. O seu Ser está debilitado.
A destruição do Ser é o mecanismo do capital para manter as massas em condição submissa e incapaz de reivindicar, incapaz de compreender as relações de produção tanto quanto será incapaz de entender as leis da física ou a evolução da filosofia. Resguardar a formação avançada, ou seja, o conhecimento, aos que podem pagá-lo é a garantia do capital de que o conhecimento estará sempre e prolongadamente ao seu serviço. A criação de novos contingentes de máquinas humanas é uma condição para o avanço que o capitalismo almeja de momento. A elite detém o conhecimento, as massas, apenas as competências.
Como é que Bolonha determina uma maior elitização do Ensino Superior?
Se Bolonha orienta o Ensino Superior num conjunto de países para um espaço europeu, vários problemas se colocam:
A chamada “Fronteira Tecnológica” – à luz da lógica mercantilista e economicista do capital e dos seus centros de decisão, a economia de escala é um requisito para o sucesso de qualquer sistema, para qualquer rede de meios que sustente um sistema produtivo. Ora, para o capital, como para a actual Europa (com dignas excepções como a Bielorrússia), o Ensino é um óptimo mercado, no qual os sistemas educativos são a rede de meios de produção. Sendo o Ensino um mercado gigantesco, bem como um poderoso meio para o controlo ideológico de massas, importa aplicar-lhe as regras básicas do capital e dos seus mercados – diminuição de custos, aumento de lucros. A fronteira tecnológica é o eixo Alemanha, França, Holanda e Inglaterra, centro de concentração de meios educativos e científicos.
A gestão de recursos no sentido da diminuição de custos, alargando a escala, significa directamente, economia de escala num novo universo – o espaço capitalista europeu. Isto significa que, para o capital e os seus estados, passará a ser ridículo manter diversidade na formação nos diversos estados. A concentração de meios dispendiosos é bastante mais racional que a sua desconcentração. Assim, seria impensável manter centros de investigação científica de vanguarda, ou mesmo universidades, em cada país, incluindo aqueles onde o tecido produtivo se baseia nos serviços e na construção civil, como é o caso de Portugal. Seria impensável para o capital, a ideia de sustentar múltiplos centros de excelência em múltiplos países. O capital tem estratégia internacional e ela é, sempre, contrária à vontade dos povos. Assim, aquilo que o povo português quer de Portugal, não é certamente o mesmo que o capital transnacional deseja. Neste sentido, para países de mão-de-obra barata, pouca formação.
A concentração dos meios será feita, obviamente, onde se verificar menos dispendiosa e mais capaz de gerar lucro – é aí que surge a Fronteira Tecnológica. Nome bonito para “Grandes Estados da Federação Europeia”.
A parte I deste post motivou, no entanto, legítimas dúvidas em torno da Educação por competências. A parte III aí irá e o modelo de Ensino supostamente defendido por Bolonha será o mote.
O Processo de Bolonha é um óptimo exemplo de estratégia capitalista. A forma como tem sido propulsionado, propagandeado e implementado está repleta dos já habituais malabarismos retóricos do poder capitalista, com o apoio incondicional dos Estados submissos à sua lógica.
O chamado Processo de Bolonha não é mais que um plano de internacionalização do ensino enquanto mercado e enquanto fonte de mão-de-obra para o mercado. A formação do Homem, da Mulher, é esquecida. A grande questão passa a ser a sua empregabilidade, a sua competitividade, conceitos tão vagos quanto o necessário para justificar em novo léxico as velhas aspirações d patronato.
O que é a destruição do Ser?
O Ser humano, os homens, as mulheres, os jovens, distinguem-se dos animais essencialmente pela capacidade de trabalhar recorrendo a ferramentas, que radica no facto de serem capazes de efectuar um desenvolvimento do conhecimento que adquirem bastante superior àquilo que se verifica nos outros animais. Assim, biologicamente, somos diferentes porque a nossa adaptação ao meio estagnou anatomicamente e passou a fazer-se intelectualmente. Ou seja, estagnámos no curso evolutivo, porque as ferramentas que criamos são a nossa adaptação ao meio. Os outros animais, adaptam o seu próprio corpo às novas condições, o polegar oponível possibilitou-nos a manutenção da forma física, adaptando a ferramenta. O desenvolvimento da ferramenta, seja ela física, informática ou intelectual, é fruto do desenvolvimento do conhecimento. O desenvolvimento do Ser Humano está interligado com esta capacidade de interpretar para além de executar. O Homem, na plenitude do termo, é um ser que pode saber enroscar um parafuso, mas o essencial é que o homem compreende porque é que o parafuso enrosca neste sentido e não no outro.
Se, de futuro, o Homem passar a aprender exclusivamente a enroscar o parafuso, sem entender o porquê da operação, então, uma parte significativo daquilo que o faz humano, está castrada. O seu Ser está debilitado.
A destruição do Ser é o mecanismo do capital para manter as massas em condição submissa e incapaz de reivindicar, incapaz de compreender as relações de produção tanto quanto será incapaz de entender as leis da física ou a evolução da filosofia. Resguardar a formação avançada, ou seja, o conhecimento, aos que podem pagá-lo é a garantia do capital de que o conhecimento estará sempre e prolongadamente ao seu serviço. A criação de novos contingentes de máquinas humanas é uma condição para o avanço que o capitalismo almeja de momento. A elite detém o conhecimento, as massas, apenas as competências.
Como é que Bolonha determina uma maior elitização do Ensino Superior?
Se Bolonha orienta o Ensino Superior num conjunto de países para um espaço europeu, vários problemas se colocam:
A chamada “Fronteira Tecnológica” – à luz da lógica mercantilista e economicista do capital e dos seus centros de decisão, a economia de escala é um requisito para o sucesso de qualquer sistema, para qualquer rede de meios que sustente um sistema produtivo. Ora, para o capital, como para a actual Europa (com dignas excepções como a Bielorrússia), o Ensino é um óptimo mercado, no qual os sistemas educativos são a rede de meios de produção. Sendo o Ensino um mercado gigantesco, bem como um poderoso meio para o controlo ideológico de massas, importa aplicar-lhe as regras básicas do capital e dos seus mercados – diminuição de custos, aumento de lucros. A fronteira tecnológica é o eixo Alemanha, França, Holanda e Inglaterra, centro de concentração de meios educativos e científicos.
A gestão de recursos no sentido da diminuição de custos, alargando a escala, significa directamente, economia de escala num novo universo – o espaço capitalista europeu. Isto significa que, para o capital e os seus estados, passará a ser ridículo manter diversidade na formação nos diversos estados. A concentração de meios dispendiosos é bastante mais racional que a sua desconcentração. Assim, seria impensável manter centros de investigação científica de vanguarda, ou mesmo universidades, em cada país, incluindo aqueles onde o tecido produtivo se baseia nos serviços e na construção civil, como é o caso de Portugal. Seria impensável para o capital, a ideia de sustentar múltiplos centros de excelência em múltiplos países. O capital tem estratégia internacional e ela é, sempre, contrária à vontade dos povos. Assim, aquilo que o povo português quer de Portugal, não é certamente o mesmo que o capital transnacional deseja. Neste sentido, para países de mão-de-obra barata, pouca formação.
A concentração dos meios será feita, obviamente, onde se verificar menos dispendiosa e mais capaz de gerar lucro – é aí que surge a Fronteira Tecnológica. Nome bonito para “Grandes Estados da Federação Europeia”.
A parte I deste post motivou, no entanto, legítimas dúvidas em torno da Educação por competências. A parte III aí irá e o modelo de Ensino supostamente defendido por Bolonha será o mote.
Friday, June 16, 2006
Medonho Correio
Pronto.
Eu não consigo mais passar naquele café se não fizer isto hoje aqui.
Não é meu hábito escrever textos de maledicência directamente dirigidos a um indivíduo específico. Mas de hoje não passa.
Eu sou daqueles infelizes que, na sua ida para o trabalho, tem o hábito de parar num tasco e beber o café para acordar. Infeliz, não pela qualidade do tasco, que a tem toda para merecer semelhante epíteto, mas pela reduzida escolha jornalística que oferece. É que este tasco só tem dois jornais pela manhã, que são os mesmo que tem pela tarde.
Assim, todas as manhãs passo os olhos no Correio da Manhã e, três vezes por semana, posso regalá-los no Setubalense.
E não há um único dia em que não venham os restos do jantar do dia anterior à boca ao passar os olhos naquele jornal de sarjeta, que é o que aquilo é.
Claro que todo o jornal é uma náusea, desde os desenhos dos pretos que assaltam crianças, até à forma como tratam os assuntos da política nacional, passando pelas primeiras páginas que mais não são senão propaganda anti-democrática e anti-parlamentar.
Mas, confesso, se tudo isso me enoja, é, simultaneamente, algo que compreendo. Aquele "jornal", a sua direcção e edição estão a cumprir o seu papel. Por isso é que tenho nutrido um ódio especial por um anormal que escreve na última página. Dá pelo nome de Ferreira Fernandes e deve ter um daqueles cursos superiores em TUDO.
Ele dá aulas de ética e moral, desporto, política, economia, religião e por aí fora, sem limites nem barreiras que o possam calar. Ora este energúmeno fala de tudo com tal displicência que juro que é das poucas pessoas a quem me apetece bater, mas bater mesmo.
Este senhor julga que pode dizer o que quiser de quem quiser, dando-se ao luxo de insultar os mortos, fazendo-se valer duma sapiência de algibeira que foi buscar aos filmes do hollywood.
Tirem esse homem daí, o CM não precisa de ir tão baixo para ser mau... a sério, ganham o prémio de melhor papel higiénico para suínos mesmo sem o Ferreira Fernandes.
Eu não consigo mais passar naquele café se não fizer isto hoje aqui.
Não é meu hábito escrever textos de maledicência directamente dirigidos a um indivíduo específico. Mas de hoje não passa.
Eu sou daqueles infelizes que, na sua ida para o trabalho, tem o hábito de parar num tasco e beber o café para acordar. Infeliz, não pela qualidade do tasco, que a tem toda para merecer semelhante epíteto, mas pela reduzida escolha jornalística que oferece. É que este tasco só tem dois jornais pela manhã, que são os mesmo que tem pela tarde.
Assim, todas as manhãs passo os olhos no Correio da Manhã e, três vezes por semana, posso regalá-los no Setubalense.
E não há um único dia em que não venham os restos do jantar do dia anterior à boca ao passar os olhos naquele jornal de sarjeta, que é o que aquilo é.
Claro que todo o jornal é uma náusea, desde os desenhos dos pretos que assaltam crianças, até à forma como tratam os assuntos da política nacional, passando pelas primeiras páginas que mais não são senão propaganda anti-democrática e anti-parlamentar.
Mas, confesso, se tudo isso me enoja, é, simultaneamente, algo que compreendo. Aquele "jornal", a sua direcção e edição estão a cumprir o seu papel. Por isso é que tenho nutrido um ódio especial por um anormal que escreve na última página. Dá pelo nome de Ferreira Fernandes e deve ter um daqueles cursos superiores em TUDO.
Ele dá aulas de ética e moral, desporto, política, economia, religião e por aí fora, sem limites nem barreiras que o possam calar. Ora este energúmeno fala de tudo com tal displicência que juro que é das poucas pessoas a quem me apetece bater, mas bater mesmo.
Este senhor julga que pode dizer o que quiser de quem quiser, dando-se ao luxo de insultar os mortos, fazendo-se valer duma sapiência de algibeira que foi buscar aos filmes do hollywood.
Tirem esse homem daí, o CM não precisa de ir tão baixo para ser mau... a sério, ganham o prémio de melhor papel higiénico para suínos mesmo sem o Ferreira Fernandes.
Monday, June 05, 2006
A destruição do Ser na Educação de massas - parte I
A educação preenche um lugar insubstituível nas sociedades humanas, na construção da sua história e na estruturação das relações entre os homens. A educação de massas é, por isso, talvez o mais potente instrumento de controlo de massas, como pode ser o mais poderoso dos instrumentos para a libertação.
A edificação de uma consciência humana está profundamente interligada com a educação e com a forma como se aprende e com o que se aprende. Daí que dominar os sistemas educativos de Estado e de Massas (desde as escolas de todos os graus, à produção literária, passando pelos meios de comunicação social) seja um passo determinante para a consolidação do poder do imperialismo e do capitalismo.
Condicionar a mente dos homens e das mulheres entre determinados parâmetros, reservando o conhecimento apenas a quem está intmamente ligado à subsistência do sistema é um passo primordial.
Vem isto a propósito do novo chavão da direita para justificar todo o ataque dirigido ao sistema educativo português: "deixar de basear a educação na transmissão de conhecimentos e passar a desenvolvê-la com o objectivo da aquisição de competências".
Importa desmontar esta frase aparentemente inócua.
A superação colectiva do actual estado social passa pela construção progressiva de um Homem livre, consciente, pleno; numa relação paralela à evolução da sociedade. O Homem não será totalmente livre da exploração, enquanto não for capaz de basear o seu olhar numa análise científica, objectiva, mas também humanista e sensível. No entanto, o Homem não terá condições de criar um sistema que o forme nessas condições antes de suplantar o capitalismo e iniciar a construção de uma sociedade mais justa, socialista. Nesse sentido, a educação é condição para a libertação plena, mas a evolução social também é condição para a criação de um sistema de ensino humano e humanista. Maravilha da dialéctica esta.
Voltando à frase:
o conhecimento deve ser a base de qualquer competência, sob pena de se vir a estar perante um autómato e não de um ser pensante quando olharmos alguém que tenha adquirido bem as competências sem a sua base científica. Esta frase que agora nos é dada como a descoberta da nova fórmula educativa não representa mais que a velha forma pela qual o patrão ordena ao trabalhador a sua nova tarefa. O efeito prático desta "nova" fórmula já se avizinha com a aplicação do Processo de Bolonha e com as práticas pedagógicas distorcidas de grande parte do Ensino Profissional, exigindo que o estudante trabalhe sem remuneração e sem direitos de protecção no trabalho, sob o pretexto de que está a adquirir competências e a conhecer o mundo do trabalho. Ora, para conhecer o mundo do trabalho, resta toda uma vida de trabalhador àquele estudante, durante a qual poderá desenvolver as suas competências e a sua prática, as quais deve antes ser iniciadas no período de aprendizagem escolar.
Encarar a escola como uma simples ante-câmara do mundo do trabalho é destruir o conceito de escola e transformá-lo no de "oficina de aprendizes". A restauração da figura do aprendiz é, por isso mesmo, hoje um objectivo do capitalismo na Europa.
Um sistema de ensino que se dedique à formação de gerações individualistas, de jovens formatados e alienados do conhecimento e da produção cultural, artística e científica é um sistema de ensino morto na sua essência, passando a ser uma linha de montagem de trabalhadores sem direitos e com a sua capacidade de questionar num estado latente, inactiva.
É o sistema de Ensino do Capitalismo.
A edificação de uma consciência humana está profundamente interligada com a educação e com a forma como se aprende e com o que se aprende. Daí que dominar os sistemas educativos de Estado e de Massas (desde as escolas de todos os graus, à produção literária, passando pelos meios de comunicação social) seja um passo determinante para a consolidação do poder do imperialismo e do capitalismo.
Condicionar a mente dos homens e das mulheres entre determinados parâmetros, reservando o conhecimento apenas a quem está intmamente ligado à subsistência do sistema é um passo primordial.
Vem isto a propósito do novo chavão da direita para justificar todo o ataque dirigido ao sistema educativo português: "deixar de basear a educação na transmissão de conhecimentos e passar a desenvolvê-la com o objectivo da aquisição de competências".
Importa desmontar esta frase aparentemente inócua.
A superação colectiva do actual estado social passa pela construção progressiva de um Homem livre, consciente, pleno; numa relação paralela à evolução da sociedade. O Homem não será totalmente livre da exploração, enquanto não for capaz de basear o seu olhar numa análise científica, objectiva, mas também humanista e sensível. No entanto, o Homem não terá condições de criar um sistema que o forme nessas condições antes de suplantar o capitalismo e iniciar a construção de uma sociedade mais justa, socialista. Nesse sentido, a educação é condição para a libertação plena, mas a evolução social também é condição para a criação de um sistema de ensino humano e humanista. Maravilha da dialéctica esta.
Voltando à frase:
o conhecimento deve ser a base de qualquer competência, sob pena de se vir a estar perante um autómato e não de um ser pensante quando olharmos alguém que tenha adquirido bem as competências sem a sua base científica. Esta frase que agora nos é dada como a descoberta da nova fórmula educativa não representa mais que a velha forma pela qual o patrão ordena ao trabalhador a sua nova tarefa. O efeito prático desta "nova" fórmula já se avizinha com a aplicação do Processo de Bolonha e com as práticas pedagógicas distorcidas de grande parte do Ensino Profissional, exigindo que o estudante trabalhe sem remuneração e sem direitos de protecção no trabalho, sob o pretexto de que está a adquirir competências e a conhecer o mundo do trabalho. Ora, para conhecer o mundo do trabalho, resta toda uma vida de trabalhador àquele estudante, durante a qual poderá desenvolver as suas competências e a sua prática, as quais deve antes ser iniciadas no período de aprendizagem escolar.
Encarar a escola como uma simples ante-câmara do mundo do trabalho é destruir o conceito de escola e transformá-lo no de "oficina de aprendizes". A restauração da figura do aprendiz é, por isso mesmo, hoje um objectivo do capitalismo na Europa.
Um sistema de ensino que se dedique à formação de gerações individualistas, de jovens formatados e alienados do conhecimento e da produção cultural, artística e científica é um sistema de ensino morto na sua essência, passando a ser uma linha de montagem de trabalhadores sem direitos e com a sua capacidade de questionar num estado latente, inactiva.
É o sistema de Ensino do Capitalismo.
Tuesday, May 23, 2006
8º Congresso - Transformar o sonho em Vida!
Quem não viu, não terá o privilégio de guardar aqueles momentos na memória, mas terá um outro ainda mais importante: o de viver no mesmo espaço que aqueles jovens, sabendo que eles, aquelas centenas quase milhar, representantes de muitos outros mil, estão firmemente comprometidos com a luta do seu povo, da juventude a que pertencem, a portuguesa.
Eram mares as bandeiras e os punhos, ondulando firmes e levantados. Eram imensos as mentes a procurar caminhos, imensos como intensos os rumos traçados. Seguros, aqueles jovens, de que a sua luta ao lado dos trabalhadores e mesmo enquanto trabalhadores, será vitoriosa. Não nos restam dúvidas de que sim!
Bom trabalho!
Eram mares as bandeiras e os punhos, ondulando firmes e levantados. Eram imensos as mentes a procurar caminhos, imensos como intensos os rumos traçados. Seguros, aqueles jovens, de que a sua luta ao lado dos trabalhadores e mesmo enquanto trabalhadores, será vitoriosa. Não nos restam dúvidas de que sim!
Bom trabalho!
O complemento solidário de reforma para idosos - ou a fraude reaccionária contra idosos
Complemento solidário para idosos - Ora aqui está um nome pomposo para uma expressão que poderia ser melhor resumida na expressão: “os velhos que se danem”. O Governo, que já nos vai habituando às suas investidas contra os próprios que o elegeram, anunciou há pouco tempo a sua nova fórmula mágica para combater a pobreza nas camadas mais velhas da população. Quando, em campanha eleitoral, o actual Primeiro-Ministro sorria para os idosos prometendo-lhes que nenhum receberia valores de pensão abaixo dos 300€, todos, idosos e outros, pensávamos que o Engenheiro estava a prometer uma subida das pensões, uma medida positiva entre tantas, anunciadas nesse efusivo período de propaganda. Sinceramente, com tanto acumular de mentiras destes senhores, esperávamos já que esta fosse apenas mais uma patranha.
A visão da qual parte o Governo é a de que os idosos são uns gatunos, que importa controlar mais que os grandes grupos económicos. Além disso, o que era prometido começa a ser afinal uma promessa desfeita. Ao invés de fazer as pensões convergirem no sentido do salário mínimo nacional (ainda assim baixo), o governo mostra o respeito que não tem por quem trabalhou uma vida inteira e que vive agora em situações muito complicadas de miséria ou pobreza extrema. São centenas de milhar os idosos que precisam do Estado na garantia da sua subsistência. São muitos os que não têm dinheiro para aviar as receitas do médico.
Vai daí, em vez de aumentar, como dizia, as pensões, o governo decide implementar um complemento solidário, que mais é uma esmola caritária para idosos em situação de pobreza extrema. Curioso é o facto de que o PS propunha-se a tirar 300.000 idosos da pobreza e afinal só vai atribuir o complemento a 40.000 (cerca de 11% do prometido – num teste seria uma negativa medíocre e assustadora). Como se tal não bastasse, o governo decide, numa atitude a roçar tempos de outrora, bastante mais escuros e decadentes, contar com os rendimentos dos filhos destes idosos para fazer o cálculo e mesmo decidir do deferimento do complemento. Ora, a solidariedade a que o governo se refere é afinal um novo dever, não um novo direito, mas um novo dever: o dever dos trabalhadores passarem a ser responsáveis pelo seu próprio envelhecimento, mais pelo dos seus pais. Só disso não viria grande mal ao mundo… a questão central é que, no meio disto tudo o governo arranjou maneira de demitir o Estado dessa sua função central: a da protecção social.
Assim, o nosso magnífico executivo “socialista” vem introduzir mais um factor de desequilíbrio entre idosos: entre aqueles cujos filhos não se importam de divulgar os seus rendimentos e com esses ajudar os pais e entre aqueles, cujos filhos não querem sequer declarar os rendimentos e que, por isso, não poderão obter o tal complemento. Que divisão social é esta? Que diferença existe entre uns e outros idosos?
Outra questão que não deixa de me repugnar é a forma como o governo encara os idosos. Um pouco como parasitas ingratos e trapaceiros da sociedade portuguesa, o que é comprovado pelo vómito verbal de uma representante do governo na assembleia da república em reunião de comissão: “Vocês não fazem ideia dos esquemas e trapaças que os reformados do interior são capazes de fazer só para conseguir o complemento. As funcionárias da Seg. Social, como até sentem pena dos velhotes, ajudam-nos a obter a prestação.” Ora é esta concepção fascizante e anormal que os leva a impor um conjunto de documentos a apresentar mais uma multiplicidade de documentos e formulários a preencher para que um idoso possa requerer o complemento. Estamos todos convictos que, com a assustadora taxa de analfabetismo entre idosos, estas pessoas vão conseguir ultrapassar esta barreira burocrática com um sorriso. Aos trabalhadores o que é seu, seus gatunos!
“a solidariedade familiar não se impõe por decreto”
A visão da qual parte o Governo é a de que os idosos são uns gatunos, que importa controlar mais que os grandes grupos económicos. Além disso, o que era prometido começa a ser afinal uma promessa desfeita. Ao invés de fazer as pensões convergirem no sentido do salário mínimo nacional (ainda assim baixo), o governo mostra o respeito que não tem por quem trabalhou uma vida inteira e que vive agora em situações muito complicadas de miséria ou pobreza extrema. São centenas de milhar os idosos que precisam do Estado na garantia da sua subsistência. São muitos os que não têm dinheiro para aviar as receitas do médico.
Vai daí, em vez de aumentar, como dizia, as pensões, o governo decide implementar um complemento solidário, que mais é uma esmola caritária para idosos em situação de pobreza extrema. Curioso é o facto de que o PS propunha-se a tirar 300.000 idosos da pobreza e afinal só vai atribuir o complemento a 40.000 (cerca de 11% do prometido – num teste seria uma negativa medíocre e assustadora). Como se tal não bastasse, o governo decide, numa atitude a roçar tempos de outrora, bastante mais escuros e decadentes, contar com os rendimentos dos filhos destes idosos para fazer o cálculo e mesmo decidir do deferimento do complemento. Ora, a solidariedade a que o governo se refere é afinal um novo dever, não um novo direito, mas um novo dever: o dever dos trabalhadores passarem a ser responsáveis pelo seu próprio envelhecimento, mais pelo dos seus pais. Só disso não viria grande mal ao mundo… a questão central é que, no meio disto tudo o governo arranjou maneira de demitir o Estado dessa sua função central: a da protecção social.
Assim, o nosso magnífico executivo “socialista” vem introduzir mais um factor de desequilíbrio entre idosos: entre aqueles cujos filhos não se importam de divulgar os seus rendimentos e com esses ajudar os pais e entre aqueles, cujos filhos não querem sequer declarar os rendimentos e que, por isso, não poderão obter o tal complemento. Que divisão social é esta? Que diferença existe entre uns e outros idosos?
Outra questão que não deixa de me repugnar é a forma como o governo encara os idosos. Um pouco como parasitas ingratos e trapaceiros da sociedade portuguesa, o que é comprovado pelo vómito verbal de uma representante do governo na assembleia da república em reunião de comissão: “Vocês não fazem ideia dos esquemas e trapaças que os reformados do interior são capazes de fazer só para conseguir o complemento. As funcionárias da Seg. Social, como até sentem pena dos velhotes, ajudam-nos a obter a prestação.” Ora é esta concepção fascizante e anormal que os leva a impor um conjunto de documentos a apresentar mais uma multiplicidade de documentos e formulários a preencher para que um idoso possa requerer o complemento. Estamos todos convictos que, com a assustadora taxa de analfabetismo entre idosos, estas pessoas vão conseguir ultrapassar esta barreira burocrática com um sorriso. Aos trabalhadores o que é seu, seus gatunos!
“a solidariedade familiar não se impõe por decreto”
Friday, May 12, 2006
verdades que saem (por descuido)
fazedor de ideias do capital (portanto do Público) diz:
"Temos que acabar com a fome, antes que os esfomeados acabem com esta sociedade."
Anda uma pessoa a tentar arranjar uma expressão boa para explicar a social-democracia e quais os seus objectivos, quando vem um dos que trabalham para manter a coisa com está agora, resolver tudo com uma frase. Tracando por miúdos : temos que os tratar um bocadinho melhor, senão eles ainda se revoltam e nos tiram do poleiro.
Sim, senhor. Parabéns ao Público.
"Temos que acabar com a fome, antes que os esfomeados acabem com esta sociedade."
Anda uma pessoa a tentar arranjar uma expressão boa para explicar a social-democracia e quais os seus objectivos, quando vem um dos que trabalham para manter a coisa com está agora, resolver tudo com uma frase. Tracando por miúdos : temos que os tratar um bocadinho melhor, senão eles ainda se revoltam e nos tiram do poleiro.
Sim, senhor. Parabéns ao Público.
Tuesday, May 09, 2006
Suspensão de contributos
Estou em Atenas, a Helénica.
Por isso mesmo, os meus posts não aparecerão antes da próxima semana, provavelmente.
Desafio o mamute para tapar a lacuna provocada pela minha ausência involuntária.
Até breve.
A luta continua!
Por isso mesmo, os meus posts não aparecerão antes da próxima semana, provavelmente.
Desafio o mamute para tapar a lacuna provocada pela minha ausência involuntária.
Até breve.
A luta continua!
Wednesday, May 03, 2006
1 de Maio (sempre em tempo)
O mamutemorto atrasou-se na escrita sobre as comemorações da Revolução de Abril, mas esteve a tempo na participação e trabalho. Está, portanto, salvaguardado o atraso de tão oportuno texto.
Está agora em falta um não menos necessário texto sobre o dia do Trabalhador, dia em que Abril faz ainda mais sentido, dia aliás em que abril cresce até ser maio.
E neste primeiro dia de maio estiveram nas ruas os homens e as mulheres, comemorando aquilo que já não é só uma evocação de Haymarket, é a celebração da luta e a demonstração viva do confronto agudo de classes e da capacidade de evidenciar direitos dos trabalhadores. Direitos ofendidos, retirados, direitos esmagados, mas que não passam sem luta, mas que não ficarão para trás na construção do futuro.
Eram, segundo a polícia 30 mil. a polícia... outra polícia foi quem marcou este dia a sangue de operário em chicago, carregando sobre homens que queriam apenas um horário de trabalho digno de um ser humano. Mas eram, como dizia, segundo a polícia, 30 mil. 30 mil trabalhadores, homens, mulheres, jovens e até reformados. Eram mais, claro está. Eram os suficientes para encher a alameda universitária de lisboa enquanto ainda a marcha saía do estádio primeiro de maio. Mas eram mais. Eram mais uns quantos milhares por esse país a fora. Por onde houvesse um trabalhador. Foram muitas as marchas. os comícios. as votações. Foram muitos os jovens que participaram no seu primeiro primeiro de maio. muitos os trabalhadores que o voltaram a lembrar... em luta!
E a ofensiva não parará. Mas um dia cederá nas suas forças ilusoriamente e cairá às nossas mãos. Mas o que importa é que a resistência é mais forte, que a vida une cada vez mais trabalhadores. O que importa é saber que esta marcha não pára por um só dia, nem que seja feriado nacional. O que importa é saber que a direita, seja pelas trapaçarias do PS, seja pelas vergonhas do PSD, contará sempre com a resistência. Resistência da esquerda comunista. Mas acima de tudo, resistência dos que trabalham.
Está agora em falta um não menos necessário texto sobre o dia do Trabalhador, dia em que Abril faz ainda mais sentido, dia aliás em que abril cresce até ser maio.
E neste primeiro dia de maio estiveram nas ruas os homens e as mulheres, comemorando aquilo que já não é só uma evocação de Haymarket, é a celebração da luta e a demonstração viva do confronto agudo de classes e da capacidade de evidenciar direitos dos trabalhadores. Direitos ofendidos, retirados, direitos esmagados, mas que não passam sem luta, mas que não ficarão para trás na construção do futuro.
Eram, segundo a polícia 30 mil. a polícia... outra polícia foi quem marcou este dia a sangue de operário em chicago, carregando sobre homens que queriam apenas um horário de trabalho digno de um ser humano. Mas eram, como dizia, segundo a polícia, 30 mil. 30 mil trabalhadores, homens, mulheres, jovens e até reformados. Eram mais, claro está. Eram os suficientes para encher a alameda universitária de lisboa enquanto ainda a marcha saía do estádio primeiro de maio. Mas eram mais. Eram mais uns quantos milhares por esse país a fora. Por onde houvesse um trabalhador. Foram muitas as marchas. os comícios. as votações. Foram muitos os jovens que participaram no seu primeiro primeiro de maio. muitos os trabalhadores que o voltaram a lembrar... em luta!
E a ofensiva não parará. Mas um dia cederá nas suas forças ilusoriamente e cairá às nossas mãos. Mas o que importa é que a resistência é mais forte, que a vida une cada vez mais trabalhadores. O que importa é saber que esta marcha não pára por um só dia, nem que seja feriado nacional. O que importa é saber que a direita, seja pelas trapaçarias do PS, seja pelas vergonhas do PSD, contará sempre com a resistência. Resistência da esquerda comunista. Mas acima de tudo, resistência dos que trabalham.
Thursday, April 27, 2006
25 de Abril (atrasado)
Raio de blog de esquerda que não dá três vivas ao 25 de Abril. Não há um cravo nem nada. Em hora tardia nos redimimos. Pedimos desculpa. Estivemos na rua a comemorar (desculpa verdadeira que não justifica a total ausência).
Falamos e festejamos o 25 de Abril. o Dia da Liberdade, não num acto de saudosismo, mas conscientes da importância que teve, e ainda tem para as nossas vidas.
Hoje ensinam-nos na escola, e no educador-mor, a televisão, uma coisa do estilo "antes do 25 não se podia falar, reunir ou associar e agora pode-se, graças aos militares que estavam descontentes com a guerra colonial que fizeram um golpe miltar e, por acaso, as pessoas saíram também à rua".
Não podia ser mais redutor.
Não nos podemos esquecer do que foram os 48 anos de fascismo em Portugal. Pela pobreza extrema, pelo analfabetismo, pelas perseguições políticas, pela tortura e muitas vezes a morte a quem defendia tão-só a liberdade e lutava por ela.
Limitar as conquistas de Abril ao direito de associação, reunião e expressão é dar uma visão distorcida da realidade. Não podemos, por uma questão de tempo (e já agora de espaço) enumerar todas estas conquistas, mas não podemos falar de Abril sem referir o direito a férias pagas, o salário mínimo nacional, o fim dos latinfúndios (a terra a quem a trabalha!) e dos monopólios, as nacionalizações, a massificação da cultura, do ensino, da saúde....
( e em 2006 os latifúndios aí estão, empresas do estado as que ainda não foram privatizadas estão na lista, os senhores do antigamente são os de agora, saúde, ensino e cultura são para quem os possa pagar, o salário mínimo é de facto, mínimo......)
Por último, o dia 25 de Abril surgiu de facto pela mão dos militares. Mas não podemos nunca pensar que foi um acto isolado do resto da luta dos trabalhadores e da população por melhores condições de vida e contra o fascismo. De facto, toda a luta desenvolvida, desde as grandes greves das 8 horas, às lutas sectoriais, às comemorações do 1º de Maio, em que naturalmente destacamos o papel dos comunistas pelo seu papel na organização e direcção dos trabalhadores, forma essenciais para a materialização do descontentamento polpular num dia- o 25 de Abril.
Por isso estivemos na rua . Para lembrar o 25 de Abril. Para desmistificar ideias erradas. Mas sobretudo para defender o que foi conquistado com a Revolução
Falamos e festejamos o 25 de Abril. o Dia da Liberdade, não num acto de saudosismo, mas conscientes da importância que teve, e ainda tem para as nossas vidas.
Hoje ensinam-nos na escola, e no educador-mor, a televisão, uma coisa do estilo "antes do 25 não se podia falar, reunir ou associar e agora pode-se, graças aos militares que estavam descontentes com a guerra colonial que fizeram um golpe miltar e, por acaso, as pessoas saíram também à rua".
Não podia ser mais redutor.
Não nos podemos esquecer do que foram os 48 anos de fascismo em Portugal. Pela pobreza extrema, pelo analfabetismo, pelas perseguições políticas, pela tortura e muitas vezes a morte a quem defendia tão-só a liberdade e lutava por ela.
Limitar as conquistas de Abril ao direito de associação, reunião e expressão é dar uma visão distorcida da realidade. Não podemos, por uma questão de tempo (e já agora de espaço) enumerar todas estas conquistas, mas não podemos falar de Abril sem referir o direito a férias pagas, o salário mínimo nacional, o fim dos latinfúndios (a terra a quem a trabalha!) e dos monopólios, as nacionalizações, a massificação da cultura, do ensino, da saúde....
( e em 2006 os latifúndios aí estão, empresas do estado as que ainda não foram privatizadas estão na lista, os senhores do antigamente são os de agora, saúde, ensino e cultura são para quem os possa pagar, o salário mínimo é de facto, mínimo......)
Por último, o dia 25 de Abril surgiu de facto pela mão dos militares. Mas não podemos nunca pensar que foi um acto isolado do resto da luta dos trabalhadores e da população por melhores condições de vida e contra o fascismo. De facto, toda a luta desenvolvida, desde as grandes greves das 8 horas, às lutas sectoriais, às comemorações do 1º de Maio, em que naturalmente destacamos o papel dos comunistas pelo seu papel na organização e direcção dos trabalhadores, forma essenciais para a materialização do descontentamento polpular num dia- o 25 de Abril.
Por isso estivemos na rua . Para lembrar o 25 de Abril. Para desmistificar ideias erradas. Mas sobretudo para defender o que foi conquistado com a Revolução
Wednesday, April 26, 2006
Há flores que já brotaram, mas encherão ainda o mundo e nossas vidas
Na sua obra, O Capital, Marx apresenta um capítulo maravilhoso [Capítulo XI – nota do editor], o qual quero traduzir para a mais simples das linguagens, tão simples que possibilite até aos semi-letrados a sua compreensão, o capítulo sobre a cooperação, no qual Marx sustenta que o colectivo faz nascer uma nova força. Não é apenas o somatório de pessoas, nem tampouco o somatório das suas forças, mas uma completamente nova, muito mais poderosa força. No seu capítulo sobre cooperação, Marx escreve sobre a força material. Mas quando, partindo dessa análise, a unidade da consciência e da vontade florescerem, essa força torna-se ilimitada.
Nadezhda Krupskaya, em carta dirigida a A. M. Gorki de Setembro de 1932.
Nadezhda Krupskaya, em carta dirigida a A. M. Gorki de Setembro de 1932.
Friday, April 21, 2006
Os deputados a menos.
Desde que um conjunto de deputados da nação nos presentearam com um potenciado comportamento de displicência nas vésperas da Páscoa, abundam por aí doutores e outros papagaios que cavalgam a onda, exigindo a reforma do sistema político.
Claro que a ideia de que existem deputados a mais começa a ter cada vez mais eco na população, fortemente fomentada pela comunicação social dominante. A democracia representativa que temos em Portugal, ainda que burguesa, é minimamente próxima do cidadão e tem uma garantia de pluralidade significativa, tendo em conta que é capaz de reflectir, por uma lado as diversas regiões do país, por outro, as forças partidárias em um largo espectro.
O capital, a burguesia e os serviços de comunicação ao seu dispor têm vindo a promover, desde cedo, um ataque cerrado às conquistas de Abril. Ora, uma dessas conquistas é precisamente a democracia representativa. Todos os dias se ataca cada uma das conquistas de Abril, logo esta não escapa à fúria contra-revolucionária.
A ideia de que existem deputados a mais, de que não fazem nenhum, de que só querem encher o bolso e deter poder é disso forte expressão. Conquistar esta posição nas massas é meio caminho andado para que a população aplauda um forte e rude golpe contra o regime democrático burguês actual, provocando um retrocesso grave na reconstituição do poder político corporativista. A restauração dos monopólios económicos está garantida, resta garantir a restauração do monopólio político.
O Partido Socialista, com o apoio declarado do PSD já afirmaram que querem alterar a composição da democracia portuguesa. Utilizando as suas próprias falhas. São exactamente PS e PSD os partidos que mais faltam às reuniões plenárias e de Comissões parlamentares e os que mais deputados inactivos têm. São exactamente esses dois partidos os donos da alternância doentia que tem governado o país e que tem conduzido ao desbaratar da esperança popular. E, pasme-se, são precisamente eles que se arrogam na posse da seriedade ética para rever as leis que fazem a democracia que temos.
Vejamos, sob o pretexto de existirem deputados a mais, PS e PSD propõem uma solução de diminuição do número de deputados e da criação de círculos uninominais. Ou seja, só os partidos mais votados em cada região do país elegeriam deputados, um pouco à semelhança do que acontece nos EUA. Isto, obviamente, varreria do panorama os partidos menos votados. Boa solução, menos deputados, menos representatividade, menos pluralidade, mais concentração, mais facilidade em recompor o monopólio político.
Ao mesmo tempo que nos tentam convencer de que existem deputados a mais, escondem que existem deputados que efectivamente trabalham. Existem deputados que trabalham e estão, curiosamente nas forças políticas menos votadas. Deputados que não faltam, que dinamizam o trabalho e apresentam propostas sérias para o progresso social do país. E entre os deputados que trabalham, existem 12 que além de trabalhar ali dentro, trabalham no terreno, com as populações, numa íntima ligação com a luta de massas, com os anseios dos trabalhadores, das mulheres e dos jovens, deputados que não beneficiam do estatuto monetário, que têm como princípio não serem beneficiados pela tarefa que neste momento cumprem.
Existem, portanto, deputados a menos. Deputados comunistas. A questão não está no número de deputados, mas na política que preconizam. Com mais deputados comunistas, com mais deputados de esquerda, a Assembleia da República estaria à altura de satisfazer as principais necessidades da população e do país.
Diminuam-se os deputados da direita (PS, PSD e CDS) e veremos que o que existem é deputados sérios a menos.
Claro que a ideia de que existem deputados a mais começa a ter cada vez mais eco na população, fortemente fomentada pela comunicação social dominante. A democracia representativa que temos em Portugal, ainda que burguesa, é minimamente próxima do cidadão e tem uma garantia de pluralidade significativa, tendo em conta que é capaz de reflectir, por uma lado as diversas regiões do país, por outro, as forças partidárias em um largo espectro.
O capital, a burguesia e os serviços de comunicação ao seu dispor têm vindo a promover, desde cedo, um ataque cerrado às conquistas de Abril. Ora, uma dessas conquistas é precisamente a democracia representativa. Todos os dias se ataca cada uma das conquistas de Abril, logo esta não escapa à fúria contra-revolucionária.
A ideia de que existem deputados a mais, de que não fazem nenhum, de que só querem encher o bolso e deter poder é disso forte expressão. Conquistar esta posição nas massas é meio caminho andado para que a população aplauda um forte e rude golpe contra o regime democrático burguês actual, provocando um retrocesso grave na reconstituição do poder político corporativista. A restauração dos monopólios económicos está garantida, resta garantir a restauração do monopólio político.
O Partido Socialista, com o apoio declarado do PSD já afirmaram que querem alterar a composição da democracia portuguesa. Utilizando as suas próprias falhas. São exactamente PS e PSD os partidos que mais faltam às reuniões plenárias e de Comissões parlamentares e os que mais deputados inactivos têm. São exactamente esses dois partidos os donos da alternância doentia que tem governado o país e que tem conduzido ao desbaratar da esperança popular. E, pasme-se, são precisamente eles que se arrogam na posse da seriedade ética para rever as leis que fazem a democracia que temos.
Vejamos, sob o pretexto de existirem deputados a mais, PS e PSD propõem uma solução de diminuição do número de deputados e da criação de círculos uninominais. Ou seja, só os partidos mais votados em cada região do país elegeriam deputados, um pouco à semelhança do que acontece nos EUA. Isto, obviamente, varreria do panorama os partidos menos votados. Boa solução, menos deputados, menos representatividade, menos pluralidade, mais concentração, mais facilidade em recompor o monopólio político.
Ao mesmo tempo que nos tentam convencer de que existem deputados a mais, escondem que existem deputados que efectivamente trabalham. Existem deputados que trabalham e estão, curiosamente nas forças políticas menos votadas. Deputados que não faltam, que dinamizam o trabalho e apresentam propostas sérias para o progresso social do país. E entre os deputados que trabalham, existem 12 que além de trabalhar ali dentro, trabalham no terreno, com as populações, numa íntima ligação com a luta de massas, com os anseios dos trabalhadores, das mulheres e dos jovens, deputados que não beneficiam do estatuto monetário, que têm como princípio não serem beneficiados pela tarefa que neste momento cumprem.
Existem, portanto, deputados a menos. Deputados comunistas. A questão não está no número de deputados, mas na política que preconizam. Com mais deputados comunistas, com mais deputados de esquerda, a Assembleia da República estaria à altura de satisfazer as principais necessidades da população e do país.
Diminuam-se os deputados da direita (PS, PSD e CDS) e veremos que o que existem é deputados sérios a menos.
Onde pára a cultura XVII?
Em Junho de 2004, o Partido Socialista acusava o Governo, então PSD-CDS, de insensibilidade cultural, referindo que a decisão de fundir o Instituto Português de Arqueologia não tinha compatibilidade com a estrutura do Instituto Português do Património Arquitectónico. O Partido Socialista assumia, de diversas formas, o seu apoio à luta dos quadros do IPA pela manutenção do organismo, do seu organigrama e da sua autonomia e independência.
O Instituto Português de Arqueologia funciona, principalmente, em edifícios antigos e algo degradados na Avenida da Índia, em Lisboa. Quem por ali passar, olhando de fora, não diria o que lá dentro se passa e se constrói. Embora leve a cabo as suas tarefas em grandes pavilhões decrépitos, antigas instalações da Marinha, o IPA tem tido a capacidade de produzir ciência, cultura e conhecimento.
Desengane-se, no entanto, que o IPA é um instituto de biblioteca, desengane-se quem pensa que o IPA é um conjunto burocrático de funcionários do Estado que escrevem livros e artigos científicos. O IPA é responsável pela introdução do critério arqueológico no ordenamento do território de todo o país, dinamizando um tecido empresarial de mais de 50 empresas. É o IPA que, junto do Poder Local, garante a avaliação científica de sítios arqueológicos e a tomada das medidas necessárias para a conservação ou registo dos dados.
O IPA, nas suas variadas vertentes de trabalho, tem tido a capacidade para ser motor do desenvolvimento da Arqueologia em Portugal, para a qual acordámos tão tardiamente.
Mas o IPA também é um exemplo de boa gestão, o IPA funciona com um quadro reduzido de pessoas, tem crescido em capacidade de resposta ao que lhe é exigido e conseguiu, em poucos anos, angariar o estatuto de maior autoridade no campo da Arqueologia em Portugal. O IPA não apresenta défice estrutural, garante a gestão adequada dos dinheiros públicos e tem os salários em dia. O IPA funciona em condições de grande dificuldade e um dos espaços que se lhe têm mostrado bastante necessários aguarda uma verba de, pasme-se, 100.000€ (vinte mil contos!!!) para dinamizar um espaço fundamental, anexo à sua biblioteca.
E já que falámos da biblioteca do IPA, não seria justo não referir a sua importância. A biblioteca é de acesso público e está, inclusivamente, disponível on-line - http://www.ipa.min-cultura.pt/Biblioteca . A biblioteca é a maior do género no país e dispõe de um acervo único e de grande valor, herdado do Estado Alemão, ao abrigo de um protocolo entre Instituto Alemão de Arqueologia e o IPA. A biblioteca do IPA acolhe desde os estudantes aos profissionais de arqueologia ou áreas afins e associadas de todo o país.
Mas falar do Instituto Português de Arqueologia não deve deixar passar ao lado aquilo que a maioria de nós não sabe: o que o IPA produz. O IPA tem actualmente a maior colecção de ossos de aves da Península Ibérica, recolhidos pelos seus próprios profissionais, catalogando e identificando, dando um precioso contributo para o estudo do passado (arqueozoologia) mas também garantindo a existência de uma base de dados única que serve também para os trabalhos da biologia actual, para a identificação de espécies e compreensão das causas de morte.
O IPA realizou o único estudo polínico de alta-resolução do país, com um calendário pormenorizado ao dia e com centenas de espécies polinizadoras estudadas em Lisboa e Barreiro, dando um contributo essencial à medicina, principalmente para os estudos alergológicos e imunológicos. Também no departamento de arqueobotânica, o IPA dispõe de uma equipa que tem dado sérios contributos para a compreensão científica da paleo e arqueoclimatologia, através do estudo sistemático das deposições fósseis de grãos de pólen em sistemas lagunares do continente, do litoral ao interior.
O IPA tem o único centro de estudo do país em arqueotecnologia, capaz de identificar a evolução tecnológica dos utensílios do Homem em território nacional desde o paleolítico.
O IPA dispõe de uma equipa de estudo em arqueologia sub-aquática e marinha e tem demonstrado extrema capacidade e criatividade no que toca à identificação, recuperação e conservação de peças importantíssimas da arqueologia do país. O IPA desenvolveu mecanismos próprios de tratamento de madeiras e metais antigos, conseguindo conservar desde pirogas com mais de 2000 anos até canhões e peças de antigas embarcações do século XVI.
O IPA é um centro de criatividade e empenho, onde a ciência se respira a cada passo, onde os olhares dos profissionais são humanos e comprometidos com o trabalho. O IPA é um centro de produção científica, mas também de engenharia de soluções.
Num país em que a cultura, bem como a ciência, são utilizados exclusivamente para servir de atracção na feira da política nacional, em que os sucessivos governos têm tratado o trabalho dos nossos cientistas como um peso orçamental e não como uma mais-valia, a cultura é a primeira a pagar.
A cultura é essencial ao desenvolvimento do ser humano e, neste caso concreto, essencial à relação harmoniosa entre futuro e passado, garante do respeito pela história e indicador da humildade que terá de ter qualquer sociedade, no reconhecimento de que o futuro não se constrói sem aprender com o passado.
A direita, seja PS, PSD ou CDS, entende a cultura como uma mercadoria, necessariamente rentável e lucrativa, reservada às elites burguesas ou intelectuais. É nesse entendimento que o PS, agora governo, faz tábua rasa das suas próprias palavras de Junho de 2004 e cumpre o seu papel de vanguarda do patronato. Cultura nacional e popular, ciência pública e tudo quanto possa ser democrático não estão nos objectivos do Governo. Ceder espaços a empresas “culturais” para nos cobrarem bilhetes de valores astronómicos para ver os freak shows do capital é dinamizar cultura ou mesmo trancar em salas altivas e inacessíveis os melhores espectáculos e exposições do mundo, nisso sim, os nossos governos são exímios. Está feita a cultura.
O Instituto Português de Arqueologia funciona, principalmente, em edifícios antigos e algo degradados na Avenida da Índia, em Lisboa. Quem por ali passar, olhando de fora, não diria o que lá dentro se passa e se constrói. Embora leve a cabo as suas tarefas em grandes pavilhões decrépitos, antigas instalações da Marinha, o IPA tem tido a capacidade de produzir ciência, cultura e conhecimento.
Desengane-se, no entanto, que o IPA é um instituto de biblioteca, desengane-se quem pensa que o IPA é um conjunto burocrático de funcionários do Estado que escrevem livros e artigos científicos. O IPA é responsável pela introdução do critério arqueológico no ordenamento do território de todo o país, dinamizando um tecido empresarial de mais de 50 empresas. É o IPA que, junto do Poder Local, garante a avaliação científica de sítios arqueológicos e a tomada das medidas necessárias para a conservação ou registo dos dados.
O IPA, nas suas variadas vertentes de trabalho, tem tido a capacidade para ser motor do desenvolvimento da Arqueologia em Portugal, para a qual acordámos tão tardiamente.
Mas o IPA também é um exemplo de boa gestão, o IPA funciona com um quadro reduzido de pessoas, tem crescido em capacidade de resposta ao que lhe é exigido e conseguiu, em poucos anos, angariar o estatuto de maior autoridade no campo da Arqueologia em Portugal. O IPA não apresenta défice estrutural, garante a gestão adequada dos dinheiros públicos e tem os salários em dia. O IPA funciona em condições de grande dificuldade e um dos espaços que se lhe têm mostrado bastante necessários aguarda uma verba de, pasme-se, 100.000€ (vinte mil contos!!!) para dinamizar um espaço fundamental, anexo à sua biblioteca.
E já que falámos da biblioteca do IPA, não seria justo não referir a sua importância. A biblioteca é de acesso público e está, inclusivamente, disponível on-line - http://www.ipa.min-cultura.pt/Biblioteca . A biblioteca é a maior do género no país e dispõe de um acervo único e de grande valor, herdado do Estado Alemão, ao abrigo de um protocolo entre Instituto Alemão de Arqueologia e o IPA. A biblioteca do IPA acolhe desde os estudantes aos profissionais de arqueologia ou áreas afins e associadas de todo o país.
Mas falar do Instituto Português de Arqueologia não deve deixar passar ao lado aquilo que a maioria de nós não sabe: o que o IPA produz. O IPA tem actualmente a maior colecção de ossos de aves da Península Ibérica, recolhidos pelos seus próprios profissionais, catalogando e identificando, dando um precioso contributo para o estudo do passado (arqueozoologia) mas também garantindo a existência de uma base de dados única que serve também para os trabalhos da biologia actual, para a identificação de espécies e compreensão das causas de morte.
O IPA realizou o único estudo polínico de alta-resolução do país, com um calendário pormenorizado ao dia e com centenas de espécies polinizadoras estudadas em Lisboa e Barreiro, dando um contributo essencial à medicina, principalmente para os estudos alergológicos e imunológicos. Também no departamento de arqueobotânica, o IPA dispõe de uma equipa que tem dado sérios contributos para a compreensão científica da paleo e arqueoclimatologia, através do estudo sistemático das deposições fósseis de grãos de pólen em sistemas lagunares do continente, do litoral ao interior.
O IPA tem o único centro de estudo do país em arqueotecnologia, capaz de identificar a evolução tecnológica dos utensílios do Homem em território nacional desde o paleolítico.
O IPA dispõe de uma equipa de estudo em arqueologia sub-aquática e marinha e tem demonstrado extrema capacidade e criatividade no que toca à identificação, recuperação e conservação de peças importantíssimas da arqueologia do país. O IPA desenvolveu mecanismos próprios de tratamento de madeiras e metais antigos, conseguindo conservar desde pirogas com mais de 2000 anos até canhões e peças de antigas embarcações do século XVI.
O IPA é um centro de criatividade e empenho, onde a ciência se respira a cada passo, onde os olhares dos profissionais são humanos e comprometidos com o trabalho. O IPA é um centro de produção científica, mas também de engenharia de soluções.
Num país em que a cultura, bem como a ciência, são utilizados exclusivamente para servir de atracção na feira da política nacional, em que os sucessivos governos têm tratado o trabalho dos nossos cientistas como um peso orçamental e não como uma mais-valia, a cultura é a primeira a pagar.
A cultura é essencial ao desenvolvimento do ser humano e, neste caso concreto, essencial à relação harmoniosa entre futuro e passado, garante do respeito pela história e indicador da humildade que terá de ter qualquer sociedade, no reconhecimento de que o futuro não se constrói sem aprender com o passado.
A direita, seja PS, PSD ou CDS, entende a cultura como uma mercadoria, necessariamente rentável e lucrativa, reservada às elites burguesas ou intelectuais. É nesse entendimento que o PS, agora governo, faz tábua rasa das suas próprias palavras de Junho de 2004 e cumpre o seu papel de vanguarda do patronato. Cultura nacional e popular, ciência pública e tudo quanto possa ser democrático não estão nos objectivos do Governo. Ceder espaços a empresas “culturais” para nos cobrarem bilhetes de valores astronómicos para ver os freak shows do capital é dinamizar cultura ou mesmo trancar em salas altivas e inacessíveis os melhores espectáculos e exposições do mundo, nisso sim, os nossos governos são exímios. Está feita a cultura.
Thursday, April 13, 2006
não aos insultos no futebol??? então para que serviria o jogo?
ontem houve uma manifestação sobre questões do desporto em frente à Assembleia da República.
1 (um) manifestante com 1 (um) cachecol (cachecol) a dizer fairplay e que gritava a plenos pulmões:
"- NINGUÉM PÁRA O FAIRPLAY!!!"
"-NENHUM GOVERNO PÁRA O FAIRPLAY!!!"
"-NÃO AO RACISMO NO FUTEBOL!!!"
"-NÃO AOS INSULTOS (sim, insultos...) NO FUTEBOL!!!"
e esta?!?!
passado algum tempo, a manifestação foi reprimida por 1 (um) polícia (polícia) que desmobilizou o manifestante.
1 (um) manifestante com 1 (um) cachecol (cachecol) a dizer fairplay e que gritava a plenos pulmões:
"- NINGUÉM PÁRA O FAIRPLAY!!!"
"-NENHUM GOVERNO PÁRA O FAIRPLAY!!!"
"-NÃO AO RACISMO NO FUTEBOL!!!"
"-NÃO AOS INSULTOS (sim, insultos...) NO FUTEBOL!!!"
e esta?!?!
passado algum tempo, a manifestação foi reprimida por 1 (um) polícia (polícia) que desmobilizou o manifestante.
Friday, March 31, 2006
palavras para quê?
"a sua situação só se complicará se procurarem salário, não emprego"
Belmiro de Azevedo - Escola Superior de Educação de Coimbra - referindo-se à dificuldade de um jovem encontrar o primeiro emprego.
Belmiro de Azevedo - Escola Superior de Educação de Coimbra - referindo-se à dificuldade de um jovem encontrar o primeiro emprego.
O papel do acaso e o Ocaso das ideologias – parte II
É pois, desde os primeiros anúncios do materialismo histórico, que o capitalismo mais se empenha no aperfeiçoamento das suas armas de extinção ideológica. O capitalismo entende agora que o avanço prático da sua concepção ideológica depende do ocaso da ideologia nas massas, particularmente junto dos trabalhadores. A elitização da ideologia é o objectivo fulcral desta estratégia.
Os intelectuais do capital e a vanguarda económica da sociedade aprofundam e estudam a ideologia do capital, avança novas formas de exploração e sustentação do sistema capitalista. A concentração do estudo ideológico nas elites do capital, simultaneamente eliminando as bases filosóficas necessárias à compreensão das ideologias é a nova táctica do capitalismo. Ao eliminar a concepção de ideologia, o sistema acaba por conseguir um melhor controlo de massas, uma espécie de ilusão colectiva de que o acaso, a sorte e a competência de gestão de cada líder determinam o curso da história. A eliminação do conceito de ideologia, acaba com uma dualidade essencial: a do antagonismo de classe, a do antagonismo ideológico. De algum modo, pode dizer-se que o capital tem duas ideologias: a ideologia capitalista neo-liberal concentrada nas suas elites e a ideologia da ignorância que postula o ocaso de todas as ideologias que dirige às massas.
A ideia de que não mais existem ideologias é a mãe da doutrina da conciliação de interesses entre classes antagónicas, típica forma da mística impossibilidade histórica. O papel do acaso é, pois, evidenciado pela doutrina burguesa, desvalorizando o papel das leis e dos mecanismos naturais da sociedade humana.
O acaso, embora existente e com expressão importante numa abordagem micro-histórica[1] não determina a história da Humanidade. Esta é desenvolvida com base em leis básicas, em leis eminentemente materiais em oposição ao papel das leis do espírito.
A luta de classes é regida por leis e não pelo acaso. E a luta de classes rege a história do Homem.
É a negação do parágrafo anterior que serve de pilar à ideologia burguesa irradiada junto das massas. Julgo, no entanto, que as elites do capital baseiam a sua análise no mais puro do materialismo dialéctico e que é exactamente a abordagem materialista e científica que lhes permite aperfeiçoar de tal forma os mecanismos de exploração e opressão. É partindo da concepção marxista da divisão da sociedade em classes, bem como da perfeita consciência de que é a luta e o antagonismo permanente entre as classes que move a história que o capitalismo dinamiza as diversas ofensivas.
Um pequeno modelo do que foi escrito acima seria a hipotética situação:
“duas facções em guerra – uma poderosa e rica e outra pobre e apenas mais numerosa, sendo que a primeira explora ou escraviza a segunda – mas só a mais poderosa sabe que está em guerra porque mata no escuro”. É esta a jogada mais desenvolvida do capital no plano ideológico: garantir que só a burguesia sabe que existe uma luta de classes, garantindo que o proletariado acredita na conciliação de interesses.
[1] Pedimos desculpa pela invenção de termos, mas é que não há aqui entendidos nesta coisa das ciências sociais como dadas nas escolas– micro-história: história de um episódio numa vida, cingida a pequenos acontecimentos; contra macro-história: história da humanidade ou de uma sociedade, contendo a relação entre seres humanos, entre classes, entre homem e natureza, etc..
Os intelectuais do capital e a vanguarda económica da sociedade aprofundam e estudam a ideologia do capital, avança novas formas de exploração e sustentação do sistema capitalista. A concentração do estudo ideológico nas elites do capital, simultaneamente eliminando as bases filosóficas necessárias à compreensão das ideologias é a nova táctica do capitalismo. Ao eliminar a concepção de ideologia, o sistema acaba por conseguir um melhor controlo de massas, uma espécie de ilusão colectiva de que o acaso, a sorte e a competência de gestão de cada líder determinam o curso da história. A eliminação do conceito de ideologia, acaba com uma dualidade essencial: a do antagonismo de classe, a do antagonismo ideológico. De algum modo, pode dizer-se que o capital tem duas ideologias: a ideologia capitalista neo-liberal concentrada nas suas elites e a ideologia da ignorância que postula o ocaso de todas as ideologias que dirige às massas.
A ideia de que não mais existem ideologias é a mãe da doutrina da conciliação de interesses entre classes antagónicas, típica forma da mística impossibilidade histórica. O papel do acaso é, pois, evidenciado pela doutrina burguesa, desvalorizando o papel das leis e dos mecanismos naturais da sociedade humana.
O acaso, embora existente e com expressão importante numa abordagem micro-histórica[1] não determina a história da Humanidade. Esta é desenvolvida com base em leis básicas, em leis eminentemente materiais em oposição ao papel das leis do espírito.
A luta de classes é regida por leis e não pelo acaso. E a luta de classes rege a história do Homem.
É a negação do parágrafo anterior que serve de pilar à ideologia burguesa irradiada junto das massas. Julgo, no entanto, que as elites do capital baseiam a sua análise no mais puro do materialismo dialéctico e que é exactamente a abordagem materialista e científica que lhes permite aperfeiçoar de tal forma os mecanismos de exploração e opressão. É partindo da concepção marxista da divisão da sociedade em classes, bem como da perfeita consciência de que é a luta e o antagonismo permanente entre as classes que move a história que o capitalismo dinamiza as diversas ofensivas.
Um pequeno modelo do que foi escrito acima seria a hipotética situação:
“duas facções em guerra – uma poderosa e rica e outra pobre e apenas mais numerosa, sendo que a primeira explora ou escraviza a segunda – mas só a mais poderosa sabe que está em guerra porque mata no escuro”. É esta a jogada mais desenvolvida do capital no plano ideológico: garantir que só a burguesia sabe que existe uma luta de classes, garantindo que o proletariado acredita na conciliação de interesses.
[1] Pedimos desculpa pela invenção de termos, mas é que não há aqui entendidos nesta coisa das ciências sociais como dadas nas escolas– micro-história: história de um episódio numa vida, cingida a pequenos acontecimentos; contra macro-história: história da humanidade ou de uma sociedade, contendo a relação entre seres humanos, entre classes, entre homem e natureza, etc..
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