Friday, February 02, 2007

A nódoa.

O ministro da economia Manuel Pinho não é, ao contrário do que somos levados a pensar, uma nódoa. Não é, porque se insere num Governo que todo ele age em bloco, articuladamente. Portanto, o governo é, em si mesmo, uma nódoa. Arrisco dizer aliás que, à luz de uma ética própria de uma classe, este governo é um conjunto de criminosos, de mentirosos, corruptos.

Claro que a lei que temos, estabelecida em grande medida pela força política institucional da burguesia, não considera criminoso aquele que submete os interesses de uma nação aos interesses do capital transnacional; não considera criminoso aquele que angaria votos com uma propaganda mas que faz o contrário depois de os ter; não considera criminoso aquele que autoriza a utilização dos recursos de um país por uma empresa privada retirando o acesso a esse recurso pelo povo; não considera criminoso aquele que, depois de colectivamente o país ter retomado posse sobre a indústria, a banca, o Serviço de Saúde, a Educação, vende ao desbarato esse património.

Pois… triste lei esta que é feita pelos pontas-de-lança dos interessados na destruição do país. Triste país que tem a decisão política entregue a quem melhor engana o eleitor, e não a quem melhor o defende. Triste sistema político aquele que tem como decisora a classe menos numerosa mas mais poderosa.

Mas dizia-se, não é nódoa Manuel Pinho porque ele é apenas mais uma entre estas encomendas. O que este Sr. Ministro tem de especial é que é manifestamente mais mentecapto que a generalidade dos seus comparsas de fraude. Manuel Pinho fala pouco. Mas quando fala sai porcaria da grossa. Cada cavadela, cada minhoca; Cada tiro, cada merlo… como se costuma dizer. O homem, coitado, que não passa de um ser calmo e ligeiramente adormecido, com aquele ar típico de quem não tem sequer a preocupação de se informar sobre o que vai falar, não tem culpa nenhuma por falar a verdade.

Claro que exceptuamos a sua célebre passagem “a crise acabou” deste cabaz de verdades imponderadas. Esta foi uma mentira imponderada, provavelmente, rasgo de loucura temporária, semelhante àqueles que acontecem quando se consomem em excesso substâncias psicotrópicas.

Mas, analisemos as suas sábias palavras na Missão China! (Missão China … por favor! Haverá nome mais ridículo para uma visita institucional a um outro estado? – clara nomenclatura propagandística…) Dizia Manuel Pinho:

“os custos salariais [em Portugal] são mais baixos do que a média dos países da União Europeia e a pressão para o seu aumento inferior.”

Eis a verdade sobre a política do Governo. Temos pena que só tenha coragem de a afirmar lá fora. É a cobardia da burguesia: aqui, perante os trabalhadores, mente; lá fora, perante os magnatas, diz a verdade.

De facto, este Governo tem o capital desígnio de destruir a capacidade produtiva nacional, exterminando a soberania nacional, enquanto expressão da vontade popular. Este é o melhor Governo da recuperação fascista. É o mais vingativo e obstinado com a eliminação dos direitos dos trabalhadores. Este é o Governo de um Partido Socialista de corrupção legal. O Partido que cumpre a orientação nacional do grande capital. É esta o mais alinhado, o mais apostado.

É óbvio que, num Governo com estas características há corruptos competentes e incompetentes. Ou seja, os que conseguem cumprir o seu papel central de desmantelamento do Estado, mas resguardando a sua legitimidade pública, acolhendo apoios aqui e além. E os que, cumprindo o seu papel político destinado, não conseguem sequer fingir inteligência. É assim, a privação de inteligência não afecta só os incultos…

Tuesday, January 30, 2007

Interrupção Voluntária da Gravidez - a saga continua!

se a pergunta fosse:

"concorda com a instrumentalização da lei para servir dogmas éticos ou religiosos?"

que responderias?

a questão é que o nosso estado é laico, independentemente da confissão religiosa da maioria. ou seja, é um estado de leis do Homem e não de Deus. independentemente das concepções éticas da maioria, independentemente de quais essas concepções, a lei em portugal baseia-se nos princípios da laicicidade, nos princípios da liberdade e da igualdade.

Perante a pergunta do referendo que nos oferecem, aqueles que respondem não são a face mais pura da hipocrisia, da intolerância e do machismo entranhado na ausência de sinapses próprias.
Mas há outra componente nos movimento do "Não" - a componente manipuladora.
Componente que assenta a sua acção na ignorância, que direcciona o seu discurso a uma camada da população que não tem acesso à informação, que julga superficialmente e de forma pouco informada. Essa componente do movimento do "Não" é a cabeça de um movimento que, paradoxalmente, toma posições acéfalas.

A igreja, instrumento poderoso da classe dominante, e os sectores mais retrógrados de uma burguesia decadente que ainda quer impôr a subrevivência dos seus métodos de exploração exacerbada, sendo que são hoje representados pela exploração desmedida da mão de obra, sustentados pela existência permanente de um exército de recurso para a exploração capitalista. É esta burguesia, decadente mas influente na burguesia enquanto um todo, que ainda exerce este poder. Poder que chegou para o PS convocar o referendo ao invés de resolver a questão na Assembleia da Républica. Poder que é ainda suficiente para fazer do PS um instrumento político ao serviço do "Não", invocando os argumentos mais falaciosos e frágeis, anunciando custos infundados para o Estado após a despenalização, escondendo a realidade actual, altamente dividido nas suas capelas bolorentas, onde abundam as aves raras que ainda se afirmam publicamente pelo "Não".

Este Blog está pelo Sim, e daqui acusa os hipócritas do "Não" de serem carrascos das mulheres, de serem desumanos e falsos. Quem está pelo "não" não está pela vida, está é pela rejeição da mulher enquanto ser capaz de decidir sobre si própria. Assassinos.

Wednesday, January 17, 2007

Tuesday, January 09, 2007

Apocalypto

Entre mim e a habitual crítica de cinema desenha-se um fosso irrevogável. De facto, tenho apanhado as maiores desilusões quando rumo confiante a uma sala de cinema para ver um filme apadrinhado pela crítica e de lá volto incrédulo com tamanho desastre cinematográfico. Ora são argumentos intragáveis, ora são filmes recauchutados, ora são efeitos especiais que fazem suporte a elencos miseráveis e por aí fora.

O cinema de entretenimento puro e simples tem todo o sentido e agradeço o facto de existir alguém que ainda o faça. Da comédia aos thrillers ou mesmo aos filmes de acção desenfreada lá vão saindo bons momentos de descontracção. Pena que, na generalidade, não seja assim.

Chegou às nossas salas de cinema um filme que recebeu as piores considerações dos críticos de cinema da praça. Apocalypto, de Mel gibson. Um filme soberbo. Um filme desfeito pela crítica acéfala.

Aconselho vivamente o filme de Mel Gibson. Embora não conheça o senhor, reconheço-lhe uma aguçada vontade e o um olhar diferente dos dominantes. Apocalypto passa-se no período decadente do império Maya (a que se costuma chamar civilização) e tem, por entre diversas cenas de violência aparentemente gratuita, a virtude de denunciar o que são os pilares dos impérios.

Gibson transporta-nos, apoiado num elenco fenomenal e numa reconstrução histórica e ambiental notável, com excelente cenografia, guarda-roupa e maquilhagem, para um mundo perdido, onde os nossos sentimentos são recorrentemente sobressaltados. Claro está que para os devoradores-de-pipocas que povoam as salas de cinema que por aí se espalham, este filme é mais um documentário enfadonho do que propriamente um filme. De facto, como outros, não se encaixa no estereótipo de filme de entretenimento e, atrevo-me a dizer que não é esse o seu objectivo.

A violência que muitos reputam de gratuita é um dos pilares de um filme que nos quer envolver, que nos quer mexer com os instintos e com os sentimentos. O filme, com sequências geniais e com um realismo extremo, mostra-nos a hierarquização inevitável dos impérios e as relações entre os seres humanos, criadas pela organização imperial de uma sociedade.

Uma aristocracia moralmente decadente, um clero balofo de apoio ao sistema de poder, o trabalho escrevo e a superioridade racial são bem mostrados como instrumentos ao serviço de um império onde o lucro e a acumulação de riqueza já eram o objectivo. A concentração em grandes cidades a um ritmo desfasado da capacidade de dar respostas no plano do ordenamento, da higiene e da segurança, encaminha uma povoação inteira para a doença e o definhamento, sustentando apenas uma pequena classe aristocrata com a ajuda de um clero que detinha o conhecimento científico em regime de exclusividade.

É um filme perturbante. É uma experiência recomendável. Desfazermo-nos da expectativa e usufruir da imagem e do som que este filme nos traz, não tanto enquanto um conto importante, mas enquanto estória e história pode surpreender muitos. É um pouco como um quadro… ninguém pede a um quadro que tenha um bom enredo, que conte uma estória bela… este filme é um quadro de duas horas e alguns minutos que retrata bem uma paisagem social, especulativa ou não.

Praga itinerante

“e têm o desplante de nos oferecer um bónus se acabarmos as cablagens a tempo” Sérgio Cruz, 29 anos, operário fabril na Yazaki Saltano de Ovar.
A yazaki saltano, com o amparo do nosso governo, vem ameaçando o despedimento e o encerramento das suas unidades em Portugal há muito tempo e tem vindo mesmo a concretizar uma redução no número de trabalhadores, empurrando para o desemprego centenas e centenas de operários e operárias. As componentes do capitalismo, as grandes empresas e multinacionais são como uma praga de gafanhotos: desloca-se de colheita em colheita, devastando uma a uma. Estas empresas vagueiam em busca das melhores colheitas e Portugal enquadra-se bem para um bom banquete destas entidades parasitas. Claro que, no quadro da sociedade em que vivemos, as empresas buscam as condições para a obtenção de maior lucro possível e cabe aos trabalhadores estabelecerem as condições em que prestam o seu trabalho.

O que acontece, contudo, em Portugal é que estes gafanhotos são convidados pelo espantalho. Se os trabalhadores fossem as espigas, os gafanhotos seriam a yazaki saltano, o espantalho seria o Governo. Ora, o nosso espantalho decidiu trabalhar para a praga em vez de defender a colheita.

E… no fim de um processo que se anunciava, os trabalhadores choram o seu trabalho que se vai perdendo. Pelo meio, uns senhores na televisão dizem-lhes que não são competitivos porque não gostam é de trabalhar.

Lamento o facto de hoje se fecharem portas perante olhares cabisbaixos, ao invés de enfrentarem punhos erguidos e olhos de esperança. Lamento que, naqueles dias, em que nos deslocámos aos portões da empresa, apelando à luta, muitos não tenham sequer ouvido o que lhes tínhamos para lhe dizer… todavia, quando o povo acorda nunca é tarde!

Saturday, December 30, 2006

2007

todos os dias passa um ano sobre outro.
contudo, fazemos questão de nos ater ao calendário de referência e fazer do 1º de Janeiro o dia em que mudamos de agenda, dia a partir do qual continuaremos a escrever durante semanas "2006" com o último algarismo corrigido para "7" por falta de hábito.
nós por cá não somos diferentes e aqui ficam sinceros votos de bom ano a todos.

um ano que marque pela força da luta, que subleve e eleve a nossa perseverança, que a premeie.
um ano novo que reforce a história dos anos passados, que evolua.
um ano em que a nossa luta pelo trabalho com direitos, pelos salários, pela igualdade, pela saúde, pela educação, pela cultura, pelo respeito, pelo emprego, pela distribuição da riqueza, pela habitação e pelo pão se reforce e veja sucessos!

o contar dos anos se encarregará de nos trazer a vitória, a ver se é este!

saudações!

Thursday, November 30, 2006

ele merece

"O mundo só será mundo no dia em que enforcarmos o último rei nas tripas do último padre"

François-Marie Arouet - Voltaire

Wednesday, November 29, 2006

até onde irá a estupidez...?

"politólogo - s. m. aquele que estuda politologia
politologia - s. f. ciência que estuda a política"

in Dicionário Inventado pela Burguesia Portuguesa e veiculado pela sua Comunicação Social, edições Branquamento Ideológico, S.A.

que curso tenho eu de terminar com sucesso para ser politólogo?
que instituições de ensino superior em Portugal dispõem de tal licenciatura, mestrado ou doutoramento?
que empresas contratam politólogos?
quais os requisitos curriculares para a contratação?

que merda é um politólogo?

Friday, November 17, 2006

Wednesday, November 15, 2006

a esquerda do mesmo império

Hoje, os deputados do Partido Socialista levaram à Assembleia da República o elogio dos seus próprios defeitos. Para quem quisesse ouvir.
Esta estratégia de propaganda começa a ruir. As brechas que vão ferindo o edifício de aparente concordância entre a população portuguesa e as políticas deste Partido Socialista são já tão largas que passam manifestações inteiras por entre elas. Manifestações grandes. Daquelas com centenas de milhar de jovens, empregados, estudantes, mulheres, reformados, professores, agentes da autoridade, funcionários da administração pública, operários, agricultores… das grandes, pois.

As brechas aí estão a demonstrar a ruína da propaganda do PS. A táctica de dizer que tudo está bem até à exaustão, mesmo quando as condições objectivas comprovam exactamente o inverso, começa a mostrar a sua fragilidade. O que não poderia ser de outra forma. Permito-me a utilizar a sábia expressão: “Podem enganar uma pessoa por muito tempo. Podem enganar muitas pessoas por algum tempo. O que não podem é enganar toda a gente, durante todo o tempo.”

Então aí estão os aumentos do custo de vida, a degradação das condições de vida dos jovens, dos trabalhadores e dos reformados. Aí estão as jogadas maquiavélicas em torno do aborto. Aí está a diminuição do custo do trabalho e a diminuição dos salários, o congelamento da progressão nas carreiras da administração pública, o aumento das propinas no ensino superior, o desmantelamento do Incentivo ao Arrendamento por Jovens, as “taxas moderadoras” de internamentos, consultas e tratamentos nos hospitais públicos, a destruição das redes de transportes públicos, a entrega do sector público à exploração privada, os aumentos dos custos da electricidade e dos combustíveis. (respira) Aí estão os impostos também para deficientes, a diminuição das verbas para os laboratórios de estado, a diminuição da acção social escolar, a privatização do ensino e dos serviços de cantinas, refeitórios e residências, aí está o aumento do IVA, a implementação da co-incineração como estratégia primária de tratamento de resíduos industriais perigosos ou banais. Aí temos a diminuição das verbas do Orçamento do Estado para as autarquias locais, a perseguição política a dirigentes sindicais, associativos e estudantis. Para não ir mais longe que já se entende o sentido de tão vasto rol de atrocidades.

Aí estão… para mostrar tudo quanto este governo tem feito para beneficiar os do costume. Os lucros da EDP, das petrolíferas, da indústria e comércio multi e transnacionais, da banca e das instituições de crédito agigantam-se escandalosamente. Daí nasce uma primeira pergunta: é de esquerda um governo que prefere a concentração dos meios de produção, dos lucros do capital produtivo e especulativo num punhado de balofos capitalistas ou empresas?

Isto porque foi hoje mesmo que o Partido Socialista nos brindou com a sua indignação perante a acusação de que não estaria executando políticas de esquerda. Observação do Partido Comunista Português em resposta à encenação que o Partido Socialista acabara de levar a cabo. Indignado, responde o PS de que é de esquerda sim senhor. Que não recebe lições sobre o que é ser de esquerda de ninguém e muito menos do PCP.

Escusar-me-ei a mais que o seguinte:

Sócrates diz no debate na generalidade sobre o Orçamento do Estado para 2007 que o PSD está irritado porque este Governo PS está a fazer tudo quanto o PSD queria ter feito, mas não foi capaz.

Palavras para quê? É de esquerda também o PSD…

Tuesday, October 31, 2006

Pausa

eu bem queria que assim não fosse.
mas temos um Governo que não dá descanso aos trabalhadores a bem do lucro dos patrões. e, por isso mesmo, uns dias de pausa na escrita justificar-se-ão certamente. até ao fim da discussão do Orçamento do Estado, o famigerado orçamento.... ou o famigerado Estado.... Até lá!

Tuesday, September 26, 2006

Da Interrupção Voluntária da Gravidez – notas

Motiva-me um programa da manhã chamado “opinião pública” que a Sic Notícias nos proporciona diariamente. Hoje, sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez.

Todos sabemos que existem em torno deste problema social um conjunto de tentativas de mistificação, quer da parte dos que defendem a criminalização e penalização da prática de aborto, quer da parte de alguns oportunistas que cavalgam a onda da despenalização. E este programa é óptimo exemplo disso. A Sic Notícias, embora certamente conheça o facto de que existem plataformas, partidos e associações representativas de vastas massas defensoras da tolerância e do direito de optar, convida uma associação residual sem qualquer intervenção significativa na sociedade portuguesa (provavelmente teriam preferido convidar o Bloco, mas assim, foi menos flagrante), a “não te prives”. E convida para a defesa da penalização uma senhora em nome do movimento pela vida.

Argumentos

Movimento pela vida: “não há necessidade de fazer um referendo por que as condições que determinaram o resultado do último não se alteraram.”; “a mulher poder abortar sem mais nem menos é uma afronta ao direito básico do nosso Estado, a vida”; “eu preferia que o ministro [da saúde] não tivesse dito o que disse, porque é um incentivo ao aborto. Eu sei porque sou mulher.”

Não te prives: “o aborto é uma matéria privada”; “obrigar uma mulher a ir a um hospital público é trazer o seu íntimo para a esfera pública”; “o aborto deve ser apenas uma escolha privada da mulher”.


A mistificação é óbvia de ambas as partes. O movimento pela vida insiste nas suas teses conservadoras, partindo do princípio que a mulher é uma devassa que não tem consciência de decidir sobre os seus problemas. A igreja e estes movimentos controlados pelos resquícios da influência moral católica entendem que a mulher é um ser, por definição, amoral e com tendências demoníacas e como tal, a sociedade tem de limitar as suas opções. Além disso, a senhora que ali foi falar em nome desta plataforma considera que as mulheres abortam sem mais nem menos e que qualquer coisa é um incentivo ao aborto. Esta senhora, muito provavelmente, teve uma educação muito restritiva, isto porque ela, certamente teria abortado todos os dias e fornicado com tudo e todos, caso não fossem os seus pais a limitar tais impulsos pagãos.

A senhora da “não te prives” que engoliu a mesma cassete “lições de retórica em k7” que o Louça, provavelmente encomendadas a um seminário onde se ensina a doutrina cristã, teve um papel brilhante. Qual desenho animado simpático, de sorriso permanente e voz calma e altaneira, defende que exista um referendo e que as pessoas votem “sim à despenalização”. Estas associações satélites do Bloco de Esquerda defendem que a direita mais conservadora tenha todo o tempo para aproveitar inclusivamente o natal para voltar à carga com a argumentação bolorenta e demagógica. Defendem o referendo como única forma de fazer o BE voltar à ribalta na comunicação social. Em torno da liberdade individual e colocando o problema exclusivamente na esfera da privada da mulher desviam os olhares e a crítica social das questões de fundo. Direitos das mulheres! D I R E I T O S. Direito à maternidade. Direito a salários condignos. Direito à saúde e à educação. Esta não é uma questão privada da mulher. Aquilo que é privado é a decisão em si, nada mais. De resto, o aborto é um problema social, reflexo de outros, problema de saúde pública radicado na luta de classes.

Esta não é uma matéria privada. é uma matéria de saúde pública e direitos sociais. O Estado burguês está a punir mulheres por um problema que o próprio criou. Esta não é assim, matéria de referendo, porque isso é assumir que esta é uma questão de impasse moral. E não é. Nenhuma concepção ética pode ser imposta. O que cada voto no "não" fará é isso mesmo.

O Estado Português é laico - do grego "laos" que significa "povo, gentes". Ou seja, não é um Estado fundado em concepções éticas, religiosas ou morais de uns ou outros. E essa é a única forma de permitir que todas essas concepções são livres de existir.

Saturday, September 23, 2006

Júdice Sabichão

Ontem tivemos todos a oportunidade de ler as doutas e sapientes palavras do Dr. José Miguel Júdice sobre a Juventude e o seu associativismo. Fomos abençoados pela sua extrema capacidade analítica e pelo seu conhecimento do quadro jurídico português. E assim, valeram bem os 80 cêntimos que pagámos pelo jornal “Público”.

Ora decidiu o Doutor escrever na segunda ou terceira página do jornal, local onde se ostenta a miserável coluna que lhe pertence, um artigo de opinião sobre o Associativismo Juvenil a que deu o título “De pequenino é que se torce o pepino”, leitura que aliás recomendo a todos.

Começo a passar os olhos, primeiro distraidamente como é mais habitual, depois séria e contraidamente, pelo texto. Começo a tornar-me impaciente e confesso que dirigi uns impropérios ao autor em voz baixa na mesa do café. Vontade não me falta de os voltar a invocar, mas este é um blog de respeito.

O Doutor demonstra um raciocínio tremendamente burguês e reaccionário, ao que se acrescenta uma brutal ignorância e aquele típico desprezo pela juventude que conhecemos quer nos ignorantes, quer nos reaccionários. Para ele, a nova lei do associativismo jovem, aprovada pela maioria da Assembleia da República, com os votos contra do PCP, do PEV e do BE, é um desbaratar de direitos para a juventude. Para este senhor, a nova lei traz demasiados privilégios para o associativismo juvenil e, mais, acrescenta o senhor, é um passo contra as responsabilidades dos cidadãos e contra a formação na cidadania.

Importa esclarecer que o PCP votou contra a referida lei por considerar que ela constitui um grande passo atrás no que toca ao anterior quadro legislativo. A lei do associativismo jovem do Partido Socialista não é mais que a abertura de caminhos para a ingerência estatal nos assuntos das associações juvenis, quer no plano financeiro, quer no plano da política e da actividade associativas. A lei prevê menos apoios para as associações de estudantes e não garante qualquer aumento no apoio ao associativismo juvenil de base local ou de âmbito sectorial. Importa referir que esta lei vem introduzir limites para o número de dirigentes por cada associação.

O Júdice achou que tudo isto era uma escandaleira. Segundo ele, agora os miúdos da primária iam começar a fazer associações só para ter benefícios fiscais, e as escolas passariam a ter mais de 4 ou 5 associações de estudantes, só para gozarem estatutos e disporem de espaços próprios. Para o senhor não existem limites de idade para integrar corpos gerentes das associações juvenis e o facto de o Estado apoiar este movimento associativo é inaceitável porque fomenta a desresponsabilização juvenil.

Esta verborreia que podem ler no “Público” e com ela pasmar não é dirigida, ao contrário do que possa parecer, ao governo nem ao PSD, nem ao CDS, partidos que aprovaram a lei e que assim revogaram a anterior. Insere-se numa bem articulada campanha contra a juventude e o movimento associativo. Para este senhor, o associativismo juvenil é apenas uma escolinha para os jovens das Jotas, onde fazem carreira profissional até chegar aos corredores do poder - “alguns até são deputados”, diz ele.

O que o Júdice não consegue disfarçar é um ódio genético ao associativismo e à participação democrática, no qual a juventude serviu como alvo preferencial. Mas além de não conseguir disfarçar esse ódio mesquinho, deixou completamente transparecer o seu total desconhecimento sobre o que escreveu.

1. Se o associativismo estudantil ou juvenil dá lugar à formação de quadros intervenientes na sociedade, que, porventura, assumem depois tarefas nos partidos, quem mal tem isso? Não será isso uma óptima forma de promover a cidadania?

2. Se o Júdice acha que miúdos da primária vão fazer associações para ter subsídios, não será porque ele é que pensa assim? Além do mais, os dirigentes associativos não podem ter menos de 16 anos, facto que, pelos vistos, o senhor desconhece.

3. Se ele acha que os estudantes agora vão fazer 3 ou 4 associações por escola, é porque ele quando era estudante devia ter esse desejo, mas desconhece no entanto, que a própria lei limita o número de associações de estudantes por instituição de ensino a 1 (uma).

4. Se o senhor Júdice pensa que as associações de estudantes só agora passaram a ter direito a dispor e gerir um espaço dentro das instalações da escola, também está muito enganado porque esse direito é-lhes consagrado por lei há quase 20 anos.

5. Mas este fazedor de opinião desconhece ainda mais: desconhece que são milhares e milhares os dirigentes associativos juvenis e estuidantis, que por esse país fora dinamizam aquilo que muitas vezes deveria caber ao Estado e às autarquias, desde o teatro, ao convívio e lazer, passando pelo desporto e pela actividade política e cultural. Desconhece que, desses milhares, apenas uma pequeníssima parte entra na vida partidária ou na via institucional dos órgãos de sobreania.

É pena que estes senhores, ditos acima de qualquer suspeita, possam escrever o que bem entendam nos jornais sem ter de prestar contas sobre a veracidade do que escrevem. Mas assim, se vê bem como para ilustrar tão injustas posições é necessário recorrer à mentira!

Thursday, September 14, 2006

ele há coisas...

para a cambada anti-comunista do costume, que por tudo e por nada fala dos modelos nórdicos e em demais paraísos, >aqui< vai.

Thursday, September 07, 2006

este é um império solidário!

Como julgo que não é necessário fingir que se reinventa diária e constantemente aquilo que já foi dito, aqui ficam algumas palavras que, embora não tenham sido escritas em sede do império, bem o poderiam ter sido. Agradeço a um amigo que as postou no transbolivariano.

um recado, para os indignados, paladinos do bolorento carinho e caridade parasitários: qualquer dia, podem ser vocês na lista de terroristas dos Estados.

Terrorismo é aprisionar um povo inteiro, condenando-o à fome para satisfazer a ganância. Terrorismo é o capitalismo e o imperialismo norte-americano.
Viva a luta do povo colombiano!
Viva o Exército Popular das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia!

Monday, September 04, 2006

Regresso

Ainda eram mais que anteriores edições, os visitantes.
As jornadas de trabalho militante na festa do avante também cresceram.
A festa cresce de ano para ano e nem a rídicula campanha anti-festa dos média do grande capital conseguem contrariar a crescente simpatia entre o povo e a festa do PCP.

Ao capital esta festa incomoda, sem dúvida.
É um espinho único na sua roseira de quintal - a UE, tão bem podada pelos estados-membros lacaios.

É ali que velhos, crianças, homens, mulheres e jovens, operários, professores, reformados, intelectuais, camponeses, operários rurais, comerciantes, artesãos, se cruzam com olhares de fraternidade e palavras de amizade. É ali que, espontaneamente organizados, braços se irmanam em canções novas e antigas. É ali que reside a mais bela e sólida prova de que o colectivo não é apenas a soma dos indivíduos. É mais, bastante mais.

E é isso mesmo que não se pode saber, porque esconder esse poder da humanidade é garantir o poder do capital. É por isso que esta festa, só saberá conhecer quem a visitar, quem a acolher, porque as barreiras e as cortinas de ferro da comunicação social a desfiguram, a escondem.
Porque o culto do individualismo é a pedra de toque que importa manter sagrada. Porque ver a festa seria perceber que essa pedra afinal, não passa de banha da cobra.

E assim, recomeçamos.
E assim, transportando a energia das inspirações a plenos pulmões, que sorveram cada sorriso, voltamos ao império bárbaro.

Wednesday, August 30, 2006

Avante! 2006

são 30 anos, 30 festas, muitas mais lutas. Vemo-nos todos por lá.
boa festa!

Friday, July 28, 2006

Intervalo

amigos,
o império bárbaro vai fazer um intervalinho de 15 dias, pode ser?
claro que ninguém tira férias ideológicas, mas pelo menos, não escreveremos nada de jeito por 15 dias. Vamos apagar inclusivamente o interruptor da escrita para não sermos forçados a sair do nosso estado feriante - o letárgico.

saudações e boas férias a todos e a todas.

Embuste Protocolar

Ora, para quem ainda aqui espreita após tão longa espera por prometido post sobre o Protocolo, aqui vão algumas reflexões.
Antes de mais, importaria deixar aqui uma advertência: questionar a teoria do aquecimento global e da poluição atmosférica como factor determinante das alterações climáticas não é negá-la, é antes apresentar as possíveis antíteses que tanto podem, efectivamente, destruir a tese, como, pelo contrário, reforçá-la.

Para quem anda atento a estas coisas terá reparado que os verdadeiros objectivos do chamado “Protocolo de Quioto” começam agora a fazer-se sentir. De um protocolo coberto pelo açúcar das boas intenções, começam agora a nascer problemas importantes, desequilíbrios inaceitáveis e teses imperialistas de dominação. Para quem alguma vez pensou que os Estados capitalistas teriam tido um rasgo de lucidez ecologista, começam agora a esfumar-se, certamente, algumas expectativas.

O que é hoje Quioto, na prática?
Quioto é um dos mais inteligentes mecanismos da manutenção das assimetrias inter-continentais e uma gigantesca máquina de produção de lucro especulativo. Um mercado bastardo e etéreo. Os fundos de carbono, as licenças de emissão, a transmissibilidade de licenças e as quotas por negociação, mais não são senão um regime semelhante às limitações de mercado impostas pela UE, por exemplo.

Todos sabemos que um país não pode passar da indústria sub-desenvolvida ou da agricultura de subsistência para a indústria pesada menos poluente. Assim, a limitação por quotas de emissão de Gases com Efeito Estufa (GEE) dependente também da capacidade de negociação dos Estados é uma malha que impede os países menos desenvolvidos de darem o passo da industrialização, essencial à rentabilização não colonial dos seus recursos naturais. Um Estado sub-sahariano, por exemplo, necessitará de indústria poluente durante pelo menos 3 ou 4 décadas para dar esse passo, enquanto que alguns estados europeus já dispõem de indústria menos poluente. Ora, o que se passa é que as quotas de emissão são distribuídas assimetricamente. Assim, os países menos desenvolvidos, mais pobres, mais afectados pela sobre-exploração, vêem-se obrigados a vender as suas licenças de emissão.

E assim, está montada a malha. Os ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres. O mercado do carbono, como gentilmente agora lhe chamam é, por si só, uma aberração do capital. A aceitação tácita de uma teoria carregada de falhas – a do aquecimento global – tem conduzido a uma aceitação acrítica da instituição de um mercado para o qual todos os cidadãos acabam por contribuir. O aumento do preço dos combustíveis e de todos os bens de consumo, por exemplo, e principalmente nos países que adquirem licenças de emissão, contém uma parcela correspondente à compra dessa mesma licença… e quem a paga? O utente, o consumidor.

O capital tem perfeita noção de que existem dois grandes mundos a dominar urgentemente. Aquilo a que as suas vozes assumem despudoradamente como “os mercados do futuro”: a Natureza e a saúde.

Na Natureza incluem-se naturalmente dois grandes vectores de mercado: água potável e ar respirável.
Não é por nada que estes são os “mercados do futuro”. É exactamente pela estrita e incontornável necessidade que a Humanidade tem de lhes recorrer. Escusado será explicar porquê.

Por último, que outros objectivos tem Quioto servido? Obviamente, os interesses do nuclear.

O capital tem como objectivo rentabilizar tudo, incluindo as tecnologias. Sendo que o nuclear de fissão é uma tecnologia que se encontra próxima do fim da sua vida, importa potenciar a sua capacidade lucrativa urgentemente;
A fissão nuclear é a oportunidade de ouro para conter por mais alguns anos o aparecimento de energia barata e universal, por fusão nuclear.

Quioto é a pedra de toque do capital na sua senda pela implementação da energia pela fissão nuclear. De forma profundamente ignóbil e desonesta, o capital vai fundamentando a necessidade de recorrer ao nuclear como produção de energia sem emissão de GEE – o que, por si, é mentira. O capital pura e simplesmente oblitera cada um dos problemas advenientes da utilização desta tecnologia. Esconde o problema dos resíduos, esconde o problema ambiental da exploração de urânio, esconde a probabilidade inevitável das falhas dos reactores, etc. Para o capital, quioto tem sido o melhor aliado na luta pela fissão nuclear. Acenando com o fim dos combustíveis fósseis, com as alterações climáticas e com o desmantelamento das centrais termo-eléctricas, o capital vai consolidando a sua agenda nuclear.

Nada melhor para calar esses activistas anti-nuclear que dizer-lhes que é isso ou o aquecimento global…

Wednesday, July 12, 2006

O Protocolo de Quioto, o que é?

O dogma, representando uma cristalização estática em torno de uma posição, é o principal inimigo do avanço científico. O rumo da ciência e do conhecimento só conhece passos em frente quando a lógica do homem assenta na dialéctica.

A teoria não é lei e mesmo a lei é mutável. As leis são as fórmulas que determinam o melhor modelo de interpretação da natureza pelo homem. Posto isto, espero que o texto seguinte não seja para o leitor uma ilustração de demência, mas antes, uma demonstração de racionalidade e da importância da dúvida enquanto motor do progresso.

Está enraizado, nos dias de hoje, o modelo de simulação climatológica com base na lógica directa da proporcionalidade entre a concentração atmosférica de anidrido carbónico (CO2) e outros gases com “efeito estufa”. Parece certo que o aumento da concentração de gases na atmosfera terrestre, aumenta a densidade atmosférica e, como consequência, o número de partículas capaz de vibrar, produzindo calor. No entanto, a temperatura média anual global não varia na exclusiva proporção a essa variável e há que, portanto, interrogar qual o peso dessa componente. Diversos trabalhos têm sido assim realizados: tentando compreender qual a influência da actividade antrópica na emissão de gases e, por sua vez, qual a influência dessas emissões no clima.

Para isso, questionar o dogma das alterações climáticas como causa da emissão de gases com efeito estufa é um passo essencial. Escusar-me-ei, por todos os motivos, a ilustrar cientificamente a dúvida, deixando aqui algumas sugestões de leitura para o fazer bem melhor:

http://www.cato.org/pubs/regulation/reg15n2j.html
http://www.resistir.info/climatologia/lindzen_rev2.html
http://www.john-daly.com/hockey/hockey.htm
http://www.resistir.info/climatologia/falsificacao_da_historia_climatica.html
http://www.resistir.info/climatologia/impostura_cientifica.html
http://www.revuefusion.com/images/Art_095_36.pdf


Deixo, por isso, aquilo que julgo caber-me. A dúvida.
Protocolo de Quioto… o que é?
Deixo a dúvida, mais tarde, darei o que considero ser uma possível resposta.