Tuesday, April 24, 2007

chantilly

É impressioante verificar nos actos, as teorias que vamos, ao longo dos tempos, formulando. É impressionante como se comprovam determinadas hipóteses com a persistente afirmação de uma realidade que teima em dar-nos razão.

O comportamento de uma esquerda que já não é sequer nata, é chantilly, porque se vem refinando, é um caso digno de estudo objectivo para avisar a malta, sim porque é preciso avisar. Mais que nunca é preciso avisar.

É verdade que temos uma esquerda jovem, irreverente e revolucionária na política portuguesa, com representação no seio da nossa tão querida assembleia da república, uma esquerda criativa, capaz de dar as respostas novas ao que é novo, mas saber admitir com seriedade que se devem manter as perspectivas perante cenários que se mantêm inalterados, ao invés de permanentemente buscar a sensação, o mediatismo, o facilitismo.

Também é verdade que temos uma esquerda de direita, uma esquerda mentirosa, falsa, próxima dos anelídeos(*) no que toca à ausência da espinha dorsal, mas ainda mais próxima dos nematelmintes(**) pela óbvia semelhança parasítica.

Não deixa, no entanto de ser verdade que também existe o Bloco de Esquerda, famigerado produto dos impactos mais ou menos passageiros da sua intervenção mediática, já que outras não se lhe conhecem a não ser a já fatigante, mas reconhecidamente perseverante, atitude anticomunista e anti-sindicalista.

Deste vos venho falar, breve prometo, para não entediar amigos e amigas que por aqui possam passar.

Teve lugar hoje mesmo, há menos de um par de horas, a reunião da Comissão Parlamentar de Ciência, Educação e Cultura, onde se discutia, entre outras matérias, a violência nas escolas. Pois havia decidido aquela mesma comissão há uns tempos atrás quando corria o mês de Janeiro, colocar aquele assunto na agenda, fazendo o óbvio frete a um Governo que se preparava já então para apresentar um novo Estatuto do Estudante não Superior, onde se inclui o estatuto disciplinar do tal estudante, claro está.

Pois é então normal que o PS e o PSD manifestem amplo acordo na definição de uma estratégia central de combate à violência nas escolas, sob a capa da preocupação social e do consenso em torno de questões que se querem tudo menos fracturantes. É então que o PS apresenta um relatório que coloca o Estado como último responsável pela violência nas escolas. Escusado será pois dizer porque lhe reconhece tanto mérito o outro PS, o PSD.

Nada digno de registo. A não ser mesmo o comportamento do Bloco de Esquerda. Da tal esquerda decrépita cuja força motriz nunca deixou de ser o anticomunismo mas a que se vai juntando uma outra, a da cedência galopante aos fascínios da burguesia e do estatuto parlamentar de dizer sempre, não o que é verdade, mas o que fica bem. Ora, tendo em conta que era bem mais fácil votar a favor de tudo quanto ali se dissesse porque afinal de contas, a comunicação social não mostrará as propostas – dirá apenas que se votou um pacote de medidas contra a violência escolar – ingrato seria o papel, como o do PCP, daqueles que optam pela seriedade e pela consistência das suas posições.

Da operação de propaganda hoje montada na Assembleia da República, tristes registos nos ficam. E, no entanto, com tanto para deles aprender.


(*) anelídeos: vermes pertencentes ao Filo Annelida, cuja característica principal é (à parte obviamente de serem invertebrados) terem o corpo segmentado, possuindo muitas vezes os órgaos internos reproduzidos em cada um desses segmentos. Esses segmentos, tendo em conta a natureza cilíndrica do corpo destes animais, têm uma forma anelar, dái o nome do Filo.
(**) Nematelmintes ou nemátodos, são os animais do Filo Nematelminthes, vermes cilíndricos de corpo não segmentado, onde se incluem, entre outros parasitas, as comuns lombrigas.

Wednesday, March 28, 2007

O recrudescimento do fascismo

Nas situações de degradação acentuada e generalizada da qualidade de vida, fruto da intensificação das políticas de direita, a condição dos trabalhadores e da população em geral tende a adoptar posturas de ruptura. A acumulação obscena do lucro num punhado cada vez mais reduzido de elites e grupos económicos significa incontornavelmente um fluxo de riqueza no sentido trabalho -> capital. Consequentemente, o empobrecimento do conjunto dos trabalhadores é a primeira condição para o enriquecimento daqueles que detêm posse sobre os meios de produção.

Nesta senda de acumulação crescente de capital, pela via da apropriação das mais-valias, o patronato não olha a meios para inventar novas formas de exploração que lhe permitam obter uma cada vez maior obtenção de lucro. É nesse sentido que a precariezação do trabalho, o aumento do custo de vida e a destruição dos serviços do Estado, juntamente com o aparelho produtivo nacional e do estado, se encaixam perfeitamente com os desígnios da classe dominante.

Ridículo seria pensar que, em algum momento da história, o regime capitalista poderia dar resposta às necessidades dos trabalhadores já que elas são intrinsecamente contrárias às do grande capital.

No entanto, a classe dominante e os estados que se lhe colocam ao serviço não ignoram a capacidade transformadora dos trabalhadores e têm bem presente que a ruptura pode desenhar-se a qualquer momento no quadro da intensificação da ofensiva contra o povo.

O capitalismo caminha num fio de navalha: como obter dos trabalhadores a maior fatia possível dos frutos do seu trabalho sem desencadear a revolta generalizada. Dois grandes caminhos se mostram à partida e que, conforme o estado da luta operária e progressista de cada país, o capitalismo os trilham, ora um, ora outro.

1. o da social-democracia e da contenção dos objectivos do grande capital, alongando as medidas mais ofensivas no tempo, diluindo o efeito catalizador da revolta, ao mesmo tempo que gradualmente se destroem os serviços centrais dos Estados, nomeadamente a Educação, a Saúde e a Segurança Social.
2. o da repressão física, militar e política aberta dirigida contra as classes exploradas nos países onde o nível de organização destas é mais incipiente ou inexistente.

Claro que, na maior parte dos casos, o capitalismo tem um comportamento intermitente entre um e outro (1 e 2) como forma de gerir os fluxos e refluxos da força dos trabalhadores e dos seus movimentos de massas.

Ainda assim, o capitalismo não consegue sempre gerir as suas crises e contradições internas, ou mesmo a sua relação com a exploração do trabalho. É por isso que, nas situações de crise acentuada, nos circuitos do trabalho que se reflectem, claro, nos circuitos do capital, existe uma tendência para a ruptura com o descontentamento. Mas também aí o capital, através das múltiplas jogadas, tem capacidade de resposta pela via de muitos mecanismos instrumentais, todos eles baseados na ampliação do idealismo, contra o raciocínio objectivo, científico e materialista.

Quer seja pela via da criação de bolsas de contenção do descontentamento organizadas para captar inconsequentemente a criatividade e a força do povo, situadas especialmente na dita "extrema-esquerda" (organizações esquerdistas de carácter profundamente idealista e alinhadas com os desejos da burguesia); quer seja pela via da criação de organizações ou tendências fascistas que aparentemente propõem soluções para os problemas das populações, exaltando os sentimentos mais primários do Ser Humano idealista (como por exemplo deus, pátria, família ou raça, heroísmo, honra, orgulho).

É neste quadro que a atenção tende a recair, orientada pela própria classe dominante, sobre estes movimentos embrionários e profundamente inconsequentes no que toca à transformação da realidade e à superação do sistema e das actuais relações de produção.

Confrontado com a necessidade de manter os seus privilégios, ainda assim garantindo a submissão popular, o capital vê-se instigado a fomentar tendências fascistas que, no seu seio preserva. A ruptura com o actual estado de coisas, obtida pela via do recrudescimento fascista e pela repressão, ainda que exaltando os valores idealistas e etéreos a que, por enquanto, muitos trabalhadores e trabalhadoras são sensíveis significa a manutenção dos privilégios da classe dominante - distantes que estão do conceito de raça, pátria, deus, ou família.

A garantia da manutenção dos privilégios, ou seja, da propriedade privada dos meios de produção, inclusivamente, com a certeza do aumento das taxas de concentração da riqueza e da acumulação cada vez mais centralizada do capital é assim contemplada pelo estado fascista que orbita em torno dos desejos mais primários da burguesia e do grande capital de que é dententora ou em que participa.

Por outro lado, a intensificação do combate ao materialismo, à ciência objectiva, ao comunismo e ao marxismo, representa a viva ofensiva contra o fortalecimento da doutrina operária da extinção da propriedade privada e, consequentemente, do estado que a protege.

Garante-se o estado dos privilégios burgueses, a intensificação da exploração do trabalho enquanto simultaneamente se federam os descontentamentos e a revolta do povo trabalhador.

O que presenceamos actualmente não é mais do que a tentativa de empolgar um movimento incipiente de proto-fascistas como forma de garantir a existência real da resposta da burguesia perante as contradições internas do capitalismo. Tudo feito com a alta cooperação do Partido Socialista que prossegue o rumo de desmantelamento das conquistas dos trabalhadores portugueses.

Aproveita este post para apelar a todos aqueles que, compreensivelmente tendem a identificar-se com a exaltação dos valores idealistas e da revolta pelo ódio, que procurem a ciência e a objectividade, para que não se deixem manipular no seu descontentamento por aqueles mesmos que vos querem esmagar.

nota: os resultados das eleições para a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa são inspiradores da confiança dos democratas e mostram bem a que se resumem as tendências fascistas perante a emagadora maioria do povo português que está com a fraternidade, a amizade, o trabalho, a liberdade e a democracia.

Friday, March 23, 2007

Dia da Juventude

Aproxima-se o dia 28 de Março. Passam assim exactamente 60 anos sobre os episódios que marcaram o Dia Nacional da Juventude.

Estávamos em 1947. O MUD-Juvenil, organização unitária democrática e antifascista, organizara um acampamento juvenil de convívio e participação em S. Pedro de Moel. Milhares de jovens responderam ao apelo da organização juvenil, milhares participaram no acampamento.

Naquele tempo a preto & branco, a juventude pintava de todas as cores os momentos de luta, de alegria, fraternidade e amizade. Assim são também as suas características mesmo sob a sombra da opressão. Ninguém poderá apagar a luz radiosa da juventude e os jovens encarregam-se de mostrar isso mesmo. Mostram também que a força do colectivo ultrapassa todas as barreiras e cria realidades onde antes estavam sonhos.

A juventude portuguesa criou a liberdade ao lado de jovens soldados e capitães, criou-a ao lado de jovens operárias e jovens operários. Rompeu corajosamente os grilhões da ditadura e levou a cultura, o convívio, a arte e o sorriso a milhares de recantos deste país, por este país espalhados.

Um acampamento de jovens, de milhares, vejam bem! aos magotes de mochilas às costas, cantando, reunindo, caminhando! como podia isso ser? Como podia o regime fascista permitir que nas suas barbas a juventude saísse do mundo desenhado a tons de cinza pelas mãos dos monopólios?

A intervenção é rápida. A PIDE bate, espanca, tortura e prende.
O fascismo entendeu que a juventude não podia romper a mordaça. E então correu muitos dos dirigentes do MUD-Juvenil para as cadeias, na esperança de calar a revolta.

Mal, que a carne macerada não tendeu a resignar-se. Antes se levantou surpreendentemente e ergeu a luta solidária por todo o país. Não foram só os milhares de jovens que participaram no acampamento a manifestar o apoio aos presos. Não foram só os presos a teimar manter o rosto erguido e a razão da luta intacta.

Numa demosntração de firmeza, coragem e unidade, levantou-se um gigantesco movimento de solidariedade para com os jovens presos.

Em 1968 já o dia se comemorava como dia de luta de luta pela liberdade, dia da juventude proibido pelo Estado fascista. Nesse ano, inúmeras iniciativas percorreram o país em jornadas de luta pelo reforço dos laços de amizade e solidariedade entre a juventude, indo mais além na luta pela resolução dos seus problemas e pelo cumprimento das suas justas aspirações.

A 28 de Março de 1975 comemora-se pela primeira vez em liberdade o Dia Nacional da Juventude.

2007.

Dia Nacional da Juventude. 28 de Março - A juventude em luta por uma vida melhor, pelo direito a um emprego com direitos, pelo direito a melhores salários, ao emprego e ao apoio do estado na educação, habitação, saúde, criação e fruição culturais, maternidade e paternidade, à igualdade e à mais justa distribuição da riqueza. A juventude em luta pela paz e cooperação entre os povos.

Passados os 60 anos, a Juventude tem organização sindical de classe. Os jovens trabalhadores carregam bandeiras de descontentamento mas também de esperança, porque sabem que o futuro depende da sua luta. E ela cresce.

Thursday, March 08, 2007

Dia Internacional da Mulher



Hoje, 8 de Março de 2007, comemoramos da melhor forma possível o dia internacional da Mulher. A história assim vai sendo feita, com avanços e recuos no progresso, mas sempre no caminho do futuro. Hoje as mulheres conquistaram mais um direito.

À semelhança de tantos outros grupos das classes exploradas, este, o do sexo feminino não é excepção e vai conquistando a sangue os seus direitos numa sociedade em que o Estado enquanto instrumento de classe, as oprime como a todos os trabalhadores.

Mais um direito, enquanto tantos outros faltam aprofundar e muitos ainda por conquistar, sem dúvida. Faltam tantos outros para todas as classes exploradas e para todos os seus indivíduos. O direito ao trabalho com direitos, à saúde, direito à educação, à habitação, o direito ao salário, às férias, à tecnologia.

É mais um direito que todos hoje conquistam, pela luta das mulheres, é certo, mas um direito de todos.

A luta pela emancipação da Mulher é a luta pela emancipação dos trabalhadores.
A luta pela emancipação da Mulher é a luta pela emancipação do Homem.

Hoje, um passo foi dado. Hoje a Assembleia da República aprovou a alteração ao Código Penal necessária para a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.

A todos os trabalhadores, uma etapa passada pela luta!
A todas as mulheres, obrigado pelo empenho na luta pelos vossos direitos que garantem os de todos!
A todas as mulheres, hoje o dia é vosso, em honra ao vosso passado. Em honra ao vosso presente. Ao nosso futuro!

Friday, February 02, 2007

A nódoa.

O ministro da economia Manuel Pinho não é, ao contrário do que somos levados a pensar, uma nódoa. Não é, porque se insere num Governo que todo ele age em bloco, articuladamente. Portanto, o governo é, em si mesmo, uma nódoa. Arrisco dizer aliás que, à luz de uma ética própria de uma classe, este governo é um conjunto de criminosos, de mentirosos, corruptos.

Claro que a lei que temos, estabelecida em grande medida pela força política institucional da burguesia, não considera criminoso aquele que submete os interesses de uma nação aos interesses do capital transnacional; não considera criminoso aquele que angaria votos com uma propaganda mas que faz o contrário depois de os ter; não considera criminoso aquele que autoriza a utilização dos recursos de um país por uma empresa privada retirando o acesso a esse recurso pelo povo; não considera criminoso aquele que, depois de colectivamente o país ter retomado posse sobre a indústria, a banca, o Serviço de Saúde, a Educação, vende ao desbarato esse património.

Pois… triste lei esta que é feita pelos pontas-de-lança dos interessados na destruição do país. Triste país que tem a decisão política entregue a quem melhor engana o eleitor, e não a quem melhor o defende. Triste sistema político aquele que tem como decisora a classe menos numerosa mas mais poderosa.

Mas dizia-se, não é nódoa Manuel Pinho porque ele é apenas mais uma entre estas encomendas. O que este Sr. Ministro tem de especial é que é manifestamente mais mentecapto que a generalidade dos seus comparsas de fraude. Manuel Pinho fala pouco. Mas quando fala sai porcaria da grossa. Cada cavadela, cada minhoca; Cada tiro, cada merlo… como se costuma dizer. O homem, coitado, que não passa de um ser calmo e ligeiramente adormecido, com aquele ar típico de quem não tem sequer a preocupação de se informar sobre o que vai falar, não tem culpa nenhuma por falar a verdade.

Claro que exceptuamos a sua célebre passagem “a crise acabou” deste cabaz de verdades imponderadas. Esta foi uma mentira imponderada, provavelmente, rasgo de loucura temporária, semelhante àqueles que acontecem quando se consomem em excesso substâncias psicotrópicas.

Mas, analisemos as suas sábias palavras na Missão China! (Missão China … por favor! Haverá nome mais ridículo para uma visita institucional a um outro estado? – clara nomenclatura propagandística…) Dizia Manuel Pinho:

“os custos salariais [em Portugal] são mais baixos do que a média dos países da União Europeia e a pressão para o seu aumento inferior.”

Eis a verdade sobre a política do Governo. Temos pena que só tenha coragem de a afirmar lá fora. É a cobardia da burguesia: aqui, perante os trabalhadores, mente; lá fora, perante os magnatas, diz a verdade.

De facto, este Governo tem o capital desígnio de destruir a capacidade produtiva nacional, exterminando a soberania nacional, enquanto expressão da vontade popular. Este é o melhor Governo da recuperação fascista. É o mais vingativo e obstinado com a eliminação dos direitos dos trabalhadores. Este é o Governo de um Partido Socialista de corrupção legal. O Partido que cumpre a orientação nacional do grande capital. É esta o mais alinhado, o mais apostado.

É óbvio que, num Governo com estas características há corruptos competentes e incompetentes. Ou seja, os que conseguem cumprir o seu papel central de desmantelamento do Estado, mas resguardando a sua legitimidade pública, acolhendo apoios aqui e além. E os que, cumprindo o seu papel político destinado, não conseguem sequer fingir inteligência. É assim, a privação de inteligência não afecta só os incultos…

Tuesday, January 30, 2007

Interrupção Voluntária da Gravidez - a saga continua!

se a pergunta fosse:

"concorda com a instrumentalização da lei para servir dogmas éticos ou religiosos?"

que responderias?

a questão é que o nosso estado é laico, independentemente da confissão religiosa da maioria. ou seja, é um estado de leis do Homem e não de Deus. independentemente das concepções éticas da maioria, independentemente de quais essas concepções, a lei em portugal baseia-se nos princípios da laicicidade, nos princípios da liberdade e da igualdade.

Perante a pergunta do referendo que nos oferecem, aqueles que respondem não são a face mais pura da hipocrisia, da intolerância e do machismo entranhado na ausência de sinapses próprias.
Mas há outra componente nos movimento do "Não" - a componente manipuladora.
Componente que assenta a sua acção na ignorância, que direcciona o seu discurso a uma camada da população que não tem acesso à informação, que julga superficialmente e de forma pouco informada. Essa componente do movimento do "Não" é a cabeça de um movimento que, paradoxalmente, toma posições acéfalas.

A igreja, instrumento poderoso da classe dominante, e os sectores mais retrógrados de uma burguesia decadente que ainda quer impôr a subrevivência dos seus métodos de exploração exacerbada, sendo que são hoje representados pela exploração desmedida da mão de obra, sustentados pela existência permanente de um exército de recurso para a exploração capitalista. É esta burguesia, decadente mas influente na burguesia enquanto um todo, que ainda exerce este poder. Poder que chegou para o PS convocar o referendo ao invés de resolver a questão na Assembleia da Républica. Poder que é ainda suficiente para fazer do PS um instrumento político ao serviço do "Não", invocando os argumentos mais falaciosos e frágeis, anunciando custos infundados para o Estado após a despenalização, escondendo a realidade actual, altamente dividido nas suas capelas bolorentas, onde abundam as aves raras que ainda se afirmam publicamente pelo "Não".

Este Blog está pelo Sim, e daqui acusa os hipócritas do "Não" de serem carrascos das mulheres, de serem desumanos e falsos. Quem está pelo "não" não está pela vida, está é pela rejeição da mulher enquanto ser capaz de decidir sobre si própria. Assassinos.

Wednesday, January 17, 2007

Tuesday, January 09, 2007

Apocalypto

Entre mim e a habitual crítica de cinema desenha-se um fosso irrevogável. De facto, tenho apanhado as maiores desilusões quando rumo confiante a uma sala de cinema para ver um filme apadrinhado pela crítica e de lá volto incrédulo com tamanho desastre cinematográfico. Ora são argumentos intragáveis, ora são filmes recauchutados, ora são efeitos especiais que fazem suporte a elencos miseráveis e por aí fora.

O cinema de entretenimento puro e simples tem todo o sentido e agradeço o facto de existir alguém que ainda o faça. Da comédia aos thrillers ou mesmo aos filmes de acção desenfreada lá vão saindo bons momentos de descontracção. Pena que, na generalidade, não seja assim.

Chegou às nossas salas de cinema um filme que recebeu as piores considerações dos críticos de cinema da praça. Apocalypto, de Mel gibson. Um filme soberbo. Um filme desfeito pela crítica acéfala.

Aconselho vivamente o filme de Mel Gibson. Embora não conheça o senhor, reconheço-lhe uma aguçada vontade e o um olhar diferente dos dominantes. Apocalypto passa-se no período decadente do império Maya (a que se costuma chamar civilização) e tem, por entre diversas cenas de violência aparentemente gratuita, a virtude de denunciar o que são os pilares dos impérios.

Gibson transporta-nos, apoiado num elenco fenomenal e numa reconstrução histórica e ambiental notável, com excelente cenografia, guarda-roupa e maquilhagem, para um mundo perdido, onde os nossos sentimentos são recorrentemente sobressaltados. Claro está que para os devoradores-de-pipocas que povoam as salas de cinema que por aí se espalham, este filme é mais um documentário enfadonho do que propriamente um filme. De facto, como outros, não se encaixa no estereótipo de filme de entretenimento e, atrevo-me a dizer que não é esse o seu objectivo.

A violência que muitos reputam de gratuita é um dos pilares de um filme que nos quer envolver, que nos quer mexer com os instintos e com os sentimentos. O filme, com sequências geniais e com um realismo extremo, mostra-nos a hierarquização inevitável dos impérios e as relações entre os seres humanos, criadas pela organização imperial de uma sociedade.

Uma aristocracia moralmente decadente, um clero balofo de apoio ao sistema de poder, o trabalho escrevo e a superioridade racial são bem mostrados como instrumentos ao serviço de um império onde o lucro e a acumulação de riqueza já eram o objectivo. A concentração em grandes cidades a um ritmo desfasado da capacidade de dar respostas no plano do ordenamento, da higiene e da segurança, encaminha uma povoação inteira para a doença e o definhamento, sustentando apenas uma pequena classe aristocrata com a ajuda de um clero que detinha o conhecimento científico em regime de exclusividade.

É um filme perturbante. É uma experiência recomendável. Desfazermo-nos da expectativa e usufruir da imagem e do som que este filme nos traz, não tanto enquanto um conto importante, mas enquanto estória e história pode surpreender muitos. É um pouco como um quadro… ninguém pede a um quadro que tenha um bom enredo, que conte uma estória bela… este filme é um quadro de duas horas e alguns minutos que retrata bem uma paisagem social, especulativa ou não.

Praga itinerante

“e têm o desplante de nos oferecer um bónus se acabarmos as cablagens a tempo” Sérgio Cruz, 29 anos, operário fabril na Yazaki Saltano de Ovar.
A yazaki saltano, com o amparo do nosso governo, vem ameaçando o despedimento e o encerramento das suas unidades em Portugal há muito tempo e tem vindo mesmo a concretizar uma redução no número de trabalhadores, empurrando para o desemprego centenas e centenas de operários e operárias. As componentes do capitalismo, as grandes empresas e multinacionais são como uma praga de gafanhotos: desloca-se de colheita em colheita, devastando uma a uma. Estas empresas vagueiam em busca das melhores colheitas e Portugal enquadra-se bem para um bom banquete destas entidades parasitas. Claro que, no quadro da sociedade em que vivemos, as empresas buscam as condições para a obtenção de maior lucro possível e cabe aos trabalhadores estabelecerem as condições em que prestam o seu trabalho.

O que acontece, contudo, em Portugal é que estes gafanhotos são convidados pelo espantalho. Se os trabalhadores fossem as espigas, os gafanhotos seriam a yazaki saltano, o espantalho seria o Governo. Ora, o nosso espantalho decidiu trabalhar para a praga em vez de defender a colheita.

E… no fim de um processo que se anunciava, os trabalhadores choram o seu trabalho que se vai perdendo. Pelo meio, uns senhores na televisão dizem-lhes que não são competitivos porque não gostam é de trabalhar.

Lamento o facto de hoje se fecharem portas perante olhares cabisbaixos, ao invés de enfrentarem punhos erguidos e olhos de esperança. Lamento que, naqueles dias, em que nos deslocámos aos portões da empresa, apelando à luta, muitos não tenham sequer ouvido o que lhes tínhamos para lhe dizer… todavia, quando o povo acorda nunca é tarde!

Saturday, December 30, 2006

2007

todos os dias passa um ano sobre outro.
contudo, fazemos questão de nos ater ao calendário de referência e fazer do 1º de Janeiro o dia em que mudamos de agenda, dia a partir do qual continuaremos a escrever durante semanas "2006" com o último algarismo corrigido para "7" por falta de hábito.
nós por cá não somos diferentes e aqui ficam sinceros votos de bom ano a todos.

um ano que marque pela força da luta, que subleve e eleve a nossa perseverança, que a premeie.
um ano novo que reforce a história dos anos passados, que evolua.
um ano em que a nossa luta pelo trabalho com direitos, pelos salários, pela igualdade, pela saúde, pela educação, pela cultura, pelo respeito, pelo emprego, pela distribuição da riqueza, pela habitação e pelo pão se reforce e veja sucessos!

o contar dos anos se encarregará de nos trazer a vitória, a ver se é este!

saudações!

Thursday, November 30, 2006

ele merece

"O mundo só será mundo no dia em que enforcarmos o último rei nas tripas do último padre"

François-Marie Arouet - Voltaire

Wednesday, November 29, 2006

até onde irá a estupidez...?

"politólogo - s. m. aquele que estuda politologia
politologia - s. f. ciência que estuda a política"

in Dicionário Inventado pela Burguesia Portuguesa e veiculado pela sua Comunicação Social, edições Branquamento Ideológico, S.A.

que curso tenho eu de terminar com sucesso para ser politólogo?
que instituições de ensino superior em Portugal dispõem de tal licenciatura, mestrado ou doutoramento?
que empresas contratam politólogos?
quais os requisitos curriculares para a contratação?

que merda é um politólogo?

Friday, November 17, 2006

Wednesday, November 15, 2006

a esquerda do mesmo império

Hoje, os deputados do Partido Socialista levaram à Assembleia da República o elogio dos seus próprios defeitos. Para quem quisesse ouvir.
Esta estratégia de propaganda começa a ruir. As brechas que vão ferindo o edifício de aparente concordância entre a população portuguesa e as políticas deste Partido Socialista são já tão largas que passam manifestações inteiras por entre elas. Manifestações grandes. Daquelas com centenas de milhar de jovens, empregados, estudantes, mulheres, reformados, professores, agentes da autoridade, funcionários da administração pública, operários, agricultores… das grandes, pois.

As brechas aí estão a demonstrar a ruína da propaganda do PS. A táctica de dizer que tudo está bem até à exaustão, mesmo quando as condições objectivas comprovam exactamente o inverso, começa a mostrar a sua fragilidade. O que não poderia ser de outra forma. Permito-me a utilizar a sábia expressão: “Podem enganar uma pessoa por muito tempo. Podem enganar muitas pessoas por algum tempo. O que não podem é enganar toda a gente, durante todo o tempo.”

Então aí estão os aumentos do custo de vida, a degradação das condições de vida dos jovens, dos trabalhadores e dos reformados. Aí estão as jogadas maquiavélicas em torno do aborto. Aí está a diminuição do custo do trabalho e a diminuição dos salários, o congelamento da progressão nas carreiras da administração pública, o aumento das propinas no ensino superior, o desmantelamento do Incentivo ao Arrendamento por Jovens, as “taxas moderadoras” de internamentos, consultas e tratamentos nos hospitais públicos, a destruição das redes de transportes públicos, a entrega do sector público à exploração privada, os aumentos dos custos da electricidade e dos combustíveis. (respira) Aí estão os impostos também para deficientes, a diminuição das verbas para os laboratórios de estado, a diminuição da acção social escolar, a privatização do ensino e dos serviços de cantinas, refeitórios e residências, aí está o aumento do IVA, a implementação da co-incineração como estratégia primária de tratamento de resíduos industriais perigosos ou banais. Aí temos a diminuição das verbas do Orçamento do Estado para as autarquias locais, a perseguição política a dirigentes sindicais, associativos e estudantis. Para não ir mais longe que já se entende o sentido de tão vasto rol de atrocidades.

Aí estão… para mostrar tudo quanto este governo tem feito para beneficiar os do costume. Os lucros da EDP, das petrolíferas, da indústria e comércio multi e transnacionais, da banca e das instituições de crédito agigantam-se escandalosamente. Daí nasce uma primeira pergunta: é de esquerda um governo que prefere a concentração dos meios de produção, dos lucros do capital produtivo e especulativo num punhado de balofos capitalistas ou empresas?

Isto porque foi hoje mesmo que o Partido Socialista nos brindou com a sua indignação perante a acusação de que não estaria executando políticas de esquerda. Observação do Partido Comunista Português em resposta à encenação que o Partido Socialista acabara de levar a cabo. Indignado, responde o PS de que é de esquerda sim senhor. Que não recebe lições sobre o que é ser de esquerda de ninguém e muito menos do PCP.

Escusar-me-ei a mais que o seguinte:

Sócrates diz no debate na generalidade sobre o Orçamento do Estado para 2007 que o PSD está irritado porque este Governo PS está a fazer tudo quanto o PSD queria ter feito, mas não foi capaz.

Palavras para quê? É de esquerda também o PSD…

Tuesday, October 31, 2006

Pausa

eu bem queria que assim não fosse.
mas temos um Governo que não dá descanso aos trabalhadores a bem do lucro dos patrões. e, por isso mesmo, uns dias de pausa na escrita justificar-se-ão certamente. até ao fim da discussão do Orçamento do Estado, o famigerado orçamento.... ou o famigerado Estado.... Até lá!

Tuesday, September 26, 2006

Da Interrupção Voluntária da Gravidez – notas

Motiva-me um programa da manhã chamado “opinião pública” que a Sic Notícias nos proporciona diariamente. Hoje, sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez.

Todos sabemos que existem em torno deste problema social um conjunto de tentativas de mistificação, quer da parte dos que defendem a criminalização e penalização da prática de aborto, quer da parte de alguns oportunistas que cavalgam a onda da despenalização. E este programa é óptimo exemplo disso. A Sic Notícias, embora certamente conheça o facto de que existem plataformas, partidos e associações representativas de vastas massas defensoras da tolerância e do direito de optar, convida uma associação residual sem qualquer intervenção significativa na sociedade portuguesa (provavelmente teriam preferido convidar o Bloco, mas assim, foi menos flagrante), a “não te prives”. E convida para a defesa da penalização uma senhora em nome do movimento pela vida.

Argumentos

Movimento pela vida: “não há necessidade de fazer um referendo por que as condições que determinaram o resultado do último não se alteraram.”; “a mulher poder abortar sem mais nem menos é uma afronta ao direito básico do nosso Estado, a vida”; “eu preferia que o ministro [da saúde] não tivesse dito o que disse, porque é um incentivo ao aborto. Eu sei porque sou mulher.”

Não te prives: “o aborto é uma matéria privada”; “obrigar uma mulher a ir a um hospital público é trazer o seu íntimo para a esfera pública”; “o aborto deve ser apenas uma escolha privada da mulher”.


A mistificação é óbvia de ambas as partes. O movimento pela vida insiste nas suas teses conservadoras, partindo do princípio que a mulher é uma devassa que não tem consciência de decidir sobre os seus problemas. A igreja e estes movimentos controlados pelos resquícios da influência moral católica entendem que a mulher é um ser, por definição, amoral e com tendências demoníacas e como tal, a sociedade tem de limitar as suas opções. Além disso, a senhora que ali foi falar em nome desta plataforma considera que as mulheres abortam sem mais nem menos e que qualquer coisa é um incentivo ao aborto. Esta senhora, muito provavelmente, teve uma educação muito restritiva, isto porque ela, certamente teria abortado todos os dias e fornicado com tudo e todos, caso não fossem os seus pais a limitar tais impulsos pagãos.

A senhora da “não te prives” que engoliu a mesma cassete “lições de retórica em k7” que o Louça, provavelmente encomendadas a um seminário onde se ensina a doutrina cristã, teve um papel brilhante. Qual desenho animado simpático, de sorriso permanente e voz calma e altaneira, defende que exista um referendo e que as pessoas votem “sim à despenalização”. Estas associações satélites do Bloco de Esquerda defendem que a direita mais conservadora tenha todo o tempo para aproveitar inclusivamente o natal para voltar à carga com a argumentação bolorenta e demagógica. Defendem o referendo como única forma de fazer o BE voltar à ribalta na comunicação social. Em torno da liberdade individual e colocando o problema exclusivamente na esfera da privada da mulher desviam os olhares e a crítica social das questões de fundo. Direitos das mulheres! D I R E I T O S. Direito à maternidade. Direito a salários condignos. Direito à saúde e à educação. Esta não é uma questão privada da mulher. Aquilo que é privado é a decisão em si, nada mais. De resto, o aborto é um problema social, reflexo de outros, problema de saúde pública radicado na luta de classes.

Esta não é uma matéria privada. é uma matéria de saúde pública e direitos sociais. O Estado burguês está a punir mulheres por um problema que o próprio criou. Esta não é assim, matéria de referendo, porque isso é assumir que esta é uma questão de impasse moral. E não é. Nenhuma concepção ética pode ser imposta. O que cada voto no "não" fará é isso mesmo.

O Estado Português é laico - do grego "laos" que significa "povo, gentes". Ou seja, não é um Estado fundado em concepções éticas, religiosas ou morais de uns ou outros. E essa é a única forma de permitir que todas essas concepções são livres de existir.

Saturday, September 23, 2006

Júdice Sabichão

Ontem tivemos todos a oportunidade de ler as doutas e sapientes palavras do Dr. José Miguel Júdice sobre a Juventude e o seu associativismo. Fomos abençoados pela sua extrema capacidade analítica e pelo seu conhecimento do quadro jurídico português. E assim, valeram bem os 80 cêntimos que pagámos pelo jornal “Público”.

Ora decidiu o Doutor escrever na segunda ou terceira página do jornal, local onde se ostenta a miserável coluna que lhe pertence, um artigo de opinião sobre o Associativismo Juvenil a que deu o título “De pequenino é que se torce o pepino”, leitura que aliás recomendo a todos.

Começo a passar os olhos, primeiro distraidamente como é mais habitual, depois séria e contraidamente, pelo texto. Começo a tornar-me impaciente e confesso que dirigi uns impropérios ao autor em voz baixa na mesa do café. Vontade não me falta de os voltar a invocar, mas este é um blog de respeito.

O Doutor demonstra um raciocínio tremendamente burguês e reaccionário, ao que se acrescenta uma brutal ignorância e aquele típico desprezo pela juventude que conhecemos quer nos ignorantes, quer nos reaccionários. Para ele, a nova lei do associativismo jovem, aprovada pela maioria da Assembleia da República, com os votos contra do PCP, do PEV e do BE, é um desbaratar de direitos para a juventude. Para este senhor, a nova lei traz demasiados privilégios para o associativismo juvenil e, mais, acrescenta o senhor, é um passo contra as responsabilidades dos cidadãos e contra a formação na cidadania.

Importa esclarecer que o PCP votou contra a referida lei por considerar que ela constitui um grande passo atrás no que toca ao anterior quadro legislativo. A lei do associativismo jovem do Partido Socialista não é mais que a abertura de caminhos para a ingerência estatal nos assuntos das associações juvenis, quer no plano financeiro, quer no plano da política e da actividade associativas. A lei prevê menos apoios para as associações de estudantes e não garante qualquer aumento no apoio ao associativismo juvenil de base local ou de âmbito sectorial. Importa referir que esta lei vem introduzir limites para o número de dirigentes por cada associação.

O Júdice achou que tudo isto era uma escandaleira. Segundo ele, agora os miúdos da primária iam começar a fazer associações só para ter benefícios fiscais, e as escolas passariam a ter mais de 4 ou 5 associações de estudantes, só para gozarem estatutos e disporem de espaços próprios. Para o senhor não existem limites de idade para integrar corpos gerentes das associações juvenis e o facto de o Estado apoiar este movimento associativo é inaceitável porque fomenta a desresponsabilização juvenil.

Esta verborreia que podem ler no “Público” e com ela pasmar não é dirigida, ao contrário do que possa parecer, ao governo nem ao PSD, nem ao CDS, partidos que aprovaram a lei e que assim revogaram a anterior. Insere-se numa bem articulada campanha contra a juventude e o movimento associativo. Para este senhor, o associativismo juvenil é apenas uma escolinha para os jovens das Jotas, onde fazem carreira profissional até chegar aos corredores do poder - “alguns até são deputados”, diz ele.

O que o Júdice não consegue disfarçar é um ódio genético ao associativismo e à participação democrática, no qual a juventude serviu como alvo preferencial. Mas além de não conseguir disfarçar esse ódio mesquinho, deixou completamente transparecer o seu total desconhecimento sobre o que escreveu.

1. Se o associativismo estudantil ou juvenil dá lugar à formação de quadros intervenientes na sociedade, que, porventura, assumem depois tarefas nos partidos, quem mal tem isso? Não será isso uma óptima forma de promover a cidadania?

2. Se o Júdice acha que miúdos da primária vão fazer associações para ter subsídios, não será porque ele é que pensa assim? Além do mais, os dirigentes associativos não podem ter menos de 16 anos, facto que, pelos vistos, o senhor desconhece.

3. Se ele acha que os estudantes agora vão fazer 3 ou 4 associações por escola, é porque ele quando era estudante devia ter esse desejo, mas desconhece no entanto, que a própria lei limita o número de associações de estudantes por instituição de ensino a 1 (uma).

4. Se o senhor Júdice pensa que as associações de estudantes só agora passaram a ter direito a dispor e gerir um espaço dentro das instalações da escola, também está muito enganado porque esse direito é-lhes consagrado por lei há quase 20 anos.

5. Mas este fazedor de opinião desconhece ainda mais: desconhece que são milhares e milhares os dirigentes associativos juvenis e estuidantis, que por esse país fora dinamizam aquilo que muitas vezes deveria caber ao Estado e às autarquias, desde o teatro, ao convívio e lazer, passando pelo desporto e pela actividade política e cultural. Desconhece que, desses milhares, apenas uma pequeníssima parte entra na vida partidária ou na via institucional dos órgãos de sobreania.

É pena que estes senhores, ditos acima de qualquer suspeita, possam escrever o que bem entendam nos jornais sem ter de prestar contas sobre a veracidade do que escrevem. Mas assim, se vê bem como para ilustrar tão injustas posições é necessário recorrer à mentira!

Thursday, September 14, 2006

ele há coisas...

para a cambada anti-comunista do costume, que por tudo e por nada fala dos modelos nórdicos e em demais paraísos, >aqui< vai.

Thursday, September 07, 2006

este é um império solidário!

Como julgo que não é necessário fingir que se reinventa diária e constantemente aquilo que já foi dito, aqui ficam algumas palavras que, embora não tenham sido escritas em sede do império, bem o poderiam ter sido. Agradeço a um amigo que as postou no transbolivariano.

um recado, para os indignados, paladinos do bolorento carinho e caridade parasitários: qualquer dia, podem ser vocês na lista de terroristas dos Estados.

Terrorismo é aprisionar um povo inteiro, condenando-o à fome para satisfazer a ganância. Terrorismo é o capitalismo e o imperialismo norte-americano.
Viva a luta do povo colombiano!
Viva o Exército Popular das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia!

Monday, September 04, 2006

Regresso

Ainda eram mais que anteriores edições, os visitantes.
As jornadas de trabalho militante na festa do avante também cresceram.
A festa cresce de ano para ano e nem a rídicula campanha anti-festa dos média do grande capital conseguem contrariar a crescente simpatia entre o povo e a festa do PCP.

Ao capital esta festa incomoda, sem dúvida.
É um espinho único na sua roseira de quintal - a UE, tão bem podada pelos estados-membros lacaios.

É ali que velhos, crianças, homens, mulheres e jovens, operários, professores, reformados, intelectuais, camponeses, operários rurais, comerciantes, artesãos, se cruzam com olhares de fraternidade e palavras de amizade. É ali que, espontaneamente organizados, braços se irmanam em canções novas e antigas. É ali que reside a mais bela e sólida prova de que o colectivo não é apenas a soma dos indivíduos. É mais, bastante mais.

E é isso mesmo que não se pode saber, porque esconder esse poder da humanidade é garantir o poder do capital. É por isso que esta festa, só saberá conhecer quem a visitar, quem a acolher, porque as barreiras e as cortinas de ferro da comunicação social a desfiguram, a escondem.
Porque o culto do individualismo é a pedra de toque que importa manter sagrada. Porque ver a festa seria perceber que essa pedra afinal, não passa de banha da cobra.

E assim, recomeçamos.
E assim, transportando a energia das inspirações a plenos pulmões, que sorveram cada sorriso, voltamos ao império bárbaro.