Eu já tinha, por motivos semelhantes aos que ora descreverei, uma ideia muito negativa da chamada Deco - defesa do consumidor. Seus estudos, seus critérios, vêm sempre atrelados a alguns interesses a coberto da defesa do consumidor. Por isso mesmo, quando na comunicação social se dá determinada importância a um estudo da Deco, eu prefiro não confiar. Da mesma forma, nunca me passou pela cabeça fazer queixa à Deco, como se de uma instância das instituições e autoridades portuguesas se tratasse. Na verdade, a defesa do consumidor cabe ao Governo - coisa que poucos lhe exigem exactamente pela falta de informação que por aí pulula.
Já me tinha acontecido isto, mas desta feita irritou-me de tal forma que preferi contar, para quem no google escrever "deco" levar com a minha experiência. Ontem, 21.30 horas, ligam-me para o número pessoal de casa (que muito poucas pessoas têm) e perguntam pelo Sr. tal, por sinal, eu próprio. Identificam-se como da Deco, a que pergunto: "como arranjou o meu número?" e que me responde que é uma base de dados obtida das operadoras de comunicações. De seguida pergunta-me imediatamente: "Está interessado em associar-se à deco e subscrever a revista proteste?" ao que digo: "a prova de que nunca farei tal coisa é precisamente este telefonema da deco, utilizando métodos dos quais diz defender-nos". A chamada foi desligada pelo interlocutor.
Duas coisas a registar portanto:
1. A deco compra ou alguém lhe entrega as valiosas bases de dados das operadoras que contêm os nossos dados pessoais, nome, morada, nr de telefone, e talvez algo mais. Com isto a deco invade claramente a nossa privacidade, incomodando-nos à hora de jantar, para nos importunar, imagine-se, sobre a assinatura da sua revista. A isto costuma chamar-se "técnica de marketing agressivo" que constitui uma prática que pretende vender à força, mesmo a quem nunca mostrou interesse no produto. É esta a associação/empresa/grémio ou de que raio se trata que diz por aí que defende os interesses dos consumidores... é preciso dizer mais?
2. a deco orienta os seus empregados - de call center, certamente, a que nem empregados se pode chamar, visto a precariedade do seu posto de trabalho ser mais instável que o átomo de plutónio - para não entrar em conversas que possam desmascarar o tipo de negócio que na verdade promove e que pouco tem a ver com defesa do consumidor. Ou isso, ou o empregado em causa sentiu-se tão mal ao desempenhar tão ingrata tarefa que me desligou o telefone na cara com vergonha... coitado, é compreensível.
Um última nota para dizer que essa tal deco também costuma enviar envelopes daqueles que trazem milhões de prémios para a malta toda, que basta comprar o colchão e experimentar a almofada e sai-nos a quantia dos nossos sonhos directamente para a nossa conta bancária. Ora, estamos habituados a que muitos façam esse tipo de coisas, que prometam isto e aquilo e mais o resto do mundo, a troco de rasparmos os números da sorte no envelope, de utilizar a chave de ouro que nos enviam e, claro, de comprar 10 serviços de prata e uma colecção de enciclopédias que não conseguem vender de outra forma. Mas seria no mínimo de esperar que não fosse a tal deco a fazer esse triste serviço.
Saturday, September 13, 2008
Friday, September 12, 2008
dia do diploma
Ora aí está mais uma bonita invenção de propaganda do nosso fantástico Ministério da Educação! Parece que hoje "pela primeira vez" é o dia do diploma, vejam bem. Podem obter mais informação aqui. Não fosse tão grave e isto mereceria da minha parte pouco mais que uma gargalhada pela patética iniciativa de propaganda. No entanto, não é isso que me motiva tão empolgante comemoração, porque ela é mais do que uma simples acção de propaganda do governo. A essas, as patéticas e desesperadas tentativas de limpar a face do governo com propaganda e recurso a figurantes e outros expedientes do mesmo grau de dignidade, já nós nos habituámos e já bem as reconhecemos. Por isso também sabemos bem que, por detrás dessas, pouco mais está senão uma tentativa gorada de enganar portugueses no sentido estrito de eleitores, para que vão em carreiro uma vez mais pôr a cruzinha no Partido Socialista e no rastejante Sócrates que deu altivo Primeiro Ministro deste país.
Mas esta iniciativa não se esgota na propaganda. Destacar de entre todos os dias, o Dia do Diploma, será no mínimo lamentável, já que uma vez mais evidencia a obsessão que este governo alimenta pela certificação, desprezando cada vez mais frontalmente a qualificação, a formação do saber e a produção de saber nas escolas e nas universidades portuguesas. O que importa, ao fim de tantos anos de escola é o diploma: o raio do papel que, com o nosso nome escarrapachado, atesta que estamos aptos a ser explorados no mercado de trabalho sem quaisquer direitos, caso tenhamos a cada vez mais rara sorte de encontrar um trabalhito e que consigamos, sorte mais rara ainda, efectivamente um posto de trabalho permanente. O que importa não é o estímulo à continuidade da aprendizagem, do prosseguimento de estudos, não é a formação do indivíduo enquanto ser humano, mas apenas a sua chapa e carimbo a que chamam o diploma. Pouco importa que esse diploma reflicta conhecimento ou ignorância, importa sim que altera estatísticas e engrossa o exército industrial no activo e o de reserva.
No entanto, este desabafo refere-se apenas à parte mais insignificante do "dia do diploma". O que é bastante mais preocupante é a outra componente desse dia 12 de Setembro de 2008, o da atribuição das chamadas bolsas de mérito através das quais, depois dos quadros de honra e dos rankings, vem o magno Ministério da Educação distinguir o mérito e a competência, o esforço e a dedicação. Ou não? Ora vejamos: a Escola Pública tem insuficiências estruturais que se têm vindo a agravar; o parque escolar está cada vez mais assimétrico; os graus de ensino mais avançado estão cada vez mais elitizados; aumenta a triagem social e a elitização de escolas e turmas; aumenta a distinção entre as avaliações daqueles que podem pagar explicações e dos que não podem; degrada-se a qualidade de vida dos estudantes mais carenciados e das suas famílias; diminuem os apoios para os estudantes com necessidades educativas especiais e diminui a acção social escolar para estudantes das camadas mais pobres da população e simultaneamente o Governo distribui cheques de 500 euros aos melhores alunos de cada escola. (e tem a grosseira lata de incluir essas "bolsas de mérito" na rubrica de "acção social escolar"!!!)
Ora, além de estarmos perante uma flagrante e intolerável injustiça que distingue positivamente aqueles que mais podem, que pertencem a famílias com mais posses económicas, estamos também perante uma manobra de manipulação ideológica de cariz altamente reaccionário e de matriz fascizante. A atribuição de prémios aos estudantes que obtêm as melhores notas, como se de um qualquer concurso televisivo se tratasse a escola pública, induz um raciocínio deveras perigoso: se o estudante com boas notas merece prémio monetário e menções honrosas na sua escola, isso significa que o estudante que não obtém as mesmas classificações é também responsável pelo seu insucesso e que merece, portanto, um castigo, ou uma discriminação negativa. Bonito será o dia em que os estudantes com piores notas sejam obrigados a pagar multas ou a serem colocados no quadro da mediocridade da sua escola. Mas há ainda uma outra dimensão deste raciocínio que é talvez a mais perigosa de todas: a da promoção do individualismo e da competição entre pares.
Que valores e princípios está este governo e este ministério a estimular e fomentar entre os jovens estudantes? Que comportamentos são assim transmitidos aos jovens portugueses? A competição, a competitividade, a concorrência em vez da cooperação e do trabalho colectivo; o individualismo, o egocentrismo, a trapaça, em vez do altruismo e humanismo. Que valores são os que este governo vai transmitindo premiando quem mais dinheiro tem, quem mais escondeu dos colegas os apontamentos, quem melhor máquina de calcular científica tinha, quem melhor computador tinha em casa? Que cidadãos teremos no mundo do trabalho e nas outras esferas e dimensões da sociedade depois de passarem por uma escola onde aprenderam a ver recompensados os mais desprezíveis comportamentos de que o capitalismo necessita para sobreviver.
Mas esta iniciativa não se esgota na propaganda. Destacar de entre todos os dias, o Dia do Diploma, será no mínimo lamentável, já que uma vez mais evidencia a obsessão que este governo alimenta pela certificação, desprezando cada vez mais frontalmente a qualificação, a formação do saber e a produção de saber nas escolas e nas universidades portuguesas. O que importa, ao fim de tantos anos de escola é o diploma: o raio do papel que, com o nosso nome escarrapachado, atesta que estamos aptos a ser explorados no mercado de trabalho sem quaisquer direitos, caso tenhamos a cada vez mais rara sorte de encontrar um trabalhito e que consigamos, sorte mais rara ainda, efectivamente um posto de trabalho permanente. O que importa não é o estímulo à continuidade da aprendizagem, do prosseguimento de estudos, não é a formação do indivíduo enquanto ser humano, mas apenas a sua chapa e carimbo a que chamam o diploma. Pouco importa que esse diploma reflicta conhecimento ou ignorância, importa sim que altera estatísticas e engrossa o exército industrial no activo e o de reserva.
No entanto, este desabafo refere-se apenas à parte mais insignificante do "dia do diploma". O que é bastante mais preocupante é a outra componente desse dia 12 de Setembro de 2008, o da atribuição das chamadas bolsas de mérito através das quais, depois dos quadros de honra e dos rankings, vem o magno Ministério da Educação distinguir o mérito e a competência, o esforço e a dedicação. Ou não? Ora vejamos: a Escola Pública tem insuficiências estruturais que se têm vindo a agravar; o parque escolar está cada vez mais assimétrico; os graus de ensino mais avançado estão cada vez mais elitizados; aumenta a triagem social e a elitização de escolas e turmas; aumenta a distinção entre as avaliações daqueles que podem pagar explicações e dos que não podem; degrada-se a qualidade de vida dos estudantes mais carenciados e das suas famílias; diminuem os apoios para os estudantes com necessidades educativas especiais e diminui a acção social escolar para estudantes das camadas mais pobres da população e simultaneamente o Governo distribui cheques de 500 euros aos melhores alunos de cada escola. (e tem a grosseira lata de incluir essas "bolsas de mérito" na rubrica de "acção social escolar"!!!)
Ora, além de estarmos perante uma flagrante e intolerável injustiça que distingue positivamente aqueles que mais podem, que pertencem a famílias com mais posses económicas, estamos também perante uma manobra de manipulação ideológica de cariz altamente reaccionário e de matriz fascizante. A atribuição de prémios aos estudantes que obtêm as melhores notas, como se de um qualquer concurso televisivo se tratasse a escola pública, induz um raciocínio deveras perigoso: se o estudante com boas notas merece prémio monetário e menções honrosas na sua escola, isso significa que o estudante que não obtém as mesmas classificações é também responsável pelo seu insucesso e que merece, portanto, um castigo, ou uma discriminação negativa. Bonito será o dia em que os estudantes com piores notas sejam obrigados a pagar multas ou a serem colocados no quadro da mediocridade da sua escola. Mas há ainda uma outra dimensão deste raciocínio que é talvez a mais perigosa de todas: a da promoção do individualismo e da competição entre pares.
Que valores e princípios está este governo e este ministério a estimular e fomentar entre os jovens estudantes? Que comportamentos são assim transmitidos aos jovens portugueses? A competição, a competitividade, a concorrência em vez da cooperação e do trabalho colectivo; o individualismo, o egocentrismo, a trapaça, em vez do altruismo e humanismo. Que valores são os que este governo vai transmitindo premiando quem mais dinheiro tem, quem mais escondeu dos colegas os apontamentos, quem melhor máquina de calcular científica tinha, quem melhor computador tinha em casa? Que cidadãos teremos no mundo do trabalho e nas outras esferas e dimensões da sociedade depois de passarem por uma escola onde aprenderam a ver recompensados os mais desprezíveis comportamentos de que o capitalismo necessita para sobreviver.
Wednesday, September 10, 2008
"o medo"
"O medo" é o que os move contra nós. Isso significa que aceitam disfarçando as teses que todos sabemos verdadeiras e que dizem que a história da humanidade até aos dias de hoje é a história da luta de classes. "O medo" é o sentimento que lhes faz vibrar as almas e que lhes aflora o ódio indisfarçável à pele. "O medo" é o que os faz passar por cima de qualquer veleidade democrática quando se trata de silenciar o outro lado da luta de classes.
Só isso explica a indigência repetitiva dos comentários à festa do avante!, só isso pode explicar a ausência de imagens do conjunto de bandeiras, punhos, gentes, jovens, mulheres, homens e crianças em todos os jornais da praça. Isso, "esse medo", e uma terrível inexistência de escrúpulos e de dignidade. Só isso pode justificar, ou pelo menos tornar compreensível, a brutal mentira que se conta sobre os que lutam do outro lado da luta. Aí reside também uma grande diferença entre nós e esses que nos temem: é que nós não os tememos e para os descrever - a eles e seus métodos - basta-nos falar verdade. Já eles nos temem, porque sabem que são os trabalhadores a locomotiva do progresso, e só podem descrever-nos - a nós e nossos métodos - usando a mentira como expediente comum.
Por isso é que não podem mostrar as fotografias tiradas de um qualquer ponto da festa do avante!, não podem mostrar as centenas de milhares de sorrisos, o casal apaixonado segurando a bandeira vermelha, o pai empurrando o carrinho de bebé e beijando a mãe, as crianças de gelado na mão saltitando, os miúdos a tomarem banho na praça da Paz, os velhotes a cortarem melão ao lado dos punks e a oferecerem-lhes belas talhadas.
Por isso é que não podem mostrar as exposições artísticas, as peças de teatro de intervenção, o palco arraial, os debates do pavilhão central, os visitantes da festa fascinados participando - vejam bem! - com o PCP em interessantes e intensos momentos de discussão sobre os mais variados aspectos da vida política e social do país, ou mesmo sobre a tão assassinada e ainda viva ideologia marxista-leninista.
Por isso é que não podem mostrar os milhares de jovens que participam na construção da festa, com milhares de horas de trabalho voluntário a somar a todo o que já empenham durante o ano nas suas escolas ou empresas. Não podem mostrar os punhos erguidos, os braços unidos, as lágrimas de felicidade que se confundem com um aberto sorriso. Por isso não podem mostrar a feira do livro, a cidade internacional, por isso mentem quanto ao número de participantes e e visitantes da festa, por isso remetem a festa do avante para as páginas pares dos jornais depois de toda a tralha noticiosa que possam inventar ou desencantar. Por isso é que a Red Bull merece tres vezes mais páginas e caracteres e fotografias de objectiva ampla na Ribeira para mostrar uns aviõezecos, enquanto a festa do avante merece apenas uma referência miserável à "cassete" habitual de Jerónimo de Sousa, pois claro!
É por "medo" que esses anticomunistas e seus lacaios invertebrados nos distorcem. É por "medo" que o individualismo deles venha a ser substituído pelo nosso humanismo. É por "medo" que o empreendedorismo deles seja substituído pela nossa solidariedade. É por "medo" que a modernidade deles seja substituída pelo futuro.
É por "medo" que a competitividade deles seja substituída pela nossa cooperação.
É por "medo" que as suas teses velhas sejam destruídas pelo progresso. "MEDO" de que o homem, transformando o mundo, se transforme a si próprio.
Tenham "medo", carcereiros, bilionários e exploradores, que a história não cessará para vos esperar.
Só isso explica a indigência repetitiva dos comentários à festa do avante!, só isso pode explicar a ausência de imagens do conjunto de bandeiras, punhos, gentes, jovens, mulheres, homens e crianças em todos os jornais da praça. Isso, "esse medo", e uma terrível inexistência de escrúpulos e de dignidade. Só isso pode justificar, ou pelo menos tornar compreensível, a brutal mentira que se conta sobre os que lutam do outro lado da luta. Aí reside também uma grande diferença entre nós e esses que nos temem: é que nós não os tememos e para os descrever - a eles e seus métodos - basta-nos falar verdade. Já eles nos temem, porque sabem que são os trabalhadores a locomotiva do progresso, e só podem descrever-nos - a nós e nossos métodos - usando a mentira como expediente comum.
Por isso é que não podem mostrar as fotografias tiradas de um qualquer ponto da festa do avante!, não podem mostrar as centenas de milhares de sorrisos, o casal apaixonado segurando a bandeira vermelha, o pai empurrando o carrinho de bebé e beijando a mãe, as crianças de gelado na mão saltitando, os miúdos a tomarem banho na praça da Paz, os velhotes a cortarem melão ao lado dos punks e a oferecerem-lhes belas talhadas.
Por isso é que não podem mostrar as exposições artísticas, as peças de teatro de intervenção, o palco arraial, os debates do pavilhão central, os visitantes da festa fascinados participando - vejam bem! - com o PCP em interessantes e intensos momentos de discussão sobre os mais variados aspectos da vida política e social do país, ou mesmo sobre a tão assassinada e ainda viva ideologia marxista-leninista.
Por isso é que não podem mostrar os milhares de jovens que participam na construção da festa, com milhares de horas de trabalho voluntário a somar a todo o que já empenham durante o ano nas suas escolas ou empresas. Não podem mostrar os punhos erguidos, os braços unidos, as lágrimas de felicidade que se confundem com um aberto sorriso. Por isso não podem mostrar a feira do livro, a cidade internacional, por isso mentem quanto ao número de participantes e e visitantes da festa, por isso remetem a festa do avante para as páginas pares dos jornais depois de toda a tralha noticiosa que possam inventar ou desencantar. Por isso é que a Red Bull merece tres vezes mais páginas e caracteres e fotografias de objectiva ampla na Ribeira para mostrar uns aviõezecos, enquanto a festa do avante merece apenas uma referência miserável à "cassete" habitual de Jerónimo de Sousa, pois claro!
É por "medo" que esses anticomunistas e seus lacaios invertebrados nos distorcem. É por "medo" que o individualismo deles venha a ser substituído pelo nosso humanismo. É por "medo" que o empreendedorismo deles seja substituído pela nossa solidariedade. É por "medo" que a modernidade deles seja substituída pelo futuro.
É por "medo" que a competitividade deles seja substituída pela nossa cooperação.
É por "medo" que as suas teses velhas sejam destruídas pelo progresso. "MEDO" de que o homem, transformando o mundo, se transforme a si próprio.
Tenham "medo", carcereiros, bilionários e exploradores, que a história não cessará para vos esperar.
Sunday, August 31, 2008
avante! 2008
a festa está de pé, contra muitas vontades,
serão sempre mais fortes as nossas porque trazem sangue e coragem.
a festa está, como sempre, mas ainda mais, bonita.
hoje, os olhos já franziam em sorrisos de ansiedade e de esperança,
e sempre, como antes e depois, confiança.
serão sempre mais fortes as nossas porque trazem sangue e coragem.
a festa está, como sempre, mas ainda mais, bonita.
hoje, os olhos já franziam em sorrisos de ansiedade e de esperança,
e sempre, como antes e depois, confiança.
arena da esperança
porque eu não conhecia e porque sei que vão gostar. aqui fica uma sugestão para a malta conhecer e outros, certamente, reviverem.
Tuesday, August 12, 2008
Algumas notas de Agosto
Sinceramente, em mês de Agosto, sinto pouca vontade de escrever. No entanto, a terra continua a girar e, por isso mesmo, as barbaridades continuam a jorrar por esse mundo fora e isso não me deixa sossegado sem mandar pelo menos umas postas.
1. Que diriam a tv e comunicação social dominante se os jogos olímpicos fossem, por exemplo, nos EUA e um conjunto de visitantes - supostos espectadores - com visto turístico aproveitassem a ocasião para envergar t-shirts a dizer: encerrem guantanamo, libertem o iraque!
2. Que diriam os mesmos órgãos de Comunicação Social se os jogos se realizassem em Espanha e um conjunto de visitantes, com visto turístico, realizasse manifestações para a libertação do País Basco?
3. Que diria a comunicação social se a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim tivesse sido em qualquer outro país? talvez chegasse mesmo a ser a mais bela, mais impressionante e mais bem preparada da história dos jogos da época moderna?
4. Que diria a comunicação social se o referendo revogatório na bolívia tivesse tido outro desfecho?
5. Que diriam os jornais se na Mongólia tivesse ganho outra força política que não os comunistas e a oposição lhes incendiasse as sedes e atacasse os militantes?
6. Que diriam os EUA e a comunicação social se o conflito georgiano estivesse a desenrolar-se numa região da ex-jugoslávia?
E levanto as questões em forma de perguntas embora desconfie saber as respostas, mas porque assim poderá ser uma boa forma de induzir raciocínios críticos no leitor. Embora, quase com certeza absoluta, saiba também que o leitor desta folha, tenha para estas perguntas respostas muito semelhantes às minhas!
boas férias a todos!
1. Que diriam a tv e comunicação social dominante se os jogos olímpicos fossem, por exemplo, nos EUA e um conjunto de visitantes - supostos espectadores - com visto turístico aproveitassem a ocasião para envergar t-shirts a dizer: encerrem guantanamo, libertem o iraque!
2. Que diriam os mesmos órgãos de Comunicação Social se os jogos se realizassem em Espanha e um conjunto de visitantes, com visto turístico, realizasse manifestações para a libertação do País Basco?
3. Que diria a comunicação social se a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim tivesse sido em qualquer outro país? talvez chegasse mesmo a ser a mais bela, mais impressionante e mais bem preparada da história dos jogos da época moderna?
4. Que diria a comunicação social se o referendo revogatório na bolívia tivesse tido outro desfecho?
5. Que diriam os jornais se na Mongólia tivesse ganho outra força política que não os comunistas e a oposição lhes incendiasse as sedes e atacasse os militantes?
6. Que diriam os EUA e a comunicação social se o conflito georgiano estivesse a desenrolar-se numa região da ex-jugoslávia?
E levanto as questões em forma de perguntas embora desconfie saber as respostas, mas porque assim poderá ser uma boa forma de induzir raciocínios críticos no leitor. Embora, quase com certeza absoluta, saiba também que o leitor desta folha, tenha para estas perguntas respostas muito semelhantes às minhas!
boas férias a todos!
Monday, August 04, 2008
como as coisas (infelizmente) são
O PCP apresentou na Assembleia da República um Projecto de Resolução que propunha medidas de urgência para o financiamento do Ensino Superior Público. Na verdade, o Ensino Superior Público precisa de muito mais do que simples paliativos, no entanto, a situação agrava-se de tal forma que se torna necessário intervir mesmo no plano da urgência.
Claro que, numa perspectiva programática, o Ensino Superior Público carece, isso sim, de um sério investimento público e de uma verdadeira política de dignificação e aposta na qualidade, apostando forte na democratização do acesso e da frequência como forma de dinamizar a própria economia nacional, particularmente a baseada numa mão-de-obra qualificada. A situação actual, porém, exige medidas extraordinárias. O PCP propôs assim um conjunto de medidas de emergência para que o Ensino Superior Público não colapsasse e para que se libertasse da pressão e da governamentalização que os contratos de saneamento financeiro impõem às instituições.
Tendo em conta que a situação exige medidas práticas e urgentes, é bastante compreensível que o Bloco de Esquerda tenha também apresentado a sua proposta, também através de Projecto de Resolução. O que já não será tão simples compreender é o conteúdo do referido projecto.
O Bloco de Esquerda encetou assim um processo de discussão mais profunda, sobre o cerne do financiamento do ESP. Ora, assim sendo, só um caminho seria possível para o PCP: o da consagração da gratuitidade e o da responsabilização do Estado perante o ESP. O BE preferiu tirar coelhos da cartola e acabou por forçar o PCP a abster-se na votação. Compreensivelmente não poderíamos esperar que o PCP votasse um projecto que propõe que a própria Lei do Financiamento do Ensino Superior Público seja alterada para pior, consagrando legalmente a possibilidade de as propinas financiarem o funcionamento das Instituições.
Portanto, a abstenção do PCP no Projecto do Bloco é não só compreensível, como exigível.
Na Assembleia da República, todavia, verificam-se as mais estranhas coisas e mais mesquinhos comportamentos. Fica a dúvida: "por que razão, senão a de responder com moeda igual - mesmo sem motivação política - se absteve o BE no Projecto do PCP?"
Claro que, numa perspectiva programática, o Ensino Superior Público carece, isso sim, de um sério investimento público e de uma verdadeira política de dignificação e aposta na qualidade, apostando forte na democratização do acesso e da frequência como forma de dinamizar a própria economia nacional, particularmente a baseada numa mão-de-obra qualificada. A situação actual, porém, exige medidas extraordinárias. O PCP propôs assim um conjunto de medidas de emergência para que o Ensino Superior Público não colapsasse e para que se libertasse da pressão e da governamentalização que os contratos de saneamento financeiro impõem às instituições.
Tendo em conta que a situação exige medidas práticas e urgentes, é bastante compreensível que o Bloco de Esquerda tenha também apresentado a sua proposta, também através de Projecto de Resolução. O que já não será tão simples compreender é o conteúdo do referido projecto.
O Bloco de Esquerda encetou assim um processo de discussão mais profunda, sobre o cerne do financiamento do ESP. Ora, assim sendo, só um caminho seria possível para o PCP: o da consagração da gratuitidade e o da responsabilização do Estado perante o ESP. O BE preferiu tirar coelhos da cartola e acabou por forçar o PCP a abster-se na votação. Compreensivelmente não poderíamos esperar que o PCP votasse um projecto que propõe que a própria Lei do Financiamento do Ensino Superior Público seja alterada para pior, consagrando legalmente a possibilidade de as propinas financiarem o funcionamento das Instituições.
Portanto, a abstenção do PCP no Projecto do Bloco é não só compreensível, como exigível.
Na Assembleia da República, todavia, verificam-se as mais estranhas coisas e mais mesquinhos comportamentos. Fica a dúvida: "por que razão, senão a de responder com moeda igual - mesmo sem motivação política - se absteve o BE no Projecto do PCP?"
Wednesday, July 16, 2008
Unidade
"O que é a unidade?" - os desafios do blog aleatório motivaram-me divagações.
Julgo que o actual momento político tem motivado divagações e especulações em torno de "unidades", partindo de um conceito de unidade formal e meramente partidário. A questão, aliás, as questões que se colocam, porém, são de ordem bastante mais complexa que a mera simbologia partidária. A unidade política não é uma formulação estanque e não pode nunca ser encurralada no estreito âmbito partidário.
Antes de mais a "unidade" deve ser definida para que o vocabulário corresponda a um conceito explícito. Sei que nenhuma definição deve ser feita pela sua negação, mas começarei exactamente por aí e, por isso, peço perdão.
i. a "unidade" de esquerda não é a junção formal de símbolos, nem tampouco de forças para efeitos conjunturais sem planificação estratégica e revolucionária.
ii. a "unidade" não se faz apenas em torno de práticas, ou de ideologias, nem mesmo de estilos de organização, mas sim por objectivos.
iii. a "unidade" não é a união ou coligação de partidos, grupos ou movimentos.
A "unidade política" é antes mais a conjugação e articulação do trabalho com as massas, independentemente da partidarização subjacente, ou mesmo sem partidarização subjacente. A actuação de um comunista é antes mais levada a cabo em unidade com a comunidade em que se insere. A unidade é das massas, dos estudantes, dos trabalhadores, do povo. A um partido revolucionário cabe a preservação e fortalecimento dessa "unidade" para a organização cada vez mais consciente de cada indivíduo e do colectivo. Agir em unidade é actuar em cada momento de acordo com as diversas tendências com que se trabalha, rumo a um objectivo comum. É o objectivo que determina a unidade não a unidade que determina o objectivo.
Por isso, falar de unidade de esquerdas, ou de qualquer outro tipo de unidade, antes de esclarecer o "objectivo da unidade" é apenas disparar um tiro no escuro, sem perspectiva revolucionária.
Por exemplo: as manobras que algumas franjas da esquerda têm promovido, têm um objectivo bastante diverso do da criação de unidade política. Por um lado, porque não estabelecem objectivos políticos de transformação da actual situação, por outro porque são convergências de interesses conjunturais com perspectivas essencialmente eleitorais. As movimentações do Bloco de Esquerda têm o objectivo claro, não de criar unidades, mas de comer as bases de esquerda do Partido Socialista, numa jogada essencialmente mediática. Não existe um envolvimento das bases nessa decisão, não existe uma concertação em torno de objectivos. O Bloco ensaia tolerância e unidade com alguns sectores do PS apenas na medida em que se quer afirmar como o destinatário dos correspondentes votos. Isso, pode ser muita coisa, inclusivamente táctica política ou estratégia mediática, mas não é "unidade".
A unidade, numa perspectiva revolucionária, é antes de mais com as massas, no sentido de alcançar um determinado objectivo. Em função disso, adoptam-se formas de trabalho unitárias. A imagem deturpada do que significa "unidade" em contexto político remete-nos para um cenário tipo negocial, em que os dirigentes deste e daquele partido discutem contrapartidas partidárias no quadro de coligações ou outras formas de acção em conjunto. De facto, a esse cenário pode corresponder uma verdadeira unidade nas bases, nas massas sem partido, com o projecto ali discutido. Mas por si só, essa negociação de contrapartidas entre direcções não representa nenhuma espécie de "unidade". Pode representar inclusivamente a quebra de pontes de trabalho unítário entre as estruturas em causa, ou pode representar a exclusão e a criação de clivagens profundas entre os movimentos e partidos.
No quadro objectivo em que escrevo, a união conjuntural e tácita de alguns dirigentes do Bloco de Esquerda com personagens que corporizam esperanças perdidas das bases do PS, não representa nenhuma unidade, nenhuma ponte entre as tendências de esquerda. Na verdade, representam apenas a afirmação de um Partido - o BE - perante o eleitorado de outro - ou seja - uma objectiva disputa, sem a discussão de um rumo de convergências de objectivos políticos. Para um revolucionário, para um comunista, o actual momento não se compadece com uniões conjunturais que possam significar retrocessos na consciência colectiva, que possam divertir ou iludir as massas, sem lhes apresentar uma solução coesa. Esse caminho alternativo começa no momento em que se afirme a ruptura profunda e democrática com as políticas de direita. E lança-se no momento em que se afirme a vontade de superação da fase histórica em que nos encontramos: a fase imperialista do capitalismo com recurso ao neo-liberalismo enquanto instrumento político.
Assim, a unidade de "partidos de esquerda" só pode resultar de uma verdadeira unidade em torno de um objectivo comum, aceite por todas as partes, em estreita ligação com as massas sem partido.
Se unidade fosse apenas "agir em conjunto", por exemplo, poderíamos afirmar que existe uma frente unitária de esquerda na Assembleia da República que junta três partidos - PCP e BE. No entanto, tal não é verdade. Porquê? Pese embora o facto de o PCP e o BE apresentarem nessa Assembleia muitas propostas semelhantes e de votarem de forma semelhante muitas das questões que ali são votadas, não existe uma ligação de unidade, no sentido em que não se verifica convergência nos objectivos de cada força política.
A manipulação mediática de descontentamentos e a tentativa de capitalização da aura de uma figura, independentemente do seu verdadeiro papel, sem nenhum compromisso servindo de base, afasta a população do necessário esclarecimento, branqueando papéis históricos, iludindo as massas sobre a verdadeira natureza do sistema e apenas resulta na mediatização e mistificação da política, remetendo-a para a esfera da novela de entretenimento.
A unidade entre partidos é, portanto, apenas uma expressão da unidade criada entre os partidos e as massas sem partido em torno de objectivos concretos traçados colectivamente, e sobre os quais se firmam compromissos para o alcance. No seio da "unidade" as disputas esbatem-se porque o objectivo é comum. Isto significa que um partido ou movimento, um grupo ou um grupelho, não pode criar unidade com outras entidades, nem mesmo com as massas sem partido, não verificando unidade no seu interior. A adopção de formas de organizãção dos partidos burgueses, coluna vertebral da organização interna de partidos como o BE e PS, fere a unidade extra-partido.
Dentro do PS cruzam-se e confrontam-se os interesses de poleiro, de clientelismo e de aparelhismo, defrontam-se lobbies e concorrem interesses privados. Ou seja, os interesses do mercado repassam directamente para as frentes que se degladiam no seio do Partido, numa notável permeabilidade entre aquilo que são os choques de interesses capitalistas e os choques de cada "ala" do partido.
Dentro do BE, degladiam-se - por vezes nutrindo entre si próprias um ódio ideológico assinalável - correntes de pensamentos e de acção distintas, cuja único ponto de união é efectivamente o anti-comunismo, ali expresso por um intestinal ódio ao PCP e às massas trabalhadoras. Na verdade o cimento que une as correntes do BE é mesmo a sobranceria intelectual perante as massas e o ódio anti-comunista. Entre essas correntes, tendências, facções, fracções ou alas, não existe unidade. Na verdade, entre elas verificam-se objectivos diferentes, formas de acção diferentes, julgamentos e análises políticas diferentes, ideologias diferentes, enfim. Obviamente que foi possível e até pode ser hoje ou tornar a ser no futuro, em determinados contextos históricos, criar unidade entre tendências sociais-democratizantes e revolucionárias, por exemplo. Mas não quando estas não colocam no seu plano de acção o mesmo objectivo e, muito menos quando deixam de observar um objectivo social e político para passar a ter como principal objectivo a disputa interna ou a concorrência entre si próprias.
A "unidade" conseguida em torno de uma figura, por mais sólida que seja a figura, é sempre uma unidade frágil, débil e condenada a não ser que seja consolidada em torno de objectivos e ultrapasse o indivíduo. A "unidade" em torno de objectivos eleitorais não é, no sentido mais amplo, uma verdadeira unidade, na medida em que os resultados eleitorais não são das massas sem partido. A "unidade" em torno de objectivos políticos, em torno de um projecto concreto, mesmo que expressa eleitoralmente, essa sim, transforma-se em plena "unidade".
Unidade, unitário, não significam mera união, mas também agir como um só sujeito histórico, ainda que multifacetado.
Julgo que o actual momento político tem motivado divagações e especulações em torno de "unidades", partindo de um conceito de unidade formal e meramente partidário. A questão, aliás, as questões que se colocam, porém, são de ordem bastante mais complexa que a mera simbologia partidária. A unidade política não é uma formulação estanque e não pode nunca ser encurralada no estreito âmbito partidário.
Antes de mais a "unidade" deve ser definida para que o vocabulário corresponda a um conceito explícito. Sei que nenhuma definição deve ser feita pela sua negação, mas começarei exactamente por aí e, por isso, peço perdão.
i. a "unidade" de esquerda não é a junção formal de símbolos, nem tampouco de forças para efeitos conjunturais sem planificação estratégica e revolucionária.
ii. a "unidade" não se faz apenas em torno de práticas, ou de ideologias, nem mesmo de estilos de organização, mas sim por objectivos.
iii. a "unidade" não é a união ou coligação de partidos, grupos ou movimentos.
A "unidade política" é antes mais a conjugação e articulação do trabalho com as massas, independentemente da partidarização subjacente, ou mesmo sem partidarização subjacente. A actuação de um comunista é antes mais levada a cabo em unidade com a comunidade em que se insere. A unidade é das massas, dos estudantes, dos trabalhadores, do povo. A um partido revolucionário cabe a preservação e fortalecimento dessa "unidade" para a organização cada vez mais consciente de cada indivíduo e do colectivo. Agir em unidade é actuar em cada momento de acordo com as diversas tendências com que se trabalha, rumo a um objectivo comum. É o objectivo que determina a unidade não a unidade que determina o objectivo.
Por isso, falar de unidade de esquerdas, ou de qualquer outro tipo de unidade, antes de esclarecer o "objectivo da unidade" é apenas disparar um tiro no escuro, sem perspectiva revolucionária.
Por exemplo: as manobras que algumas franjas da esquerda têm promovido, têm um objectivo bastante diverso do da criação de unidade política. Por um lado, porque não estabelecem objectivos políticos de transformação da actual situação, por outro porque são convergências de interesses conjunturais com perspectivas essencialmente eleitorais. As movimentações do Bloco de Esquerda têm o objectivo claro, não de criar unidades, mas de comer as bases de esquerda do Partido Socialista, numa jogada essencialmente mediática. Não existe um envolvimento das bases nessa decisão, não existe uma concertação em torno de objectivos. O Bloco ensaia tolerância e unidade com alguns sectores do PS apenas na medida em que se quer afirmar como o destinatário dos correspondentes votos. Isso, pode ser muita coisa, inclusivamente táctica política ou estratégia mediática, mas não é "unidade".
A unidade, numa perspectiva revolucionária, é antes de mais com as massas, no sentido de alcançar um determinado objectivo. Em função disso, adoptam-se formas de trabalho unitárias. A imagem deturpada do que significa "unidade" em contexto político remete-nos para um cenário tipo negocial, em que os dirigentes deste e daquele partido discutem contrapartidas partidárias no quadro de coligações ou outras formas de acção em conjunto. De facto, a esse cenário pode corresponder uma verdadeira unidade nas bases, nas massas sem partido, com o projecto ali discutido. Mas por si só, essa negociação de contrapartidas entre direcções não representa nenhuma espécie de "unidade". Pode representar inclusivamente a quebra de pontes de trabalho unítário entre as estruturas em causa, ou pode representar a exclusão e a criação de clivagens profundas entre os movimentos e partidos.
No quadro objectivo em que escrevo, a união conjuntural e tácita de alguns dirigentes do Bloco de Esquerda com personagens que corporizam esperanças perdidas das bases do PS, não representa nenhuma unidade, nenhuma ponte entre as tendências de esquerda. Na verdade, representam apenas a afirmação de um Partido - o BE - perante o eleitorado de outro - ou seja - uma objectiva disputa, sem a discussão de um rumo de convergências de objectivos políticos. Para um revolucionário, para um comunista, o actual momento não se compadece com uniões conjunturais que possam significar retrocessos na consciência colectiva, que possam divertir ou iludir as massas, sem lhes apresentar uma solução coesa. Esse caminho alternativo começa no momento em que se afirme a ruptura profunda e democrática com as políticas de direita. E lança-se no momento em que se afirme a vontade de superação da fase histórica em que nos encontramos: a fase imperialista do capitalismo com recurso ao neo-liberalismo enquanto instrumento político.
Assim, a unidade de "partidos de esquerda" só pode resultar de uma verdadeira unidade em torno de um objectivo comum, aceite por todas as partes, em estreita ligação com as massas sem partido.
Se unidade fosse apenas "agir em conjunto", por exemplo, poderíamos afirmar que existe uma frente unitária de esquerda na Assembleia da República que junta três partidos - PCP e BE. No entanto, tal não é verdade. Porquê? Pese embora o facto de o PCP e o BE apresentarem nessa Assembleia muitas propostas semelhantes e de votarem de forma semelhante muitas das questões que ali são votadas, não existe uma ligação de unidade, no sentido em que não se verifica convergência nos objectivos de cada força política.
A manipulação mediática de descontentamentos e a tentativa de capitalização da aura de uma figura, independentemente do seu verdadeiro papel, sem nenhum compromisso servindo de base, afasta a população do necessário esclarecimento, branqueando papéis históricos, iludindo as massas sobre a verdadeira natureza do sistema e apenas resulta na mediatização e mistificação da política, remetendo-a para a esfera da novela de entretenimento.
A unidade entre partidos é, portanto, apenas uma expressão da unidade criada entre os partidos e as massas sem partido em torno de objectivos concretos traçados colectivamente, e sobre os quais se firmam compromissos para o alcance. No seio da "unidade" as disputas esbatem-se porque o objectivo é comum. Isto significa que um partido ou movimento, um grupo ou um grupelho, não pode criar unidade com outras entidades, nem mesmo com as massas sem partido, não verificando unidade no seu interior. A adopção de formas de organizãção dos partidos burgueses, coluna vertebral da organização interna de partidos como o BE e PS, fere a unidade extra-partido.
Dentro do PS cruzam-se e confrontam-se os interesses de poleiro, de clientelismo e de aparelhismo, defrontam-se lobbies e concorrem interesses privados. Ou seja, os interesses do mercado repassam directamente para as frentes que se degladiam no seio do Partido, numa notável permeabilidade entre aquilo que são os choques de interesses capitalistas e os choques de cada "ala" do partido.
Dentro do BE, degladiam-se - por vezes nutrindo entre si próprias um ódio ideológico assinalável - correntes de pensamentos e de acção distintas, cuja único ponto de união é efectivamente o anti-comunismo, ali expresso por um intestinal ódio ao PCP e às massas trabalhadoras. Na verdade o cimento que une as correntes do BE é mesmo a sobranceria intelectual perante as massas e o ódio anti-comunista. Entre essas correntes, tendências, facções, fracções ou alas, não existe unidade. Na verdade, entre elas verificam-se objectivos diferentes, formas de acção diferentes, julgamentos e análises políticas diferentes, ideologias diferentes, enfim. Obviamente que foi possível e até pode ser hoje ou tornar a ser no futuro, em determinados contextos históricos, criar unidade entre tendências sociais-democratizantes e revolucionárias, por exemplo. Mas não quando estas não colocam no seu plano de acção o mesmo objectivo e, muito menos quando deixam de observar um objectivo social e político para passar a ter como principal objectivo a disputa interna ou a concorrência entre si próprias.
A "unidade" conseguida em torno de uma figura, por mais sólida que seja a figura, é sempre uma unidade frágil, débil e condenada a não ser que seja consolidada em torno de objectivos e ultrapasse o indivíduo. A "unidade" em torno de objectivos eleitorais não é, no sentido mais amplo, uma verdadeira unidade, na medida em que os resultados eleitorais não são das massas sem partido. A "unidade" em torno de objectivos políticos, em torno de um projecto concreto, mesmo que expressa eleitoralmente, essa sim, transforma-se em plena "unidade".
Unidade, unitário, não significam mera união, mas também agir como um só sujeito histórico, ainda que multifacetado.
Quanto vale a palavra dos vermes?
Depois de ter assumido o compromisso de que nenhum professor seria remetido para a situação de mobilidade especial da função pública (o novo quadro de supranumerários), o Governo faz publicar um Decreto-Lei que força todos os professores declarados incapazes para a função docente a requerer a sua passagem a esse regime.
Professores com horário zero também.
O Governo mostra uma vez mais duas das suas principais características, com o Ministério da Educação - como sempre - na vanguarda:
i. que despreza os direitos dos trabalhadores, que são apenas um obstáculo à destruição dos serviços públicos.
ii. que mente persistentemente para esconder os seus verdadeiros objectivos.
Professores doentes, declarados incapazes, serão obrigados a requerer a sua passagem à mobilidade especial, sob pena de serem reclassificados e reconvertidos profissionalmente. Aqueles que não obtenham da Caixa Geral de Aposentações a luz verde para a reforma, serão colocados ao serviço já não como professores, mas como técnicos superiores ou técnicos assistentes. Caso contrário, têm bom remédio: mobilidade especial ou licença sem vencimento de longa duração. Tudo isto, voluntariamente, claro!
Professores com horário zero também.
O Governo mostra uma vez mais duas das suas principais características, com o Ministério da Educação - como sempre - na vanguarda:
i. que despreza os direitos dos trabalhadores, que são apenas um obstáculo à destruição dos serviços públicos.
ii. que mente persistentemente para esconder os seus verdadeiros objectivos.
Professores doentes, declarados incapazes, serão obrigados a requerer a sua passagem à mobilidade especial, sob pena de serem reclassificados e reconvertidos profissionalmente. Aqueles que não obtenham da Caixa Geral de Aposentações a luz verde para a reforma, serão colocados ao serviço já não como professores, mas como técnicos superiores ou técnicos assistentes. Caso contrário, têm bom remédio: mobilidade especial ou licença sem vencimento de longa duração. Tudo isto, voluntariamente, claro!
Monday, July 14, 2008
Ora vejam lá se apanham esta na TV
Como seria, no mínimo, correcto que todos quantos se preocuparam com a tal de ingrid betancourt, agora se preocupassem de facto com o que se passa na Colômbia.
Monday, July 07, 2008
voto fascista
Eu não ia dizer nada sobre isto. Mas depois de o anónimo ter lançado um desafio à racionalidade e à rectidão crítica, achei que umas palavras sobre o assunto não viriam em demasia.
A libertação de Ingrid Betancourt podia ser um motivo de regozijo político e constituir, de facto, um momento importante para a procura de soluções para a questão colombiana. Qual questão colombiana?, perguntarão todos quantos sorvam a desinformação da comunicação social dominante com a mesma avidez com com que os putos mamam nas mamas das prestáveis mães. Para esses, será bom procurar algo mais. Será bom tentarem saber onde estão as sete dezenas de activistas sindicais assassinadas pelo Governo neo-fascista de uribe; será talvez útil ler e tentar buscar as posições daqueles que, no terreno da colômbia, lutam contra um presidente ilegítimo apoiado pela grande potência americana por representar uma fonte inesgotável de cristais de cocaína; talvez também possa ser-vos útil saber que o regime de extrema direita de uribe negoceia directamente os actos dos paramilitares e de outros mercenários assassinos que esventram diariamente a colômbia, pilhando, saqueando, sequestrando e matando. As papas desinformativas que nos dão à boca já mastigadas na TV e nos jornais não excplicam os fenómenos políticos que nos rodeiam. Basta prestar a mínima atenção para descobrir a cada passo, uma nova mentira ou incongruência.
O que se passou na Assembleia da República com o voto de congratulação pela libertação de Ingrid Betancourt foi apenas uma manobra de aproveitamento político com vista ao isolamento do PCP e ao branqueamento do papel do regime uribista. PS, CDS e PSD uniram-se na apresentação de um voto intelectual e politicamente desonesto, cujo objectivo não era saudar a libertação de Ingrid, mas apenas louvar o fascista uribe e condenar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército Popular. Seria bom relembrar que as FARC libertaram um vasto conjunto de prisioneiros nos passados meses, num processo de libertação unilateral intermediado pelo Presidente Chávez e que ninguém saudou tal acto, tão demonstrativo que foi da verdadeira vontade que as FARC apresentam para buscar solução pacífica para o conflito.
Seria bom relembrar que nos cárceres do regime uribista estão centenas de prisioneiros políticos, entre os quais comunistas e sindicalistas e que não houve até ao momento nenhuma libertação desses presos políticos.
A estes a Assembleia da República não dirigiu palavras de apoio. Ao regime uribista a Assembleia da República dirigiu um clamoroso aplauso, bafiento, mas eficaz. PS, CDS e PSD demonstram uma vez mais a quem servilmente obedecem e ajoelham às orientações norte-americanas. Brasil, Venezuela, Cuba, Bolívia e outros países vizinhos não identificam as FARC como forças terroristas, mas Portugal quer mostrar bom serviço à embaixada norte-americana e eis que, bem-comportado, apresenta trabalho feito.
A Assembleia da República poderia ter saudado a libertação para estimular a resolução pacífica do conflito que se vive na colômbia. Mas não o fez. Preferiu acicatar o regime uribista para a aniquilação da guerrilha revolucionária. Tal como antes, nós (comunistas portugueses) éramos terroristas; tal como che e fidel foram terroristas, como mandela foi temido terrorista, tal como todos os movimentos de libertação foram terroristas, agora o são as FARC.
O Bloco de Esquerda, absteve-se no voto do PCP que saudava a libertação e apelava à solução pacífica do conflito, colocando sempre como principal objectivo a paz. Aliás, o voto do PCP, rejeitado pelo PS, CDS e PSD, era o únco que mencionava a palavra "PAZ" e que fora apresentado de facto para saudar a libertação de Ingrid Betancourt. Já o voto da direita e da extrema-direita, apoiado pelo Bloco de Esquerda não tinha outro objectivo senão sentenciar a luta armada do povo colombiano e de ajoelhar perante o narcopresidente uribe.
Assim se vê.
A libertação de Ingrid Betancourt podia ser um motivo de regozijo político e constituir, de facto, um momento importante para a procura de soluções para a questão colombiana. Qual questão colombiana?, perguntarão todos quantos sorvam a desinformação da comunicação social dominante com a mesma avidez com com que os putos mamam nas mamas das prestáveis mães. Para esses, será bom procurar algo mais. Será bom tentarem saber onde estão as sete dezenas de activistas sindicais assassinadas pelo Governo neo-fascista de uribe; será talvez útil ler e tentar buscar as posições daqueles que, no terreno da colômbia, lutam contra um presidente ilegítimo apoiado pela grande potência americana por representar uma fonte inesgotável de cristais de cocaína; talvez também possa ser-vos útil saber que o regime de extrema direita de uribe negoceia directamente os actos dos paramilitares e de outros mercenários assassinos que esventram diariamente a colômbia, pilhando, saqueando, sequestrando e matando. As papas desinformativas que nos dão à boca já mastigadas na TV e nos jornais não excplicam os fenómenos políticos que nos rodeiam. Basta prestar a mínima atenção para descobrir a cada passo, uma nova mentira ou incongruência.
O que se passou na Assembleia da República com o voto de congratulação pela libertação de Ingrid Betancourt foi apenas uma manobra de aproveitamento político com vista ao isolamento do PCP e ao branqueamento do papel do regime uribista. PS, CDS e PSD uniram-se na apresentação de um voto intelectual e politicamente desonesto, cujo objectivo não era saudar a libertação de Ingrid, mas apenas louvar o fascista uribe e condenar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército Popular. Seria bom relembrar que as FARC libertaram um vasto conjunto de prisioneiros nos passados meses, num processo de libertação unilateral intermediado pelo Presidente Chávez e que ninguém saudou tal acto, tão demonstrativo que foi da verdadeira vontade que as FARC apresentam para buscar solução pacífica para o conflito.
Seria bom relembrar que nos cárceres do regime uribista estão centenas de prisioneiros políticos, entre os quais comunistas e sindicalistas e que não houve até ao momento nenhuma libertação desses presos políticos.
A estes a Assembleia da República não dirigiu palavras de apoio. Ao regime uribista a Assembleia da República dirigiu um clamoroso aplauso, bafiento, mas eficaz. PS, CDS e PSD demonstram uma vez mais a quem servilmente obedecem e ajoelham às orientações norte-americanas. Brasil, Venezuela, Cuba, Bolívia e outros países vizinhos não identificam as FARC como forças terroristas, mas Portugal quer mostrar bom serviço à embaixada norte-americana e eis que, bem-comportado, apresenta trabalho feito.
A Assembleia da República poderia ter saudado a libertação para estimular a resolução pacífica do conflito que se vive na colômbia. Mas não o fez. Preferiu acicatar o regime uribista para a aniquilação da guerrilha revolucionária. Tal como antes, nós (comunistas portugueses) éramos terroristas; tal como che e fidel foram terroristas, como mandela foi temido terrorista, tal como todos os movimentos de libertação foram terroristas, agora o são as FARC.
O Bloco de Esquerda, absteve-se no voto do PCP que saudava a libertação e apelava à solução pacífica do conflito, colocando sempre como principal objectivo a paz. Aliás, o voto do PCP, rejeitado pelo PS, CDS e PSD, era o únco que mencionava a palavra "PAZ" e que fora apresentado de facto para saudar a libertação de Ingrid Betancourt. Já o voto da direita e da extrema-direita, apoiado pelo Bloco de Esquerda não tinha outro objectivo senão sentenciar a luta armada do povo colombiano e de ajoelhar perante o narcopresidente uribe.
Assim se vê.
Thursday, July 03, 2008
dignidade
Porque existirão forças que até se dizem de esquerda que defendem a liberalização, legalização, normalização e regulamentação das diversas formas de prostituição?
A libertação do Homem, a libertação da Mulher, pressupõe antes de tudo a conquista da mais elementar das liberdades: a de não ser explorado. A exploração laboral é uma das mais importantes formas de exploração do Homem pelo homem e é, no essencial, a que define as regras em que a actual sociedade capitalista se enquadra.
A exploração sexual, ao contrário do que muitos nos pretendem fazer crer, não é uma exploração laboral, na medida em que a entrega do corpo - recipiente principal da nossa própria entidade e racionalidade - não é um trabalho. Na verdade, aceitar a venda do corpo como um trabalho, seria consagrar como mercadoria o acto sexual e os seus resultados, nomeadamente, o prazer, o amor, a satisfação física. Mas mais que isso, seria aceitar que o conjunto do lumpenproletariat que recorre à prostituição para satisfação, quer seja de vícios ou de necessidades vitais, é patrão de si próprio. Caso contrário, aqueles que defendem a prostituição como forma de trabalho, considerarão que são prostitutos e prostitutas são "trabalhadores" por conta de outrém, não dispondo assim de auto-determinação no uso e posse da ferramenta de trabalho, nem tampouco da organização do seu próprio trabalho. Ora se assim é, então deve aceitar-se que estes "trabalhadores" não são sequer donos do seu próprio corpo, despojando-se da sua própria vontade e alma*.
Quem defende a regulamentação da exploração sexual, quem complacente e oportunisticamente, tolera sequer a ideia de apadrinhamento pelo Estado de uma exploração desta Natureza, manifesta o mais profundo desprezo pela dignidade humana. Quem aceita que seja possível, em qualquer circunstância, vender ou submeter a exploração por outrém, o seu próprio corpo sexual, aceita implicita, mas intoleravelmente, a mercantilização do amor e da relação sexual. Mais que isso, aceita implicitamente a separação idealista que o capitalismo nos impõe entre o corpo e o raciocínio, entre o físico e o ideal. A consideração da prostituição como um trabalho passível de ser considerado no plano é exactamente aceitar que a mercantilização do corpo é uma solução de recurso para a sobrevivência.
A esquerda, qualquer esquerda, qualquer força progressista, minimamente humanista não pode em momento algum abandonar a luta pelo direito à auto-determinação do ser humano, não pode abandonar a luta pela dignidade e pelos direitos ao trabalho, ao salário, ao descanso, e a uma vida digna em todas as suas dimensões: económica, social, política e cultural. É puramente incompatível a aceitação da venda do corpo humano com a defesa intrasigente dos direitos do povo, dos homens, das mulheres, dos jovens e das crianças.
A prostituição e o proxenetismo são apenas vertentes da relação da sociedade capitalista com o lumpen, em que o próprio sistema, principalmente através das suas operações obscuras mas também absurdamente lucrativas, remete para a condição de objectos os homens e mulheres que, por uma outra condicionante das suas vidas, foram obrigados a viver de comportamentos parasitários e não produtivos. Aceitar a prostituição, é abandonar a luta pela criação de condições para a extinção do lumpen e a luta por uma sociedade em que ninguém se prostitua.
Quem quiser, em acto consciente e voluntário, distribuir amor ou prazer a parceiros que em liberdade escolhe, mesmo aleatoriamente, manifesta apenas um comportamento sexual fetichista, porventura saudável (desde que protegido). Quem quiser praticar para si próprio ou para quem escolha a pornografia e o erotismo, mais não faz senão procurar as formas que mais lhe aprazem para o amor e o prazer. Quem, por força das circunstâncias, se submeter aos circuitos parasitas da prostituição de sobrevivência ou de contemplação de vício ou doença, não merece dos humanistas outra postura que não a da solidariedade para a luta com vista à sua libertação.
*alma - uso a palavra com consciência. Não na perspectiva idealista ou espiritual do termo que pressupõe a separação entre corpo e alma (espírito), mas exactamente no sentido oposto, partindo do princípio de que são indissociáveis corpo e alma, na medida em que a alma é a expressão racional e emocional do corpo humano, resultado sempre de uma interacção permanente entre o corpo e os estímulos exteriores.
A libertação do Homem, a libertação da Mulher, pressupõe antes de tudo a conquista da mais elementar das liberdades: a de não ser explorado. A exploração laboral é uma das mais importantes formas de exploração do Homem pelo homem e é, no essencial, a que define as regras em que a actual sociedade capitalista se enquadra.
A exploração sexual, ao contrário do que muitos nos pretendem fazer crer, não é uma exploração laboral, na medida em que a entrega do corpo - recipiente principal da nossa própria entidade e racionalidade - não é um trabalho. Na verdade, aceitar a venda do corpo como um trabalho, seria consagrar como mercadoria o acto sexual e os seus resultados, nomeadamente, o prazer, o amor, a satisfação física. Mas mais que isso, seria aceitar que o conjunto do lumpenproletariat que recorre à prostituição para satisfação, quer seja de vícios ou de necessidades vitais, é patrão de si próprio. Caso contrário, aqueles que defendem a prostituição como forma de trabalho, considerarão que são prostitutos e prostitutas são "trabalhadores" por conta de outrém, não dispondo assim de auto-determinação no uso e posse da ferramenta de trabalho, nem tampouco da organização do seu próprio trabalho. Ora se assim é, então deve aceitar-se que estes "trabalhadores" não são sequer donos do seu próprio corpo, despojando-se da sua própria vontade e alma*.
Quem defende a regulamentação da exploração sexual, quem complacente e oportunisticamente, tolera sequer a ideia de apadrinhamento pelo Estado de uma exploração desta Natureza, manifesta o mais profundo desprezo pela dignidade humana. Quem aceita que seja possível, em qualquer circunstância, vender ou submeter a exploração por outrém, o seu próprio corpo sexual, aceita implicita, mas intoleravelmente, a mercantilização do amor e da relação sexual. Mais que isso, aceita implicitamente a separação idealista que o capitalismo nos impõe entre o corpo e o raciocínio, entre o físico e o ideal. A consideração da prostituição como um trabalho passível de ser considerado no plano é exactamente aceitar que a mercantilização do corpo é uma solução de recurso para a sobrevivência.
A esquerda, qualquer esquerda, qualquer força progressista, minimamente humanista não pode em momento algum abandonar a luta pelo direito à auto-determinação do ser humano, não pode abandonar a luta pela dignidade e pelos direitos ao trabalho, ao salário, ao descanso, e a uma vida digna em todas as suas dimensões: económica, social, política e cultural. É puramente incompatível a aceitação da venda do corpo humano com a defesa intrasigente dos direitos do povo, dos homens, das mulheres, dos jovens e das crianças.
A prostituição e o proxenetismo são apenas vertentes da relação da sociedade capitalista com o lumpen, em que o próprio sistema, principalmente através das suas operações obscuras mas também absurdamente lucrativas, remete para a condição de objectos os homens e mulheres que, por uma outra condicionante das suas vidas, foram obrigados a viver de comportamentos parasitários e não produtivos. Aceitar a prostituição, é abandonar a luta pela criação de condições para a extinção do lumpen e a luta por uma sociedade em que ninguém se prostitua.
Quem quiser, em acto consciente e voluntário, distribuir amor ou prazer a parceiros que em liberdade escolhe, mesmo aleatoriamente, manifesta apenas um comportamento sexual fetichista, porventura saudável (desde que protegido). Quem quiser praticar para si próprio ou para quem escolha a pornografia e o erotismo, mais não faz senão procurar as formas que mais lhe aprazem para o amor e o prazer. Quem, por força das circunstâncias, se submeter aos circuitos parasitas da prostituição de sobrevivência ou de contemplação de vício ou doença, não merece dos humanistas outra postura que não a da solidariedade para a luta com vista à sua libertação.
*alma - uso a palavra com consciência. Não na perspectiva idealista ou espiritual do termo que pressupõe a separação entre corpo e alma (espírito), mas exactamente no sentido oposto, partindo do princípio de que são indissociáveis corpo e alma, na medida em que a alma é a expressão racional e emocional do corpo humano, resultado sempre de uma interacção permanente entre o corpo e os estímulos exteriores.
Saturday, June 28, 2008
outra vez a manipulação
Recorrentemente, à medida que nos aproximamos de momentos eleitorais, as sondagens sobre a intenção de voto da população começam a ser instrumentalizadas com maior intensidade.
Durante o mandato do Partido Socialista, com o PSD em destroços no plano da liderança, as sondagens não podiam fazer dissipar as intenções de voto do Partido Socialista. A estabilidade eleitoral era apresentada como um apoio silencioso ao governo. Incompreensivelmente, segundo as sondagens o Partido Socialista arrecadaria sempre grande parte dos votos - o que era justificado pelos fazedores de opinião e outros iluminados acima de toda a suspeita com a ausência de alternativas à direita.
O que mudou agora?
Por um lado a aproximação temporal de períodos eleitorais. Por outro, a alteração das características conjunturais de alguns partidos da "oposição". Ora vejamos: as peças começam a mover-se no tabuleiro da política nacional. As posições alinham-se na defesa de um sistema estável, sempre em conformidade com as grandes orientações dos grandes interesses económicos e do directório europeu. Importa mobilizar todos os esforços para que o poder político português mantenha o povo contido entre as linhas de delimitação do campo neo-liberal e à mercê da exploração.
Vejamos o que está mudar: o PSD está a sofrer um autêntico lifting mediático, um branqueamento. A imagem de Ferreira Leite, depois de Ministra da Educação proto-fascista; passando por Ministra das Finanças da desumanidade e do desastre técnico, passa a santa aparecida do rigor e da austeridade competente. Com isto, o sistema promove uma real força de alternativa eleitoral ao PS, sem permitir o surgimento da alternativa política. Ao mesmo tempo, ainda que nas costas da população, o bloco central partidário - representante claro do bloco central de interesses - vai-se posicionando para assumir, se necessário, um Governo de "união nacional".
No outro plano, ou seja, no Plano B do capital, vão-se ensaiando as outras "alternativas" do sistema. Manuel Alegre cumpre o papel histórico que lhe coube e que assume com diligência a cada vez que tal lhe é exigido. O Bloco de Esquerda começa finalmente a mostrar a sua verdadeira face de reformista e de bolsa de contenção e reorientação do descontentamento. As suas campanhas anti-sindicais, o seu discurso anti-partidos denunciam perfeitamente o seu alinhamento com as orientações reaccionárias. Mas mais que isso, as movimentações premeditadas do BE e de forças mais obscuras da chamada "esquerda" começam a ensaiar os típicos golpes para que o poder nunca caia de facto nas mãos dos trabalhadores. A burguesia destacada, a pequena-burguesia e as elites da pequena-burguesia de fachada pseudo-socialista começa a assumir os postos nas alturas em que o proletariado avança mais na luta, particularmente nas alturas em que a luta de massas assume dimensões de grande importância. O engrandecimento artifical do BE, promovido por estes golpes mediáticos e pela manipulação de informação, acompanhados por uma objectiva e cada vez mais clara promoção na Comunicação Social Dominante é aliás a própria resposta da burguesia à luta popular. Ou seja, que o descontentamento encontre sempre uma resposta que bloqueie o desenvolvimento da consciência de classe - uma fase de retardamento e contenção.
As sondagens, à medida que nos aproximamos das eleições, tendem sempre a dar uma votação superior ao BE do que ao PCP, não fossem elas concebidas e executadas pelas mesmas forças que são motor e sustento do próprio BE. Mas a realidade desmente sempre as sondagens com significativas margens. Esperemos que o reforço da luta desague como um rio no aumento da consciência de classe. Mas o trabalho que temos pela frente não é fácil - a inevitabilidade histórica não está balizada no tempo, nem tampouco sabemos se o tempo chegará para atingirmos a sua concretização. Mas o que sabemos é que os processos históricos não cessam, podem acelerar ou desacelerar, mas são sempre inexoráveis e irrevogáveis. E desses processos, os protagonistas não são as franjas da burguesia, de esquerda ou de direita; mas sim os trabalhadores e os povos de todo o mundo.
Durante o mandato do Partido Socialista, com o PSD em destroços no plano da liderança, as sondagens não podiam fazer dissipar as intenções de voto do Partido Socialista. A estabilidade eleitoral era apresentada como um apoio silencioso ao governo. Incompreensivelmente, segundo as sondagens o Partido Socialista arrecadaria sempre grande parte dos votos - o que era justificado pelos fazedores de opinião e outros iluminados acima de toda a suspeita com a ausência de alternativas à direita.
O que mudou agora?
Por um lado a aproximação temporal de períodos eleitorais. Por outro, a alteração das características conjunturais de alguns partidos da "oposição". Ora vejamos: as peças começam a mover-se no tabuleiro da política nacional. As posições alinham-se na defesa de um sistema estável, sempre em conformidade com as grandes orientações dos grandes interesses económicos e do directório europeu. Importa mobilizar todos os esforços para que o poder político português mantenha o povo contido entre as linhas de delimitação do campo neo-liberal e à mercê da exploração.
Vejamos o que está mudar: o PSD está a sofrer um autêntico lifting mediático, um branqueamento. A imagem de Ferreira Leite, depois de Ministra da Educação proto-fascista; passando por Ministra das Finanças da desumanidade e do desastre técnico, passa a santa aparecida do rigor e da austeridade competente. Com isto, o sistema promove uma real força de alternativa eleitoral ao PS, sem permitir o surgimento da alternativa política. Ao mesmo tempo, ainda que nas costas da população, o bloco central partidário - representante claro do bloco central de interesses - vai-se posicionando para assumir, se necessário, um Governo de "união nacional".
No outro plano, ou seja, no Plano B do capital, vão-se ensaiando as outras "alternativas" do sistema. Manuel Alegre cumpre o papel histórico que lhe coube e que assume com diligência a cada vez que tal lhe é exigido. O Bloco de Esquerda começa finalmente a mostrar a sua verdadeira face de reformista e de bolsa de contenção e reorientação do descontentamento. As suas campanhas anti-sindicais, o seu discurso anti-partidos denunciam perfeitamente o seu alinhamento com as orientações reaccionárias. Mas mais que isso, as movimentações premeditadas do BE e de forças mais obscuras da chamada "esquerda" começam a ensaiar os típicos golpes para que o poder nunca caia de facto nas mãos dos trabalhadores. A burguesia destacada, a pequena-burguesia e as elites da pequena-burguesia de fachada pseudo-socialista começa a assumir os postos nas alturas em que o proletariado avança mais na luta, particularmente nas alturas em que a luta de massas assume dimensões de grande importância. O engrandecimento artifical do BE, promovido por estes golpes mediáticos e pela manipulação de informação, acompanhados por uma objectiva e cada vez mais clara promoção na Comunicação Social Dominante é aliás a própria resposta da burguesia à luta popular. Ou seja, que o descontentamento encontre sempre uma resposta que bloqueie o desenvolvimento da consciência de classe - uma fase de retardamento e contenção.
As sondagens, à medida que nos aproximamos das eleições, tendem sempre a dar uma votação superior ao BE do que ao PCP, não fossem elas concebidas e executadas pelas mesmas forças que são motor e sustento do próprio BE. Mas a realidade desmente sempre as sondagens com significativas margens. Esperemos que o reforço da luta desague como um rio no aumento da consciência de classe. Mas o trabalho que temos pela frente não é fácil - a inevitabilidade histórica não está balizada no tempo, nem tampouco sabemos se o tempo chegará para atingirmos a sua concretização. Mas o que sabemos é que os processos históricos não cessam, podem acelerar ou desacelerar, mas são sempre inexoráveis e irrevogáveis. E desses processos, os protagonistas não são as franjas da burguesia, de esquerda ou de direita; mas sim os trabalhadores e os povos de todo o mundo.
Wednesday, June 25, 2008
África
No Burkina Faso a repressão policial abateu-se contra as manifestações e houve 2 centenas de mortos.
Nos Camarões, centenas de jovens e trabalhadores foram presos por se manifestarem contra o aumento do custo de vida - com recurso a julgamentos aleatórios e em série. Também nos Camarões, a polícia assassinou durante 2006 e 2007 vários estudantes que participavam em protestos contra a limitação das entradas na Nova Faculdade de Medicina da Universidade de Buea.
No Senegal, motins e manifestações de milhares de mulheres saíram à rua contra o aumento do preço dos bens essenciais.
Na Costa do Marfim, a população manifesta-se gritando "Gbagbo, temos fome!", enquanto o Presidente recebe os amigos franceses (Jack Lang - que medalhou pela sua qualidade de "humanista") e com eles dança pelo "red light district" de Abidjan. Também sobre estes homens e mulheres famintos caiu o bastão do Estado repressor.
Na África do Sul, nomeadamente em Joanesburgo, manifestações de milhares de trabalhadores, jovens e mulheres, lutam contra a privatização da água. Os tribunais declaram ilegais e inconstitucionais os contadores de água pré-pagos no Soweto.
Marrocos continua ocupando o Sahara Ocidental, condenando milhares ao isolamento, à fome e à sede, limitando o acesso de um povo aos mais essenciais serviços, como a Educação e a Saúde.
Por toda a África, a terra sangra e o povo luta.
África nas mãos de todos menos do seu povo.
E sempre que o povo se levanta para fazer o seu destino por mãos próprias, a repressão cai lesta. E a lavagem ideológica não tarda. Por toda a África, a terra chora e o povo combate.
Mas nós por cá... só temos acesso a notícias sobre um tal Zimbabwe. Parece que já não é terra de turismo-safari, nem de latifúndio britânico. Parece que por lá já não manda o homem branco e seus caprichos. Por isso mesmo, cá e lá se começa a desenhar uma intervenção estrangeira mais musculada. Fiquemos atentos. Curiosamente ninguém fala de intervenções democráticas na Costa do Marfim, no Senegal, em Marrocos, nos Camarões ou no Burkina Faso.
Nos Camarões, centenas de jovens e trabalhadores foram presos por se manifestarem contra o aumento do custo de vida - com recurso a julgamentos aleatórios e em série. Também nos Camarões, a polícia assassinou durante 2006 e 2007 vários estudantes que participavam em protestos contra a limitação das entradas na Nova Faculdade de Medicina da Universidade de Buea.
No Senegal, motins e manifestações de milhares de mulheres saíram à rua contra o aumento do preço dos bens essenciais.
Na Costa do Marfim, a população manifesta-se gritando "Gbagbo, temos fome!", enquanto o Presidente recebe os amigos franceses (Jack Lang - que medalhou pela sua qualidade de "humanista") e com eles dança pelo "red light district" de Abidjan. Também sobre estes homens e mulheres famintos caiu o bastão do Estado repressor.
Na África do Sul, nomeadamente em Joanesburgo, manifestações de milhares de trabalhadores, jovens e mulheres, lutam contra a privatização da água. Os tribunais declaram ilegais e inconstitucionais os contadores de água pré-pagos no Soweto.
Marrocos continua ocupando o Sahara Ocidental, condenando milhares ao isolamento, à fome e à sede, limitando o acesso de um povo aos mais essenciais serviços, como a Educação e a Saúde.
Por toda a África, a terra sangra e o povo luta.
África nas mãos de todos menos do seu povo.
E sempre que o povo se levanta para fazer o seu destino por mãos próprias, a repressão cai lesta. E a lavagem ideológica não tarda. Por toda a África, a terra chora e o povo combate.
Mas nós por cá... só temos acesso a notícias sobre um tal Zimbabwe. Parece que já não é terra de turismo-safari, nem de latifúndio britânico. Parece que por lá já não manda o homem branco e seus caprichos. Por isso mesmo, cá e lá se começa a desenhar uma intervenção estrangeira mais musculada. Fiquemos atentos. Curiosamente ninguém fala de intervenções democráticas na Costa do Marfim, no Senegal, em Marrocos, nos Camarões ou no Burkina Faso.
Saturday, June 21, 2008
a esquerda e o futebol
Chegado a casa, vinha com um momento linear de grande significado direito ao computador para para aqui atirar umas linhas sobre um artigo de opinião que li do Vasco Pulido Valente na última página do Público de hoje. No entanto, para variar, descobri que a resposta estava dada de forma bem mais sóbria do que eu seria capaz de fazer. E, para quê duplicar esforços e tempo precioso em respostas a essa escumalha aparelhista e parasitária? Ora aqui deixo um texto que dá bem a resposta necessária.
Wednesday, June 18, 2008
A democracia só lhes agrada quando os serve
Toda a solidariedade com os Jovens Comunistas da República Checa!
Friday, June 13, 2008
vitória do povo irlandês

Viva o povo irlandês!
Que dizer dos imprevistos deste calibre? Como reagirão os lordes europeus?
Que será do "futuro da carreira política" de José Sócrates?
O povo irlandês teve a oportunidade de se pronunciar, como mais nenhum outro desta feita. Mas o capital não vai baixar braços nem poupar-se a novas soluções. O projecto de dominação europeia é muito mais importante que qualquer forma de democracia. Muito mais importante que as palavras dos povos, que as vidas das gentes!
Mas eles que aprendam: na medida em que nos tentam amarrar, os povos encontrarão sempre formas de se libertar!
Wednesday, June 11, 2008
A situação não permite situacionismos
As correntes situacionistas, em grande parte escondidas não só nas caras tapadas dos putos anarquistas e no turismo "revolucionário" que se desloca atrás do G8 e das cimeiras dos senhores do capital mas também nos partidos políticos, são uma das mais poderosas formas de diversão e desconcentração do descontentamento e da luta.
Cada vez mais, ditos analistas, politólogos, comentadores, líderes partidários e movimentos anarquizantes, confluem nas teses superficiais do situacionismo. Alguns chamam-lhes insurreccionalismo ou activismo autónomo. Outros chamam-lhe mesmo "esquerda". Na verdade, tudo é apenas uma nova expressão da ofensiva ideológica do capitalismo. Fortemente alicerçada na ignorância de massas e no individualismo galopante, a doutrina da diversão e da ilusão, ancorada nas mais ignóbeis correntes idealistas do pensamento, vai fazendo caminho para conter a luta dos trabalhadores e dos povos.
O sistema capitalista, como bem podemos ver e sentir em Portugal, está em nova crise, daquelas cíclicas e estruturais que os marxistas sempre souberam identifcar. A crise atinge de formas diferentes as diferentes classes sociais, como seria de esperar. Ainda assim, desestrutura o funcionamento regular das sociedades dos países mais desenvolvidos e reduz significativamente a estabilidade dos processos de produção e da subsequente exploração. Ou seja, os equilíbrios são tão frágeis ou inexistentes que os próprios estados mais avançados do capital são alvo de profundas crises e agitados por autênticos terramotos económicos à mais pequena flutuação dos mercados e dos mecanismos de especulação.
E, no entanto, da mesma forma que os comunistas descodificam estes processos, o sistema capitalista conhece-os bem. Conhece-os perfeitamente, aliás. E é o próprio sistema e os seus homens-governos de mão bem colocados na política mundial que improvisa ponderadamente as medidas de mitigação de impactos e, acima de tudo, de manipulação de massas. Importa, pois, assegurar dois pontos essenciais: manter o descontentamento sem expressão revolucionária e manter a capacidade regenerativa do capitalismo, ou seja, da exploração.
Isto significa que, a cada altura, o capital estabelece as necessárias campanhas de ofensiva ideológica para satisfazer esses dois grandes desígnios fundamentais para a sua manutenção. O descontentamento atinge, particularmente em alturas de intensificação da opressão e da exploração, proporções massivas, mobilizando amplos sectores das camadas populares e dos trabalhadores. A conversão do descontentamento em consciência revolucionária é, no entanto, um processo exigente e prolongado, cujo desenvolvimento depende da existência de um conjunto de condições objectivas e subjectivas.
As bolsas de contenção do descontentamento funcionam essencialmente como bolsas de contenção do potencial revolucionário. É o próprio sistema que as acolhe e promove, desde sempre. Quer seja através dos situacionismos ou outros meios. O esquerdismo radical deixou de ter grande papel, sendo que não nos encontramos numa situação predominantemente revolucionária, mas sim resistente. Assim, importa dar outras expressões ao situacionismo. E eis que ele aparece sobre a forma de "forças de esquerda", "comícios da esquerda" e mesmo de "individualidades".
E todos esses, mais não são senão situacionistas. São os que se prestam a manter tudo como está.
Tudo para que a revolução continue fora das perspectivas dos descontentes. Só a luta de massas, em força, só o envolvimento directo dos trabalhadores, sem ícones ou chefes, sem ídolos ou guias, pode romper com o cerco do situacionismo e do capital! A luta é o caminho!
Cada vez mais, ditos analistas, politólogos, comentadores, líderes partidários e movimentos anarquizantes, confluem nas teses superficiais do situacionismo. Alguns chamam-lhes insurreccionalismo ou activismo autónomo. Outros chamam-lhe mesmo "esquerda". Na verdade, tudo é apenas uma nova expressão da ofensiva ideológica do capitalismo. Fortemente alicerçada na ignorância de massas e no individualismo galopante, a doutrina da diversão e da ilusão, ancorada nas mais ignóbeis correntes idealistas do pensamento, vai fazendo caminho para conter a luta dos trabalhadores e dos povos.
O sistema capitalista, como bem podemos ver e sentir em Portugal, está em nova crise, daquelas cíclicas e estruturais que os marxistas sempre souberam identifcar. A crise atinge de formas diferentes as diferentes classes sociais, como seria de esperar. Ainda assim, desestrutura o funcionamento regular das sociedades dos países mais desenvolvidos e reduz significativamente a estabilidade dos processos de produção e da subsequente exploração. Ou seja, os equilíbrios são tão frágeis ou inexistentes que os próprios estados mais avançados do capital são alvo de profundas crises e agitados por autênticos terramotos económicos à mais pequena flutuação dos mercados e dos mecanismos de especulação.
E, no entanto, da mesma forma que os comunistas descodificam estes processos, o sistema capitalista conhece-os bem. Conhece-os perfeitamente, aliás. E é o próprio sistema e os seus homens-governos de mão bem colocados na política mundial que improvisa ponderadamente as medidas de mitigação de impactos e, acima de tudo, de manipulação de massas. Importa, pois, assegurar dois pontos essenciais: manter o descontentamento sem expressão revolucionária e manter a capacidade regenerativa do capitalismo, ou seja, da exploração.
Isto significa que, a cada altura, o capital estabelece as necessárias campanhas de ofensiva ideológica para satisfazer esses dois grandes desígnios fundamentais para a sua manutenção. O descontentamento atinge, particularmente em alturas de intensificação da opressão e da exploração, proporções massivas, mobilizando amplos sectores das camadas populares e dos trabalhadores. A conversão do descontentamento em consciência revolucionária é, no entanto, um processo exigente e prolongado, cujo desenvolvimento depende da existência de um conjunto de condições objectivas e subjectivas.
As bolsas de contenção do descontentamento funcionam essencialmente como bolsas de contenção do potencial revolucionário. É o próprio sistema que as acolhe e promove, desde sempre. Quer seja através dos situacionismos ou outros meios. O esquerdismo radical deixou de ter grande papel, sendo que não nos encontramos numa situação predominantemente revolucionária, mas sim resistente. Assim, importa dar outras expressões ao situacionismo. E eis que ele aparece sobre a forma de "forças de esquerda", "comícios da esquerda" e mesmo de "individualidades".
E todos esses, mais não são senão situacionistas. São os que se prestam a manter tudo como está.
Tudo para que a revolução continue fora das perspectivas dos descontentes. Só a luta de massas, em força, só o envolvimento directo dos trabalhadores, sem ícones ou chefes, sem ídolos ou guias, pode romper com o cerco do situacionismo e do capital! A luta é o caminho!
Sunday, June 08, 2008
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