"Em edição de 1 de Outubro do Jornal “Público”, Helena Matos escreve um artigo entitulado “Foz Côa: uma história de enganos” que se inicia exactamente com citação do Secretário-Geral do Partido Comunista Português. Cedo o leitor se apercebe que o referido artigo consiste em nova incursão jornalística pelos meandros do anti-comunismo, sem que tenha havido sequer um esforço da autora para compreender a intervenção do PCP em matéria de Áreas Protegidas. Na verdade, o Secretário-Geral do PCP não se encontrava em “visita à zona do Parque Nacional da Peneda-Gerês” como refere Helena Matos, mas antes participava num Encontro/Audição sobre Áreas Protegidas organizado pelo PCP, iniciativa pioneira no panorama partidário português. Certamente, tal iniciativa, que contou com a participação de uma centena de pessoas, entre as quais, técnicos, sociólogos, biólogos, engenheiros florestais e agrícolas, agricultores, autarcas, habitantes locais do Parque Nacional Peneda-Gerês e até de outras Áreas Protegidas do país, não constituiria matéria jornalística. Assim, entendeu Helena Matos pegar numa frase desgarrada e descontextualizada do Secretário-Geral do PCP para levar a cabo a sua missão central naquele artigo: desvirtuar os conteúdos da intervenção comunista e, já agora, aproveitar para puxar pelo preconceito latente do anti-comunismo primário que, à falta de motivo de escrita, serve sempre o jornalista que escolhe o caminho mais fácil.
É, pois, importante que sejam clarificadas algumas questões:
1. O Secretário-Geral do PCP, tal como outros dirigentes nacionais e regionais do Partido, deslocaram-se ao Parque Nacional Peneda-Gerês para uma iniciativa do PCP realizada a 29 de Outubro, no âmbito da preparação da sua Conferência sobre questões Económicas e Sociais, com data prevista para os dias 24 e 25 de Novembro. Entende o PCP que a questão da protecção da Natureza e das áreas protegidas, bem como o seu cruzamento com a vertente económica, social e cultural da vida das populações é uma matéria central na política de gestão territorial que o PCP preconiza. A iniciativa que teve lugar no Parque Nacional Peneda-Gerês foi de carácter nacional e o local escolhido foi a Casa do Povo da Vila do Soajo, como forma de relacionar directamente o espaço em que decorreu com a problemática da democratização da gestão e do usufruto da Natureza.
2. Uma das questões mais focadas pelos diversos intervenientes na referida iniciativa foi exactamente a dos constrangimentos legais impostos às populações das áreas protegidas. Aparentemente, Helena Matos escreveu uma peça jornalística sem se dar ao trabalho de investigação mínima. Bastava ter passado os olhos pela intervenção do próprio Secretário-Geral do PCP onde se lê:
“É para nós inquestionável a necessidade e a importância das Áreas Protegidas para a preservação e valorização do património natural, cultural e paisagístico, mas é também para nós incontestável que estes territórios e a sua gestão têm, antes de mais, que garantir às suas populações possibilidades de assegurar um modo de vida condigno.
Infelizmente nem uma coisa, nem outra, foram conseguidas, pelas erradas políticas que em todos estes últimos anos se foram concretizando.
Políticas que, por um lado, não impediram a degradação de muitos desses espaços e que ficaram muito aquém dos objectivos de valorização que proclamavam e, por outro, fizeram tábua rasa da ideia de que estes territórios são terra com gente – terra humanizada – em que as populações locais são, em geral, detentoras da quase totalidade da propriedade do território que o moldaram com trabalho árduo desde tempos ancestrais e que são a mais sólida garantia para o seu futuro desenvolvimento sustentado.
Políticas que discriminaram negativamente as populações destas regiões em termos de investimento público, incluindo na preservação do próprio património e lhes impuseram limitações às suas actividades e às suas vidas sem qualquer contrapartida.
E se há custos que podem ser inevitáveis para uma eficaz defesa das Áreas Protegidas, esses custos não podem ser lançados apenas para cima dos que lá vivem e enfrentam toda a espécie de condicionalismos e restrições.” E também: “Estamos aqui numa região que sente particularmente essa discriminação e que crescentemente tem estado confrontada com as desastrosas políticas nacionais e comunitárias para a agricultura e a floresta, com a sistemática omissão e ausência de efectivas políticas de desenvolvimento regional, com as políticas de restrição orçamental que inviabilizam a criação de infra-estruturas essenciais e com as politicas neoliberais de ataque aos serviços públicos.”
3. Infelizmente, Helena Matos considera que o turismo constitui compensação suficiente às populações das áreas protegidas. Saberá, no entanto, que nem todas as áreas protegidas são destino turístico, tão bem quanto saberá que cada vez mais o turismo em Portugal é promovido em divórcio com as populações, com os seus hábitos e costumes e, mesmo, com as suas actividades económicas. Saberá certamente Helena Matos que, cada vez mais as áreas protegidas são campo fértil ao desenvolvimento turístico de grande porte, fechado e distanciado dos cidadãos autóctones, cujos lucros são crescentemente concentrados num conjunto reduzido de grupos económicos. Tal como saberá Helena Matos que, pese embora o maior fluxo turístico, as palavras de Jerónimo de Sousa proferidas no Encontro/Audição do PCP são o reflexo da realidade: “Isso tem-se visto na falta de apoio à reflorestação das zonas ardidas e ao ordenamento florestal: na não criação de bolsas de água para combate aos fogos; na falta de medidas que garantam às populações da serra da Peneda e Soajo, como as das freguesias de Gavieira e Soajo, serviços adequados de telecomunicações – telefone móvel – e transportes públicos rodoviários; no incumprimento de promessas de apoio, como foi o caso das ajudas para alimentação animal no caso dos fogos; no arrastamento do pagamento das indemnizações devidas pelos prejuízos causados pelos lobos; no encerramento dos serviços de saúde de urgência, cada vez mais longe, com é o caso recente do fecho da urgência em Arco de Valdevez pelo actual Governo.”
4. Sobre o “autoritarismo” que atribui implicitamente ao PCP, talvez fosse bom que estivesse estado presente no Encontro/Audição para presenciar por si própria, acompanhada do Jornal “Público”, a forma como dezenas de pessoas expuseram a sua revolta contra as imposições do Governo PS, vendo no PCP a organização capaz de a ouvir e de lhe dar volume político.
Estivesse Helena Matos preocupada de facto com os cidadãos portugueses que vivem em áreas protegidas, estivesse empenhada em denunciar as políticas de agressão social que os sucessivos governo têm levado à prática nessas áreas e certamente ter-se-ia, no mínimo, dado ao trabalho de ler a intervenção de Jerónimo de Sousa. Estivesse Helena Matos preocupada com a gestão territorial do país e certamente saudaria a iniciativa do PCP, primeira no quadro político-partidário nacional."
Wednesday, October 03, 2007
Monday, October 01, 2007
ICN(plano)B
Enquanto comunistas, a relação das populações humanas com a Natureza é uma das questões centrais com que nos cruzamos, mas também a relação do Estado com os recursos naturais e com o território constituem aspectos centrais de uma análise que em tudo difere da perspectiva capitalista, perspectiva essa que o actual governo, como os anteriores, tem aplicado.
Na verdade, se atentarmos às políticas dos últimos governos em matéria de Ambiente e ordenamento do território, facilmente verificamos que essa política assenta em dois vectores estruturais que são a trave mestra da política de direita. Esses dois vectores são:
1. a política do abandono do território e do afastamento das populações das áreas protegidas, conduzindo a uma situação de crescente degradação. Uma perspectiva que redunda no não usufruto democrático dos recursos e da Natureza, quer em termos económicos, quer em termos sociais. Frequentemente, as áreas protegidas acabam por representar um impedimento objectivo ao desenvolvimento de práticas milenares ou centenárias das populações autóctones sem que daí resulte uma valorização do território para o país. Pelo contrário, esta política do abandono do território e das áreas protegidas acaba por provocar também a degradação física das áreas protegidas, já que, afastadas que se encontram das populações e do Estado, não existe verdadeira intervenção de manutenção nem de promoção dos valores ambientais.
2. a política de entrega e venda a retalho do território e das áreas protegidas, nomeadamente dos valores e recursos naturais, do solo ao sub-solo, e mesmo da atmosfera. Aparentemente contraditória com a política do abandono, não o é de facto. A entrega do território nacional a interesses privados que se estendem desde a exploração e extracção de recursos naturais até aos enormes projectos turísticos acaba por ser um dos possíveis resultados da retirada do Estado e das populações. O capital permite-se à destruição da Natureza com a complacência do Estado e ainda consegue apoderar-se das porções intactas ou semi-intactas para seu usufruto exclusivo.
A estratégia política deste governo, no entanto, atingiu um novo patamar no que toca à relação do Estado com a Natureza. Sem que abandone os dois vectores já referidos, o Governo avança numa perspectiva ainda mais liberal, permitindo ao capital e aos interesses privados, não só a capacidade de utilização dos recursos naturais a seu bel-prazer, mas também a participação directa na sua gestão. Isto representa que o actual momento histórico acarreta a possibilidade de obtenção de lucro através de uma actividade que antes não apresentava esse potencial no passado. Assim, os interesses privados acentuam a sua vontade de interferir directamente na gestão da Natureza. É exactamente isso que começa a acontecer com a reestruturação do ICN em ICN(B). O governo afirma claramente que a nova filosofia que preside ao ICN é a da proliferação daquilo a que o governo chama as parcerias público-privadas e que, a experiência bem nos mostra que na realidade são privatizações e concessões. A visitação e a gestão serão inseridas nessas tais de parcerias – numa entrega do ouro ao ladrão. A fiscalização permanecerá competência exclusiva do Estado, mas só porque a lei não permite o contrário. O Governo entrega aos interesses que delapidam a Natureza a sua gestão. Quer sejam da indústria extractiva, do serviço turístico de luxo ou da produção florestal, aí estarão esses agentes da destruição a gerir os parques naturais.
nota: Na IX e X legislatura, o PCP apresentou mais de uma dezena de projectos de lei, diversos projectos de resolução e apreciações parlamentares e várias dezenas de requerimentos relativos à gestão territorial, à conservação da Natureza e à política de ambiente. Projectos que vão desde a criação de áreas protegidas à alteração das normas do ordenamento do território. O PCP questionou directamente o Ministro do Ambiente sobre a reestruturação do ICN, sobre as condições de trabalho dos vigilantes da natureza, sobre os meios de que dispõem diversos parques naturais, sobre atropelos à lei no seio dos Parques; mas também através de perguntas escritas ao governo colocou um sem número de questões sobre o papel do governo na preservação da natureza.
Na verdade, se atentarmos às políticas dos últimos governos em matéria de Ambiente e ordenamento do território, facilmente verificamos que essa política assenta em dois vectores estruturais que são a trave mestra da política de direita. Esses dois vectores são:
1. a política do abandono do território e do afastamento das populações das áreas protegidas, conduzindo a uma situação de crescente degradação. Uma perspectiva que redunda no não usufruto democrático dos recursos e da Natureza, quer em termos económicos, quer em termos sociais. Frequentemente, as áreas protegidas acabam por representar um impedimento objectivo ao desenvolvimento de práticas milenares ou centenárias das populações autóctones sem que daí resulte uma valorização do território para o país. Pelo contrário, esta política do abandono do território e das áreas protegidas acaba por provocar também a degradação física das áreas protegidas, já que, afastadas que se encontram das populações e do Estado, não existe verdadeira intervenção de manutenção nem de promoção dos valores ambientais.
2. a política de entrega e venda a retalho do território e das áreas protegidas, nomeadamente dos valores e recursos naturais, do solo ao sub-solo, e mesmo da atmosfera. Aparentemente contraditória com a política do abandono, não o é de facto. A entrega do território nacional a interesses privados que se estendem desde a exploração e extracção de recursos naturais até aos enormes projectos turísticos acaba por ser um dos possíveis resultados da retirada do Estado e das populações. O capital permite-se à destruição da Natureza com a complacência do Estado e ainda consegue apoderar-se das porções intactas ou semi-intactas para seu usufruto exclusivo.
A estratégia política deste governo, no entanto, atingiu um novo patamar no que toca à relação do Estado com a Natureza. Sem que abandone os dois vectores já referidos, o Governo avança numa perspectiva ainda mais liberal, permitindo ao capital e aos interesses privados, não só a capacidade de utilização dos recursos naturais a seu bel-prazer, mas também a participação directa na sua gestão. Isto representa que o actual momento histórico acarreta a possibilidade de obtenção de lucro através de uma actividade que antes não apresentava esse potencial no passado. Assim, os interesses privados acentuam a sua vontade de interferir directamente na gestão da Natureza. É exactamente isso que começa a acontecer com a reestruturação do ICN em ICN(B). O governo afirma claramente que a nova filosofia que preside ao ICN é a da proliferação daquilo a que o governo chama as parcerias público-privadas e que, a experiência bem nos mostra que na realidade são privatizações e concessões. A visitação e a gestão serão inseridas nessas tais de parcerias – numa entrega do ouro ao ladrão. A fiscalização permanecerá competência exclusiva do Estado, mas só porque a lei não permite o contrário. O Governo entrega aos interesses que delapidam a Natureza a sua gestão. Quer sejam da indústria extractiva, do serviço turístico de luxo ou da produção florestal, aí estarão esses agentes da destruição a gerir os parques naturais.
nota: Na IX e X legislatura, o PCP apresentou mais de uma dezena de projectos de lei, diversos projectos de resolução e apreciações parlamentares e várias dezenas de requerimentos relativos à gestão territorial, à conservação da Natureza e à política de ambiente. Projectos que vão desde a criação de áreas protegidas à alteração das normas do ordenamento do território. O PCP questionou directamente o Ministro do Ambiente sobre a reestruturação do ICN, sobre as condições de trabalho dos vigilantes da natureza, sobre os meios de que dispõem diversos parques naturais, sobre atropelos à lei no seio dos Parques; mas também através de perguntas escritas ao governo colocou um sem número de questões sobre o papel do governo na preservação da natureza.
Friday, September 28, 2007
o que eles fazem em nome do deus deles
eu até acredito que o vírus exista ainda por alguns motivos... mas por amor de deus, sr arcebispo...
"O responsável pela Igreja Católica de Moçambique, o arcebispo Francisco Chimoio, acusa dois países europeus de quererem matar a população de África com o vírus da sida. Em declarações à BBC, o arcebispo de Maputo disse que os preservativos e os medicamentos anti-retrovirais que chegam ao país estão infectados.
"Os preservativos não são seguros porque há dois países na Europa que estão a fazer preservativos infectados com o vírus de propósito", afirmou Francisco Chimoio em declarações à BBC."Querem acabar com a população de África, é esse o objectivo. Se estamos a brincar com esta doença vamos acabar o mais depressa possível", afirmou o responsável." in público online
"O responsável pela Igreja Católica de Moçambique, o arcebispo Francisco Chimoio, acusa dois países europeus de quererem matar a população de África com o vírus da sida. Em declarações à BBC, o arcebispo de Maputo disse que os preservativos e os medicamentos anti-retrovirais que chegam ao país estão infectados.
"Os preservativos não são seguros porque há dois países na Europa que estão a fazer preservativos infectados com o vírus de propósito", afirmou Francisco Chimoio em declarações à BBC."Querem acabar com a população de África, é esse o objectivo. Se estamos a brincar com esta doença vamos acabar o mais depressa possível", afirmou o responsável." in público online
Thursday, September 27, 2007
Novo ano, velhas políticas.
Inicia-se mais um ano lectivo para todos os estudantes. Uns regressam à instituição de ensino superior, outros à escola básica e secundária. Outros entram pela primeira vez numa destas instituições. Mas todos pagam. Em média, todos se preparam para pagar mais de 500 euros só para o arranque do ano lectivo e os estudantes do Ensino Superior preparam-se mesmo para desembolsar dois salários mínimos e meio para validar a sua matrícula a que se juntarão os gastos com habitação, materiais e alimentação. Neste grupo de estudantes do Ensino Superior, falta referir os estudantes do privado, aqueles que pagam por mês quase o mesmo que os do público pagam por ano. Principalmente aqueles que estudam no ensino privado porque não têm outra possibilidade. Claro que, para a maior parte destes estudantes, do secundário ou do superior, desporto, cultura, lazer, passarão a ser luxos de difícil acesso, na medida em que a maior parte deles não tem dinheiro para usufruir desses bens imateriais e outra boa parte terá de colocar à venda a sua força de trabalho para poder suportar os gastos com o Ensino. Alguns deles terão a possibilidade de recorrer ao estatuto do trabalhador-estudante, outros não.
É assim que se inicia o ano lectivo para os estudantes portugueses. Ao contrário da imagem criada pelo Governo do Partido Socialista e pela propaganda metralhada e ventilada diariamente pelos meios de comunicação social dominantes. Ao contrário do país das maravilhas onde todos têm computadores, onde todos sorriem no caminho para o primeiro dia de aulas.
No país real em que vivemos, os professores são confrontados com a maior ofensiva aos seus direitos de que há memória desde a revolução de Abril; os estudantes vêem cada vez limitada a sua capacidade objectiva de progressão escolar, principalmente por motivos sociais e económicos, a escola pública é gradualmente destruída e colocada ao serviço dos grandes interesses económicos que fazem do Governo actual um fantoche.
Todas as medidas que o Governo tem tomado na área da Educação são apresentadas publicamente como grandes avanços civilizacionais e mesmo tecnológicos. A nós, jovens comunistas, cabe-nos questionar o carácter de classe e o âmbito estratégico das medidas.
Alinhado que está o Governo do PS com as orientações nacionais e internacionais do grande capital, mais claras ou mais obscuras que sejam, não podemos desligar a sua política educativa dessa sua estratégia desmanteladora e privatizadora do serviço público. Encontramo-nos numa fase histórica em que o Capital reivindica para si um conjunto de áreas centrais do serviço público. Áreas que antes não se colocavam nos patamares da rentabilidade, agora representam amplos mercados geradores de gigantescas mais-valias políticas e económicas. A Educação é exactamente uma dessas áreas. Se, por um lado, podemos constatar que o Capital sempre influenciou, através dos governos que controla, os conteúdos escolares; por outro, é manifestamente clara a pressão crescente que aplica no sentido de se colocar directamente na gestão do Ensino. Na verdade, esse é o passo que faltava dar na legislação portuguesa. Claro que a desresponsabilização do Estado no processo educativo da população, o sub-financiamento do sistema de ensino, o encerramento de escolas, a ausência de um sistema de acção social escolar capaz e eficiente, a juntar aos exames nacionais, ao numerus clausus e às propinas sempre foram determinantes factores para o crescimento do papel do Ensino Privado na Educação da população. Mas a reivindicação do Capital é mais exigente. E aí está o Governo do PS, servindo interesses bafientos e retrógrados, a satisfazer as exigências dos grupos económicos.
O Estado “peso-pluma”, o Estado mínimo é o paradigma claro do Estado ideal para o funcionamento neo-liberal do mercado capitalista. A Educação, na óptica da obtenção e maximização do lucro e do controlo político, não é um santuário resguardado dessa acção predatória. Pelo contrário, pelo volume de capitais que implica (o dobro do mercado automóvel mundial) e pela importância política e estratégica que representa na moldagem das características da mão-de-obra e da sociedade, esta é uma área sobre a qual o Capital não pode deixar de querer lançar a mão.
Durante os últimos dias de aulas do anterior ano lectivo (2006/2007) o Governo apresentou na Assembleia da República o Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior e o Estatuto do Aluno dos Ensinos Básico e Secundário. Semanas antes havia apresentado também o Regime Jurídico da Avaliação da Qualidade no Ensino Superior. Nenhum destes diplomas se desvia daquilo que são os objectivos centrais da política de Ensino do Governo – desmantelar, elitizar, privatizar.
No Ensino Superior (i)
Num processo de discussão pública que demonstra bem a noção de “democracia” do Partido Socialista, o Governo e o Grupo Parlamentar do PS, fizeram aprovar em 13 dias o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior. Nesse período não aceitaram sugestões de nenhum partido da oposição, não acolheram as críticas de estudantes nem de professores. Durante as férias do Verão, a Lei é promulgada pelo Presidente da República e publicada. A lei mais estrutural para o Ensino Superior, a que mais transformações implica é aprovada pela calada, numa altura deveras complicada para a mobilização estudantil e dos professores. Simultaneamente, o Governo consegue, através das raízes manipuladoras e de instrumentalização que espalha através do Movimento Associativo Estudantil do Ensino Superior, um relativo silêncio.
O Regime Jurídico das Instituições, a que se junta incontornavelmente o Regime Jurídico da Avaliação, é a peça central da política de Ensino Superior do Governo. A prioridade é clara e é a de entregar aos interesses privados a gestão corrente e a gestão estratégica do Ensino Superior Português na sua totalidade. A transformação das instituições de ensino superior em fundações consubstancia exactamente esse objectivo, dando corpo à vontade antiga dos grupos económicos de controlar directamente os destinos do Ensino e de absorver e arrecadar as suas mais-valias.
Mesmo no fim das férias, eis que o Governo anuncia mais uma fabulosa medida de apoio ao Estudante do Ensino Superior. Anunciou a subida do valor das bolsas? Não, pelo contrário, a sua diminuição real. Anunciou o reforço do número de cantinas e residências? ou a diminuição do preço social da refeição? Não, pelo contrário, anunciou a privatização das cantinas e residências e o aumento do preço social da refeição. Anunciou o alargamento da base de atribuição de bolsas sociais? Não, pelo contrário, anunciou a sua contracção. Anunciou os empréstimos bancários! Encoberto pela capa da modernidade e da preocupação social, o governo consegue levar a diante uma medida que mais não é senão a promoção do lucro da banca de forma que é tudo menos social – já que consiste no empobrecimento do estudante e da população – e que é tudo menos moderna – já que o crédito e o endividamento são, infelizmente, recursos bem conhecidos pelos trabalhadores há muitos e muitos anos. Mas não chegava o Estado contratar com a banca um regime de empréstimos que fosse favorável ao lucro, havia que ir mais além. E, como se não bastasse a ofensiva, o governo anuncia também a fragilidade crescente da acção social e estimula o recurso aos empréstimos bancários como solução de recurso. Com esta operação, o governo dá um passo de gigante para o fim da acção social escolar e pública ao mesmo tempo que entrega um sem número de novos clientes à corja de parasitas que actualmente acumula mais lucros do trabalho do povo português.
No Básico e no Secundário (ii)
Mesmo nos Ensinos Básico e Secundário, a linha de acção é a da destruição do serviço público e da sua conversão em mercado. O encerramento generalizado de escolas – atingindo 45,7% do total de escolas do primeiro ciclo do básico até 2009 – é prova da política de encerramento do serviço público e da estratégia de litoralização do país (sendo que a esmagadora maioria das escolas que encerram se localizam no interior centro do país) que corresponde perfeitamente aos desígnios actuais do grande capital.
O Estatuto do Aluno dos Ensinos Básico e Secundário, actualmente em discussão na especialidade porque o Governo falhou na intenção de o fazer aprovar na Assembleia da República antes das férias de Agosto de 2007, é outro documento altamente reaccionário.
Partindo de uma imagem de contínua violência em meio escolar criada pelo próprio Governo com a ajuda sempre prestável da Comunicação Social, é apresentado pelo PS o Estatuto do Aluno. Durante semanas a fio, a comunicação social veiculou a ideia de que a Escola Pública é um cenário de guerra permanente, de desautorização do professor, de roubos, agressões e outras tipologias de crime. Durante essas mesmas semanas, o Ministério da Educação acompanhou premeditadamente essas preocupações injectadas no público. Durante essas semanas, o Governo criou as condições subjectivas para a tolerância pública a medidas profunda e preocupantemente securitárias e autoritárias.
É isso que é materializado no Estatuto do Aluno. O agravamento das sanções e a ampliação das situações de aplicação das mais graves. A centralização da autoridade na figura do Presidente do Conselho Directivo à velha maneira do reitor do fascismo. A expulsão da escola como medida que resolve todos os problemas e a consagração de medidas repressivas e sancionatórias sob a máscara de medidas correctivas, como o impedimento de utilização de equipamentos da escola, ou o impedimento de acesso às actividades extra-curriculares. Está visto, pois claro, que se o Estudante for impedido de consultar os livros da biblioteca da sua escola, ou se for impedido de participar no clube de teatro ou de xadrez, isso será uma motivação para a sua integração no meio escolar e para a sua correcção.
Este Estatuto plasma bem a visão elitista do Governo: a escola deixa de ser um instrumento da sociedade para si própria e passa a ser uma entidade externa, fechada sobre os interesses dos “mercados”. A escola deixa de ser um espaço permeável com o meio em que se insere e passa a ser uma fortaleza resguardada. Se expulsarmos da escola o estudante problemático, o problema, à luz da política deste governo fica resolvido. Na análise de um jovem comunista, o problema agrava-se substancialmente. A expulsão de um estudante acaba por redundar no agravamento e perpetuamento das condições sociais que deram origem a essa expulsão. As assimetrias que se verificam na sociedade, com expressão no acesso à educação, acabam por ser fomentadas com este tipo de política autoritária. A componente preventiva, a promoção de práticas e projectos educativos humanizados e a aposta na formação cultural integral do indivíduo são esquecidas para dar lugar a câmaras de vídeo-vigilância, a cartões electrónicos, a cadastros do estudante, a suspensões e expulsões expeditas sem recurso a conselho de turma.
(iii)
Os sorrisos televisivos estampados nos jovens figurantes que o Governo desencanta para as suas acções de propaganda, os olhos brilhantes do estudante que navega na Internet através de uma ligação de banda larga na sua escola bonita, o olhar contente dos papás entusiasmados com o miúdo que tem inglês a partir do básico contrastam vivamente com o estudante que treme de frio na sala de aula; com o estudante ao seu lado que foge das gotas de chuva que pendem do tecto; com o estudante que gasta a mesada na papelaria a tirar fotocópias para estudar ou no acesso a Internet num posto de acesso privado, porque os públicos raramente têm impressora; com o estudante que conta abandonar a escola assim que atinge os 16 porque tem de ir ajudar nas economias lá de casa; com o estudante que faz contas à carteira do pai porque as propinas da faculdade privada custam quase um salário por cada mês que passa e a sua irmã já estuda no ensino superior público numa terra longe da sua; com o desespero e desilusão dos pais que não podem comprar todo o material (livros, cadernos, mochila, lápis, canetas) para o filho que inicia um dos anos do ensino básico; com o estudante que é forçado a prolongar as suas matrículas até ao limite da prescrição para ir trabalhar para pagar o seu próprio curso.
A Educação em Portugal não precisa de espasmos mediáticos, nem de sorrisos contratados à hora. A Educação em Portugal não precisa de ser entregue aos privados nem financiada pelo estudante. A Educação em Portugal precisa, isso sim, de uma política de combate ao controlo e à hegemonia do grande capital, de uma política suportada nos agentes educativos, de democracia e participação, de investimento público e de qualidade assegurada pelo Estado. Só a gratuitidade do Ensino em todos os seus graus garante a responsabilização do Estado, só essa conquista garantirá a soberania educativa e tecnológica do país e a crescente consciencialização e educação do povo português rumo ao desenvolvimento verdadeiramente democrático e equilibrado.
É assim que se inicia o ano lectivo para os estudantes portugueses. Ao contrário da imagem criada pelo Governo do Partido Socialista e pela propaganda metralhada e ventilada diariamente pelos meios de comunicação social dominantes. Ao contrário do país das maravilhas onde todos têm computadores, onde todos sorriem no caminho para o primeiro dia de aulas.
No país real em que vivemos, os professores são confrontados com a maior ofensiva aos seus direitos de que há memória desde a revolução de Abril; os estudantes vêem cada vez limitada a sua capacidade objectiva de progressão escolar, principalmente por motivos sociais e económicos, a escola pública é gradualmente destruída e colocada ao serviço dos grandes interesses económicos que fazem do Governo actual um fantoche.
Todas as medidas que o Governo tem tomado na área da Educação são apresentadas publicamente como grandes avanços civilizacionais e mesmo tecnológicos. A nós, jovens comunistas, cabe-nos questionar o carácter de classe e o âmbito estratégico das medidas.
Alinhado que está o Governo do PS com as orientações nacionais e internacionais do grande capital, mais claras ou mais obscuras que sejam, não podemos desligar a sua política educativa dessa sua estratégia desmanteladora e privatizadora do serviço público. Encontramo-nos numa fase histórica em que o Capital reivindica para si um conjunto de áreas centrais do serviço público. Áreas que antes não se colocavam nos patamares da rentabilidade, agora representam amplos mercados geradores de gigantescas mais-valias políticas e económicas. A Educação é exactamente uma dessas áreas. Se, por um lado, podemos constatar que o Capital sempre influenciou, através dos governos que controla, os conteúdos escolares; por outro, é manifestamente clara a pressão crescente que aplica no sentido de se colocar directamente na gestão do Ensino. Na verdade, esse é o passo que faltava dar na legislação portuguesa. Claro que a desresponsabilização do Estado no processo educativo da população, o sub-financiamento do sistema de ensino, o encerramento de escolas, a ausência de um sistema de acção social escolar capaz e eficiente, a juntar aos exames nacionais, ao numerus clausus e às propinas sempre foram determinantes factores para o crescimento do papel do Ensino Privado na Educação da população. Mas a reivindicação do Capital é mais exigente. E aí está o Governo do PS, servindo interesses bafientos e retrógrados, a satisfazer as exigências dos grupos económicos.
O Estado “peso-pluma”, o Estado mínimo é o paradigma claro do Estado ideal para o funcionamento neo-liberal do mercado capitalista. A Educação, na óptica da obtenção e maximização do lucro e do controlo político, não é um santuário resguardado dessa acção predatória. Pelo contrário, pelo volume de capitais que implica (o dobro do mercado automóvel mundial) e pela importância política e estratégica que representa na moldagem das características da mão-de-obra e da sociedade, esta é uma área sobre a qual o Capital não pode deixar de querer lançar a mão.
Durante os últimos dias de aulas do anterior ano lectivo (2006/2007) o Governo apresentou na Assembleia da República o Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior e o Estatuto do Aluno dos Ensinos Básico e Secundário. Semanas antes havia apresentado também o Regime Jurídico da Avaliação da Qualidade no Ensino Superior. Nenhum destes diplomas se desvia daquilo que são os objectivos centrais da política de Ensino do Governo – desmantelar, elitizar, privatizar.
No Ensino Superior (i)
Num processo de discussão pública que demonstra bem a noção de “democracia” do Partido Socialista, o Governo e o Grupo Parlamentar do PS, fizeram aprovar em 13 dias o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior. Nesse período não aceitaram sugestões de nenhum partido da oposição, não acolheram as críticas de estudantes nem de professores. Durante as férias do Verão, a Lei é promulgada pelo Presidente da República e publicada. A lei mais estrutural para o Ensino Superior, a que mais transformações implica é aprovada pela calada, numa altura deveras complicada para a mobilização estudantil e dos professores. Simultaneamente, o Governo consegue, através das raízes manipuladoras e de instrumentalização que espalha através do Movimento Associativo Estudantil do Ensino Superior, um relativo silêncio.
O Regime Jurídico das Instituições, a que se junta incontornavelmente o Regime Jurídico da Avaliação, é a peça central da política de Ensino Superior do Governo. A prioridade é clara e é a de entregar aos interesses privados a gestão corrente e a gestão estratégica do Ensino Superior Português na sua totalidade. A transformação das instituições de ensino superior em fundações consubstancia exactamente esse objectivo, dando corpo à vontade antiga dos grupos económicos de controlar directamente os destinos do Ensino e de absorver e arrecadar as suas mais-valias.
Mesmo no fim das férias, eis que o Governo anuncia mais uma fabulosa medida de apoio ao Estudante do Ensino Superior. Anunciou a subida do valor das bolsas? Não, pelo contrário, a sua diminuição real. Anunciou o reforço do número de cantinas e residências? ou a diminuição do preço social da refeição? Não, pelo contrário, anunciou a privatização das cantinas e residências e o aumento do preço social da refeição. Anunciou o alargamento da base de atribuição de bolsas sociais? Não, pelo contrário, anunciou a sua contracção. Anunciou os empréstimos bancários! Encoberto pela capa da modernidade e da preocupação social, o governo consegue levar a diante uma medida que mais não é senão a promoção do lucro da banca de forma que é tudo menos social – já que consiste no empobrecimento do estudante e da população – e que é tudo menos moderna – já que o crédito e o endividamento são, infelizmente, recursos bem conhecidos pelos trabalhadores há muitos e muitos anos. Mas não chegava o Estado contratar com a banca um regime de empréstimos que fosse favorável ao lucro, havia que ir mais além. E, como se não bastasse a ofensiva, o governo anuncia também a fragilidade crescente da acção social e estimula o recurso aos empréstimos bancários como solução de recurso. Com esta operação, o governo dá um passo de gigante para o fim da acção social escolar e pública ao mesmo tempo que entrega um sem número de novos clientes à corja de parasitas que actualmente acumula mais lucros do trabalho do povo português.
No Básico e no Secundário (ii)
Mesmo nos Ensinos Básico e Secundário, a linha de acção é a da destruição do serviço público e da sua conversão em mercado. O encerramento generalizado de escolas – atingindo 45,7% do total de escolas do primeiro ciclo do básico até 2009 – é prova da política de encerramento do serviço público e da estratégia de litoralização do país (sendo que a esmagadora maioria das escolas que encerram se localizam no interior centro do país) que corresponde perfeitamente aos desígnios actuais do grande capital.
O Estatuto do Aluno dos Ensinos Básico e Secundário, actualmente em discussão na especialidade porque o Governo falhou na intenção de o fazer aprovar na Assembleia da República antes das férias de Agosto de 2007, é outro documento altamente reaccionário.
Partindo de uma imagem de contínua violência em meio escolar criada pelo próprio Governo com a ajuda sempre prestável da Comunicação Social, é apresentado pelo PS o Estatuto do Aluno. Durante semanas a fio, a comunicação social veiculou a ideia de que a Escola Pública é um cenário de guerra permanente, de desautorização do professor, de roubos, agressões e outras tipologias de crime. Durante essas mesmas semanas, o Ministério da Educação acompanhou premeditadamente essas preocupações injectadas no público. Durante essas semanas, o Governo criou as condições subjectivas para a tolerância pública a medidas profunda e preocupantemente securitárias e autoritárias.
É isso que é materializado no Estatuto do Aluno. O agravamento das sanções e a ampliação das situações de aplicação das mais graves. A centralização da autoridade na figura do Presidente do Conselho Directivo à velha maneira do reitor do fascismo. A expulsão da escola como medida que resolve todos os problemas e a consagração de medidas repressivas e sancionatórias sob a máscara de medidas correctivas, como o impedimento de utilização de equipamentos da escola, ou o impedimento de acesso às actividades extra-curriculares. Está visto, pois claro, que se o Estudante for impedido de consultar os livros da biblioteca da sua escola, ou se for impedido de participar no clube de teatro ou de xadrez, isso será uma motivação para a sua integração no meio escolar e para a sua correcção.
Este Estatuto plasma bem a visão elitista do Governo: a escola deixa de ser um instrumento da sociedade para si própria e passa a ser uma entidade externa, fechada sobre os interesses dos “mercados”. A escola deixa de ser um espaço permeável com o meio em que se insere e passa a ser uma fortaleza resguardada. Se expulsarmos da escola o estudante problemático, o problema, à luz da política deste governo fica resolvido. Na análise de um jovem comunista, o problema agrava-se substancialmente. A expulsão de um estudante acaba por redundar no agravamento e perpetuamento das condições sociais que deram origem a essa expulsão. As assimetrias que se verificam na sociedade, com expressão no acesso à educação, acabam por ser fomentadas com este tipo de política autoritária. A componente preventiva, a promoção de práticas e projectos educativos humanizados e a aposta na formação cultural integral do indivíduo são esquecidas para dar lugar a câmaras de vídeo-vigilância, a cartões electrónicos, a cadastros do estudante, a suspensões e expulsões expeditas sem recurso a conselho de turma.
(iii)
Os sorrisos televisivos estampados nos jovens figurantes que o Governo desencanta para as suas acções de propaganda, os olhos brilhantes do estudante que navega na Internet através de uma ligação de banda larga na sua escola bonita, o olhar contente dos papás entusiasmados com o miúdo que tem inglês a partir do básico contrastam vivamente com o estudante que treme de frio na sala de aula; com o estudante ao seu lado que foge das gotas de chuva que pendem do tecto; com o estudante que gasta a mesada na papelaria a tirar fotocópias para estudar ou no acesso a Internet num posto de acesso privado, porque os públicos raramente têm impressora; com o estudante que conta abandonar a escola assim que atinge os 16 porque tem de ir ajudar nas economias lá de casa; com o estudante que faz contas à carteira do pai porque as propinas da faculdade privada custam quase um salário por cada mês que passa e a sua irmã já estuda no ensino superior público numa terra longe da sua; com o desespero e desilusão dos pais que não podem comprar todo o material (livros, cadernos, mochila, lápis, canetas) para o filho que inicia um dos anos do ensino básico; com o estudante que é forçado a prolongar as suas matrículas até ao limite da prescrição para ir trabalhar para pagar o seu próprio curso.
A Educação em Portugal não precisa de espasmos mediáticos, nem de sorrisos contratados à hora. A Educação em Portugal não precisa de ser entregue aos privados nem financiada pelo estudante. A Educação em Portugal precisa, isso sim, de uma política de combate ao controlo e à hegemonia do grande capital, de uma política suportada nos agentes educativos, de democracia e participação, de investimento público e de qualidade assegurada pelo Estado. Só a gratuitidade do Ensino em todos os seus graus garante a responsabilização do Estado, só essa conquista garantirá a soberania educativa e tecnológica do país e a crescente consciencialização e educação do povo português rumo ao desenvolvimento verdadeiramente democrático e equilibrado.
Wednesday, September 19, 2007
a luta continua
Hoje, primeiro dia de plenário da Assembleia da República, a vida política portuguesa volta a girar em torno deste circo de vaidades. A assembleia da república voltará a discutir e a debitar as regras do capital, a impor ao povo que vai carregando o fardo de ter eleito traidores para sua representação.
E pronto, fora isso, tudo vai no rumo orientado da política de direita, por muitos fait-divers que por aí vão pululando as notícias dos "nossos" jornais.
Arranca o ano lectivo com um novo regime jurídico para as instituições de ensino superior. À medida dos anseios do capital. Discutido à pressa entre os amigos do Partido Socialista e os interesses financeiros que os mandam, à revelia do povo, dos professores, dos estudantes, dos funcionários, à revelia das próprias instituições de ensino superior, pela calada de Agosto. Mas ei-lo triunfante, qual máquina demolidora do nosso Ensino Superior Público. As universidades e institutos politécnicos passam a ser fundações de direito privado, que é como quem diz "empresas privadas" financiadas pelo Estado. A direcção destas instituições passa a ser feita por entidades externas à instituição, que é como quem diz "empresas privadas com interesses na educação e no controlo directo da estratégia educativa e formativa". Os estudantes perdem a sua capacidade de intervir democraticamente e os conselhos pedagógicos passam a peças decorativas nas Instituições de Ensino, varridos que foram os seus poderes e competências.
A gestão das universidades e institutos é agora um mero acto administrativo e financeiro, sem o contributo daqueles que nelas trabalham, mas sob os ditames daqueles que delas lucram.
São já milhares as escolas básicas do primeiro ciclo que encerraram. No total, daqui a dois anos, o Governo terá encerrado 47,5% do total de escolas do primeiro ciclo do básico, com particular incidência na região do interior centro, onde mesmo até agora têm fechado mais escolas. É simples, para os estrategas do país, da banca e do capital financeiro, a distribuição geográfica das populações carece de urgente remodelação. O país está em reestruturação. É isso. À semelhança da reestruturação da Função Pública que tanto se poderia chamar "desmantelamento e encerramento", também o país está a saque nesta fúria de desmantelamento e encerramento do país. Os serviços públicos são um direito de todos. O trabalho dos funcionários públicos não é um direito só seu. É um direito de todos nós.
A disputa entre o público e o privado, entre trabalho e capital atinge sob a guarda do Governo do PS um dos seus pontos altos com a administração do Estado a jogar do lado oposto da barricada. O capital reivindica para si os serviços que tinha sob o "pacto com o espectro" e o Estado entrega-os de mão-beijada, muitas vezes pagando por isso.
Os recursos naturais e o território nacional são entregues a retalho aos interesses privados, retirando o direito ao usufruto democrático da natureza às populações que deles sempre viveram. Empurram-se as populações para as regiões peri-urbanas, retirando-as de onde antes se encontravam (ruralidade e centros urbanos), obrigando milhões de portugueses ao calvário involuntário das deslocações pendulares, ao consumo exacerbado de recursos energéticos, à degradação da qualidade de vida e da qualidade ambiental. Tudo graças à senhora especulação imobiliária que manda mais que as tão famosas "políticas de ambiente" ou mesmo que o tão propalado "ordenamento do território"
Ficam por ora as supra mencionadas questões, que se me acabou o tempo de almoço. Mas vou andar por aí.
E pronto, fora isso, tudo vai no rumo orientado da política de direita, por muitos fait-divers que por aí vão pululando as notícias dos "nossos" jornais.
Arranca o ano lectivo com um novo regime jurídico para as instituições de ensino superior. À medida dos anseios do capital. Discutido à pressa entre os amigos do Partido Socialista e os interesses financeiros que os mandam, à revelia do povo, dos professores, dos estudantes, dos funcionários, à revelia das próprias instituições de ensino superior, pela calada de Agosto. Mas ei-lo triunfante, qual máquina demolidora do nosso Ensino Superior Público. As universidades e institutos politécnicos passam a ser fundações de direito privado, que é como quem diz "empresas privadas" financiadas pelo Estado. A direcção destas instituições passa a ser feita por entidades externas à instituição, que é como quem diz "empresas privadas com interesses na educação e no controlo directo da estratégia educativa e formativa". Os estudantes perdem a sua capacidade de intervir democraticamente e os conselhos pedagógicos passam a peças decorativas nas Instituições de Ensino, varridos que foram os seus poderes e competências.
A gestão das universidades e institutos é agora um mero acto administrativo e financeiro, sem o contributo daqueles que nelas trabalham, mas sob os ditames daqueles que delas lucram.
São já milhares as escolas básicas do primeiro ciclo que encerraram. No total, daqui a dois anos, o Governo terá encerrado 47,5% do total de escolas do primeiro ciclo do básico, com particular incidência na região do interior centro, onde mesmo até agora têm fechado mais escolas. É simples, para os estrategas do país, da banca e do capital financeiro, a distribuição geográfica das populações carece de urgente remodelação. O país está em reestruturação. É isso. À semelhança da reestruturação da Função Pública que tanto se poderia chamar "desmantelamento e encerramento", também o país está a saque nesta fúria de desmantelamento e encerramento do país. Os serviços públicos são um direito de todos. O trabalho dos funcionários públicos não é um direito só seu. É um direito de todos nós.
A disputa entre o público e o privado, entre trabalho e capital atinge sob a guarda do Governo do PS um dos seus pontos altos com a administração do Estado a jogar do lado oposto da barricada. O capital reivindica para si os serviços que tinha sob o "pacto com o espectro" e o Estado entrega-os de mão-beijada, muitas vezes pagando por isso.
Os recursos naturais e o território nacional são entregues a retalho aos interesses privados, retirando o direito ao usufruto democrático da natureza às populações que deles sempre viveram. Empurram-se as populações para as regiões peri-urbanas, retirando-as de onde antes se encontravam (ruralidade e centros urbanos), obrigando milhões de portugueses ao calvário involuntário das deslocações pendulares, ao consumo exacerbado de recursos energéticos, à degradação da qualidade de vida e da qualidade ambiental. Tudo graças à senhora especulação imobiliária que manda mais que as tão famosas "políticas de ambiente" ou mesmo que o tão propalado "ordenamento do território"
Ficam por ora as supra mencionadas questões, que se me acabou o tempo de almoço. Mas vou andar por aí.
Thursday, September 06, 2007
Serão uns dias de festa
A construção da festa faz-se até à abertura dos portões - às vezes até mesmo uns minutos depois. essa festa da construção está a terminar e revigorou pela força colectiva os sorrisos dos comunistas portugueses e de muitos camaradas por esse mundo fora.
Agora, serão aqueles três dias de festa aberta a todos quantos nos queiram visitar.
Aproveitem a festa! ´
até para a semana!
Agora, serão aqueles três dias de festa aberta a todos quantos nos queiram visitar.
Aproveitem a festa! ´
até para a semana!
Thursday, August 30, 2007
fim de férias - siga a marinha!
E eis que se finda Agosto. as férias ficarão registadas na memória, que esqueci em todos os momentos as máquinas fotográficas e ainda não me habituei àquela coisa de sacar do telemóvel por tudo e por nada, embora já me tenham dito que é capaz de tirar fotografias (a cores e tudo). Aproximam-se os dias de Setembro e com eles os últimos de construção da festa do Avante! que traz os primeiros ventos revolucionários à sempre triste "rentrée".
Lá estaremos certamente, sem alteração de calendário, lá estará também a nossa festa levantada do nada sobre a relva às mãos do trabalho voluntário dos milhares de comunistas velhos e novos, homens e mulheres.
Os artistas convidados convidam-nos a assistir aos melhores momentos culturais do fim de verão e faremos os possíveis para encontrar o tempo para os ver, pelo meio da azáfama de turnos que já se desenha nas nossas agendas.
Depois da Festa rumo ao outros trabalhos que nos esperam, que isto não está nada famoso.
Vai dos transgénicos aos salários, passando pelos horários de trabalho e os empréstimos a Estudantes, a privatização do ensino e os PIN que proliferam. Tão vasto é o manancial de negrume na política da direita que ficaríamos por aqui no verbo, nunca na luta!
Lá estaremos certamente, sem alteração de calendário, lá estará também a nossa festa levantada do nada sobre a relva às mãos do trabalho voluntário dos milhares de comunistas velhos e novos, homens e mulheres.
Os artistas convidados convidam-nos a assistir aos melhores momentos culturais do fim de verão e faremos os possíveis para encontrar o tempo para os ver, pelo meio da azáfama de turnos que já se desenha nas nossas agendas.
Depois da Festa rumo ao outros trabalhos que nos esperam, que isto não está nada famoso.
Vai dos transgénicos aos salários, passando pelos horários de trabalho e os empréstimos a Estudantes, a privatização do ensino e os PIN que proliferam. Tão vasto é o manancial de negrume na política da direita que ficaríamos por aqui no verbo, nunca na luta!
Friday, July 27, 2007
EU, O POVO
Eu, o Povo
Conheço a força da terra que rebenta a granada do grão
Fiz desta força um amigo fiel.
O vento sopra com força
A água corre com força
O fogo arde com força
Nos meus braços que vão crescer vou estender panos de vela
Para agarrar o vento e levar a força do vento à Produção.
As minhas mãos vão crescer até fazerem pás de roda
Para agarrar a força da água e pô-la na Produção.
Os meus pulmões vão crescer soprando na forja do coração
Para agarrar a força do fogo na Produção.
Eu, o Povo
Vou aprender a lutar do lado da Natureza
Vou ser camarada de armas dos quatro elementos.
A táctica colonialista é deixar o Povo no natural
Fazendo do Povo um inimigo da Natureza.
Eu, o Povo Moçambicano
Vou conhecer as minhas Grandes Forças todas.
poema do povo de Moçambique,
António Quadros
porque é poesia, política, natural, importa.
Conheço a força da terra que rebenta a granada do grão
Fiz desta força um amigo fiel.
O vento sopra com força
A água corre com força
O fogo arde com força
Nos meus braços que vão crescer vou estender panos de vela
Para agarrar o vento e levar a força do vento à Produção.
As minhas mãos vão crescer até fazerem pás de roda
Para agarrar a força da água e pô-la na Produção.
Os meus pulmões vão crescer soprando na forja do coração
Para agarrar a força do fogo na Produção.
Eu, o Povo
Vou aprender a lutar do lado da Natureza
Vou ser camarada de armas dos quatro elementos.
A táctica colonialista é deixar o Povo no natural
Fazendo do Povo um inimigo da Natureza.
Eu, o Povo Moçambicano
Vou conhecer as minhas Grandes Forças todas.
poema do povo de Moçambique,
António Quadros
porque é poesia, política, natural, importa.
Thursday, July 12, 2007
lágrimas de verdade
Acontecimento insólito. Estava nas traseiras do palco do Concurso Nacional de Bandas para o palco Novos Valores da Festa do Avante! e que decorria no Largo Camões - promovido pela Juventude CDU de Lisboa - e aguardava pacientemente os "strike back"* para os levar a jantar no Centro de Trabalho Vitória na Avenida da Liberdade. Estava, portanto, dentro da carrinha à espera que os 3 elementos dessa banda chegassem acompanhados do pai de um deles para que também eles pudessem comer o frango assado que a JCP disponibilizou para os membros de todas as bandas que participaram nesta fase do concurso nacional de bandas.
Mesmo por detrás do palco a música fazia-se ouvir a bom som e eu tinha a janela da carrinha aberta. Uma senhora, de olhos claros, idade pesada, uma sacola na mão direita e o cabelo cinzento dos anos, aproximou-se naturalmente da janela onde o meu braço esquerdo se atirava cá para fora. Chegou-se bem perto da janela da carrinha:
"sabe menino, eu gostava mais do Carvalhas..."
não sei que cara fiz... surpreendido pela conversa que seguiu.
- mas do Jerónimo... também gosta?
- gosto, gosto, mas gostava mais do Carvalhas, era muito boa pessoa.
- era sim, mas o Jerónimo também é, não pense que não.
- mas o Carvalhas uma vez, estava eu na fila do supermercado e ele vinha à minha frente mais a sua esposa e diz ele à senhora: "deixa passar a senhora que vai mais carregada". foi muito amável, gostei muito do senhor Carvalhas.
- ah, mas olhe que o Jerónimo faria o mesmo.
(...) assim começou uma conversa de 10 minutos. curta mas impressiva. real.
- olhe menino, olhe o que lhe digo: já trago 83 anos de vida e digo-lhe que já vi muita coisa. e digo-lhe isto: este governo não chega ao fim do mandato.
- acha?
- tenho a certeza, eles andam a trabalhar para encher os bolsos dos estrangeiros à nossa custa. e sempre com aquele ar de finos, de filhos da puta, é o que são. aquele sócrates sempre arrogante com a mania...
- pois, enriquecem sempre os mesmo à custa da gente...
- ouça menino, não chegam ao fim do mandato. não podem fazer-nos isto. estamos todos pobres e eu fiz uma vida de trabalho para chegar agora e ter 240 euros para viver.
uma lágrima começa a descer-lhe o rosto quando anuncia trémula:
- pago 120 euros só por uma cama onde dormir.
estremece mais e chora abertamente:
- tenho de ir para fora de lisboa pedir, porque tenho vergonha... eu, que nunca pedi na minha vida...
um arrepio tomou-me o corpo ainda incrédulo pelo momemto, enquanto a senhora limpou as lágrimas e virou as costas a caminho da sua casa.
Mesmo por detrás do palco a música fazia-se ouvir a bom som e eu tinha a janela da carrinha aberta. Uma senhora, de olhos claros, idade pesada, uma sacola na mão direita e o cabelo cinzento dos anos, aproximou-se naturalmente da janela onde o meu braço esquerdo se atirava cá para fora. Chegou-se bem perto da janela da carrinha:
"sabe menino, eu gostava mais do Carvalhas..."
não sei que cara fiz... surpreendido pela conversa que seguiu.
- mas do Jerónimo... também gosta?
- gosto, gosto, mas gostava mais do Carvalhas, era muito boa pessoa.
- era sim, mas o Jerónimo também é, não pense que não.
- mas o Carvalhas uma vez, estava eu na fila do supermercado e ele vinha à minha frente mais a sua esposa e diz ele à senhora: "deixa passar a senhora que vai mais carregada". foi muito amável, gostei muito do senhor Carvalhas.
- ah, mas olhe que o Jerónimo faria o mesmo.
(...) assim começou uma conversa de 10 minutos. curta mas impressiva. real.
- olhe menino, olhe o que lhe digo: já trago 83 anos de vida e digo-lhe que já vi muita coisa. e digo-lhe isto: este governo não chega ao fim do mandato.
- acha?
- tenho a certeza, eles andam a trabalhar para encher os bolsos dos estrangeiros à nossa custa. e sempre com aquele ar de finos, de filhos da puta, é o que são. aquele sócrates sempre arrogante com a mania...
- pois, enriquecem sempre os mesmo à custa da gente...
- ouça menino, não chegam ao fim do mandato. não podem fazer-nos isto. estamos todos pobres e eu fiz uma vida de trabalho para chegar agora e ter 240 euros para viver.
uma lágrima começa a descer-lhe o rosto quando anuncia trémula:
- pago 120 euros só por uma cama onde dormir.
estremece mais e chora abertamente:
- tenho de ir para fora de lisboa pedir, porque tenho vergonha... eu, que nunca pedi na minha vida...
um arrepio tomou-me o corpo ainda incrédulo pelo momemto, enquanto a senhora limpou as lágrimas e virou as costas a caminho da sua casa.
Friday, July 06, 2007
Mas ca ganda desplante!
A falta de vergonha do Governo não pára de nos surpreender. É impressionante o fluxo de barbaridades com que este governo vomita a sua política de direita.
Foi hoje mesmo discutida na Assembleia da República uma Proposta de Lei do Governo que fixa a consignação de uma parcela do preço pago pelo consumidor de combustíveis ao financiamento da rede rodoviária do país. O Governo encontrou esta fórmula mágica para financiar a rede rodoviária, num belo passe de ilusionismo.
Na verdade, o que o Governo propõe é que cerca de 14 escudos (em moeda antiga) por cada litro de combustível seja directamente entregue uma entidade pública empresarial chamada Estradas de Portugal. Sim, a mesma que o Governo já anunciou como parte do património que quer privatizar. Então, o Governo do PS propôs hoje à Assembleia da República Portuguesa, sem nenhuma falta de vergonha, foi o financiamento directo de uma empresa privada pelo Orçamento Geral do Estado.
É nestes negócios que me dá vontade de participar! assim é que é! O Governo assume, o Estado paga e arrisca, o capital privado cresce. Presenciámos hoje uma Proposta de Roubo colectivo, trazida até aos patidos representantes do povo pela mão do Senhor Ministro dos Transportes, Obras Públicas e Telecomunicações. O PS acenava que sim, convicto de que está competentemente, cumprindo o seu papel.
E está. Desmantelar o Estado. Engordar as contas do capital, empobrecendo o país.
Foi hoje mesmo discutida na Assembleia da República uma Proposta de Lei do Governo que fixa a consignação de uma parcela do preço pago pelo consumidor de combustíveis ao financiamento da rede rodoviária do país. O Governo encontrou esta fórmula mágica para financiar a rede rodoviária, num belo passe de ilusionismo.
Na verdade, o que o Governo propõe é que cerca de 14 escudos (em moeda antiga) por cada litro de combustível seja directamente entregue uma entidade pública empresarial chamada Estradas de Portugal. Sim, a mesma que o Governo já anunciou como parte do património que quer privatizar. Então, o Governo do PS propôs hoje à Assembleia da República Portuguesa, sem nenhuma falta de vergonha, foi o financiamento directo de uma empresa privada pelo Orçamento Geral do Estado.
É nestes negócios que me dá vontade de participar! assim é que é! O Governo assume, o Estado paga e arrisca, o capital privado cresce. Presenciámos hoje uma Proposta de Roubo colectivo, trazida até aos patidos representantes do povo pela mão do Senhor Ministro dos Transportes, Obras Públicas e Telecomunicações. O PS acenava que sim, convicto de que está competentemente, cumprindo o seu papel.
E está. Desmantelar o Estado. Engordar as contas do capital, empobrecendo o país.
Tuesday, June 26, 2007
To be or not to... (ainda bem que temos dois verbos)
"eu não sou deputado, eu estou deputado. eu nunca fui deputado, eu estive deputado."
Sérgio Ribeiro, comunista ex-membro do Parlamento Europeu, eleito nas listas da CDU, proposto pelo PCP, durante uma intervenção política sobre "solidariedade vs caridade"* na Cooperativa de Habitação do Faralhão.
* o título da intervenção é da minha responsabilidade
Sérgio Ribeiro, comunista ex-membro do Parlamento Europeu, eleito nas listas da CDU, proposto pelo PCP, durante uma intervenção política sobre "solidariedade vs caridade"* na Cooperativa de Habitação do Faralhão.
* o título da intervenção é da minha responsabilidade
Tuesday, June 19, 2007
Sobre as alterações ao Estatuto do Aluno não Superior propostas pelo Governo PS
Como já foi aqui referido, o PS, o PSD, o BE e o CDS-PP apresentaram em conjunto um Projecto de Resolução à Assembleia da República que se afirma como recomendação ao Governo no sentido da minimização de comportamentos de risco e violentos em meio escolar. Na sequência desse Projecto de Resolução, pouco se pode esperar que aconteça já que mesmo o seu agendamento dificilmente terá lugar.
De facto, uma das poucas consequências que esse Projecto de Resolução pode ter é legitimar a acção governativa que agora se nos apresenta como milagreira solução para os problemas da indisciplina.
Não terá passado despercebida a ninguém a campanha brutal que Governo e Comunicação Social, com uma ajudinha do Parlamento, levaram a cabo para agigantar a dimensão dos fenómenos de violência escolar e de indisciplina. Em poucas semanas, as televisões e jornais promoveram a ideia de que as escolas portuguesas são ambientes de guerra permanente, em que os assaltos e as agressões são acontecimentos banais. Foi cultivado um cenário de permanente desrespeito pelo professor, fazendo com que as vozes do tempo do fascismo viessem espalhar aos quatro ventos as virtudes da palmatória para fazer frente a essa libertinagem que grassa por aí entre os estudantes, vândalos que são como todos sabemos.
Criada e alimentada que foi, portanto, a ideia de que as escolas portuguesas são um antro de comportamentos violentos e de risco, importava agora criar e alimentar uma outra ideia: a de que o professor é permanentemente desautorizado pelos estudantes devassos e pela lei burocrática. Está montado o cenário para uma operação política justificada. Criou-se o caldo de cultura necessário às medidas que o Governo já tinha previstas – simples. No dia em que a Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura se deslocou a escolas públicas em Lisboa e Porto no âmbito do seu Grupo de Trabalho para a Violência nas Escolas, já a Ministra da Educação anunciava na rádio que estava a finalizar um documento que iria resolver o problema. Aliás, seria necessária ingenuidade a mais para achar que o Grupo Parlamentar do PS, o Presidente da Comissão de Educação e a Ministra, não teriam combinado a estratégia para fazer aprovar o texto que agora o Governo apresenta – a Proposta de Lei 140/X – altera o Estatuto do Aluno do Ensino não Superior.
Aí estão os resultados do trabalho articulado entre Governo, Comunicação Social e Comissão Parlamentar de Educação, com o contributo do partido do Governo, do PSD, do BE e do CDS, que embarcaram sem cerimónias no teatro, cujo encenador é o próprio Estado Burguês.
A questão ideológica, central portanto, que está em causa é a do papel do Estado na eliminação das assimetrias e dos conflitos sociais, também pela via da Educação. Terá o Estado o dever de garantir a eliminação das injustiças sociais que originam os cenários de violência, reproduzindo os fenómenos sociais que caracterizam as relações humanas no seio da sociedade capitalista. A promoção da competição, do individualismo, da dominação, ao invés da cooperação, do humanismo e da convivência; é hoje um constante resultado do próprio modelo social em que nos organizamos. Agir contra a violência em qualquer meio, mesmo o escolar, não pode partir de uma perspectiva meramente sancionatória e autoritária, varrendo os problemas para o plano da insignificância no plano do espectro visível da burguesia, ou seja, agravando-o no espectro visível das camadas mais pobres da população, as do proletariado e do lumpenproletariat.
O que este Governo do Partido Socialista faz, no entanto, é exactamente isso. A forma milagreira como promove a autoridade e a vigilância são bem demonstrativas da sua perspectiva de classe. As sanções e “medidas correctivas” que a Ministra da Educação apresenta como capazes de vir a diminuir a indisciplina mais são senão as medidas necessárias para fazer desaparecer o problema de dentro das escolas de elite, mesmo que isso signifique, na realidade, o agravamento do problema no conjunto da sociedade, agudizando a exclusão social, o insucesso e abandono escolar, motivando uma sociedade cada vez mais violenta e menos democrática.
A perspectiva de classe do Governo toma o partido da burguesia e da exclusão social, garantindo mais um passo na elitização do acesso à educação e à cultura.
A desresponsabilização do Estado perante a Educação, por um lado, perante as assimetrias e injustiças sociais, por outro, deixa um problema por resolver que é o de quem assume, então, as responsabilidades. A forma engenhosa como o Governo vem anunciar o reforço da autoridade do professor (curiosamente fá-lo por decreto depois de lhes ter diminuído a carreira ao plano da insignificância social) acaba por ser mais uma forma de desresponsabilizar o próprio Estado.
Ora, o professor passa a ser o culpado e o responsável pela situação de indisciplina sempre que não tiver capacidade de implementar o regime autoritário que a Proposta de Lei prevê. Primeira etapa de desresponsabilização do Estado – cumprida.
Claro que o estudante é alvo de uma campanha ofensiva brutal pela via deste novo estatuto que mais não vem senão agravar o original. O estudante é o problema, retirando-o da escola, o problema desaparece. Tal é a perspectiva do Governo perante uma matéria tão importante. As medidas “correctivas” propostas vão ao ridículo de ser autênticas sanções sem qualquer carácter pedagógico – desde impedimento de participação em actividades extra-curriculares a proibição de utilização de equipamentos escolares. (o menino João portou-se mal já não pode usar o computador da biblioteca!).
O Governo responsabiliza assim o Estudante e o Professor, numa atitude que acaba por ter um efeito meramente dissimulador da realidade. Na verdade os problemas agravar-se-ão, mas não importa. Importa é a conquista do Governo – a ideológica e pragmática: desresponsabilizar o Estado pela Educação e garantir a sua elitização, diferenciada entre escolas e graus de Ensino.
Entretanto o PCP, apresentou um Projecto de Resolução sobre a mesma matéria, mas na perspectiva de classe diametralmente oposta.
De facto, uma das poucas consequências que esse Projecto de Resolução pode ter é legitimar a acção governativa que agora se nos apresenta como milagreira solução para os problemas da indisciplina.
Não terá passado despercebida a ninguém a campanha brutal que Governo e Comunicação Social, com uma ajudinha do Parlamento, levaram a cabo para agigantar a dimensão dos fenómenos de violência escolar e de indisciplina. Em poucas semanas, as televisões e jornais promoveram a ideia de que as escolas portuguesas são ambientes de guerra permanente, em que os assaltos e as agressões são acontecimentos banais. Foi cultivado um cenário de permanente desrespeito pelo professor, fazendo com que as vozes do tempo do fascismo viessem espalhar aos quatro ventos as virtudes da palmatória para fazer frente a essa libertinagem que grassa por aí entre os estudantes, vândalos que são como todos sabemos.
Criada e alimentada que foi, portanto, a ideia de que as escolas portuguesas são um antro de comportamentos violentos e de risco, importava agora criar e alimentar uma outra ideia: a de que o professor é permanentemente desautorizado pelos estudantes devassos e pela lei burocrática. Está montado o cenário para uma operação política justificada. Criou-se o caldo de cultura necessário às medidas que o Governo já tinha previstas – simples. No dia em que a Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura se deslocou a escolas públicas em Lisboa e Porto no âmbito do seu Grupo de Trabalho para a Violência nas Escolas, já a Ministra da Educação anunciava na rádio que estava a finalizar um documento que iria resolver o problema. Aliás, seria necessária ingenuidade a mais para achar que o Grupo Parlamentar do PS, o Presidente da Comissão de Educação e a Ministra, não teriam combinado a estratégia para fazer aprovar o texto que agora o Governo apresenta – a Proposta de Lei 140/X – altera o Estatuto do Aluno do Ensino não Superior.
Aí estão os resultados do trabalho articulado entre Governo, Comunicação Social e Comissão Parlamentar de Educação, com o contributo do partido do Governo, do PSD, do BE e do CDS, que embarcaram sem cerimónias no teatro, cujo encenador é o próprio Estado Burguês.
A questão ideológica, central portanto, que está em causa é a do papel do Estado na eliminação das assimetrias e dos conflitos sociais, também pela via da Educação. Terá o Estado o dever de garantir a eliminação das injustiças sociais que originam os cenários de violência, reproduzindo os fenómenos sociais que caracterizam as relações humanas no seio da sociedade capitalista. A promoção da competição, do individualismo, da dominação, ao invés da cooperação, do humanismo e da convivência; é hoje um constante resultado do próprio modelo social em que nos organizamos. Agir contra a violência em qualquer meio, mesmo o escolar, não pode partir de uma perspectiva meramente sancionatória e autoritária, varrendo os problemas para o plano da insignificância no plano do espectro visível da burguesia, ou seja, agravando-o no espectro visível das camadas mais pobres da população, as do proletariado e do lumpenproletariat.
O que este Governo do Partido Socialista faz, no entanto, é exactamente isso. A forma milagreira como promove a autoridade e a vigilância são bem demonstrativas da sua perspectiva de classe. As sanções e “medidas correctivas” que a Ministra da Educação apresenta como capazes de vir a diminuir a indisciplina mais são senão as medidas necessárias para fazer desaparecer o problema de dentro das escolas de elite, mesmo que isso signifique, na realidade, o agravamento do problema no conjunto da sociedade, agudizando a exclusão social, o insucesso e abandono escolar, motivando uma sociedade cada vez mais violenta e menos democrática.
A perspectiva de classe do Governo toma o partido da burguesia e da exclusão social, garantindo mais um passo na elitização do acesso à educação e à cultura.
A desresponsabilização do Estado perante a Educação, por um lado, perante as assimetrias e injustiças sociais, por outro, deixa um problema por resolver que é o de quem assume, então, as responsabilidades. A forma engenhosa como o Governo vem anunciar o reforço da autoridade do professor (curiosamente fá-lo por decreto depois de lhes ter diminuído a carreira ao plano da insignificância social) acaba por ser mais uma forma de desresponsabilizar o próprio Estado.
Ora, o professor passa a ser o culpado e o responsável pela situação de indisciplina sempre que não tiver capacidade de implementar o regime autoritário que a Proposta de Lei prevê. Primeira etapa de desresponsabilização do Estado – cumprida.
Claro que o estudante é alvo de uma campanha ofensiva brutal pela via deste novo estatuto que mais não vem senão agravar o original. O estudante é o problema, retirando-o da escola, o problema desaparece. Tal é a perspectiva do Governo perante uma matéria tão importante. As medidas “correctivas” propostas vão ao ridículo de ser autênticas sanções sem qualquer carácter pedagógico – desde impedimento de participação em actividades extra-curriculares a proibição de utilização de equipamentos escolares. (o menino João portou-se mal já não pode usar o computador da biblioteca!).
O Governo responsabiliza assim o Estudante e o Professor, numa atitude que acaba por ter um efeito meramente dissimulador da realidade. Na verdade os problemas agravar-se-ão, mas não importa. Importa é a conquista do Governo – a ideológica e pragmática: desresponsabilizar o Estado pela Educação e garantir a sua elitização, diferenciada entre escolas e graus de Ensino.
Entretanto o PCP, apresentou um Projecto de Resolução sobre a mesma matéria, mas na perspectiva de classe diametralmente oposta.
Sunday, June 10, 2007
Wednesday, June 06, 2007
A greve, a praga sabuja e o bloco.
A greve geral foi uma poderosa demonstração da força dos trabalhadores. A greve geral envolveu mais de 1 400 000 trabalhadores, contrariando os números de fantochada que o Governo tão prontamente ventilou. Não tivesse esta greve geral sido um sucesso, e o governo colocaria 7 membros do Governo em directos na TV para dar explicações?
1 400 000, mais de.
Este tem sido o Governo que, pelas suas opções de direita - da mais retrógrada -, mais tem motivado a luta de massas. Este período de Governo do PS já foi alvo das maiores contestações de trabalhadores da terra e do mar, das forças de segurança, dos professores e muitos outros. Falta a luta estudantil, dominadas que estão as suas estruturas pela JS. Falta a luta dos estudantes, não que lhe faltem os motivos e pretextos, pelo contrário, mais do que nunca, aí estão. Mas fala mais alto o aparelhismo, a vontade de trajar uma capa traçada, o sabujismo em bicos de pés, fala mais alto a mesquinha vontade de usar uma gravata ao serviço do capital - que ao serviço doutros ninguém se safa.
E fazia falta essa luta, a dos estudantes. Mais cedo que tarde os empoleirados dirigentes serão ultrapassados, por outros, por colegas seus que de amigos nada têm. Virá o dia, e não tão tarde, em que os dirigentes estudantis tornarão a ser os estudantes.
Mas atentos que estão todos os leitores ao título do post, falta o bloco, pois claro.
Também se poderia falar do papel desse grupelho no movimento estudantil, que tanto mancha e corrói.
Mas falemos antes do seu papel na Greve Geral. Na madrugada de 30 de Maio era vê-lo por aí, de sorriso largo e ar doutoral a pavonear-se pelos piquetes de greve, saudando os trabalhadores. O senhor Louçã, coordenador nacional do BE. Por entre trabalhadores de verdades, armado da habitual comitiva de televisões e jornais com quem combinara anteriormente cada um dos seus passinhos, lá andava, lampeiro apertando uma mão aqui outra ali.
Mas que fizeram os "amigos" do BE para o sucesso desta Greve Geral? A posição do BE foi sempre muito clara, embora muito escondida. Mas a bem da verdade, é o facto de ser escondida que a torna clara. O papel fundamental deste grupelho não muda, mudem embora os seus aspectos, as suas causas mediáticas, os seus rostos. Mantém-se aliás bem firme no cumprimento desse papel: fortalecer a reacção, atacando principalmente e com maior ferocidade as estruturas de classe dos trabalhadores, as duas que temos: partido e sindicatos.
É pois, este o papel. Para isso age-se em duas frentes. antes da greve fazem-se uns cartazes, assume-se um compromisso "assim-assim" com a greve. Nas empresas, todavia, anunciam-se aos quatro ventos as complicações das greves, negoceiam-se melhores condições de escravatura, rebaixam-se os trabalhadores ao nível de trastes perante o patrão. (bem ilustra o que digo, as palavras de Louçã no dia da greve à porta da AutoEuropa, as palavras de António Chora no mesmo local e dois dias antes da greve à comunicação social).
Eis senão quando a matriz anti-comunista e reaccionária do BE se assume logo após a greve, fazendo o frete ao Governo e ao patronato, anunciando a medos que a greve foi um fracasso, marcando a sua posição pelo metrónomo dos media e do Governo. O BE em todo o seu esplendor.
Afinal, de que lado fica o BE após dia 30? do lado dos trabalhadores, defendendo a sua luta? do lado da firmeza contra a política de direita do Governo? ou assume que nunca deixou o partido da reacção, juntando ao coro da tristeza?
Para responder temos as declarações na Convenção do BE. Afinal a greve era uma iniciativa do PCP que fragilizou o movimento sindical. Afinal a greve, para o BE não é a luta dos trabalhadores, a que moveu mais de 1 400 000 trabalhadores. É a do Governo, a mesma que mobilizou 7 membros do Governo e, pelos vistos, mais uns poucos amigos.
1 400 000, mais de.
Este tem sido o Governo que, pelas suas opções de direita - da mais retrógrada -, mais tem motivado a luta de massas. Este período de Governo do PS já foi alvo das maiores contestações de trabalhadores da terra e do mar, das forças de segurança, dos professores e muitos outros. Falta a luta estudantil, dominadas que estão as suas estruturas pela JS. Falta a luta dos estudantes, não que lhe faltem os motivos e pretextos, pelo contrário, mais do que nunca, aí estão. Mas fala mais alto o aparelhismo, a vontade de trajar uma capa traçada, o sabujismo em bicos de pés, fala mais alto a mesquinha vontade de usar uma gravata ao serviço do capital - que ao serviço doutros ninguém se safa.
E fazia falta essa luta, a dos estudantes. Mais cedo que tarde os empoleirados dirigentes serão ultrapassados, por outros, por colegas seus que de amigos nada têm. Virá o dia, e não tão tarde, em que os dirigentes estudantis tornarão a ser os estudantes.
Mas atentos que estão todos os leitores ao título do post, falta o bloco, pois claro.
Também se poderia falar do papel desse grupelho no movimento estudantil, que tanto mancha e corrói.
Mas falemos antes do seu papel na Greve Geral. Na madrugada de 30 de Maio era vê-lo por aí, de sorriso largo e ar doutoral a pavonear-se pelos piquetes de greve, saudando os trabalhadores. O senhor Louçã, coordenador nacional do BE. Por entre trabalhadores de verdades, armado da habitual comitiva de televisões e jornais com quem combinara anteriormente cada um dos seus passinhos, lá andava, lampeiro apertando uma mão aqui outra ali.
Mas que fizeram os "amigos" do BE para o sucesso desta Greve Geral? A posição do BE foi sempre muito clara, embora muito escondida. Mas a bem da verdade, é o facto de ser escondida que a torna clara. O papel fundamental deste grupelho não muda, mudem embora os seus aspectos, as suas causas mediáticas, os seus rostos. Mantém-se aliás bem firme no cumprimento desse papel: fortalecer a reacção, atacando principalmente e com maior ferocidade as estruturas de classe dos trabalhadores, as duas que temos: partido e sindicatos.
É pois, este o papel. Para isso age-se em duas frentes. antes da greve fazem-se uns cartazes, assume-se um compromisso "assim-assim" com a greve. Nas empresas, todavia, anunciam-se aos quatro ventos as complicações das greves, negoceiam-se melhores condições de escravatura, rebaixam-se os trabalhadores ao nível de trastes perante o patrão. (bem ilustra o que digo, as palavras de Louçã no dia da greve à porta da AutoEuropa, as palavras de António Chora no mesmo local e dois dias antes da greve à comunicação social).
Eis senão quando a matriz anti-comunista e reaccionária do BE se assume logo após a greve, fazendo o frete ao Governo e ao patronato, anunciando a medos que a greve foi um fracasso, marcando a sua posição pelo metrónomo dos media e do Governo. O BE em todo o seu esplendor.
Afinal, de que lado fica o BE após dia 30? do lado dos trabalhadores, defendendo a sua luta? do lado da firmeza contra a política de direita do Governo? ou assume que nunca deixou o partido da reacção, juntando ao coro da tristeza?
Para responder temos as declarações na Convenção do BE. Afinal a greve era uma iniciativa do PCP que fragilizou o movimento sindical. Afinal a greve, para o BE não é a luta dos trabalhadores, a que moveu mais de 1 400 000 trabalhadores. É a do Governo, a mesma que mobilizou 7 membros do Governo e, pelos vistos, mais uns poucos amigos.
Friday, June 01, 2007
in nomine Dei
O papa emite circular interna:
"Se algum dos nossos padres pedófilos tiver em seu poder uma menina inglesa chamada Madeleine, é favor libertá-la.
A Santa Sé tratará com a necessária discrição o benfeitor.
Sua Santidade relembra que seria óptimo para a Instituição que a menina aparecesse depois do teatro que foi obrigada a fazer perante os pais da menina, além do mais, perante a crise em que se encontra, a Fé seria significativamente reforçada por esse milagre histórico."
"Se algum dos nossos padres pedófilos tiver em seu poder uma menina inglesa chamada Madeleine, é favor libertá-la.
A Santa Sé tratará com a necessária discrição o benfeitor.
Sua Santidade relembra que seria óptimo para a Instituição que a menina aparecesse depois do teatro que foi obrigada a fazer perante os pais da menina, além do mais, perante a crise em que se encontra, a Fé seria significativamente reforçada por esse milagre histórico."
Tuesday, May 29, 2007
GREVE GERAL (é já amanhã)
muito gostaria de escrever sobre os motivos da greve, mas mais não diria que quem a convoca e que todos os que lhe aderem.
por motivos de greve geral, não haverá novos posts até haver balanço e descanso.
por motivos de greve geral, não haverá novos posts até haver balanço e descanso.
Wednesday, May 09, 2007
Friday, May 04, 2007
Como destruir o Associativismo Estudantil autónomo - um guia teórico
Imaginemos, por mera hipótese académica, que o associativismo estudantil representa um obstáculo à destruição do sistema educativo público, porque é uma voz independente e autónoma, que responde perante os estudantes, sem outra intenção que não a da defesa dos seus direitos. Imaginemos, mesmo que só por breves instantes, que os governos portugueses dos últimos anos tinham mesmo a intenção de entregar aos interesses privados a área da Educação, seguindo a orientação conhecida da Organização Mundial do Comércio.
Podemos então deduzir que, no rumo da privatização do Ensino e do desmantelamento do sistema de formação de quadros nacional para a construção, as associações de estudantes podem de facto constituir um obstáculo à política neo-liberal. Porque elas reclamam contra as propinas, contra a falta de qualidade, contra a degradação dos edifícios das instituições, contra a falta de condições de aprendizagem, contra a ausência de bolsas, contra o numerus clausus, contra a inexistência de residências, contra a falta de transportes, porque elas dinamizam o desporto, a cultura, e tantas outras coisas, hipoteticamente incómodas.
Aceitemos, a pedido meu, a hipótese. Poder-se-ia então dizer que, e peço-vos que também aceitem esta nova suposição, as associações de estudantes são um alvo preferencial de intervenção dos partidos que constituem governo.
Talvez neste mundo imaginário e momentâneo, a Juventude Socialista tivesse traçado a orientação de federar o mais possível o associativismo estudantil. Talvez essas suposições justifiquem a orientação política de acabar com as associações de estudante sno plano político e dominar as federações, controlando assim o papel das associações estudantis nesse plano.
Seria um mundo imaginário feio. sem associações de estudantes, apenas com estruturas distantes e poderosoas, verdadeiras empresas da política e das semanas académicas, à mercê exclusivamente dos grandes movimentos partidários da juventude.
Num mundo imaginário assim, não existiriam Associações de Estudantes nas faculdades da Universidade de Lisboa, apenas algo chamado (quem sabe...) Associação Académica da Universidade de Lisboa. Uma coisa que afastasse tanto tanto a estrutura dos estudantes que eles próprios não conseguiriam nunc candidatar-se sem o apoio, mais ou menos expícito de uma juventude partidária.
Imaginemos um mundo onde os estudantes já nem sequer têm associações. Têm apenas disputas tristes de poder. o associativismo é substituído pelo partidarismo e pela política dos pequenos. Triste mundo.
facto1: na maior parte dos países da Europa (e mesmo do mundo) já não existe o conceito de associação de estudantes. existem apenas estruturas de poder às quais as forças políticas se candidatam - é o modelo que o Bloco de Esquerda defende em Portugal pela via dos chamados "sindicatos de estudantes".
facto2: em portugal, a js (juventude socialista?) defende a centralização da representatividade associativa estudantil em grandes estruturas semelhantes a federações no plano nacional, e a académicas no plano da universidade. Nesse sentido, a JS tem defendido através das suas posições no movimento associativo, a criação de uma federação de associações de estudantes do Ensino Universitário Público que retire ao ENDA (Encontro Nacional de Direcções Associativas) a capacidade de definir seja o que for.
especulação muito séria: será por isto que, contra a vontade de muitas AAEE da Universidade de Lisboa e nas costas da esmagadora maioria dos estudantes, um grupo anda a querer fazer crer que existe um AAUL e para a qual até já há listas e eleições marcadas?
opinião: a lei está feita à medida do separatismo estudantil, da autofagia associativa. temos pena por isso lutámos sempre contra ela. no entanto, neste caso, mesmo à luz desta lei do associativismo jovem que não vale nada, esta tal de AAUL é manifestamente ilegal.
Podemos então deduzir que, no rumo da privatização do Ensino e do desmantelamento do sistema de formação de quadros nacional para a construção, as associações de estudantes podem de facto constituir um obstáculo à política neo-liberal. Porque elas reclamam contra as propinas, contra a falta de qualidade, contra a degradação dos edifícios das instituições, contra a falta de condições de aprendizagem, contra a ausência de bolsas, contra o numerus clausus, contra a inexistência de residências, contra a falta de transportes, porque elas dinamizam o desporto, a cultura, e tantas outras coisas, hipoteticamente incómodas.
Aceitemos, a pedido meu, a hipótese. Poder-se-ia então dizer que, e peço-vos que também aceitem esta nova suposição, as associações de estudantes são um alvo preferencial de intervenção dos partidos que constituem governo.
Talvez neste mundo imaginário e momentâneo, a Juventude Socialista tivesse traçado a orientação de federar o mais possível o associativismo estudantil. Talvez essas suposições justifiquem a orientação política de acabar com as associações de estudante sno plano político e dominar as federações, controlando assim o papel das associações estudantis nesse plano.
Seria um mundo imaginário feio. sem associações de estudantes, apenas com estruturas distantes e poderosoas, verdadeiras empresas da política e das semanas académicas, à mercê exclusivamente dos grandes movimentos partidários da juventude.
Num mundo imaginário assim, não existiriam Associações de Estudantes nas faculdades da Universidade de Lisboa, apenas algo chamado (quem sabe...) Associação Académica da Universidade de Lisboa. Uma coisa que afastasse tanto tanto a estrutura dos estudantes que eles próprios não conseguiriam nunc candidatar-se sem o apoio, mais ou menos expícito de uma juventude partidária.
Imaginemos um mundo onde os estudantes já nem sequer têm associações. Têm apenas disputas tristes de poder. o associativismo é substituído pelo partidarismo e pela política dos pequenos. Triste mundo.
facto1: na maior parte dos países da Europa (e mesmo do mundo) já não existe o conceito de associação de estudantes. existem apenas estruturas de poder às quais as forças políticas se candidatam - é o modelo que o Bloco de Esquerda defende em Portugal pela via dos chamados "sindicatos de estudantes".
facto2: em portugal, a js (juventude socialista?) defende a centralização da representatividade associativa estudantil em grandes estruturas semelhantes a federações no plano nacional, e a académicas no plano da universidade. Nesse sentido, a JS tem defendido através das suas posições no movimento associativo, a criação de uma federação de associações de estudantes do Ensino Universitário Público que retire ao ENDA (Encontro Nacional de Direcções Associativas) a capacidade de definir seja o que for.
especulação muito séria: será por isto que, contra a vontade de muitas AAEE da Universidade de Lisboa e nas costas da esmagadora maioria dos estudantes, um grupo anda a querer fazer crer que existe um AAUL e para a qual até já há listas e eleições marcadas?
opinião: a lei está feita à medida do separatismo estudantil, da autofagia associativa. temos pena por isso lutámos sempre contra ela. no entanto, neste caso, mesmo à luz desta lei do associativismo jovem que não vale nada, esta tal de AAUL é manifestamente ilegal.
Sunday, April 29, 2007
as várias formas de fascismo
eu posso não estar de acordo com a opção dos grupos que convocaram a manifestação da praça da figueira para o 25 de Abril. Eu, pelo menos, não optaria por esta forma de luta à margem das massas. No entanto, respeito a opção e reconheço-lhe toda a legitimidade para, como entendeu, manifestar o desagrado para com o benevolente tratamento que os fascistas têm tido na praça pública e nas esferas do poder político.
não deixo de manifestar a minha solidariedade para com os jovens agredidos!
não deixo de manifestar a minha profunda revolta para com o simples facto de os nazis poderem fazer o que querem sem qualquer medida policial ou política enquanto um grupo de jovens que decide manifestar-se contra essa desavergonhada vara nazi, leva uma carga policial brutalmente agressiva em cima. Há fascistas na Polícia de Segurança Pública.
Um polícia gritava enquanto batia: "Comunas do caralho!", outro comentava "os nazis não se portam assim!".
Mas que merda de Estado é este que permite que um agente da autoridade grite "comunas do caralho" enquanto espanca um cidadão!? Que Polícia de Segurança Pública permite que aqueles que querem destruir a Constituição da República, a própria democracia, sejam seus membros?
Todos contra o fascismo. todos! e não seremos muitos!
não deixo de manifestar a minha solidariedade para com os jovens agredidos!
não deixo de manifestar a minha profunda revolta para com o simples facto de os nazis poderem fazer o que querem sem qualquer medida policial ou política enquanto um grupo de jovens que decide manifestar-se contra essa desavergonhada vara nazi, leva uma carga policial brutalmente agressiva em cima. Há fascistas na Polícia de Segurança Pública.
Um polícia gritava enquanto batia: "Comunas do caralho!", outro comentava "os nazis não se portam assim!".
Mas que merda de Estado é este que permite que um agente da autoridade grite "comunas do caralho" enquanto espanca um cidadão!? Que Polícia de Segurança Pública permite que aqueles que querem destruir a Constituição da República, a própria democracia, sejam seus membros?
Todos contra o fascismo. todos! e não seremos muitos!
Wednesday, April 25, 2007
as teses da nova(velha) ordem fascista
Hoje fomos presenteados com o discurso dos senhores. A tribuna da Assembleia da República vomitou mais umas palavras horripilantes para nos lembrar, os fracassos de Abril e a contra-revolução (ainda) em marcha.
Claro que me refiro aos senhores que ali se arrastam pela direita, principalmente os que se prostram aos ditames do capital da forma mais dissimulada. Que o CDS acarinha o passado e o bolor da nossa história recente, que o CDS acha que o 25 de Novembro foi o momento libertador para o país, já todos sabemos e não é com espanto que ano após ano ouvimos o discurso do bafio obscuro desta direita infeliz que tenta governar a embarcação perdida da chamada "democracia-cristã".
O que nem todos sabemos é que há uma direita que se vai refinando, dando resposta às novas exigências ideológicas que se colocam ao avanço do capitalismo, na melhor utilização que se conhece da ilusão, do idealismo e da manipulação.
1. Discurso do Partido Socialista sobre o 25 de Abril: não tocou uma vez que fosse nos direitos materiais e imateriais que a revolução proporcionou, não ousou relevar as caracerísticas opressoras do fascismo. Uma intervenção infectada de verbos de encher, à boa maneira de quem diz poesia para encantar os ignorantes. Uma intervenção de retalhos, longe da realidade do país, incapaz de alertar para os perigos que a nossa pobre e limitada democracia corre. A Senhora Deputada Maria de Belém trouxe-nos infindas citações de franceses, ingleses, professores, poetas, escritores, e outros académicos que teimam em reescrever a história fingindo creatividade, para não reconhecerem que o código interpretativo da nossa história está escrito no materialismo e na dialéctica e no olhar atento à luta de classes.
2. Discurso do Cavaco: este senhor, usando da sua bela prosa e dicção exemplar, que mais parece um esófago afogueado em dia de ressaca num episódio de refluxo gástrico, trouxe-nos a mais bela das teses, que bem caberia nos textos fascistas dessa fantástica doutrina. O senhor presidente da república anunciou hoje o seguinte: "os jovens são o futuro do país". Pasme! em conjunto deliremos perante esta iluminada afirmação, longe que está do lugar-comum e daqueles que teimam em negar à juventude o presente, relegando-lhe sempre apenas o futuro, o inatingível futuro.
Mas não foi apenas esta a mensagem que nos deixou o presidente.
Disse-nos também que a liberdade aí está para quem a quiser usar. Que durante as suas viagens tem visto muitos jovens usá-la da melhor forma, empreendedores, capazes de vingar num mundo tão exigente. Disse-nos nos entretantos que o 25 de Abril estava estafado, que era apenas um feriado, um ritual enfadonho.
O presidente acha que a juventude não se deve resignar, que deve usar do seu afamado inconformismo para romper com o status quo. De facto, as palavras em si, não encerram o seu próprio significado. Atentemos à tese aqui veiculada.
Os jovens devem ser empreendedores e usar a liberdade: aqueles jovens que estão desempregados, mesmo que licenciados, aqueloutros que trabalham a recibos verdes, ou em regime de trabalho temporário a troco de 400 euros por mês, aqueles que não têm casa e vivem já sem vontade na casa dos pais, aqueles que não têm dinheiro para continuar os estudos, aqueles que vivem no interior sem saber sequer o que é uma escola, aqueles que vivem em casa a tratar dos pais doentes, e tantos outros que somam a grande maioria, vivem nestas condições por um único motivo: não querem ser livres, não usam a liberdade. Nunca deixa de me surpreender as formas que o capital desencanta para nos enganar, nos dar baile.
Pelo caminho, ficámos a saber que, para o presidente, a liberdade não tem donos, é de todos, dos ricos e dos pobres, dos patrões e dos trabalhadores, afinal de contas da grande nação que somos todos nós. (não sendo isto idealismo fascizante o que será?)
Escusado será dizer que este presidente conseguiu ludibriar-nos de tal forma entre palavras ofensivas contra a juventude que acabou por não tocar no papel do Governo. O que está mal, está porque não sabemos, principalmente os jovens, usar a liberdade.
3. curiosidade - discurso do Bloco de Esquerda: a senhora deputada do Bloco de Esquerda, Helena Pinto, deixou-nos as seguintes pérolas:
"não podemos permitir o branqueamento do Estado Novo"
"não perimitiremos que nos apaguem a memória"
estranho... porque não "fascismo" em vez de "Estado Novo"(relembro que este era o nome que o regime fascista dava a si próprio), porque não "resitência anti-fascista histórica" em vez de "memória"? é que com isto, conseguiram, de facto, não referir uma única vez a palavra "fascismo" nem dirigir-se por uma vez ao povo. "memória"... palavra inócua essa...
Claro que me refiro aos senhores que ali se arrastam pela direita, principalmente os que se prostram aos ditames do capital da forma mais dissimulada. Que o CDS acarinha o passado e o bolor da nossa história recente, que o CDS acha que o 25 de Novembro foi o momento libertador para o país, já todos sabemos e não é com espanto que ano após ano ouvimos o discurso do bafio obscuro desta direita infeliz que tenta governar a embarcação perdida da chamada "democracia-cristã".
O que nem todos sabemos é que há uma direita que se vai refinando, dando resposta às novas exigências ideológicas que se colocam ao avanço do capitalismo, na melhor utilização que se conhece da ilusão, do idealismo e da manipulação.
1. Discurso do Partido Socialista sobre o 25 de Abril: não tocou uma vez que fosse nos direitos materiais e imateriais que a revolução proporcionou, não ousou relevar as caracerísticas opressoras do fascismo. Uma intervenção infectada de verbos de encher, à boa maneira de quem diz poesia para encantar os ignorantes. Uma intervenção de retalhos, longe da realidade do país, incapaz de alertar para os perigos que a nossa pobre e limitada democracia corre. A Senhora Deputada Maria de Belém trouxe-nos infindas citações de franceses, ingleses, professores, poetas, escritores, e outros académicos que teimam em reescrever a história fingindo creatividade, para não reconhecerem que o código interpretativo da nossa história está escrito no materialismo e na dialéctica e no olhar atento à luta de classes.
2. Discurso do Cavaco: este senhor, usando da sua bela prosa e dicção exemplar, que mais parece um esófago afogueado em dia de ressaca num episódio de refluxo gástrico, trouxe-nos a mais bela das teses, que bem caberia nos textos fascistas dessa fantástica doutrina. O senhor presidente da república anunciou hoje o seguinte: "os jovens são o futuro do país". Pasme! em conjunto deliremos perante esta iluminada afirmação, longe que está do lugar-comum e daqueles que teimam em negar à juventude o presente, relegando-lhe sempre apenas o futuro, o inatingível futuro.
Mas não foi apenas esta a mensagem que nos deixou o presidente.
Disse-nos também que a liberdade aí está para quem a quiser usar. Que durante as suas viagens tem visto muitos jovens usá-la da melhor forma, empreendedores, capazes de vingar num mundo tão exigente. Disse-nos nos entretantos que o 25 de Abril estava estafado, que era apenas um feriado, um ritual enfadonho.
O presidente acha que a juventude não se deve resignar, que deve usar do seu afamado inconformismo para romper com o status quo. De facto, as palavras em si, não encerram o seu próprio significado. Atentemos à tese aqui veiculada.
Os jovens devem ser empreendedores e usar a liberdade: aqueles jovens que estão desempregados, mesmo que licenciados, aqueloutros que trabalham a recibos verdes, ou em regime de trabalho temporário a troco de 400 euros por mês, aqueles que não têm casa e vivem já sem vontade na casa dos pais, aqueles que não têm dinheiro para continuar os estudos, aqueles que vivem no interior sem saber sequer o que é uma escola, aqueles que vivem em casa a tratar dos pais doentes, e tantos outros que somam a grande maioria, vivem nestas condições por um único motivo: não querem ser livres, não usam a liberdade. Nunca deixa de me surpreender as formas que o capital desencanta para nos enganar, nos dar baile.
Pelo caminho, ficámos a saber que, para o presidente, a liberdade não tem donos, é de todos, dos ricos e dos pobres, dos patrões e dos trabalhadores, afinal de contas da grande nação que somos todos nós. (não sendo isto idealismo fascizante o que será?)
Escusado será dizer que este presidente conseguiu ludibriar-nos de tal forma entre palavras ofensivas contra a juventude que acabou por não tocar no papel do Governo. O que está mal, está porque não sabemos, principalmente os jovens, usar a liberdade.
3. curiosidade - discurso do Bloco de Esquerda: a senhora deputada do Bloco de Esquerda, Helena Pinto, deixou-nos as seguintes pérolas:
"não podemos permitir o branqueamento do Estado Novo"
"não perimitiremos que nos apaguem a memória"
estranho... porque não "fascismo" em vez de "Estado Novo"(relembro que este era o nome que o regime fascista dava a si próprio), porque não "resitência anti-fascista histórica" em vez de "memória"? é que com isto, conseguiram, de facto, não referir uma única vez a palavra "fascismo" nem dirigir-se por uma vez ao povo. "memória"... palavra inócua essa...
Soja ou Vacas?
quando é que esta malta percebe que o problema não está na natureza da exploração agrícola ou pecuária? está na natureza dos métodos e das relações de produção!
http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2007/abr/24/340.htm
http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2007/abr/24/340.htm
"documento de apoio ao post anterior"
Que fique claro então e peço desculpa por assim não ter ficado logo. O que foi votado na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura durante a tarde de dia 24 de Abril foram as conclusões e parecer de um relatório produzido pela Senhora Deputada Fernanda Aceisseira (do PS) e que visava concluir e sistematizar as iniciativas da Comissão através de um Grupo de Trabalho para as questões da Violência nas Escolas.
O Grupo Parlamentar do PCP apontou o facto de o relatório conter um parecer demasiadamente parcial, e sugeriu que fosse limpo de orientações políticas, limitando-se a identificar os problemas para que os grupos parlamentares pudessem, como entendessem, interpretá-los, tomando assim as posições ou iniciativas que entendessem, tal como acontece na generalidade dos relatórios.
O CDS-PP, o BE, o PS e o PSD votaram contra a proposta do PCP e o PEV esteve ausente da votação.
De seguida, tendo sido chumbada a proposta do PCP, os restantes partidos presentes aprovaram a seguinte lista de medidas entre outras, que por constarem das conclusõese não do parecer, me escusarei a enunciar:
"d) Elaborar iniciativa legislativa, na forma de Resolução, a subscrever pelos Grupos Parlamentares que o entendam fazer, visando o tema «A Segurança nas Escolas», na sequência das conclusões apresentadas, recomendando ao Governo a adopção de medidas, que visem contribuir para melhorar a resposta das escolas e da sociedade na prevenção de comportamentos de risco, proporcionando ambientes mais seguros e promovendo o sucesso escolar para todos(as) os(as) alunos(as), destacando as seguintes:
1- Promover as condições de contratualização com as Escolas que apresentem indicadores passíveis de serem integradas em contextos sócio educativos desfavorecidos e/ou com maiores índices de insegurança, tendo como objectivo o devido apetrechamento de meios, equipamentos e recursos como forma de contribuir para a integração de todos os alunos e para a melhoria da resultados escolares;
2- Desenvolver políticas promotoras da autoridade, do respeito e da responsabilidade, efectiva dos professores e da escola.
3- Promover medidas que reforçam a vertente da organização e gestão das escolas, nomeadamente ao nível da autonomia e das competências, com o respectivo acompanhamento e rigor na avaliação;
4- Contribuir para o desenvolvimento da dimensão pedagógica nas escolas, valorização da dimensão sócio-cultural e orientação escolar e profissional, , contribuindo com o reforço da dinâmica das redes de parceria locais. para uma intervenção global junto dos alunos e suas famílias;
5- Reforçar a componente de psicologia e orientação, dimensionando-a às reais necessidades e tendo em atenção os fenómenos da indisciplina e da violência;
6- Reforçar a instalação, aplicação e utilização dos meios electrónicos nas escolas, como forma de informação, comunicação e prevenção da segurança de pessoas e bens, com plena garantia dos direitos e liberdades dos vários agentes educativos;
7- Promover o desenvolvimento de acções de segurança de proximidade, em estreita articulação com os vários intervenientes da comunidade escolar e local;
8- Estabelecer redes de parceria e dinâmicas locais eficazes, facilitadoras e integradoras da informação nas áreas da educação, da acção social, da saúde e da segurança, com o importante envolvimento das autarquias, para que se actue na sinalização, na prevenção e no acompanhamento de comportamentos de risco dos alunos e das famílias;
9- Sensibilizar os estabelecimentos de ensino superior para a importância de integrar nos currículos dos cursos de formação inicial de professores a temática das Relações Interpessoais, nomeadamente na área da mediação e prevenção de conflitos em meio escolar;
10- Promover módulos de formação contínua no âmbito da gestão e prevenção de conflitos em meio escolar para professores e auxiliares de acção educativa;
11- Apostar na requalificação de espaços e equipamentos escolares degradados, na construção de novos e respectivas áreas envolventes, valorizando nos respectivos projectos, critérios arquitectónicos, ambientais e outros, que evidenciem requisitos promotores de ambientes seguros e de estilos saudáveis de vida;
12- Divulgar de forma regular e sistemática as «Boas Práticas» desenvolvidas pelas escolas, na manutenção diária de contextos escolares seguros e na implementação dos respectivos Projectos Educativos para a promoção do sucesso escolar dos seus alunos."
Sabendo já que a ministra vai apresentar um novo estatuto do estudante não superior que visa, segundo a própria, reforçar a autoridade do professor, mas que vem na prática aumentar o carácter punitivo das medidas perante a violência e indisciplina, escusou-se o PCP a apadrinhar tal iniciativa, tal como se escusou a fazer o número mediático do tudo vai bem, assinando de cruz como outros fizeram um documento do mais alto teor hipócrita. Vejamos: seria justo o PCP e PSD assinarem e votarem favoravelmente um documento que diz que é precisa uma nova lei de autonomia, quando sabemos que defendem o contrário nesta matéria? Seria justo, a bem do bonito (mas inconsequente) consenso parlamentar, o PCP assinar e votar favoravelmente um documento que aponta para a generalização dos meios de vidoe-vigilância e de controlo pessoal do estudantes como forma de responder à violência escolar, ignorando que a violência é um fenómeno da sociedade, amplificado pelas injustiças e contradições do sistema capitalista, apenas escondendo e reprimindo ou expulsando aqueles que são os filhos das injustiças?
resultado final:
Conclusões: a favor - PSD, PS, CDS e BE; abstenção - PCP
Parecer (alínea d): a favor - PSD, CDS, PS e BE; abstenção - PCP.
para mais informações, à disposição, claro!
O Grupo Parlamentar do PCP apontou o facto de o relatório conter um parecer demasiadamente parcial, e sugeriu que fosse limpo de orientações políticas, limitando-se a identificar os problemas para que os grupos parlamentares pudessem, como entendessem, interpretá-los, tomando assim as posições ou iniciativas que entendessem, tal como acontece na generalidade dos relatórios.
O CDS-PP, o BE, o PS e o PSD votaram contra a proposta do PCP e o PEV esteve ausente da votação.
De seguida, tendo sido chumbada a proposta do PCP, os restantes partidos presentes aprovaram a seguinte lista de medidas entre outras, que por constarem das conclusõese não do parecer, me escusarei a enunciar:
"d) Elaborar iniciativa legislativa, na forma de Resolução, a subscrever pelos Grupos Parlamentares que o entendam fazer, visando o tema «A Segurança nas Escolas», na sequência das conclusões apresentadas, recomendando ao Governo a adopção de medidas, que visem contribuir para melhorar a resposta das escolas e da sociedade na prevenção de comportamentos de risco, proporcionando ambientes mais seguros e promovendo o sucesso escolar para todos(as) os(as) alunos(as), destacando as seguintes:
1- Promover as condições de contratualização com as Escolas que apresentem indicadores passíveis de serem integradas em contextos sócio educativos desfavorecidos e/ou com maiores índices de insegurança, tendo como objectivo o devido apetrechamento de meios, equipamentos e recursos como forma de contribuir para a integração de todos os alunos e para a melhoria da resultados escolares;
2- Desenvolver políticas promotoras da autoridade, do respeito e da responsabilidade, efectiva dos professores e da escola.
3- Promover medidas que reforçam a vertente da organização e gestão das escolas, nomeadamente ao nível da autonomia e das competências, com o respectivo acompanhamento e rigor na avaliação;
4- Contribuir para o desenvolvimento da dimensão pedagógica nas escolas, valorização da dimensão sócio-cultural e orientação escolar e profissional, , contribuindo com o reforço da dinâmica das redes de parceria locais. para uma intervenção global junto dos alunos e suas famílias;
5- Reforçar a componente de psicologia e orientação, dimensionando-a às reais necessidades e tendo em atenção os fenómenos da indisciplina e da violência;
6- Reforçar a instalação, aplicação e utilização dos meios electrónicos nas escolas, como forma de informação, comunicação e prevenção da segurança de pessoas e bens, com plena garantia dos direitos e liberdades dos vários agentes educativos;
7- Promover o desenvolvimento de acções de segurança de proximidade, em estreita articulação com os vários intervenientes da comunidade escolar e local;
8- Estabelecer redes de parceria e dinâmicas locais eficazes, facilitadoras e integradoras da informação nas áreas da educação, da acção social, da saúde e da segurança, com o importante envolvimento das autarquias, para que se actue na sinalização, na prevenção e no acompanhamento de comportamentos de risco dos alunos e das famílias;
9- Sensibilizar os estabelecimentos de ensino superior para a importância de integrar nos currículos dos cursos de formação inicial de professores a temática das Relações Interpessoais, nomeadamente na área da mediação e prevenção de conflitos em meio escolar;
10- Promover módulos de formação contínua no âmbito da gestão e prevenção de conflitos em meio escolar para professores e auxiliares de acção educativa;
11- Apostar na requalificação de espaços e equipamentos escolares degradados, na construção de novos e respectivas áreas envolventes, valorizando nos respectivos projectos, critérios arquitectónicos, ambientais e outros, que evidenciem requisitos promotores de ambientes seguros e de estilos saudáveis de vida;
12- Divulgar de forma regular e sistemática as «Boas Práticas» desenvolvidas pelas escolas, na manutenção diária de contextos escolares seguros e na implementação dos respectivos Projectos Educativos para a promoção do sucesso escolar dos seus alunos."
Sabendo já que a ministra vai apresentar um novo estatuto do estudante não superior que visa, segundo a própria, reforçar a autoridade do professor, mas que vem na prática aumentar o carácter punitivo das medidas perante a violência e indisciplina, escusou-se o PCP a apadrinhar tal iniciativa, tal como se escusou a fazer o número mediático do tudo vai bem, assinando de cruz como outros fizeram um documento do mais alto teor hipócrita. Vejamos: seria justo o PCP e PSD assinarem e votarem favoravelmente um documento que diz que é precisa uma nova lei de autonomia, quando sabemos que defendem o contrário nesta matéria? Seria justo, a bem do bonito (mas inconsequente) consenso parlamentar, o PCP assinar e votar favoravelmente um documento que aponta para a generalização dos meios de vidoe-vigilância e de controlo pessoal do estudantes como forma de responder à violência escolar, ignorando que a violência é um fenómeno da sociedade, amplificado pelas injustiças e contradições do sistema capitalista, apenas escondendo e reprimindo ou expulsando aqueles que são os filhos das injustiças?
resultado final:
Conclusões: a favor - PSD, PS, CDS e BE; abstenção - PCP
Parecer (alínea d): a favor - PSD, CDS, PS e BE; abstenção - PCP.
para mais informações, à disposição, claro!
Tuesday, April 24, 2007
chantilly
É impressioante verificar nos actos, as teorias que vamos, ao longo dos tempos, formulando. É impressionante como se comprovam determinadas hipóteses com a persistente afirmação de uma realidade que teima em dar-nos razão.
O comportamento de uma esquerda que já não é sequer nata, é chantilly, porque se vem refinando, é um caso digno de estudo objectivo para avisar a malta, sim porque é preciso avisar. Mais que nunca é preciso avisar.
É verdade que temos uma esquerda jovem, irreverente e revolucionária na política portuguesa, com representação no seio da nossa tão querida assembleia da república, uma esquerda criativa, capaz de dar as respostas novas ao que é novo, mas saber admitir com seriedade que se devem manter as perspectivas perante cenários que se mantêm inalterados, ao invés de permanentemente buscar a sensação, o mediatismo, o facilitismo.
Também é verdade que temos uma esquerda de direita, uma esquerda mentirosa, falsa, próxima dos anelídeos(*) no que toca à ausência da espinha dorsal, mas ainda mais próxima dos nematelmintes(**) pela óbvia semelhança parasítica.
Não deixa, no entanto de ser verdade que também existe o Bloco de Esquerda, famigerado produto dos impactos mais ou menos passageiros da sua intervenção mediática, já que outras não se lhe conhecem a não ser a já fatigante, mas reconhecidamente perseverante, atitude anticomunista e anti-sindicalista.
Deste vos venho falar, breve prometo, para não entediar amigos e amigas que por aqui possam passar.
Teve lugar hoje mesmo, há menos de um par de horas, a reunião da Comissão Parlamentar de Ciência, Educação e Cultura, onde se discutia, entre outras matérias, a violência nas escolas. Pois havia decidido aquela mesma comissão há uns tempos atrás quando corria o mês de Janeiro, colocar aquele assunto na agenda, fazendo o óbvio frete a um Governo que se preparava já então para apresentar um novo Estatuto do Estudante não Superior, onde se inclui o estatuto disciplinar do tal estudante, claro está.
Pois é então normal que o PS e o PSD manifestem amplo acordo na definição de uma estratégia central de combate à violência nas escolas, sob a capa da preocupação social e do consenso em torno de questões que se querem tudo menos fracturantes. É então que o PS apresenta um relatório que coloca o Estado como último responsável pela violência nas escolas. Escusado será pois dizer porque lhe reconhece tanto mérito o outro PS, o PSD.
Nada digno de registo. A não ser mesmo o comportamento do Bloco de Esquerda. Da tal esquerda decrépita cuja força motriz nunca deixou de ser o anticomunismo mas a que se vai juntando uma outra, a da cedência galopante aos fascínios da burguesia e do estatuto parlamentar de dizer sempre, não o que é verdade, mas o que fica bem. Ora, tendo em conta que era bem mais fácil votar a favor de tudo quanto ali se dissesse porque afinal de contas, a comunicação social não mostrará as propostas – dirá apenas que se votou um pacote de medidas contra a violência escolar – ingrato seria o papel, como o do PCP, daqueles que optam pela seriedade e pela consistência das suas posições.
Da operação de propaganda hoje montada na Assembleia da República, tristes registos nos ficam. E, no entanto, com tanto para deles aprender.
(*) anelídeos: vermes pertencentes ao Filo Annelida, cuja característica principal é (à parte obviamente de serem invertebrados) terem o corpo segmentado, possuindo muitas vezes os órgaos internos reproduzidos em cada um desses segmentos. Esses segmentos, tendo em conta a natureza cilíndrica do corpo destes animais, têm uma forma anelar, dái o nome do Filo.
(**) Nematelmintes ou nemátodos, são os animais do Filo Nematelminthes, vermes cilíndricos de corpo não segmentado, onde se incluem, entre outros parasitas, as comuns lombrigas.
O comportamento de uma esquerda que já não é sequer nata, é chantilly, porque se vem refinando, é um caso digno de estudo objectivo para avisar a malta, sim porque é preciso avisar. Mais que nunca é preciso avisar.
É verdade que temos uma esquerda jovem, irreverente e revolucionária na política portuguesa, com representação no seio da nossa tão querida assembleia da república, uma esquerda criativa, capaz de dar as respostas novas ao que é novo, mas saber admitir com seriedade que se devem manter as perspectivas perante cenários que se mantêm inalterados, ao invés de permanentemente buscar a sensação, o mediatismo, o facilitismo.
Também é verdade que temos uma esquerda de direita, uma esquerda mentirosa, falsa, próxima dos anelídeos(*) no que toca à ausência da espinha dorsal, mas ainda mais próxima dos nematelmintes(**) pela óbvia semelhança parasítica.
Não deixa, no entanto de ser verdade que também existe o Bloco de Esquerda, famigerado produto dos impactos mais ou menos passageiros da sua intervenção mediática, já que outras não se lhe conhecem a não ser a já fatigante, mas reconhecidamente perseverante, atitude anticomunista e anti-sindicalista.
Deste vos venho falar, breve prometo, para não entediar amigos e amigas que por aqui possam passar.
Teve lugar hoje mesmo, há menos de um par de horas, a reunião da Comissão Parlamentar de Ciência, Educação e Cultura, onde se discutia, entre outras matérias, a violência nas escolas. Pois havia decidido aquela mesma comissão há uns tempos atrás quando corria o mês de Janeiro, colocar aquele assunto na agenda, fazendo o óbvio frete a um Governo que se preparava já então para apresentar um novo Estatuto do Estudante não Superior, onde se inclui o estatuto disciplinar do tal estudante, claro está.
Pois é então normal que o PS e o PSD manifestem amplo acordo na definição de uma estratégia central de combate à violência nas escolas, sob a capa da preocupação social e do consenso em torno de questões que se querem tudo menos fracturantes. É então que o PS apresenta um relatório que coloca o Estado como último responsável pela violência nas escolas. Escusado será pois dizer porque lhe reconhece tanto mérito o outro PS, o PSD.
Nada digno de registo. A não ser mesmo o comportamento do Bloco de Esquerda. Da tal esquerda decrépita cuja força motriz nunca deixou de ser o anticomunismo mas a que se vai juntando uma outra, a da cedência galopante aos fascínios da burguesia e do estatuto parlamentar de dizer sempre, não o que é verdade, mas o que fica bem. Ora, tendo em conta que era bem mais fácil votar a favor de tudo quanto ali se dissesse porque afinal de contas, a comunicação social não mostrará as propostas – dirá apenas que se votou um pacote de medidas contra a violência escolar – ingrato seria o papel, como o do PCP, daqueles que optam pela seriedade e pela consistência das suas posições.
Da operação de propaganda hoje montada na Assembleia da República, tristes registos nos ficam. E, no entanto, com tanto para deles aprender.
(*) anelídeos: vermes pertencentes ao Filo Annelida, cuja característica principal é (à parte obviamente de serem invertebrados) terem o corpo segmentado, possuindo muitas vezes os órgaos internos reproduzidos em cada um desses segmentos. Esses segmentos, tendo em conta a natureza cilíndrica do corpo destes animais, têm uma forma anelar, dái o nome do Filo.
(**) Nematelmintes ou nemátodos, são os animais do Filo Nematelminthes, vermes cilíndricos de corpo não segmentado, onde se incluem, entre outros parasitas, as comuns lombrigas.
Wednesday, March 28, 2007
O recrudescimento do fascismo
Nas situações de degradação acentuada e generalizada da qualidade de vida, fruto da intensificação das políticas de direita, a condição dos trabalhadores e da população em geral tende a adoptar posturas de ruptura. A acumulação obscena do lucro num punhado cada vez mais reduzido de elites e grupos económicos significa incontornavelmente um fluxo de riqueza no sentido trabalho -> capital. Consequentemente, o empobrecimento do conjunto dos trabalhadores é a primeira condição para o enriquecimento daqueles que detêm posse sobre os meios de produção.
Nesta senda de acumulação crescente de capital, pela via da apropriação das mais-valias, o patronato não olha a meios para inventar novas formas de exploração que lhe permitam obter uma cada vez maior obtenção de lucro. É nesse sentido que a precariezação do trabalho, o aumento do custo de vida e a destruição dos serviços do Estado, juntamente com o aparelho produtivo nacional e do estado, se encaixam perfeitamente com os desígnios da classe dominante.
Ridículo seria pensar que, em algum momento da história, o regime capitalista poderia dar resposta às necessidades dos trabalhadores já que elas são intrinsecamente contrárias às do grande capital.
No entanto, a classe dominante e os estados que se lhe colocam ao serviço não ignoram a capacidade transformadora dos trabalhadores e têm bem presente que a ruptura pode desenhar-se a qualquer momento no quadro da intensificação da ofensiva contra o povo.
O capitalismo caminha num fio de navalha: como obter dos trabalhadores a maior fatia possível dos frutos do seu trabalho sem desencadear a revolta generalizada. Dois grandes caminhos se mostram à partida e que, conforme o estado da luta operária e progressista de cada país, o capitalismo os trilham, ora um, ora outro.
1. o da social-democracia e da contenção dos objectivos do grande capital, alongando as medidas mais ofensivas no tempo, diluindo o efeito catalizador da revolta, ao mesmo tempo que gradualmente se destroem os serviços centrais dos Estados, nomeadamente a Educação, a Saúde e a Segurança Social.
2. o da repressão física, militar e política aberta dirigida contra as classes exploradas nos países onde o nível de organização destas é mais incipiente ou inexistente.
Claro que, na maior parte dos casos, o capitalismo tem um comportamento intermitente entre um e outro (1 e 2) como forma de gerir os fluxos e refluxos da força dos trabalhadores e dos seus movimentos de massas.
Ainda assim, o capitalismo não consegue sempre gerir as suas crises e contradições internas, ou mesmo a sua relação com a exploração do trabalho. É por isso que, nas situações de crise acentuada, nos circuitos do trabalho que se reflectem, claro, nos circuitos do capital, existe uma tendência para a ruptura com o descontentamento. Mas também aí o capital, através das múltiplas jogadas, tem capacidade de resposta pela via de muitos mecanismos instrumentais, todos eles baseados na ampliação do idealismo, contra o raciocínio objectivo, científico e materialista.
Quer seja pela via da criação de bolsas de contenção do descontentamento organizadas para captar inconsequentemente a criatividade e a força do povo, situadas especialmente na dita "extrema-esquerda" (organizações esquerdistas de carácter profundamente idealista e alinhadas com os desejos da burguesia); quer seja pela via da criação de organizações ou tendências fascistas que aparentemente propõem soluções para os problemas das populações, exaltando os sentimentos mais primários do Ser Humano idealista (como por exemplo deus, pátria, família ou raça, heroísmo, honra, orgulho).
É neste quadro que a atenção tende a recair, orientada pela própria classe dominante, sobre estes movimentos embrionários e profundamente inconsequentes no que toca à transformação da realidade e à superação do sistema e das actuais relações de produção.
Confrontado com a necessidade de manter os seus privilégios, ainda assim garantindo a submissão popular, o capital vê-se instigado a fomentar tendências fascistas que, no seu seio preserva. A ruptura com o actual estado de coisas, obtida pela via do recrudescimento fascista e pela repressão, ainda que exaltando os valores idealistas e etéreos a que, por enquanto, muitos trabalhadores e trabalhadoras são sensíveis significa a manutenção dos privilégios da classe dominante - distantes que estão do conceito de raça, pátria, deus, ou família.
A garantia da manutenção dos privilégios, ou seja, da propriedade privada dos meios de produção, inclusivamente, com a certeza do aumento das taxas de concentração da riqueza e da acumulação cada vez mais centralizada do capital é assim contemplada pelo estado fascista que orbita em torno dos desejos mais primários da burguesia e do grande capital de que é dententora ou em que participa.
Por outro lado, a intensificação do combate ao materialismo, à ciência objectiva, ao comunismo e ao marxismo, representa a viva ofensiva contra o fortalecimento da doutrina operária da extinção da propriedade privada e, consequentemente, do estado que a protege.
Garante-se o estado dos privilégios burgueses, a intensificação da exploração do trabalho enquanto simultaneamente se federam os descontentamentos e a revolta do povo trabalhador.
O que presenceamos actualmente não é mais do que a tentativa de empolgar um movimento incipiente de proto-fascistas como forma de garantir a existência real da resposta da burguesia perante as contradições internas do capitalismo. Tudo feito com a alta cooperação do Partido Socialista que prossegue o rumo de desmantelamento das conquistas dos trabalhadores portugueses.
Aproveita este post para apelar a todos aqueles que, compreensivelmente tendem a identificar-se com a exaltação dos valores idealistas e da revolta pelo ódio, que procurem a ciência e a objectividade, para que não se deixem manipular no seu descontentamento por aqueles mesmos que vos querem esmagar.
nota: os resultados das eleições para a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa são inspiradores da confiança dos democratas e mostram bem a que se resumem as tendências fascistas perante a emagadora maioria do povo português que está com a fraternidade, a amizade, o trabalho, a liberdade e a democracia.
Nesta senda de acumulação crescente de capital, pela via da apropriação das mais-valias, o patronato não olha a meios para inventar novas formas de exploração que lhe permitam obter uma cada vez maior obtenção de lucro. É nesse sentido que a precariezação do trabalho, o aumento do custo de vida e a destruição dos serviços do Estado, juntamente com o aparelho produtivo nacional e do estado, se encaixam perfeitamente com os desígnios da classe dominante.
Ridículo seria pensar que, em algum momento da história, o regime capitalista poderia dar resposta às necessidades dos trabalhadores já que elas são intrinsecamente contrárias às do grande capital.
No entanto, a classe dominante e os estados que se lhe colocam ao serviço não ignoram a capacidade transformadora dos trabalhadores e têm bem presente que a ruptura pode desenhar-se a qualquer momento no quadro da intensificação da ofensiva contra o povo.
O capitalismo caminha num fio de navalha: como obter dos trabalhadores a maior fatia possível dos frutos do seu trabalho sem desencadear a revolta generalizada. Dois grandes caminhos se mostram à partida e que, conforme o estado da luta operária e progressista de cada país, o capitalismo os trilham, ora um, ora outro.
1. o da social-democracia e da contenção dos objectivos do grande capital, alongando as medidas mais ofensivas no tempo, diluindo o efeito catalizador da revolta, ao mesmo tempo que gradualmente se destroem os serviços centrais dos Estados, nomeadamente a Educação, a Saúde e a Segurança Social.
2. o da repressão física, militar e política aberta dirigida contra as classes exploradas nos países onde o nível de organização destas é mais incipiente ou inexistente.
Claro que, na maior parte dos casos, o capitalismo tem um comportamento intermitente entre um e outro (1 e 2) como forma de gerir os fluxos e refluxos da força dos trabalhadores e dos seus movimentos de massas.
Ainda assim, o capitalismo não consegue sempre gerir as suas crises e contradições internas, ou mesmo a sua relação com a exploração do trabalho. É por isso que, nas situações de crise acentuada, nos circuitos do trabalho que se reflectem, claro, nos circuitos do capital, existe uma tendência para a ruptura com o descontentamento. Mas também aí o capital, através das múltiplas jogadas, tem capacidade de resposta pela via de muitos mecanismos instrumentais, todos eles baseados na ampliação do idealismo, contra o raciocínio objectivo, científico e materialista.
Quer seja pela via da criação de bolsas de contenção do descontentamento organizadas para captar inconsequentemente a criatividade e a força do povo, situadas especialmente na dita "extrema-esquerda" (organizações esquerdistas de carácter profundamente idealista e alinhadas com os desejos da burguesia); quer seja pela via da criação de organizações ou tendências fascistas que aparentemente propõem soluções para os problemas das populações, exaltando os sentimentos mais primários do Ser Humano idealista (como por exemplo deus, pátria, família ou raça, heroísmo, honra, orgulho).
É neste quadro que a atenção tende a recair, orientada pela própria classe dominante, sobre estes movimentos embrionários e profundamente inconsequentes no que toca à transformação da realidade e à superação do sistema e das actuais relações de produção.
Confrontado com a necessidade de manter os seus privilégios, ainda assim garantindo a submissão popular, o capital vê-se instigado a fomentar tendências fascistas que, no seu seio preserva. A ruptura com o actual estado de coisas, obtida pela via do recrudescimento fascista e pela repressão, ainda que exaltando os valores idealistas e etéreos a que, por enquanto, muitos trabalhadores e trabalhadoras são sensíveis significa a manutenção dos privilégios da classe dominante - distantes que estão do conceito de raça, pátria, deus, ou família.
A garantia da manutenção dos privilégios, ou seja, da propriedade privada dos meios de produção, inclusivamente, com a certeza do aumento das taxas de concentração da riqueza e da acumulação cada vez mais centralizada do capital é assim contemplada pelo estado fascista que orbita em torno dos desejos mais primários da burguesia e do grande capital de que é dententora ou em que participa.
Por outro lado, a intensificação do combate ao materialismo, à ciência objectiva, ao comunismo e ao marxismo, representa a viva ofensiva contra o fortalecimento da doutrina operária da extinção da propriedade privada e, consequentemente, do estado que a protege.
Garante-se o estado dos privilégios burgueses, a intensificação da exploração do trabalho enquanto simultaneamente se federam os descontentamentos e a revolta do povo trabalhador.
O que presenceamos actualmente não é mais do que a tentativa de empolgar um movimento incipiente de proto-fascistas como forma de garantir a existência real da resposta da burguesia perante as contradições internas do capitalismo. Tudo feito com a alta cooperação do Partido Socialista que prossegue o rumo de desmantelamento das conquistas dos trabalhadores portugueses.
Aproveita este post para apelar a todos aqueles que, compreensivelmente tendem a identificar-se com a exaltação dos valores idealistas e da revolta pelo ódio, que procurem a ciência e a objectividade, para que não se deixem manipular no seu descontentamento por aqueles mesmos que vos querem esmagar.
nota: os resultados das eleições para a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa são inspiradores da confiança dos democratas e mostram bem a que se resumem as tendências fascistas perante a emagadora maioria do povo português que está com a fraternidade, a amizade, o trabalho, a liberdade e a democracia.
Friday, March 23, 2007
Dia da Juventude
Aproxima-se o dia 28 de Março. Passam assim exactamente 60 anos sobre os episódios que marcaram o Dia Nacional da Juventude.
Estávamos em 1947. O MUD-Juvenil, organização unitária democrática e antifascista, organizara um acampamento juvenil de convívio e participação em S. Pedro de Moel. Milhares de jovens responderam ao apelo da organização juvenil, milhares participaram no acampamento.
Naquele tempo a preto & branco, a juventude pintava de todas as cores os momentos de luta, de alegria, fraternidade e amizade. Assim são também as suas características mesmo sob a sombra da opressão. Ninguém poderá apagar a luz radiosa da juventude e os jovens encarregam-se de mostrar isso mesmo. Mostram também que a força do colectivo ultrapassa todas as barreiras e cria realidades onde antes estavam sonhos.
A juventude portuguesa criou a liberdade ao lado de jovens soldados e capitães, criou-a ao lado de jovens operárias e jovens operários. Rompeu corajosamente os grilhões da ditadura e levou a cultura, o convívio, a arte e o sorriso a milhares de recantos deste país, por este país espalhados.
Um acampamento de jovens, de milhares, vejam bem! aos magotes de mochilas às costas, cantando, reunindo, caminhando! como podia isso ser? Como podia o regime fascista permitir que nas suas barbas a juventude saísse do mundo desenhado a tons de cinza pelas mãos dos monopólios?
A intervenção é rápida. A PIDE bate, espanca, tortura e prende.
O fascismo entendeu que a juventude não podia romper a mordaça. E então correu muitos dos dirigentes do MUD-Juvenil para as cadeias, na esperança de calar a revolta.
Mal, que a carne macerada não tendeu a resignar-se. Antes se levantou surpreendentemente e ergeu a luta solidária por todo o país. Não foram só os milhares de jovens que participaram no acampamento a manifestar o apoio aos presos. Não foram só os presos a teimar manter o rosto erguido e a razão da luta intacta.
Numa demosntração de firmeza, coragem e unidade, levantou-se um gigantesco movimento de solidariedade para com os jovens presos.
Em 1968 já o dia se comemorava como dia de luta de luta pela liberdade, dia da juventude proibido pelo Estado fascista. Nesse ano, inúmeras iniciativas percorreram o país em jornadas de luta pelo reforço dos laços de amizade e solidariedade entre a juventude, indo mais além na luta pela resolução dos seus problemas e pelo cumprimento das suas justas aspirações.
A 28 de Março de 1975 comemora-se pela primeira vez em liberdade o Dia Nacional da Juventude.
2007.
Dia Nacional da Juventude. 28 de Março - A juventude em luta por uma vida melhor, pelo direito a um emprego com direitos, pelo direito a melhores salários, ao emprego e ao apoio do estado na educação, habitação, saúde, criação e fruição culturais, maternidade e paternidade, à igualdade e à mais justa distribuição da riqueza. A juventude em luta pela paz e cooperação entre os povos.
Passados os 60 anos, a Juventude tem organização sindical de classe. Os jovens trabalhadores carregam bandeiras de descontentamento mas também de esperança, porque sabem que o futuro depende da sua luta. E ela cresce.
Estávamos em 1947. O MUD-Juvenil, organização unitária democrática e antifascista, organizara um acampamento juvenil de convívio e participação em S. Pedro de Moel. Milhares de jovens responderam ao apelo da organização juvenil, milhares participaram no acampamento.
Naquele tempo a preto & branco, a juventude pintava de todas as cores os momentos de luta, de alegria, fraternidade e amizade. Assim são também as suas características mesmo sob a sombra da opressão. Ninguém poderá apagar a luz radiosa da juventude e os jovens encarregam-se de mostrar isso mesmo. Mostram também que a força do colectivo ultrapassa todas as barreiras e cria realidades onde antes estavam sonhos.
A juventude portuguesa criou a liberdade ao lado de jovens soldados e capitães, criou-a ao lado de jovens operárias e jovens operários. Rompeu corajosamente os grilhões da ditadura e levou a cultura, o convívio, a arte e o sorriso a milhares de recantos deste país, por este país espalhados.
Um acampamento de jovens, de milhares, vejam bem! aos magotes de mochilas às costas, cantando, reunindo, caminhando! como podia isso ser? Como podia o regime fascista permitir que nas suas barbas a juventude saísse do mundo desenhado a tons de cinza pelas mãos dos monopólios?
A intervenção é rápida. A PIDE bate, espanca, tortura e prende.
O fascismo entendeu que a juventude não podia romper a mordaça. E então correu muitos dos dirigentes do MUD-Juvenil para as cadeias, na esperança de calar a revolta.
Mal, que a carne macerada não tendeu a resignar-se. Antes se levantou surpreendentemente e ergeu a luta solidária por todo o país. Não foram só os milhares de jovens que participaram no acampamento a manifestar o apoio aos presos. Não foram só os presos a teimar manter o rosto erguido e a razão da luta intacta.
Numa demosntração de firmeza, coragem e unidade, levantou-se um gigantesco movimento de solidariedade para com os jovens presos.
Em 1968 já o dia se comemorava como dia de luta de luta pela liberdade, dia da juventude proibido pelo Estado fascista. Nesse ano, inúmeras iniciativas percorreram o país em jornadas de luta pelo reforço dos laços de amizade e solidariedade entre a juventude, indo mais além na luta pela resolução dos seus problemas e pelo cumprimento das suas justas aspirações.
A 28 de Março de 1975 comemora-se pela primeira vez em liberdade o Dia Nacional da Juventude.
2007.
Dia Nacional da Juventude. 28 de Março - A juventude em luta por uma vida melhor, pelo direito a um emprego com direitos, pelo direito a melhores salários, ao emprego e ao apoio do estado na educação, habitação, saúde, criação e fruição culturais, maternidade e paternidade, à igualdade e à mais justa distribuição da riqueza. A juventude em luta pela paz e cooperação entre os povos.
Passados os 60 anos, a Juventude tem organização sindical de classe. Os jovens trabalhadores carregam bandeiras de descontentamento mas também de esperança, porque sabem que o futuro depende da sua luta. E ela cresce.
Thursday, March 08, 2007
Dia Internacional da Mulher

Hoje, 8 de Março de 2007, comemoramos da melhor forma possível o dia internacional da Mulher. A história assim vai sendo feita, com avanços e recuos no progresso, mas sempre no caminho do futuro. Hoje as mulheres conquistaram mais um direito.
À semelhança de tantos outros grupos das classes exploradas, este, o do sexo feminino não é excepção e vai conquistando a sangue os seus direitos numa sociedade em que o Estado enquanto instrumento de classe, as oprime como a todos os trabalhadores.
Mais um direito, enquanto tantos outros faltam aprofundar e muitos ainda por conquistar, sem dúvida. Faltam tantos outros para todas as classes exploradas e para todos os seus indivíduos. O direito ao trabalho com direitos, à saúde, direito à educação, à habitação, o direito ao salário, às férias, à tecnologia.
É mais um direito que todos hoje conquistam, pela luta das mulheres, é certo, mas um direito de todos.
A luta pela emancipação da Mulher é a luta pela emancipação dos trabalhadores.
A luta pela emancipação da Mulher é a luta pela emancipação do Homem.
Hoje, um passo foi dado. Hoje a Assembleia da República aprovou a alteração ao Código Penal necessária para a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.
A todos os trabalhadores, uma etapa passada pela luta!
A todas as mulheres, obrigado pelo empenho na luta pelos vossos direitos que garantem os de todos!
A todas as mulheres, hoje o dia é vosso, em honra ao vosso passado. Em honra ao vosso presente. Ao nosso futuro!
À semelhança de tantos outros grupos das classes exploradas, este, o do sexo feminino não é excepção e vai conquistando a sangue os seus direitos numa sociedade em que o Estado enquanto instrumento de classe, as oprime como a todos os trabalhadores.
Mais um direito, enquanto tantos outros faltam aprofundar e muitos ainda por conquistar, sem dúvida. Faltam tantos outros para todas as classes exploradas e para todos os seus indivíduos. O direito ao trabalho com direitos, à saúde, direito à educação, à habitação, o direito ao salário, às férias, à tecnologia.
É mais um direito que todos hoje conquistam, pela luta das mulheres, é certo, mas um direito de todos.
A luta pela emancipação da Mulher é a luta pela emancipação dos trabalhadores.
A luta pela emancipação da Mulher é a luta pela emancipação do Homem.
Hoje, um passo foi dado. Hoje a Assembleia da República aprovou a alteração ao Código Penal necessária para a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.
A todos os trabalhadores, uma etapa passada pela luta!
A todas as mulheres, obrigado pelo empenho na luta pelos vossos direitos que garantem os de todos!
A todas as mulheres, hoje o dia é vosso, em honra ao vosso passado. Em honra ao vosso presente. Ao nosso futuro!
Friday, February 02, 2007
A nódoa.
O ministro da economia Manuel Pinho não é, ao contrário do que somos levados a pensar, uma nódoa. Não é, porque se insere num Governo que todo ele age em bloco, articuladamente. Portanto, o governo é, em si mesmo, uma nódoa. Arrisco dizer aliás que, à luz de uma ética própria de uma classe, este governo é um conjunto de criminosos, de mentirosos, corruptos.
Claro que a lei que temos, estabelecida em grande medida pela força política institucional da burguesia, não considera criminoso aquele que submete os interesses de uma nação aos interesses do capital transnacional; não considera criminoso aquele que angaria votos com uma propaganda mas que faz o contrário depois de os ter; não considera criminoso aquele que autoriza a utilização dos recursos de um país por uma empresa privada retirando o acesso a esse recurso pelo povo; não considera criminoso aquele que, depois de colectivamente o país ter retomado posse sobre a indústria, a banca, o Serviço de Saúde, a Educação, vende ao desbarato esse património.
Pois… triste lei esta que é feita pelos pontas-de-lança dos interessados na destruição do país. Triste país que tem a decisão política entregue a quem melhor engana o eleitor, e não a quem melhor o defende. Triste sistema político aquele que tem como decisora a classe menos numerosa mas mais poderosa.
Mas dizia-se, não é nódoa Manuel Pinho porque ele é apenas mais uma entre estas encomendas. O que este Sr. Ministro tem de especial é que é manifestamente mais mentecapto que a generalidade dos seus comparsas de fraude. Manuel Pinho fala pouco. Mas quando fala sai porcaria da grossa. Cada cavadela, cada minhoca; Cada tiro, cada merlo… como se costuma dizer. O homem, coitado, que não passa de um ser calmo e ligeiramente adormecido, com aquele ar típico de quem não tem sequer a preocupação de se informar sobre o que vai falar, não tem culpa nenhuma por falar a verdade.
Claro que exceptuamos a sua célebre passagem “a crise acabou” deste cabaz de verdades imponderadas. Esta foi uma mentira imponderada, provavelmente, rasgo de loucura temporária, semelhante àqueles que acontecem quando se consomem em excesso substâncias psicotrópicas.
Mas, analisemos as suas sábias palavras na Missão China! (Missão China … por favor! Haverá nome mais ridículo para uma visita institucional a um outro estado? – clara nomenclatura propagandística…) Dizia Manuel Pinho:
“os custos salariais [em Portugal] são mais baixos do que a média dos países da União Europeia e a pressão para o seu aumento inferior.”
Eis a verdade sobre a política do Governo. Temos pena que só tenha coragem de a afirmar lá fora. É a cobardia da burguesia: aqui, perante os trabalhadores, mente; lá fora, perante os magnatas, diz a verdade.
De facto, este Governo tem o capital desígnio de destruir a capacidade produtiva nacional, exterminando a soberania nacional, enquanto expressão da vontade popular. Este é o melhor Governo da recuperação fascista. É o mais vingativo e obstinado com a eliminação dos direitos dos trabalhadores. Este é o Governo de um Partido Socialista de corrupção legal. O Partido que cumpre a orientação nacional do grande capital. É esta o mais alinhado, o mais apostado.
É óbvio que, num Governo com estas características há corruptos competentes e incompetentes. Ou seja, os que conseguem cumprir o seu papel central de desmantelamento do Estado, mas resguardando a sua legitimidade pública, acolhendo apoios aqui e além. E os que, cumprindo o seu papel político destinado, não conseguem sequer fingir inteligência. É assim, a privação de inteligência não afecta só os incultos…
Claro que a lei que temos, estabelecida em grande medida pela força política institucional da burguesia, não considera criminoso aquele que submete os interesses de uma nação aos interesses do capital transnacional; não considera criminoso aquele que angaria votos com uma propaganda mas que faz o contrário depois de os ter; não considera criminoso aquele que autoriza a utilização dos recursos de um país por uma empresa privada retirando o acesso a esse recurso pelo povo; não considera criminoso aquele que, depois de colectivamente o país ter retomado posse sobre a indústria, a banca, o Serviço de Saúde, a Educação, vende ao desbarato esse património.
Pois… triste lei esta que é feita pelos pontas-de-lança dos interessados na destruição do país. Triste país que tem a decisão política entregue a quem melhor engana o eleitor, e não a quem melhor o defende. Triste sistema político aquele que tem como decisora a classe menos numerosa mas mais poderosa.
Mas dizia-se, não é nódoa Manuel Pinho porque ele é apenas mais uma entre estas encomendas. O que este Sr. Ministro tem de especial é que é manifestamente mais mentecapto que a generalidade dos seus comparsas de fraude. Manuel Pinho fala pouco. Mas quando fala sai porcaria da grossa. Cada cavadela, cada minhoca; Cada tiro, cada merlo… como se costuma dizer. O homem, coitado, que não passa de um ser calmo e ligeiramente adormecido, com aquele ar típico de quem não tem sequer a preocupação de se informar sobre o que vai falar, não tem culpa nenhuma por falar a verdade.
Claro que exceptuamos a sua célebre passagem “a crise acabou” deste cabaz de verdades imponderadas. Esta foi uma mentira imponderada, provavelmente, rasgo de loucura temporária, semelhante àqueles que acontecem quando se consomem em excesso substâncias psicotrópicas.
Mas, analisemos as suas sábias palavras na Missão China! (Missão China … por favor! Haverá nome mais ridículo para uma visita institucional a um outro estado? – clara nomenclatura propagandística…) Dizia Manuel Pinho:
“os custos salariais [em Portugal] são mais baixos do que a média dos países da União Europeia e a pressão para o seu aumento inferior.”
Eis a verdade sobre a política do Governo. Temos pena que só tenha coragem de a afirmar lá fora. É a cobardia da burguesia: aqui, perante os trabalhadores, mente; lá fora, perante os magnatas, diz a verdade.
De facto, este Governo tem o capital desígnio de destruir a capacidade produtiva nacional, exterminando a soberania nacional, enquanto expressão da vontade popular. Este é o melhor Governo da recuperação fascista. É o mais vingativo e obstinado com a eliminação dos direitos dos trabalhadores. Este é o Governo de um Partido Socialista de corrupção legal. O Partido que cumpre a orientação nacional do grande capital. É esta o mais alinhado, o mais apostado.
É óbvio que, num Governo com estas características há corruptos competentes e incompetentes. Ou seja, os que conseguem cumprir o seu papel central de desmantelamento do Estado, mas resguardando a sua legitimidade pública, acolhendo apoios aqui e além. E os que, cumprindo o seu papel político destinado, não conseguem sequer fingir inteligência. É assim, a privação de inteligência não afecta só os incultos…
Tuesday, January 30, 2007
Interrupção Voluntária da Gravidez - a saga continua!
se a pergunta fosse:
"concorda com a instrumentalização da lei para servir dogmas éticos ou religiosos?"
que responderias?
a questão é que o nosso estado é laico, independentemente da confissão religiosa da maioria. ou seja, é um estado de leis do Homem e não de Deus. independentemente das concepções éticas da maioria, independentemente de quais essas concepções, a lei em portugal baseia-se nos princípios da laicicidade, nos princípios da liberdade e da igualdade.
Perante a pergunta do referendo que nos oferecem, aqueles que respondem não são a face mais pura da hipocrisia, da intolerância e do machismo entranhado na ausência de sinapses próprias.
Mas há outra componente nos movimento do "Não" - a componente manipuladora.
Componente que assenta a sua acção na ignorância, que direcciona o seu discurso a uma camada da população que não tem acesso à informação, que julga superficialmente e de forma pouco informada. Essa componente do movimento do "Não" é a cabeça de um movimento que, paradoxalmente, toma posições acéfalas.
A igreja, instrumento poderoso da classe dominante, e os sectores mais retrógrados de uma burguesia decadente que ainda quer impôr a subrevivência dos seus métodos de exploração exacerbada, sendo que são hoje representados pela exploração desmedida da mão de obra, sustentados pela existência permanente de um exército de recurso para a exploração capitalista. É esta burguesia, decadente mas influente na burguesia enquanto um todo, que ainda exerce este poder. Poder que chegou para o PS convocar o referendo ao invés de resolver a questão na Assembleia da Républica. Poder que é ainda suficiente para fazer do PS um instrumento político ao serviço do "Não", invocando os argumentos mais falaciosos e frágeis, anunciando custos infundados para o Estado após a despenalização, escondendo a realidade actual, altamente dividido nas suas capelas bolorentas, onde abundam as aves raras que ainda se afirmam publicamente pelo "Não".
Este Blog está pelo Sim, e daqui acusa os hipócritas do "Não" de serem carrascos das mulheres, de serem desumanos e falsos. Quem está pelo "não" não está pela vida, está é pela rejeição da mulher enquanto ser capaz de decidir sobre si própria. Assassinos.
"concorda com a instrumentalização da lei para servir dogmas éticos ou religiosos?"
que responderias?
a questão é que o nosso estado é laico, independentemente da confissão religiosa da maioria. ou seja, é um estado de leis do Homem e não de Deus. independentemente das concepções éticas da maioria, independentemente de quais essas concepções, a lei em portugal baseia-se nos princípios da laicicidade, nos princípios da liberdade e da igualdade.
Perante a pergunta do referendo que nos oferecem, aqueles que respondem não são a face mais pura da hipocrisia, da intolerância e do machismo entranhado na ausência de sinapses próprias.
Mas há outra componente nos movimento do "Não" - a componente manipuladora.
Componente que assenta a sua acção na ignorância, que direcciona o seu discurso a uma camada da população que não tem acesso à informação, que julga superficialmente e de forma pouco informada. Essa componente do movimento do "Não" é a cabeça de um movimento que, paradoxalmente, toma posições acéfalas.
A igreja, instrumento poderoso da classe dominante, e os sectores mais retrógrados de uma burguesia decadente que ainda quer impôr a subrevivência dos seus métodos de exploração exacerbada, sendo que são hoje representados pela exploração desmedida da mão de obra, sustentados pela existência permanente de um exército de recurso para a exploração capitalista. É esta burguesia, decadente mas influente na burguesia enquanto um todo, que ainda exerce este poder. Poder que chegou para o PS convocar o referendo ao invés de resolver a questão na Assembleia da Républica. Poder que é ainda suficiente para fazer do PS um instrumento político ao serviço do "Não", invocando os argumentos mais falaciosos e frágeis, anunciando custos infundados para o Estado após a despenalização, escondendo a realidade actual, altamente dividido nas suas capelas bolorentas, onde abundam as aves raras que ainda se afirmam publicamente pelo "Não".
Este Blog está pelo Sim, e daqui acusa os hipócritas do "Não" de serem carrascos das mulheres, de serem desumanos e falsos. Quem está pelo "não" não está pela vida, está é pela rejeição da mulher enquanto ser capaz de decidir sobre si própria. Assassinos.
Wednesday, January 17, 2007
Tuesday, January 09, 2007
Apocalypto
Entre mim e a habitual crítica de cinema desenha-se um fosso irrevogável. De facto, tenho apanhado as maiores desilusões quando rumo confiante a uma sala de cinema para ver um filme apadrinhado pela crítica e de lá volto incrédulo com tamanho desastre cinematográfico. Ora são argumentos intragáveis, ora são filmes recauchutados, ora são efeitos especiais que fazem suporte a elencos miseráveis e por aí fora.
O cinema de entretenimento puro e simples tem todo o sentido e agradeço o facto de existir alguém que ainda o faça. Da comédia aos thrillers ou mesmo aos filmes de acção desenfreada lá vão saindo bons momentos de descontracção. Pena que, na generalidade, não seja assim.
Chegou às nossas salas de cinema um filme que recebeu as piores considerações dos críticos de cinema da praça. Apocalypto, de Mel gibson. Um filme soberbo. Um filme desfeito pela crítica acéfala.
Aconselho vivamente o filme de Mel Gibson. Embora não conheça o senhor, reconheço-lhe uma aguçada vontade e o um olhar diferente dos dominantes. Apocalypto passa-se no período decadente do império Maya (a que se costuma chamar civilização) e tem, por entre diversas cenas de violência aparentemente gratuita, a virtude de denunciar o que são os pilares dos impérios.
Gibson transporta-nos, apoiado num elenco fenomenal e numa reconstrução histórica e ambiental notável, com excelente cenografia, guarda-roupa e maquilhagem, para um mundo perdido, onde os nossos sentimentos são recorrentemente sobressaltados. Claro está que para os devoradores-de-pipocas que povoam as salas de cinema que por aí se espalham, este filme é mais um documentário enfadonho do que propriamente um filme. De facto, como outros, não se encaixa no estereótipo de filme de entretenimento e, atrevo-me a dizer que não é esse o seu objectivo.
A violência que muitos reputam de gratuita é um dos pilares de um filme que nos quer envolver, que nos quer mexer com os instintos e com os sentimentos. O filme, com sequências geniais e com um realismo extremo, mostra-nos a hierarquização inevitável dos impérios e as relações entre os seres humanos, criadas pela organização imperial de uma sociedade.
Uma aristocracia moralmente decadente, um clero balofo de apoio ao sistema de poder, o trabalho escrevo e a superioridade racial são bem mostrados como instrumentos ao serviço de um império onde o lucro e a acumulação de riqueza já eram o objectivo. A concentração em grandes cidades a um ritmo desfasado da capacidade de dar respostas no plano do ordenamento, da higiene e da segurança, encaminha uma povoação inteira para a doença e o definhamento, sustentando apenas uma pequena classe aristocrata com a ajuda de um clero que detinha o conhecimento científico em regime de exclusividade.
É um filme perturbante. É uma experiência recomendável. Desfazermo-nos da expectativa e usufruir da imagem e do som que este filme nos traz, não tanto enquanto um conto importante, mas enquanto estória e história pode surpreender muitos. É um pouco como um quadro… ninguém pede a um quadro que tenha um bom enredo, que conte uma estória bela… este filme é um quadro de duas horas e alguns minutos que retrata bem uma paisagem social, especulativa ou não.
O cinema de entretenimento puro e simples tem todo o sentido e agradeço o facto de existir alguém que ainda o faça. Da comédia aos thrillers ou mesmo aos filmes de acção desenfreada lá vão saindo bons momentos de descontracção. Pena que, na generalidade, não seja assim.
Chegou às nossas salas de cinema um filme que recebeu as piores considerações dos críticos de cinema da praça. Apocalypto, de Mel gibson. Um filme soberbo. Um filme desfeito pela crítica acéfala.
Aconselho vivamente o filme de Mel Gibson. Embora não conheça o senhor, reconheço-lhe uma aguçada vontade e o um olhar diferente dos dominantes. Apocalypto passa-se no período decadente do império Maya (a que se costuma chamar civilização) e tem, por entre diversas cenas de violência aparentemente gratuita, a virtude de denunciar o que são os pilares dos impérios.
Gibson transporta-nos, apoiado num elenco fenomenal e numa reconstrução histórica e ambiental notável, com excelente cenografia, guarda-roupa e maquilhagem, para um mundo perdido, onde os nossos sentimentos são recorrentemente sobressaltados. Claro está que para os devoradores-de-pipocas que povoam as salas de cinema que por aí se espalham, este filme é mais um documentário enfadonho do que propriamente um filme. De facto, como outros, não se encaixa no estereótipo de filme de entretenimento e, atrevo-me a dizer que não é esse o seu objectivo.
A violência que muitos reputam de gratuita é um dos pilares de um filme que nos quer envolver, que nos quer mexer com os instintos e com os sentimentos. O filme, com sequências geniais e com um realismo extremo, mostra-nos a hierarquização inevitável dos impérios e as relações entre os seres humanos, criadas pela organização imperial de uma sociedade.
Uma aristocracia moralmente decadente, um clero balofo de apoio ao sistema de poder, o trabalho escrevo e a superioridade racial são bem mostrados como instrumentos ao serviço de um império onde o lucro e a acumulação de riqueza já eram o objectivo. A concentração em grandes cidades a um ritmo desfasado da capacidade de dar respostas no plano do ordenamento, da higiene e da segurança, encaminha uma povoação inteira para a doença e o definhamento, sustentando apenas uma pequena classe aristocrata com a ajuda de um clero que detinha o conhecimento científico em regime de exclusividade.
É um filme perturbante. É uma experiência recomendável. Desfazermo-nos da expectativa e usufruir da imagem e do som que este filme nos traz, não tanto enquanto um conto importante, mas enquanto estória e história pode surpreender muitos. É um pouco como um quadro… ninguém pede a um quadro que tenha um bom enredo, que conte uma estória bela… este filme é um quadro de duas horas e alguns minutos que retrata bem uma paisagem social, especulativa ou não.
Praga itinerante
“e têm o desplante de nos oferecer um bónus se acabarmos as cablagens a tempo” Sérgio Cruz, 29 anos, operário fabril na Yazaki Saltano de Ovar.
A yazaki saltano, com o amparo do nosso governo, vem ameaçando o despedimento e o encerramento das suas unidades em Portugal há muito tempo e tem vindo mesmo a concretizar uma redução no número de trabalhadores, empurrando para o desemprego centenas e centenas de operários e operárias. As componentes do capitalismo, as grandes empresas e multinacionais são como uma praga de gafanhotos: desloca-se de colheita em colheita, devastando uma a uma. Estas empresas vagueiam em busca das melhores colheitas e Portugal enquadra-se bem para um bom banquete destas entidades parasitas. Claro que, no quadro da sociedade em que vivemos, as empresas buscam as condições para a obtenção de maior lucro possível e cabe aos trabalhadores estabelecerem as condições em que prestam o seu trabalho.
O que acontece, contudo, em Portugal é que estes gafanhotos são convidados pelo espantalho. Se os trabalhadores fossem as espigas, os gafanhotos seriam a yazaki saltano, o espantalho seria o Governo. Ora, o nosso espantalho decidiu trabalhar para a praga em vez de defender a colheita.
E… no fim de um processo que se anunciava, os trabalhadores choram o seu trabalho que se vai perdendo. Pelo meio, uns senhores na televisão dizem-lhes que não são competitivos porque não gostam é de trabalhar.
Lamento o facto de hoje se fecharem portas perante olhares cabisbaixos, ao invés de enfrentarem punhos erguidos e olhos de esperança. Lamento que, naqueles dias, em que nos deslocámos aos portões da empresa, apelando à luta, muitos não tenham sequer ouvido o que lhes tínhamos para lhe dizer… todavia, quando o povo acorda nunca é tarde!
A yazaki saltano, com o amparo do nosso governo, vem ameaçando o despedimento e o encerramento das suas unidades em Portugal há muito tempo e tem vindo mesmo a concretizar uma redução no número de trabalhadores, empurrando para o desemprego centenas e centenas de operários e operárias. As componentes do capitalismo, as grandes empresas e multinacionais são como uma praga de gafanhotos: desloca-se de colheita em colheita, devastando uma a uma. Estas empresas vagueiam em busca das melhores colheitas e Portugal enquadra-se bem para um bom banquete destas entidades parasitas. Claro que, no quadro da sociedade em que vivemos, as empresas buscam as condições para a obtenção de maior lucro possível e cabe aos trabalhadores estabelecerem as condições em que prestam o seu trabalho.
O que acontece, contudo, em Portugal é que estes gafanhotos são convidados pelo espantalho. Se os trabalhadores fossem as espigas, os gafanhotos seriam a yazaki saltano, o espantalho seria o Governo. Ora, o nosso espantalho decidiu trabalhar para a praga em vez de defender a colheita.
E… no fim de um processo que se anunciava, os trabalhadores choram o seu trabalho que se vai perdendo. Pelo meio, uns senhores na televisão dizem-lhes que não são competitivos porque não gostam é de trabalhar.
Lamento o facto de hoje se fecharem portas perante olhares cabisbaixos, ao invés de enfrentarem punhos erguidos e olhos de esperança. Lamento que, naqueles dias, em que nos deslocámos aos portões da empresa, apelando à luta, muitos não tenham sequer ouvido o que lhes tínhamos para lhe dizer… todavia, quando o povo acorda nunca é tarde!
Saturday, December 30, 2006
2007
todos os dias passa um ano sobre outro.
contudo, fazemos questão de nos ater ao calendário de referência e fazer do 1º de Janeiro o dia em que mudamos de agenda, dia a partir do qual continuaremos a escrever durante semanas "2006" com o último algarismo corrigido para "7" por falta de hábito.
nós por cá não somos diferentes e aqui ficam sinceros votos de bom ano a todos.
um ano que marque pela força da luta, que subleve e eleve a nossa perseverança, que a premeie.
um ano novo que reforce a história dos anos passados, que evolua.
um ano em que a nossa luta pelo trabalho com direitos, pelos salários, pela igualdade, pela saúde, pela educação, pela cultura, pelo respeito, pelo emprego, pela distribuição da riqueza, pela habitação e pelo pão se reforce e veja sucessos!
o contar dos anos se encarregará de nos trazer a vitória, a ver se é este!
saudações!
contudo, fazemos questão de nos ater ao calendário de referência e fazer do 1º de Janeiro o dia em que mudamos de agenda, dia a partir do qual continuaremos a escrever durante semanas "2006" com o último algarismo corrigido para "7" por falta de hábito.
nós por cá não somos diferentes e aqui ficam sinceros votos de bom ano a todos.
um ano que marque pela força da luta, que subleve e eleve a nossa perseverança, que a premeie.
um ano novo que reforce a história dos anos passados, que evolua.
um ano em que a nossa luta pelo trabalho com direitos, pelos salários, pela igualdade, pela saúde, pela educação, pela cultura, pelo respeito, pelo emprego, pela distribuição da riqueza, pela habitação e pelo pão se reforce e veja sucessos!
o contar dos anos se encarregará de nos trazer a vitória, a ver se é este!
saudações!
Thursday, November 30, 2006
ele merece
"O mundo só será mundo no dia em que enforcarmos o último rei nas tripas do último padre"
François-Marie Arouet - Voltaire
Wednesday, November 29, 2006
até onde irá a estupidez...?
"politólogo - s. m. aquele que estuda politologia
politologia - s. f. ciência que estuda a política"
in Dicionário Inventado pela Burguesia Portuguesa e veiculado pela sua Comunicação Social, edições Branquamento Ideológico, S.A.
que curso tenho eu de terminar com sucesso para ser politólogo?
que instituições de ensino superior em Portugal dispõem de tal licenciatura, mestrado ou doutoramento?
que empresas contratam politólogos?
quais os requisitos curriculares para a contratação?
que merda é um politólogo?
politologia - s. f. ciência que estuda a política"
in Dicionário Inventado pela Burguesia Portuguesa e veiculado pela sua Comunicação Social, edições Branquamento Ideológico, S.A.
que curso tenho eu de terminar com sucesso para ser politólogo?
que instituições de ensino superior em Portugal dispõem de tal licenciatura, mestrado ou doutoramento?
que empresas contratam politólogos?
quais os requisitos curriculares para a contratação?
que merda é um politólogo?
Friday, November 17, 2006
Wednesday, November 15, 2006
a esquerda do mesmo império
Hoje, os deputados do Partido Socialista levaram à Assembleia da República o elogio dos seus próprios defeitos. Para quem quisesse ouvir.
Esta estratégia de propaganda começa a ruir. As brechas que vão ferindo o edifício de aparente concordância entre a população portuguesa e as políticas deste Partido Socialista são já tão largas que passam manifestações inteiras por entre elas. Manifestações grandes. Daquelas com centenas de milhar de jovens, empregados, estudantes, mulheres, reformados, professores, agentes da autoridade, funcionários da administração pública, operários, agricultores… das grandes, pois.
As brechas aí estão a demonstrar a ruína da propaganda do PS. A táctica de dizer que tudo está bem até à exaustão, mesmo quando as condições objectivas comprovam exactamente o inverso, começa a mostrar a sua fragilidade. O que não poderia ser de outra forma. Permito-me a utilizar a sábia expressão: “Podem enganar uma pessoa por muito tempo. Podem enganar muitas pessoas por algum tempo. O que não podem é enganar toda a gente, durante todo o tempo.”
Então aí estão os aumentos do custo de vida, a degradação das condições de vida dos jovens, dos trabalhadores e dos reformados. Aí estão as jogadas maquiavélicas em torno do aborto. Aí está a diminuição do custo do trabalho e a diminuição dos salários, o congelamento da progressão nas carreiras da administração pública, o aumento das propinas no ensino superior, o desmantelamento do Incentivo ao Arrendamento por Jovens, as “taxas moderadoras” de internamentos, consultas e tratamentos nos hospitais públicos, a destruição das redes de transportes públicos, a entrega do sector público à exploração privada, os aumentos dos custos da electricidade e dos combustíveis. (respira) Aí estão os impostos também para deficientes, a diminuição das verbas para os laboratórios de estado, a diminuição da acção social escolar, a privatização do ensino e dos serviços de cantinas, refeitórios e residências, aí está o aumento do IVA, a implementação da co-incineração como estratégia primária de tratamento de resíduos industriais perigosos ou banais. Aí temos a diminuição das verbas do Orçamento do Estado para as autarquias locais, a perseguição política a dirigentes sindicais, associativos e estudantis. Para não ir mais longe que já se entende o sentido de tão vasto rol de atrocidades.
Aí estão… para mostrar tudo quanto este governo tem feito para beneficiar os do costume. Os lucros da EDP, das petrolíferas, da indústria e comércio multi e transnacionais, da banca e das instituições de crédito agigantam-se escandalosamente. Daí nasce uma primeira pergunta: é de esquerda um governo que prefere a concentração dos meios de produção, dos lucros do capital produtivo e especulativo num punhado de balofos capitalistas ou empresas?
Isto porque foi hoje mesmo que o Partido Socialista nos brindou com a sua indignação perante a acusação de que não estaria executando políticas de esquerda. Observação do Partido Comunista Português em resposta à encenação que o Partido Socialista acabara de levar a cabo. Indignado, responde o PS de que é de esquerda sim senhor. Que não recebe lições sobre o que é ser de esquerda de ninguém e muito menos do PCP.
Escusar-me-ei a mais que o seguinte:
Sócrates diz no debate na generalidade sobre o Orçamento do Estado para 2007 que o PSD está irritado porque este Governo PS está a fazer tudo quanto o PSD queria ter feito, mas não foi capaz.
Palavras para quê? É de esquerda também o PSD…
Esta estratégia de propaganda começa a ruir. As brechas que vão ferindo o edifício de aparente concordância entre a população portuguesa e as políticas deste Partido Socialista são já tão largas que passam manifestações inteiras por entre elas. Manifestações grandes. Daquelas com centenas de milhar de jovens, empregados, estudantes, mulheres, reformados, professores, agentes da autoridade, funcionários da administração pública, operários, agricultores… das grandes, pois.
As brechas aí estão a demonstrar a ruína da propaganda do PS. A táctica de dizer que tudo está bem até à exaustão, mesmo quando as condições objectivas comprovam exactamente o inverso, começa a mostrar a sua fragilidade. O que não poderia ser de outra forma. Permito-me a utilizar a sábia expressão: “Podem enganar uma pessoa por muito tempo. Podem enganar muitas pessoas por algum tempo. O que não podem é enganar toda a gente, durante todo o tempo.”
Então aí estão os aumentos do custo de vida, a degradação das condições de vida dos jovens, dos trabalhadores e dos reformados. Aí estão as jogadas maquiavélicas em torno do aborto. Aí está a diminuição do custo do trabalho e a diminuição dos salários, o congelamento da progressão nas carreiras da administração pública, o aumento das propinas no ensino superior, o desmantelamento do Incentivo ao Arrendamento por Jovens, as “taxas moderadoras” de internamentos, consultas e tratamentos nos hospitais públicos, a destruição das redes de transportes públicos, a entrega do sector público à exploração privada, os aumentos dos custos da electricidade e dos combustíveis. (respira) Aí estão os impostos também para deficientes, a diminuição das verbas para os laboratórios de estado, a diminuição da acção social escolar, a privatização do ensino e dos serviços de cantinas, refeitórios e residências, aí está o aumento do IVA, a implementação da co-incineração como estratégia primária de tratamento de resíduos industriais perigosos ou banais. Aí temos a diminuição das verbas do Orçamento do Estado para as autarquias locais, a perseguição política a dirigentes sindicais, associativos e estudantis. Para não ir mais longe que já se entende o sentido de tão vasto rol de atrocidades.
Aí estão… para mostrar tudo quanto este governo tem feito para beneficiar os do costume. Os lucros da EDP, das petrolíferas, da indústria e comércio multi e transnacionais, da banca e das instituições de crédito agigantam-se escandalosamente. Daí nasce uma primeira pergunta: é de esquerda um governo que prefere a concentração dos meios de produção, dos lucros do capital produtivo e especulativo num punhado de balofos capitalistas ou empresas?
Isto porque foi hoje mesmo que o Partido Socialista nos brindou com a sua indignação perante a acusação de que não estaria executando políticas de esquerda. Observação do Partido Comunista Português em resposta à encenação que o Partido Socialista acabara de levar a cabo. Indignado, responde o PS de que é de esquerda sim senhor. Que não recebe lições sobre o que é ser de esquerda de ninguém e muito menos do PCP.
Escusar-me-ei a mais que o seguinte:
Sócrates diz no debate na generalidade sobre o Orçamento do Estado para 2007 que o PSD está irritado porque este Governo PS está a fazer tudo quanto o PSD queria ter feito, mas não foi capaz.
Palavras para quê? É de esquerda também o PSD…
Tuesday, October 31, 2006
Pausa
eu bem queria que assim não fosse.
mas temos um Governo que não dá descanso aos trabalhadores a bem do lucro dos patrões. e, por isso mesmo, uns dias de pausa na escrita justificar-se-ão certamente. até ao fim da discussão do Orçamento do Estado, o famigerado orçamento.... ou o famigerado Estado.... Até lá!
mas temos um Governo que não dá descanso aos trabalhadores a bem do lucro dos patrões. e, por isso mesmo, uns dias de pausa na escrita justificar-se-ão certamente. até ao fim da discussão do Orçamento do Estado, o famigerado orçamento.... ou o famigerado Estado.... Até lá!
Tuesday, September 26, 2006
Da Interrupção Voluntária da Gravidez – notas
Motiva-me um programa da manhã chamado “opinião pública” que a Sic Notícias nos proporciona diariamente. Hoje, sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez.
Todos sabemos que existem em torno deste problema social um conjunto de tentativas de mistificação, quer da parte dos que defendem a criminalização e penalização da prática de aborto, quer da parte de alguns oportunistas que cavalgam a onda da despenalização. E este programa é óptimo exemplo disso. A Sic Notícias, embora certamente conheça o facto de que existem plataformas, partidos e associações representativas de vastas massas defensoras da tolerância e do direito de optar, convida uma associação residual sem qualquer intervenção significativa na sociedade portuguesa (provavelmente teriam preferido convidar o Bloco, mas assim, foi menos flagrante), a “não te prives”. E convida para a defesa da penalização uma senhora em nome do movimento pela vida.
Argumentos
Movimento pela vida: “não há necessidade de fazer um referendo por que as condições que determinaram o resultado do último não se alteraram.”; “a mulher poder abortar sem mais nem menos é uma afronta ao direito básico do nosso Estado, a vida”; “eu preferia que o ministro [da saúde] não tivesse dito o que disse, porque é um incentivo ao aborto. Eu sei porque sou mulher.”
Não te prives: “o aborto é uma matéria privada”; “obrigar uma mulher a ir a um hospital público é trazer o seu íntimo para a esfera pública”; “o aborto deve ser apenas uma escolha privada da mulher”.
A mistificação é óbvia de ambas as partes. O movimento pela vida insiste nas suas teses conservadoras, partindo do princípio que a mulher é uma devassa que não tem consciência de decidir sobre os seus problemas. A igreja e estes movimentos controlados pelos resquícios da influência moral católica entendem que a mulher é um ser, por definição, amoral e com tendências demoníacas e como tal, a sociedade tem de limitar as suas opções. Além disso, a senhora que ali foi falar em nome desta plataforma considera que as mulheres abortam sem mais nem menos e que qualquer coisa é um incentivo ao aborto. Esta senhora, muito provavelmente, teve uma educação muito restritiva, isto porque ela, certamente teria abortado todos os dias e fornicado com tudo e todos, caso não fossem os seus pais a limitar tais impulsos pagãos.
A senhora da “não te prives” que engoliu a mesma cassete “lições de retórica em k7” que o Louça, provavelmente encomendadas a um seminário onde se ensina a doutrina cristã, teve um papel brilhante. Qual desenho animado simpático, de sorriso permanente e voz calma e altaneira, defende que exista um referendo e que as pessoas votem “sim à despenalização”. Estas associações satélites do Bloco de Esquerda defendem que a direita mais conservadora tenha todo o tempo para aproveitar inclusivamente o natal para voltar à carga com a argumentação bolorenta e demagógica. Defendem o referendo como única forma de fazer o BE voltar à ribalta na comunicação social. Em torno da liberdade individual e colocando o problema exclusivamente na esfera da privada da mulher desviam os olhares e a crítica social das questões de fundo. Direitos das mulheres! D I R E I T O S. Direito à maternidade. Direito a salários condignos. Direito à saúde e à educação. Esta não é uma questão privada da mulher. Aquilo que é privado é a decisão em si, nada mais. De resto, o aborto é um problema social, reflexo de outros, problema de saúde pública radicado na luta de classes.
Esta não é uma matéria privada. é uma matéria de saúde pública e direitos sociais. O Estado burguês está a punir mulheres por um problema que o próprio criou. Esta não é assim, matéria de referendo, porque isso é assumir que esta é uma questão de impasse moral. E não é. Nenhuma concepção ética pode ser imposta. O que cada voto no "não" fará é isso mesmo.
O Estado Português é laico - do grego "laos" que significa "povo, gentes". Ou seja, não é um Estado fundado em concepções éticas, religiosas ou morais de uns ou outros. E essa é a única forma de permitir que todas essas concepções são livres de existir.
Todos sabemos que existem em torno deste problema social um conjunto de tentativas de mistificação, quer da parte dos que defendem a criminalização e penalização da prática de aborto, quer da parte de alguns oportunistas que cavalgam a onda da despenalização. E este programa é óptimo exemplo disso. A Sic Notícias, embora certamente conheça o facto de que existem plataformas, partidos e associações representativas de vastas massas defensoras da tolerância e do direito de optar, convida uma associação residual sem qualquer intervenção significativa na sociedade portuguesa (provavelmente teriam preferido convidar o Bloco, mas assim, foi menos flagrante), a “não te prives”. E convida para a defesa da penalização uma senhora em nome do movimento pela vida.
Argumentos
Movimento pela vida: “não há necessidade de fazer um referendo por que as condições que determinaram o resultado do último não se alteraram.”; “a mulher poder abortar sem mais nem menos é uma afronta ao direito básico do nosso Estado, a vida”; “eu preferia que o ministro [da saúde] não tivesse dito o que disse, porque é um incentivo ao aborto. Eu sei porque sou mulher.”
Não te prives: “o aborto é uma matéria privada”; “obrigar uma mulher a ir a um hospital público é trazer o seu íntimo para a esfera pública”; “o aborto deve ser apenas uma escolha privada da mulher”.
A mistificação é óbvia de ambas as partes. O movimento pela vida insiste nas suas teses conservadoras, partindo do princípio que a mulher é uma devassa que não tem consciência de decidir sobre os seus problemas. A igreja e estes movimentos controlados pelos resquícios da influência moral católica entendem que a mulher é um ser, por definição, amoral e com tendências demoníacas e como tal, a sociedade tem de limitar as suas opções. Além disso, a senhora que ali foi falar em nome desta plataforma considera que as mulheres abortam sem mais nem menos e que qualquer coisa é um incentivo ao aborto. Esta senhora, muito provavelmente, teve uma educação muito restritiva, isto porque ela, certamente teria abortado todos os dias e fornicado com tudo e todos, caso não fossem os seus pais a limitar tais impulsos pagãos.
A senhora da “não te prives” que engoliu a mesma cassete “lições de retórica em k7” que o Louça, provavelmente encomendadas a um seminário onde se ensina a doutrina cristã, teve um papel brilhante. Qual desenho animado simpático, de sorriso permanente e voz calma e altaneira, defende que exista um referendo e que as pessoas votem “sim à despenalização”. Estas associações satélites do Bloco de Esquerda defendem que a direita mais conservadora tenha todo o tempo para aproveitar inclusivamente o natal para voltar à carga com a argumentação bolorenta e demagógica. Defendem o referendo como única forma de fazer o BE voltar à ribalta na comunicação social. Em torno da liberdade individual e colocando o problema exclusivamente na esfera da privada da mulher desviam os olhares e a crítica social das questões de fundo. Direitos das mulheres! D I R E I T O S. Direito à maternidade. Direito a salários condignos. Direito à saúde e à educação. Esta não é uma questão privada da mulher. Aquilo que é privado é a decisão em si, nada mais. De resto, o aborto é um problema social, reflexo de outros, problema de saúde pública radicado na luta de classes.
Esta não é uma matéria privada. é uma matéria de saúde pública e direitos sociais. O Estado burguês está a punir mulheres por um problema que o próprio criou. Esta não é assim, matéria de referendo, porque isso é assumir que esta é uma questão de impasse moral. E não é. Nenhuma concepção ética pode ser imposta. O que cada voto no "não" fará é isso mesmo.
O Estado Português é laico - do grego "laos" que significa "povo, gentes". Ou seja, não é um Estado fundado em concepções éticas, religiosas ou morais de uns ou outros. E essa é a única forma de permitir que todas essas concepções são livres de existir.
Subscribe to:
Posts (Atom)
