Friday, May 09, 2008
condição: trabalhadora
Nesta relação de exploração actual, em que burguesia e proletariado se degladiam com grande intensidade no plano material, embora disfarçado pelas teses proto e criptofascistas do idealismo mais retrógrado, há uma linha flutuante que varia a sua posição de acordo com a correlação de forças. Essa linha é bem expressa nas taxas de exploração que a burguesia vai conseguindo, aumentando ou diminuindo a mais-valia extraída do trabalho, consoante o poder da luta dos trabalhadores em cada momento do tempo e em cada lugar do espaço.
Nesta luta que não se faz apenas através da posse objectiva do poder, nem de resultados isolados aqui ou ali porque há muitas posições intermédias e muitos sucessos e retrocessos, a linha da capacidade de exploração do trabalho pelo capital move-se para cima e para baixo. Para isso, tanto trabalhadores, como capital desenvolveram factores de poder e de força, como instrumentos para a alteração da correlação de forças em cada momento. Se a burguesia desenvolveu o salário, os trabalhadores desenvolveram a greve; se a burguesia criou e doutrinou a sua democracia, os trabalhadores criaram e conceberam o Estado Socialista; se a burguesia inventou o despedimento, os trabalhadores exigem contratos de trabalho; se a burguesia inventou a jornada, os trabalhadores exigiram o horário de trabalho e a compensação pelas horas extraordinárias. Mas também existe o inverso da medalha: se os trabalhadores criaram os sindicatos de classe, a burguesia criou os sindicatos trade-unionistas e amarelos; se os trabalhadores geraram unidade, a burguesia introduziu a divisão individualista; se os trabalhadores desenvolveram o materialismo dialéctico, a burguesia investiu mais ainda na lavagem idealista da relidade e estreitou os seus laços com a religião; se os trabalhadores criaram os partidos comunistas de classe, a burguesia proíbiu-os, esmagou e perseguiu.
Os factores de luta são imensos, os instrumentos de pressão também. E muitos são também os mecanismos de classe. De um e de outro lado da barricada.
Um dos mecanismos que o sistema capitalista tem vindo a desenvolver é o da ofensiva ideológica requintada, subliminar e com recurso à educação de massas e à comunicação social de massas. Mas outros mecanismos, tão ou mais antigos, persistem e até se agigantam. A marginalização de grupos sociais, a miséria e o crescimento do exército industrial de reserva (os desempregados), por exemplo.
Outro, de que queremos agora falar, é o da estratificação dos custos do trabalho, ou seja dos salários, dentre a mesma classe, as mesmas funções laborais, utilizando como factor decisivo a fragilidade e debilidade do movimento operário em cada uma dessas camadas estratificadas. A divisão internacional do trabalho é, também ela definida em parte com base nesse critério. A discriminação salarial das mulheres também.
O posicionamento que a burguesia actual faz das mulheres, enquanto parte da população mais frágil perante a exploração é um mecanismo de aumento generalizado da exploração de todos os trabalhadores. Da mesma forma que as diferenças dos custos do trabalho entre países é um factor, não de competitividade como lhe chamam, mas de diminuição dos custos do trabalho (salários) em todos os países. A situação de explorados dos trabalhadores coloca todo o proletariado mundial numa posição de solidariedade e não de competetividade. Onde perdem os trabalhadores num determinado ponto do globo, outros tantos perderão também em todo o resto do mundo.
A divisão artificial dos trabalhadores com recurso ao conceito de nacionalismo burguês é um mecanismo comparável ao que a burguesia utiliza para a divisão dos trabalhadores com base no sexo. A tentativa de colocar uma linha divisória entre homens e mulheres pelas suas características biológicas, sexuais e mesmo psicológicas e comportamentais é por demais óbvia. A burguesia, ancorada no preconceito e na tradicional minimização do sexo feminino, utiliza as mulheres como um factor de diminuição dos custos da mão-de-obra e de diminuição dos direitos dos trabalhadores.
A posição social das mulheres não é supra-classista e não pode ser dissociada em momento algum da sua integração numa ou noutra classe social.
A posição social da mulher é indissociável, não do seu sexo, mas da sua condição de explorada ou exploradora.
A luta das mulheres é, portanto, uma luta solidária com os movimentos operários de todo o mundo. Não a luta da burguesia em torno da promoção do género feminino como algo etéreo e condição meramente fisiológica, mas a luta da mulher na esfera da melhoria da sua condição social enquanto elemento da camada trabalhadora em que se insere.
É por isso que não existe feminismo revolucionário. Porque ser revolucionário é perpsectivar uma transformação social de neutralização das actuais relações entre classes e não entre sexos. A luta das mulheres é componente indissociável da luta dos povos pela libertação da exploração. O socialismo não é nem patriarcal nem matriarcal, não é machista nem feminista porque, pura e simplesmente, o marxismo não assenta a sua análise social e política nas tendências comportamentais, nem nas características ou propriedades físicas das camadas trabalhadoras, mas sim na condição básica de explorado.
Os feminismos esquerdistas são tão ou mais responsáveis pela diversão intelectual das mulheres como a pseudo-preocupação "de género" da burguesia, mas isso, porque não pode ser agora detalhado, fica para o próximo episódio do império bárbaro. Não perca!
Falta pois aproveitar para anunciar que o PCP realiza amanhã, dia 10 de Maio, o seu Encontro Nacional sobre os Direitos das Mulheres, em Lisboa, pelas 10.00h. Um certo e poderoso contributo para o aprofundamento necessário da questão feminina e para a luta das mulheres!
Censura
Vá de ridicularizar os estatutos do PCP, onde o Partido se afirma como vanguarda da classe operária e de todos os trabalhadores, esquecendo o facto de o PCP o declarar frontalmente sem enganos ou camuflagens, enquanto que o PS não explica nos seus estatutos de quem é vanguarda ou retaguarda. Sério seria se lá colocasse logo nos primeiros artigos que "O Partido Socialista é a vanguarda do patronato e dos grandes interesses económicos".
É que esta censura é apenas uma expressão parlamentar e institucional da condenação popular que por aí vai crescendo a este Governo. O PCP mais não fez senão interpretar genuinamente esse sentimento.
O Partido Socialista vai aguentando estes ataques no plano institucional, vai suportando um governo com base apenas em dois apoios: o da maioria absoluta parlamentar e o do grande capital que continua a utilizar este partido como comissão delegada dos seus interesses. Mas o que o PS não pode em momento algum esquecer é que a democracia, mesmo quando o PS disso não gosta, não se limita a um parlamento enconchado, nem a senhores de gravata e senhoras de salto alto e colares mais vistosos que a torre eiffel. A democracia, mesmo quando o PS não quer, ultrapassa as concepções jurídicas, os limites burocráticos, as definições dos manuais, as barreiras legais. Voltando à democracia no sentido puro de laocracia, o povo expressar-se-à das mais diversas maneiras. O voto uma delas, poderosa sem dúvida, mas nunca a única.
Wednesday, April 16, 2008
O espectador-praticante
Também nesta área se exige uma ruptura democrática e de esquerda com a actual política. Uma ruptura que recentre o desporto e a actividade física no plano dos direitos do povo português. Actualmente vivemos, portanto, um momento de aparente desenvolvimento desportivo, que é catapultado para a opinião pública através de uma promoção absolutamente hiperbólica do futebol profissional, mas que promove exclusivamente o desenvolvimento do desporto para espectadores e não para atletas. A generalização da posição de espectador de sofá significa directamente a diminuição do tempo de prática desportiva e o estímulo ao sedentarismo passivo. O desporto passa a entretenimento e deixa a categoria de direito de cada cidadão.
As políticas dos governos, ao invés de encorajarem a prática desportiva, mesmo sem punir o desporto profissional – o futebol, digamos - , optam por punir o desporto democrático e popular, através do estrangulamento financeiro e acantonamento político das colectividades de cultura desporto e recreio, clubes e associações desportivas, que são os verdadeiros promotores do desporto para praticantes e os verdadeiros parceiros do Estado no cumprimento do objectivo constitucional da garantia do direito ao desporto e através da promoção e estímulos financeiros, políticos e legislativos ao futebol profissional, fora esse o único eixo do desporto nacional.
Com estas políticas, o Governo faz mais uma vez o seu papel de comissário dos interesses do grande capital e do capital financeiro: promove a concentração de capitais e a dinamização de um mercado brutal e avassalador que cria lucros sem produção e que explora vastas camadas da população, particularmente as mais pobres e que, simultaneamente, contribui para um estratégico objectivo do capital – a alienação de massas e a promoção da apatia acrítica. A venda dos direitos de transmissão televisiva e radiofónica, a venda de merchandising, a venda de patrocínios e de materiais desportivos, a venda da imagem de este ou aquele jogador, treinador ou emblema clubístico, a venda de imprensa especializada, etc., são apenas exemplos das componentes várias de um mundo de lucro improdutivo que além das referidas tem íntimas ligações em diversos países do mundo com a especulação imobiliária a corrupção política e financeira, a mercantilização do desporto, a dopagem, o tráfico de influências e o trabalho infantil.
É urgente uma política desportiva que tenha como principal objectivo o desenvolvimento desportivo, como a assumida em 1974-1976, que estabeleça objectivos claros para o crescimento e alargamento da prática desportiva entre os jovens, os trabalhadores, os homens e as mulheres, os deficientes e os idosos.
Friday, April 04, 2008
"se fosse meu filho partia-lhe os braços"
Em torno de um vídeo no Youtube tem-se feito uma novela de dimensões que, não fora a seriedade do problema, se aproximariam do ridículo. A violência nas escolas, a indisciplina, as armas, etc. A sic faz especiais, o problema dura há duas semanas nas páginas dos jornais. Mais uma vez a comunicação fortemente apostada em criar um clima de desânimo e desesperança a apelar àquele sentimento famoso do "no meu tempo não era assim"...
Todas as gerações têm por hábito dizer que a juventude está perdida, que no seu tempo as coisas "não eram assim". Se fôssemos a julgar o actual estado da Humanidade e das sociedades pela súmula dos comentários das sucessivas gerações em relação às juventudes, diríamos estar perante o caos absoluto, perante uma sociedade de regressão civilizacional e tecnológica.
A julgar pela degradação moral, estética, social e cultural de que acusam a juventude de agora na sequência de terem sido no passado acusados tal e qual como fazem agora, estaríamos pois perante a mais javarda das épocas da história da Humanidade, estaríamos provavelmente próximos da Era do Verme Mentecapto. Mas curiosamente isso não se verifica. Estamos pelo contrário, perante a mais desenvolvida das épocas do Homem, onde a inteligência é a matéria-prima de um conjunto de processos que nunca antes tinham tido tanta expansão. Apesar do sistema capitalista, os dias contemporâneos donde não excluímos as experiências socialistas são os dias do Homem.
Esta é uma era de degradação material para uns e de enriquecimento para outros. Mas é inequívoco o crescimento do somatório da criatividade e capacidade humana.
E, no entanto, há uma pressão brutal que a todo o custo visa desacreditar a juventude, que visa criar uma sensação de desnorte moral e social. Que visa acima de tudo justificar as opções que já se preparam de regressão a um passado político que não esquece mesmo quem o não viveu.
O sistema precisa de uma componente cada vez mais hiper-vigilante, mais controladora, securitária e autoritária. O sistema precisa desse controlo permanente como forma de condicionar o comportamento humano, como forma de eliminar os comportamentos revolucionários, críticos e dinamizadores do pensamento colectivo. O sistema precisa disso na medida em que precisa da exploração. O sistema sabe melhor que as classes trabalhadoras que a exploração é insustentável no longo prazo e que, inevitavelmente, essas classes tomarão consciência transformadora. A questão é retardar.
Criar a ideia de que a escola é um meio violento, no seio do qual os estudantes não podem ser livres porque são vândalos é o primeiro passo para instigar medidas securitárias e autoritárias. No dia em que justificamos a videovigilância nas escolas, o cartão magnético, o controlo total sobre a vida do estudante, estamos a aceitar implicitamente e a médio prazo que o mesmo aconteça com os trabalhadores no local de trabalho. Daí é um passo até à expansão do modelo securitário para toda a sociedade.
À margem de tudo, continuam os problemas sociais e as irresponsabilidades acumuladas dos sucessivos governo e que são a verdadeira causa radical dos fenómenos de exclusão e violência escolares. À margem de tudo isso continuam os esforços dos estudantes e dos professores para construir uma escola democrática e inclusiva. À margem da Comunicação Social e da fúria histerizante dos especiais da tv e das capas dos jornais continuam as propostas do PCP na Assembleia da República.
Thursday, April 03, 2008
alguém me explica?
é que o Partido Socialista, com a sua maioria absoluta acaba de rejeitar uma política de mera prevenção de impactos dos sismos e de diminuição da vulnerabilidade sísmica do edificado em Portugal, com todos os restantes partidos a votarem favoravelmente.
Wednesday, April 02, 2008
a gestão como política
A gestão, por seu lado, é-nos apresentada como uma ciência, um objecto e um objectivo em si-mesma. A gestão enquanto instrumento social e económico ao serviço do bem comum é substituída por uma concepção de "gestão" cujo significado é objectiva, embora disfarçadamente, "gestão capitalista". Desta forma, os governos remetem para a esfera do inevitavel, do incontornavel e do facto consumado todas as políticas que entendem, limitando a dimensão da política a um estreito conceito de "gestão". Isto consolida a perspectiva do Governo-administração, funcionando como o Conselho de Administração. O Governo torna-se portanto um mero gestor, que gere consoante as orientações do mercado e as condições que o cenário em que se move lhe impõe. As opções de classe e a dimensão democrática e participativa que a "política" comporta são completamente arrasadas para dar lugar a uma prática empresarial.
Com isto, todo o país é sujeito às maiores injustiças em nome da "gestão" e para trás fica, cada vez mais distante, a democracia.
Mais "gestão" é hoje menos democracia.
Tuesday, March 25, 2008
Afinal...
1. Não passam imagens recolhidas em território Chinês. Repetem até à náusea imagens de uns pobres coitados a gritar "free tibet" mas sempre em países estrangeiros e alheios ao problema. As forças de segurança que aparecem a reprimir o pânico desses manifestantes são, portanto, de outros países e não chinesas.
2. É alvitrado todo um conjunto de preconceitos contra a República Popular da China, ignorando toda a conjuntura daquele país, a sua história milenar e contemporânea, a sua economia, a sua dimensão demográfica, a sua política interna e externa.
Por isso mesmo, aqui deixo mais uma sugestão para contextualizar os interessados:
http://www.resistir.info/asia/tibete_mar08.html --- e sugiro que leiam também os textos que são referenciados no fim do artigo.
Tuesday, March 18, 2008
O tibete ou não?
Ao mesmo tempo que se diz que o Dalai Lama é uma Santidade pacifista, oblitera-se o facto de ter sido sempre apoiado pelas mais sanguinárias forças do mundo, como a própria CIA como é bem sabido.
Ao mesmo tempo que se pinta dos monges uma figura carismática e pacífica, esquece-se como era o regime no Tibete quando era determinado por esses monges, por esse clero, por esses senhores feudais.
Para uns, ter um regime político baseado na crença religiosa e ter uma hierarquia social alicerçada no dogma religioso é sinal de atraso democrático. Para outros, pelos vistos, o regime feudal de exploração generalizada do povo, de propriedade religiosa das terras e de domínio religioso das populações é um sinal de avanço... O que é estranho é que as mesmas pessoas têm a primeira análise quando se trata do seu país ou do Iraque, por exemplo. Mas têm a segunda quando se trata da República Popular da China e do Tibet. E isso denuncia bem a manipulação que é feita em torno das questões do Tibet. Além disso, restará dizer que o Tibet é uma das regiões mais desenvolvidas e mais igualitárias da RPC, que apenas uma pequena percentagem da população é Lamaísta e que existe um Regime de Autonomia Política e Administrativa do Território que foi decidido em conjunto com o próprio Povo da região do Tibet.
Monday, March 17, 2008
População asséptica
Então... por que agora se preocupam tanto com a saúde dos jovens? Preocupam-se ao ponto de proibir práticas que são já quase tradicionais entre as gerações mais jovens ( e não só ). Proibir os piercings e as tattoos é apenas mais um passo no sentido da sociedade higienizada e asséptica, para a sociedade padronizada da ASAE e das directivas europeias, a sociedadade tão asséptica, tão asséptica que se torna acrítica.
Deixem a malta tatuar-se e furar-se. Preocupem-se com coisas sérias. Apliquem normas de segurança para as lojas de piercings e tatuagens, mas fiscalizem - não as metam só no papel. Mas não venham com moralismos e paternalismos. Se eu com 16 anos tenho idade para trabalhar e assumir responsabilidade civil e criminal pelos meus actos, como posso não ter idade para furar o sobrolho, o umbigo, o mamilo ou tatuar o ombro, as costas o braço ou o raio que vos parta? Se eu com 29 anos posso decidir fumar tabaco ou cachimbo, comer frutos ou fritos, andar porco ou lavado, se posso decidir andar a pé ou de carro, ser atlético ou sedentário, porque raio não posso por um piercing? Quem é o Governo para decidir por mim as minhas práticas pessoais e as minhas opções morais e estéticas?
Thursday, March 13, 2008
A expressão da luta e a repressão
É importante compreender que a repressão e os mecanismos de propaganda ou ofensiva ideológica do sistema capitalista contra os povos têm um objectivo constante, embora se revistam de características diferentes consoante as momentâneas correlações de forças políticas e sociais e consoante o momento histórico a cada altura, fruto dessa correlação de forças. A repressão física, a prisão, a censura, a tortura e o assassinato, por exemplo, não são propriamente métodos abandonados. Na verdade, além de se continuarem a praticar em inúmeros países, são métodos aos quais os sistemas capitalistas recorrerão sempre que tiverem oportunidade ou sempre que não encontrem outra saída.
O fascismo, o nazismo e as suas ditaduras-filhas actuais são exemplos dos cursos que o capitalismo toma para se sustentar à custa dos povos. Acima de qualquer valor democrático, acima de qualquer noção de República, Estado ou Pátria, está a necessidade de crescimento e acumulação de capital por parte dos monopólios e grandes grupos que hoje dominam praticamente todo o mundo económico com os conhecidos reflexos no mundo social. Por isso mesmo, e como Vasco Cardoso explica claramente nesse artigo, rapidamente cai o véu da fachada democrática daqueles para quem a democracia não é senão um adorno do sistema. A democracia é um acessório que rapidamente se coloca de parte quando o essencial é colocado em causa. E o essencial é o lucro e o circuito de capitais que devem permanecer intocáveis. Aliás, a liberdade económica é a única liberdade que interessa e num quadro de assimétrica distribuição dos recursos, essa liberdade é sinónimo de imposição das regras dos mais fortes sobre os mais fracos.
A represssão cresce, portanto, na proporção directa da ofensiva e da luta. O agravemento das políticas de exploração, a desarticulação dos direitos dos trabalhadores, a precariezação do trabalho, a desregulamentação das relações laborais, a destruição dos serviços públicos, da saúde, da educação, as privatizações do sector energético, mineiro, das águas e dos transportes motivam lutas de dimensões imensas e de grande capacidade aglutinadora das massas que são estruturadas pela organização revolucionária dos trabalhadores - o PCP - e pelo contributo dos seus membros nas organizações sociais em que participam mas para as quais é o empenho e contributo de todos que contam.
O anti-comunismo, o autoritarismo e a prepotência são sinais de fraqueza, são sinais de debilidade e de manifesta carência de legitimidade democrática. Os comportamentos dos órgãos da comunicação social dominante, do governo e da corja de agentes "fazedores de opinião" são apenas o sinal de que a força começa a ser um requisito para que o governo e o capital consigam impor as suas orientações ao povo português. À falta de legitimidade democrática recorre-se rapidamente à legitimidade do bastão, do cárcere, da manipuação e da mentira.
O momento actual é de significativo crescimento das lutas de massas. As manifestações são de facto um elemento representativo do descontentamento e da revolta. A greve, no entanto, é a expressão máxima da luta legal dos trabalhadores, com ou sem manifestação de rua. E as greves sucedem-se, com impressionantes adesões. Greves de massas, como a greve geral e greves pontuais nas empresas privadas, na administração pública, no sector da educação, em estaleiros, em serviços, etc. A soma dos acontecimentos de luta é um mar de arrebatadoras ondas contra este Governo que, como se verá, não passa de um castelo de areia. E embora, como seria de esperar, eles vão dizendo que não se deixam afectar, os efeitos da luta são iniludíveis. A erosão política, a quebra da aparente solidez das orientações do Governo estão à vista. Os efeitos serão tanto mais significativos quanto maior for a luta.
Cumprir o nosso papel é estar à altura de desempenhar a nossa tarefa de ampliar a consciência dos trabalhadores e do povo e de motivar e organizar a sua luta contra a ofensiva. Mas é mais, é merecer a confiança dos homens, das mulheres e dos jovens para construir uma sociedade mais justa quando a ruína da actual for insuperável pelas suas respostas endógenas.
Porque uns escondem
A syngenta, a monsanto, a pioneer e outras empresas da agro e biotecnologia são conhecidas de todos pelo seu passado negro. Certamente ninguém esquece as tropelias da monsanto no que toca à hormona do crescimento para bovinos ou a tentativa de generalização de uso de pesticidas neonicotinóides classificados posteriormente como perigosos. São essas empresas que no passado nos impuseram o DDT, a hormona do crescimento, outros pesticidas de elevados riscos para a saúde que hoje vão a pouco e pouco ganhando o controlo sobre a agricultura portuguesa. Assim controlando a produção e condicionando seriamente a nossa soberania alimentar. São essas empresas que no passado deram mostras de completa ausência de limitações à sede do lucro, que actualmente promovem campanhas anti-sindicais e declaram guerra social aos seus trabalhadores, que tentam agora mascarar-se de motores do desenvolvimento e do combate à fome, à miséria e à pobreza. Aliás, assumem-se mesmo como salvadores de um globo doente, alterando o padrão genético das espécies, introduzindo genes de bactérias em batatas, "de gafanhotos em tomates", "de vermes em abacates" e por aí fora.
Curiosamente, sempre que o Bloco de Esquerda manda uns ares de sua graça sobre transgénicos, estremecem os mundos da imprensa e lá vai o louçã e a bonequinha drago às tv's e aos jornais. Também curiosamente, o Bloco nunca teve sequer o trabalho de produzir propostas nesta área. Foi sempre o PCP quem tomou a dianteira na Assembleia da República, trazendo os decretos-leis a apreciação parlamentar e propondo a cessação das vigências. O BE limitou-se a apresentar uma moratória. Mas toda a gente soube.
Pois bem. Para quem por aqui passar, pelo menos, fica a nota de que o PCP apresentou, além da sua persistente denúncia e combate à acção do Governo e à sua submissão aos interesses do grande capital dos agro-negócios, um Projecto de Lei que proíbe o cultivo de Organismos Geneticamente Modificados em todo o território nacional, abrindo apenas excepções para investigação científica e fins medicinais. No entanto, mesmo para esses efeitos, o diploma do PCP apenas permite o cultivo em ambientes controlados que garantam a não contaminação dos ecossistemas exteriores.
Para os interessados, o Projecto do PCP encontra-se aqui: http://www3.parlamento.pt/PLC/Iniciativa.aspx?ID_Ini=33746
Tuesday, February 26, 2008
desculpas esfarrapadas
Boa marcha, camaradas!
Friday, February 22, 2008
Alterações enigmáticas
Era altura de todos pararmos para reflectir um pouco sobre essa coisa das alterações climáticas.
Primeiro é curioso verificar que a conversa mudou de "aquecimento global" para "alterações climáticas", o que bem demonstra a fragilidade do conceito. Na prática, dá para tudo, faça sol ou faça chuva, pareça isto um forno ou um congelador, o conceito abrange tudo.
Segundo, seria útil que todos quantos hoje alarmam para essas alterações, pudessem dizer-nos quando começaram elas. Terá sido no Câmbrico quando a vida explodiu na Terra quase de um dia para o outro? Será que foi no princípio do Carbónico? quando florestas colossais morreram e deram origem a praticamente todos os depósitos de combustíveis fósseis do globo? ou terá sido no final do Cretássico no tal limiar histórico dos 65 milhões de anos em que os terríveis sáurios desaparecem da face do planeta num ápice? Ou terá sido já no Quaternário, quando a Mesopotâmia passa de Zona Húmida a Zona Seca e o Médio Oriente se desertifica? É que, depois de tantas significativas alterações climáticas, fica a dúvida: Se nessas alturas não existia ainda produção artificial de anidrido carbónico, metano, ou outros gases a que agora se atribui o epíteto de "gases com efeito estufa", o que provocou essas alterações massivas e globais no clima?
Mas adiante.
Dizia que estamos perante um assalto global, uma chantagem à humanidade: ou pagas a taxa ambiental ou morres num forno infernal; ou compras a lâmpada mais cara ou as águas sobem ao tecto da tua casa; ou mudas de carro ou tens um cancro pulmonar; ou reciclas ou matas a floresta tropical; e... qualquer dia... ou páras de respirar ou os gases com efeito estufa vêm à terra para te matar. Curiosamente, nunca se tem exigido às grandes corporações que parem a desflorestação, que invistam mais na investigação em torno de energias menos poluentes, que cessem a sobre-produção e a sobre-exploração dos recursos naturais. Como se fosse eu, ou tu, os culpados de eles produzirem o dobro do que é necessário.
Curiosamente, são exactamente esses, os que poluem, os que exploram e destroem, que agora vêm encostar-nos a arma etérea das "alterações climáticas" às costelas e dizer-nos "a carteira ou a vida". São exactamente aqueles que não abdicam dos aviões privados, das limusinas, do caviar, dos festins, casinos, da prostituição, da desflorestação, da poluição, das jóias, dos luxos, do lucro, que agora nos obrigam a pagar impostos pelas lâmpadas incandescentes que eles continuam a produzir. São exactamente aqueles que são donos das fábricas que poluem mais num dia que eu numa vida, que agora me vêm dizer que tenho mudar de carro, porque não tenho transportes públicos, porque eles os privatizaram. São aqueles que me dizem que para poupar água tem de se lhe aumentar o preço porque são exactamente eles que a vendem.
Já vamos estando habituados a que nos responsabilizem pelos seus erros e caprichos.
Independentemente de ser cada vez mais urgente uma política de relação entre o Homem e a Natureza diferente, uma política socialista de produção racional e de mercado ao serviço das populações ao invés de uma política que coloca as populações ao serviço do mercado, é cada vez mais importante descodificar as mensagens que circulam como dogmas. Independentemente da veracidade das tais "alterações climáticas", não podemos é permitir que isso seja utilizado como gume de uma faca que nos é apontada para nos responsabilizar e para nos extorquir. Se é verdade isso, então é apenas mais uma prova de que a sociedade humana precisa de encetar outra forma de organização, uma forma de organização socialista, com o objectivo de colocar a humanidade no centro das preocupações do sistema de poder e do sistema económico.
Friday, February 15, 2008
Saudação e acusação
Centenas de estudantes, professores, pais e amigos dos Conservatórios, do Gregoriano de Lisboa e do Ensino Público Especializado da Música deram hoje um exemplo que o Governo não esperava. À medida que o Ministério da Educação, cumprindo o seu papel de atrofiamento e desmantelamento do Sistema Público de Ensino, ia planificando a morte dos conservatórios e anunciando que pais, alunos e professores apoiavam a sua política, eis que a música sai à rua numa manifestação que foi um concerto de luta
De rostos, cordas, sopros e vozes bem firmes e levantados, todos e de todo o país deixaram claro que o Governo não terá ao caminho livre para a destruição do Ensino Artístico. Não terá caminho livre para a privatização da formação artística dos cidadãos.
Ary dos Santos e Fernando Lopes-Graça cumpriram uma vez mais o seu papel de comunistas e revolucionários – estar ao lado daqueles que lutam - poesia de combate e música resistente abraçaram fraternal e solidariamente o canto dos homens, mulheres e jovens que ali anunciavam: “Não passam mais!”
E toda a minha prosa findaria aqui, não fosse esta luta ter uma vez mais evidenciado a injustiça gritante que diariamente se vai cimentando pela calada, com a cumplidade de uns, o aproveitamento de outros e a conveniência de um sistema capitalista que não assume que os seus dias estão prestes a passar. Porque é exactamente o capitalismo enqunato sistema de organização que determina que aos estados não cabe formar integralmente os homens e as mulheres. Que, aliás, esse papel não cabe a ninguém porque para esse sistema o próprio conhecimento é valiosa mercadoria, apta a transaccionar, vender e comprar.
Que injustiça é essa, então? Que por conveniência sistémica do capital, por cumplicidade dos partidos da burguesia e da comunicação social acaba aproveitando a alguém?
Uma pequena estória e tudo, julgo, se tornará claro: há cerca de dois anos atrás, a Assembleia da República organizou um concerto e jantar com o Instituto Gregoriano de Lisboa. Os deputados da ilustre casa ficaram de se juntar aos alunos que empenharam algumas das suas horas preparando o bonito concerto e as conversas diplomáticas para o jantar. Dois deputados do Partido Comunista Português assistem ao concerto e juntam-se ao jantar para acolher com o merecido respeito aqueles professores e alunos que nos haviam presenteado belos momentos de canto gregoriano e órgão.
Espantam-se um pouco os deputados comunistas ao verificar que nenhum outro grupo parlamentar se tenha dado sequer ao trabalho de saudar os jovens cantores e companheiro organista. Ainda assim, cumpririam o seu papel de revolucionários e juntar-se-iam em representação do seu Partido aos artistas em formação, importantes alavancas do desenvolvimento cultural do país. E além de agradável companhia ao jantar no restaurante do Edifício Novo da Assembleia da República, tiveram a oportunidade de explicar as suas posições em relação a muitas coisas perguntadas com sincero interesse e algum debate à mistura. Tiveram assim a oportunidade de conhecer melhor o Instituto Gregoriano de Lisboa, o seu carácter público, o seu papel no estudo, investigação e formação em Gregoriano, bem como a oportunidade de ouvir em primeira mão as preocupações dos estudantes e professores com uma tal anunciada “refundação do Ensino Artístico” que poria, segundo os próprios, fim à sua escola e à sua formação enquanto músicos, parte integrante da sua formação enquanto seres humanos, porque quando vivemos com a arte, não podemos mais separarmo-nos dela.
Nos dias imediatamente seguintes, o Grupo Parlamentar do PCP entrega na Assembleia da República um requerimento ao governo em que faz chegar todas essas preocupações. Insistentemente durante dois anos colocou em todas as possibilidades de confronto com a Ministra da Educação as questões relativas ao Ensino Artístico, obtendo sempre o silêncio ou a mentira como respostas.
Em Abril de 2006, o Grupo Parlamentar do PCP apresenta à Assembleia da República um Projecto de Resolução (nº17/2006) que viria a ser aprovado por unanimidade e que estabelecia a passagem aos quadros dos professores contratados de técnicas especiais, para fazer frente à precariedade que os professores do ensino especializado das artes vinham a ser alvo desde há mais de dez anos. Essa resolução, convém dizer, está ainda hoje por cumprir por parte deste governo que tão rapidamente satisfaz outros interesses desde que avultados lucros para os privados se avizinhem.
Durante o mês de Outubro de 2007, o Grupo Parlamentar do PCP deslocou-se em visita oficial, através dos mesmos dois deputados comunistas, ao Instituto Gregoriano de Lisboa e à Escola de Música do Conservatório Nacional, poucos dias depois de ter recebido com gosto na Assembleia da República a Direcção dessa escola.
No decorrer da discussão do Orçamento do Estado para o ano de 2008, o Grupo Parlamentar do PCP propôs a consideração de uma verba de um milhão de euros para uma intervenção urgente no edifício da Rua dos Caetanos onde funciona o Conservatório em Lisboa, que foi liminarmente rejeitada pelo PS, PSD e CDS-PP.
Na última semana, o PCP propõe a vinda do coordenador do Grupo de Trabalho para a Reestruturação do Ensino Artístico à Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, ao mesmo tempo que o Bloco de Esquerda propõe a vinda da Ministra da Educação. Relembro que durante esta semana tem havido insistentes contestações públicas dos conservatórios e dos agentes educativos e que têm merecido significativa cobertura mediática. Curioso como dois anos depois de o problema surgir, de a Ministra meter inexplicavelmente na gaveta a Revisão Curricular do Ensino Artístico, de ter anunciado pela calada o fim do supletivo, o Bloco aparece como paladino do ensino artístico, certamente para não defraudar parte significativa do seu público alvo. Ainda assim, podia ao menos ter feito o trabalho, ao invés de aparecer à última da hora para fazer figura e colher os louros que a comunicação social rapidamente se aprontou a entregar-lhe.
No dia 14 de Fevereiro, já em plena ebulição mediática, ambos os partidos – PCP e BE – utilizam o período de declarações políticas na Assembleia da República para trazer esse assunto àquele órgão de soberania – que mais é órgão do nosso encavanço que outra coisa, digo eu em desabafo.
Importante será também dizer que logo no arranque desta sessão legislativa o PCP utilizou um agendamento potestativo na Comissão de Educação e Ciência para trazer a Ministra ao debate também sobre Ensino Artístico e o Bloco nem se dignou a estar presente. O Bloco de Esquerda anuncia agora, só agora, um potestativo para a vinda da Ministra e aí está em directo em todos os canais, alto e bom som nas rádios da nossa praça e nos jornais da nossa desgraça.
Todos os jornais, televisões e rádios mostraram o bloco de esquerda liderando o processo parlamentar. A maior parte, aliás, não só diminuiu como obliterou por completo a intervenção do PCP.
A pequena estória termina aí mesmo.
A propósito deste assunto, aproveito para meter outro de semelhanças notáveis. É comum verificar-se que existe um esforço notório da comunicação social e do próprio bloco de esquerda para associar a imagem desse partido à juventude. No entanto, facilmente verificaremos que o BE tem uma visão meramente instrumental da Juventude. Em campanha, os jovens são importante pilar do seu discurso. Louçã chega mesmo a tentar misturar-se entre essa espécie de gente miúda para colher uns sorrisos e uns votos pelo caminho. É caso para estarmos atentos ao papel desse partido na sua vida fora do período eleitoral. Ficam duas notas: o PCP apresentou há mais de dois anos um Projecto de Lei sobre Incentivo ao Arrendamento por Jovens, denunciando também a campanha contra esse incentivo que o governo promovia já na altura. Mesmo em 2005, o PCP propõe o aumento da verba no Orçamento do Estado para esse apoio aos jovens e em 2006 denuncia a diminuição em 50% do dinheiro disponível. O tal de BE manteve-se sempre calado. Quando o Porta 65 Jovem rebentou nos jornais e nos bolsos dos jovens, lá estava o BE cavalgando risonho a onda do descontentamento, montado nas cavalitas da comunicação social, principalmente da SIC. Fica também a nota de que, durante a lesgislatura presente, o BE nunca sequer teve o cuidado de ir à Comissão de Educação e Ciência ouvir a Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, nem tampouco alguma vez se deslocou a essas reuniões para falar ou ouvir falar de Juventude. Pena é que essa sistemática e displicente ausência não tenha um milionésimo da cobertura mediática da sua esporádica e oportunista presença.
Friday, February 01, 2008
"tenho a Sonae, a Amorim, os Pestana, os Espírito Santo e o Grupo Sapec no coração"
Beato, o Presidente da Câmara Municipal de Grândola veio a Setúbal insultar os Setubalenses. Não nos bastaram os 16 anos de sabujice, clientelismo e mau trabalho do seu amigo e colega Mata de Cáceres. Não bastaram. Ainda temos de aturar os tentáculos do Partido Socialista, braços voluntários do Governo, do alto das suas cátedras autárquicas de primário anti-comunismo virem à nossa terra esfregar o seu desdém na nossa cara.
Diz o Sr. Presidente da Câmara de Grândola que “Setúbal está no marasmo, parada e conformada”. Diz porque certamente não vem muito à margem norte do Sado. Talvez esteja demasiado ocupado a destruir a Península de Tróia e a impedir os setubalenses de lá porem os pés. Diz o Sr. Que “em jovem vinha passar férias a esta cidade [Setúbal] e a Tróia. Tenho Tróia no meu coração.” o que nos deixa claramente perceber que os seus tempos de jovem vão longe e que agora o seu coração deve estar bem longe de Setúbal para estar apenas em Tróia. E sendo que Tróia é do Belmiro, provavelmente este Presidente da Câmara de Grândola também tem o Belmiro no coração.
Vem então o Sr. Carlos Beato à nossa cidade em campanha eleitoral pelo seu partido, pelo seu governo. O tal governo que pune Setúbal como a poucos outros concelhos do país, que faz de Setúbal o alvo clássico da sua prepotência, da sua arrogância. O tal governo que em Setúbal, contra os órgãos municipais, contra as populações, contra a Natureza, o Mar, o Sado, a Arrábida, vem instalar uma incineradora de Resíduos Industriais Perigosos que mais não faz que satisfazer os caprichos imorais da própria cimenteira que despedaça a nossa serra diariamente sem que por isso nunca tenham sido beneficiados os setubalenses. O tal governo que impede as autarquias de Setúbal e Sesimbra de gerirem o seu próprio território porque o entrega à administração portuária. O tal governo que acaba de despedir, falhando com os compromissos assumidos pelo Estado, os mais de 200 trabalhadores da Erecta e Gestenave. O tal Governo que nos encerrou o SADU nos Hospital de S. Bernardo e que proibiu a pesca tradicional da Figueirinha ao Espichel.
É preciso, de facto, ter uma imensa falta de vergonha para vir imiscuir-se assim na vida do Concelho de Setúbal, defendendo uma perspectiva de desenvolvimento de submissão e de venda à peça do território nacional. Pode o Sr. Carlos Beato entender que cavalga a onda do progresso quando vende aos pedaços aquilo que é de todos, como fez (com a ajuda do anterior governo PSD/CDS-PP e do actual) com a Península de Tróia. Entende pois que alhear as populações do seu espaço natural, que retirar-nos as praias, que vedar as dunas para os ricos velhos nórdicos virem jogar o seu golfe e deixar o dinheirinho todo no belmiro, que implementar casinos, marinas, apartamentos de luxo em plenas reservas naturais, dunas primárias e sapais estuarinos é o cúmulo do desenvolvimento. Entende pois que entregar a população que representa à praga do trabalho precário e mal-pago, sem quaisquer direitos é alinhar no progresso. Pois entende mal, do nosso ponto de vista, Sr. Presidente. E dê-nos, por favor, permissão para ter uma opinião diferente para o desenvolvimento que preconizamos para a nossa cidade, sem que mereçamos da sua parte tão desfazadas e incompreensíveis críticas ao estado da nossa cidade e do nosso espírito colectivo.
“Não quero Setúbal a ver passar o Turismo.” ... Mas que tem o Sr. de querer ou deixar de querer? Acha mesmo que tem uma palavra a dizer no que toca ao projecto “troia resort”? E acha mesmo que tem alguma coisa a ver com o papel de Setúbal na sua relação com Tróia? Felizmente, longe vão os tempos em que Setúbal tinha na presidência da sua Câmara Municipal um balofo parasita que rapidamente acenaria que “sim” aos desejos mais obscuros dos promotores do “troia resort”, ao governo e a todos quantos demonstrassem ter mais poder que ele próprio. Felizmente, longe vão os tempos em que os setubalenses tinham de ouvir da boca do seu próprio Presidente da Câmara que “a co-incineração faz bem ao ambiente”. Portanto, como deve calcular, os setubalenses não têm agora que levar com a verborreia de encher dos primos, amigos e amigalhaços dessa gente que durante tanto tempo condenou Setúbal ao sub-desenvolvimento e que esbanjou os recursos da autarquia para que quem viesse a seguir fechasse a porta. Eu desafio-o, Sr. Presidente da Câmara de Grândola, a visualizar o vídeo de promoção do empreendimento da Sonae. Está disponível em Inglês e Português no site http://www.troiaresort.net/, e nesse procurar o número de vezes que aparecem referências a Setúbal. Verá que “Setúbal” aparece apenas uma vez por escrito, sem qualquer destaque, apenas como forma de identificar um mapa. E já agora, caro Sr. Presidente, procure quantas referências às tradições locais existem, a Grândola e até mesmo... aos famosos roazes corvineiros do Sado. Verá que afinal não é o Sr. que quer ou deixa de querer isto ou aquilo de Setúbal ou do resort. Está bem definido para a Sonae qual será o papel de Setúbal e de Grândola neste resort: o de fornecer a mão-de-obra barata, sazonal e precária para satisfazer apenas as necessidades de trabalho do resort.
Para os setubalenses o turismo é um elemento fulcral para o desenvolvimento económico da região. Mas não um turismo qualquer. Não o turismo que vive de arredar os setubalenses das suas práticas e tradições. Não um turismo que nos impeça de ir à amêijoa na caldeira, de levar a avó a pôr os pezinhos na água do rio na praia da Troia, de andar pela rua a cheirar a peixe, com as mulheres a gritar enquanto carregam fortemente os “rr”, não um turismo que nos impeça de nos estendermos ao sol nas dunas da Tróia, que nos afaste das toneiras, dos palhaços, das canas e dos carretos, que nos tire a Serra da Arrábida, e as festas da Tróia, que nos impeça de ir à praia onde fomos desde pequenos. Não. Não queremos ser os paquetes e os carregadores das malas dos velhotes nórdicos que frequentam campos de golfe onde deviam estar areais salgados, que nadam em piscinas onde antes espadanavam aves e cresciam ostras.. Não é esse turismo que queremos. Queremos um turismo que não nos afaste das nossas riquezas. Queremos um turismo em que os convidados estrangeiros convivam lado-a-lado com as nossas tradições, o nosso artesanato, as nossas vivências pitorescas, que sintam que pisam Portugal quando pisam a nossa terra. Um turismo que dinamize o tecido das pequenas e médias empresas, principalmente do pequeno comércio, que encha de tarde os cafés e as esplanadas, que passeie nas nossas avenidas. Um turismo que não se feche num resort, que saiba que existem ali pessoas que não são seus escravos. Um turismo que possa conhecer os nossos artefactos, gastronomia ou monumentos, sem ter de os conhecer em objectos feitos em taiwan, ou de os provar cozinhados com peixe congelado ou através de postais feitos numa tipografia chinesa..
Não, Sr. Presidente da Câmara Municipal de Grândola, Setúbal não está num marasmo, não está conformada com a política que lhe vem sendo imposta pelo governo que o Sr. aqui veio representar. Setúbal continua empenhada em lutar contra estas políticas e a prova disso é a própria concentração contra a co-incineração que juntou centenas de setubalenses empenhados na defesa do seu concelho e de uma perspectiva de desenvolvimento diferente. Não estamos parados aqui onde as pessoas começam finalmente a contar para alguma coisa, onde os jovens têm apoio ao invés de desprezo e chacota, onde o movimento associativo é impulsionador da vida da cidade: Torne a vir Setúbal com os olhos abertos e disponível para outra coisa que não seja dizer mal e passeie nas ruas da baixa que antes eram desertas, ou vá durante um fim de semana ao Parque do Bonfim, ao Parque da Algodeia ou ao Parque Verde da Bela Vista, aproveite e dê um salto às feiras e vendas no Rossio em Vila Nogueira de Azeitão. Só não verá se não quiser, Sr. Presidente da Câmara de Grândola que Setúbal parada e conformada nunca existiu e que tivemos foi 16 anos a pata do seu partido em cima, furando pela nossa terra a dentro com túneis, pontes, praças de pedra, todos inúteis que a pouco e pouco nos sufocavam. Mas felizmente respiramos de novo.
Leve o cais dos Ferry-boats para a base militar, tire a praia aos setubalenses, faça bom proveito das lagostas que comerá no casino e aproveite o caviar e a beluga da Sonae. Coma por todos nós uns pastelinhos nas inaugurações, mas deixe as cerimónias em Grândola onde certamente contará com alguma criadagem. Mas não se engane, Sr. Presidente, que a grandeza à custa dos outros é sempre sol de pouca dura e a história mostra-nos bem que o povo há-de, mais cedo ou mais trade, cobrar o que lhe foi sendo tirado. Em Grândola, terra serena, vila morena, não será diferente.
Fique com o seu desenvolvimento físico, com os resorts, as marinas, os casinos e os golfinhos mortos. Entregue as suas praias e a faixa costeira, mais as dunas e os areais, os sapos e as cegonhas, as halófitas e os sapais, ao Belmiro que reside, pelos vistos, no seu coração. Mas por favor, deixe de fora desse seu órgão cardíaco o nosso concelho e as nossas decisões. E permita-nos optar sem a sua sapiência balofa e essas orações.
Tuesday, January 22, 2008
uma boa notícia!
Friday, January 18, 2008
Não lhes escapa nada
Como certamente repararam, comecei o texto por três palavras em jeito de sub-título, que, por si só apontam bem para uma concepção. Uma concepção que até para o mais limitado dos leitores certamente será diferente daquela que se segue: Deficiência.
Não é por acaso que no Sistema de Ensino Português existe um conceito de Ensino Especial, constituído na prática por um conjunto de profissionais e escolas que o levam a cabo ainda que com manifestas insuficiências, particularmente aquelas que se devem ao sub-financiamento crónico do Sistema de Ensino Público e à desresponsabilização dos governos pela Educação e Ensino das crianças com necessidades educativas especiais e das pessoas deficientes (se não tomamos cuidado, qualquer dia é tão descabido gastar dinheiro do Estado com o Ensino Especial que mais vale deixar esta camada da população encerrada numa cave até definhar), esse conceito advém da necessidade identificada de proporcionar na Escola Pública e fora dela a capacidade de resposta educativa a todos - é o princípio da escola inclusiva, até plasmado na Declaração de Salamanca, subscrita pelo Estado Português,
No entanto, o Governo, como sempre a bem da Escola Pública e do Ensino Especial, decide extinguir o Ensino Especial para metade dos alunos que o frequentavam e faz publicar agora um Decreto-Lei que estabelece como regra que apenas tem acesso ao Ensino Especial o deficiente.
Necessidades Educativas Especiais é, como me parece relativamente óbvio, diferente de Ensino para Deficientes. O ensino especial abarca, por isso, o ensino para deficientes, mas não se esgota nele. Pelo contrário, a escola inclusiva deve abranger todos e proporcionar a resposta adequada a cada um, de acordo com as suas necessidades educativas. Ou seja, a indicação de quem precisa ou não de Ensino Especial deve ser feita com base em critérios pedagógicos e não meramente médicos. O largo espectro de défices cognitivos, as dificuldades linguísticas, as incapacidades sociais, as deficiências, a surdez, a cegueira, a surdocegueira, o autismo, constituem um vastíssimo, e quase impossível de sistematizar, universo de características que podem determinar uma necessidade educativa especial, muito embora, apenas algumas delas possam de facto indicar presença objectiva de deficiência.
O Governo, na insensibilidade que o vem caracterizando e na linha da sua fúria contra o ensino público e de contenção orçamental, vem pois estabelecer esta gravíssima norma: só há ensino especial para quem seja indicado clinicamente como deficiente - no quadro da chamada "classificação internacional de funcionalidade" da Organização Mundial de Saúde, exluindo assim milhares de miúdos com carências educativas especiais da escola pública, pondo fim à concepção de Escola Inclusiva e de Necessidades Educativas Especiais.
Um comunista é feito do que o rodeia, e parte de si são os outros. Um comunista é sempre um Humanista. E exclusão não é compatível com humanismo em circunstância alguma. Punir os mais fragilizados, os mais fracos, é sinal de fraqueza, de desumanidade reles e rente. A luta é também contra esta política de elites, de exclusão e de destruição da Escola Pública. A luta pela democracia é a luta pela Educação!
Eu(não)ropa, Tu(não)ropa, Nós(não)ropa
Mas um dos factos positivos associados à descarada mentira, é que se torna também descarada a verdade.
Se o silêncio deixava sempre uma dúvida pairar – há referendo, não há referendo...? - o anúnico solene da mentira afastou as nuvens difusas e deixou a nu a verdade. E a verdade é que esta Europa não é dos povos. Não é dos povos, mas também não é dos governo, como acha o Francisco Louçã. A verdade é que os Governo também são de alguém. E a esse alguém pertence a Europa – esta Europa. Esta é a Europa do Capital, da exploração, dos interesses escondidos, da banca, da especulação e do federalismo, em suma, a Europa como pólo imperialista, onde o Capital e as suas políticas se cimentam e estendem o seu domínio. É esta a Europa que usa “democracia” como mote para justificar apenas os seus fins; é a Europa das agendas obscuras; a Europa de circulação livre de capitais onde “liberdade” é de mercado; a Europa dos senhores; dos amontoados de pobres para fazer um rico.
Europa já não é o nome de um continente apenas, é essencialmente o nome de um projecto político neol-liberal.
Eles pensam que não os vemos a cometer os crimes – sim, porque é mentir ao povo e trair a pátria são crimes, ainda que não nas leis deles – mas há uma atenção latente. Há uma atenção que saberá cobrar os crimes, mais cedo que tarde, dos que nos vendem aos pedaços o país, dos que nos vendem a troco de um afagar interesseiro, qual cães fossem. E haverá mais cobrança para aqueles que, querendo ser cães, de vermes não passam por não ter espinha dorsal. Essa raça de sabujos mentirosos, capatazes aplicados e jagunços do capital não perderá pitada da cobrança que aqueles que trabalham para os encher lhes exigirão. Pois “quando o povo acorda é sempre cedo”, muito embora hoje lhes pareça já tarde.
Wednesday, January 09, 2008
Sobre a lógica e a coerência
Hoje presenciámos um dos mais lamentáveis exemplos de retórica na Assembleia da República. Sócrates, no seu incansável mas já insuportável estilo, presenteou-nos com a notícia de que havia - ponderada e responsavelmente, pois claro – decidido pela não realização de referendo no que à ratificação pelo Estado Português do famigerado Tratado Europeu (agora infamemente ligado à nossa cidade capital pelo nome) diz respeito.
A lógica é, nos debates parlamentares, habitualmente espezinhada e completamente amputada da sua mais basilar utilidade para o raciocínio do Homem.
Hoje, a ausência de lógica aliou-se à mentira e à retórica mal-intencionada e deu origem a um triste momento político. Dizia Sócrates que o PCP tem uma visão instrumental do referendo porque se tinha oposto ao referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. Chamava a atenção para uma suposta incongruência na atitude política do PCP, sendo que este partido agora defende a realização do referendo ao Tratado Constitucional, reformador, de Lisboa, ou como lhe queiram chamar.
A utilização de um argumento falso até às últimas consequências de um racionínio acaba por contradizer a tese que visava defender. Ora o Primeiro-Ministro visava defender que o Governo estava legitimado a saltar por cima do povo a bem da democracia – para tal sustentou que a incongruência residia no PCP que tinha uma suposta visão instrumental do instituto referendário.
Vejamos, se o Primeiro-Ministro considera que o PCP, a bem da congruência, deveria defender a mesma forma para a aprovação da lei da IVG e para a ratificação do tratado constitucional europeu, então, pedir-se-lhe-ia, no mínimo que aplicasse também essa lógica às suas opções políticas.
Assim, se Sócrates julga incongruente a diferença de posições do PCP quanto a estes diferentes referendos, deve reconhecer que se torna, pelo exacto e mesmo motivo, inconsistente também a alteração de posições do Governo – que forçou a realização de um referendo para a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, e agora se nega a realizar um referendo sobre a soberania nacional e sobre as mais significativas traves do edifício da nossa nação e da nossa pátria.
Sobre a lógica do Governo, restará dizer pouco.
Sobre a perspectiva política subjacente a esta lógica resta muito e muito ficará por dizer:
O PCP opôs-se, e bem, ao referendo sobre a IVG porque considerava que essa era uma matéria de saúde pública e de direitos das mulheres, em que a moral de uns não poderia nunca impor-se à liberdade e à decisão de outras. Independentemente do que este ou aqueloutro julga sobre a prática da Interrupção Voluntária da Gravidez, deve ser garantido a todas as mulheres portuguesas o direito de optar sobre a sua própria vida. Já o referendo contraria directamente a perspectiva da IVG como um direito e dá-lhe de alguma forma o carácter de “aceitação social” ou de “concessão de tolerância”. Perante a Despenalização da IVG levantaram-se duas vozes partidárias a favor do referendo.
A do Bloco de Esquerda, num claro aproveitamento de um momento político em que saberia que poderia usufruir do garantido protagonismo na comunicação social, assumindo mediaticamente a realização de uma luta que afinal deixou para os outros fazerem.
A do Partido Socialista que teve de respeitar compromissos assumidos com os sectores mais reaccionários e conservadores de Portugal e que jogou a cartada do referendo para dar espaço às vozes obscurantistas, assim fazendo a sua vénia aos valores caducos, mesmo sabendo que estavam derrotados.
O PCP defende, e bem, a realização de um referendo sobre o Tratado Europeu, sendo que estão em causa os próprios pilares da Constituição da República Portuguesa e, como consequência, a própria soberania nacional. A entrega dos recursos marinhos nacionais às potências estrangeiras; a criação de um Super-Estado europeu directamente ligado ao poder federalista dos maiores e mais poderosos; o condicionamento cada vez maior do quadro legislativo nacional pela “europa” e a consolidação do neo-liberalismo como política transversal do sistema europeu seriam, não houvesse outros, motivos suficientes para o recurso ao referendo ao tratado.
A rejeição do Tratado Europeu por parte de outros povos da Europa levou a que o referendo deixasse de ser uma hipótese. A democracia é, neste comportamento sim, encarada de forma instrumental. Na verdade, Sócrates, o bom aluno europeu, é quem tem a visão mais instrumental do referendo: agora que a democracia é um empecilho ao desenvolvimento da sua política de entrega de Portugal aos interesses económicos transnacionais, ela de nada vale.
Para que não fiquem dúvidas quanto à congruência de uns e incongruência de outros resta dizer o seguinte:
a) é a acção política do Governo de Sócrates que tem provocado o alastramento da pobreza e da miséria, que tem colocado milhares de portugueses no desemprego, que tem diminuído objectivamente os salários e as pensões, que tem encarecido os custos do ensino, da saúde, dos transportes e dos bens de primeira necessidade e é esse mesmo Governo que nos vem agora dizer que este Tratado é um passo em frente para a ampliação dos direitos dos cidadãos.
b) o programa eleitoral do PCP estabelecia como objectivo a aprovação de uma lei que despenalizasse a IVG na Assembleia da República, sem recurso a referendo e a realização de um referendo sobre o Tratado Europeu – assim continua a defender.
c) o programa eleitoral do PS estabelecia como objectivo a realização do referendo da IVG e do Tratado Europeu – que claramente afinal não cumpre.
Friday, January 04, 2008
in absentia
Há, por todas as auto-proclamadas “democracias do mundo civilizado”, uma tendência generalizada de construção de paradigmas conceptuais. Aquilo que vamos presenciando em Portugal é, cada vez mais, apenas uma variante comportamental da orientação mundial dos Estados capitalistas. O aumento e a intensificação de políticas que ofendem objectivamente os direitos das populações, principalmente das camadas trabalhadoras, geram ondas de descontentamento que crescem na mesma proporção e que atingem, em muitos e cada vez mais casos, a expressão da luta, seja através de greve de massas ou de manifestações e outras acções.
Os governos bem-mandados pelos grandes grupos económicos não podem, no entanto, permitir-se a nenhum refluxo histórico. Pelo contrário, o capitalismo, à medida que se encaminha para o seu fim, acentua as suas características repressoras e agressivas. Não integra o seu código genético a capacidade de gerir necessidades das populações, na medida em que isso influi directamente com os interesses conjunturais dos grupos económicos. Ou seja, a visão estratégica da organização social da burguesia é, embora assustadoramente inteligente, incomparavelmente mais reduzida que a visão estratégica dos socialistas.
Enquanto a perspectiva socialista perante a economia assenta na planificação da melhoria das condições de vida da classe maioritária e na erradicação das classes sociais, a perspectiva capitalista assenta principalmente sobre a acumulação de riqueza em franjas da classe dominante, que, inclusivamente, se degladiam entre si. Isto significa também que o alcance estratégico do socialismo é incomparavelmente maior que o do capitalismo, sendo que o deste se prende principalmente com os interesses conjunturais e circunstanciais desta ou daquela franja. Mesmo em momentos de estabilização e conservação das forças e riquezas nas mesmas franjas da burguesia, os seus interesses nunca ultrapassam a necessidade e ambição do seu próprio crescimento.
À medida que estes interesses, nas suas conhecidas oscilações, vão cimentando o seu domínio económico sobre a distribuição da riqueza, os jovens, as mulheres e os trabalhadores em geral, vão sendo limitados nos seus direitos materiais: do trabalho e da habitação à alimentação, passando pelo acesso à Educação e à Saúde. Isto significa que o sistema capitalista e os seus estados têm um cada vez maior papel na contenção da luta. Exige-se portanto às ditas “democracias modernas e civilizadas” que exerçam a mais forte diversão sobre as massas, no sentido de as alhear da realidade material, projectando o pensamento colectivo para a esfera do idealismo.
No entanto, os Estados capitalistas e os seus senhores sabem bem que não basta limitar no plano das ideias a capacidade criativa das massas: é preciso limitá-la no plano material.
Além dos retrocessos civilizacionais que representam as retiradas de direitos em pacote, a diminuição dos salários, as privatizações, os actuais governos, independentemente de estarem nas mãos dos ditos “socialistas” ou “sociais-democratas”, “liberais” ou “conservadores”, “esquerda” ou “direita” (nas suas concepções vazias), criam todas as condições para a adopção do Estado policial como forma paradigmática do Estado.
In presentia, os governos propõem a criação de um Estado que dispõe dos mecanismos tecnológicos necessários à investigação criminal através do cadastro global de comunicações e transferências de dados entre todos. In absentia, os Governos lançam a passadeira para um estado policial que se vai desenhando como a raiz do fascismo.
Os objectos sintagmáticos são apenas os instrumentos que o Estado vai utilizando para construir o paradigma: a nova geração de fascismo que se vai preparando como forma de dar resposta ao descontentamento que o próprio capitalismo vem gerando. Contra esse paradigma, confiamos, certamente se levantará em luta o povo trabalhador.
Friday, December 14, 2007
que se registe
Lamentável é o facto de, depois de ter sido desmentida a participação dos comunistas naquele espectáculo, a comunicação social continuava anunciando: "Sócrates vaiado no Parlamento Europeu por comunistas e Eurocépticos". Na verdade, as imagens e os sons recolhidos de vaias e inúmeros cartazes, correspondem à bancada dos grupos onde se enquadra a extrema-direita europeia.
Na bancada da Esquerda Verde Nórdica / Grupo Unitário da Esquerda apenas um cartaz se levantou silencioso enquanto alguns deputados intervieram respeitosamente vestindo uma t-shirt "referendum".
Os senhores do capital, que vão construindo uma Europa a seu gosto cada vez mais distante das pessoas, dos povos e das nações, terão as suas respostas nas lutas que crescem!
Thursday, December 13, 2007
materialismo - o nosso instrumento
O materialismo dialéctico e a capacidade que encerra de consolidar a subjectividade em torno da objectividade, é a forma mais avançada do pensamento dos homens, distante das concepções místicas e supersticiosas. A exploração do Homem pelo Homem assenta em mecanismos materiais, ou seja, a espinha dorsal do sistema capitalista assenta numa base material.
O que é então a ofensiva ideológica? porque tem hoje tanta importância para a sobrevivência do sistema capitalista?
Embora a ofensiva ideológica se trave eminentemente no campo da ideia - ou dos sistemas de ideias - ela refere-se concretamente às relações sociais do dia-a-dia, ou seja, radica nos elementos materiais da sociedade. A ideologia burguesa do capitalismo não é, no entanto, directamente propagandeada. Não são as grandes teses nucleares do capitalismo que são anunciadas diariamente para todos, nas escolas, na tv, na rádio, na música, nos jogos de computador, na arte.
Se o capital propagasse a sua doutrina, a sua ideologia, seria obrigado a ensinar Marx nas escolas e a fazer de "O capital" a obra mais importante do Plano Nacional de Leitura. Não, o sistema capitalista não propaga a sua génese ideológica, nem tampouco a massifica. A burguesia massifica, isso sim, as fórmulas ideológicas da ilusão. A burguesia é neste momento a classe que melhor compreende o seu papel histórico e que mais fortemente reconhece a validade das teses marxistas. Por isso mesmo, a divulgação da doutrina, da essência do capitalismo, é algo que a burguesia reserva para os seus melhores e mais destacados quadros. Nem mesmo os seus pequenotes sabujos têm acesso à descodificação filosófica do mundo que a compreensão do Capitalismo exige.
Assim, a classe dominante encontrou a forma mais fácil de contrariar a compreensão social por todos quantos queira dominar. Trocar-lhes as ferramentas. Se a ferramenta mais avançada de que a Humanidade dispõe para a compreensão e sistematização do funcionamento dos fenómenos - do histórico ao natural, passando pelo social - é o materialismo, então nada melhor que dar a todos o idealismo.
O ataque às perspectivas materialistas é múltiplo e constitui uma rede, uma malha de ofensivas sub-reptícias quase imperceptível para quem não esteja atento à sua dimensão e objectivos. A promoção do idealismo como instrumento de apreensão da realidade é hoje a principal arma ideológica do sistema capitalista. A subjectividade, a religiosidade organizada ou supersticiosa, o individualismo, a felicidade consumista, a ignorância inconsciente, são apenas algumas das formas de que se reveste a campanha magna de promoção do idealismo.
A própria vida política, a cobertura mediática dos acontecimentos, a simplicidade com que se aligeiram todos os assuntos por mais complexos que sejam, a generalização da mentira facilmente aceite como tese científica, são outras dimensões deste fenómeno global.
Se o mundo fosse um código escrito em decimal, o melhor que eu poderia fazer para to esconder seria ensinar-te apenas o hexadecimal. Códigos diferentes neste caso não dariam interpretações diferentes, antes resultariam numa interpretação válida e numa não-interpretação.
Thursday, December 06, 2007
O porta 65 - Jovem
Mais sobre o assunto.
Monday, December 03, 2007
Empreendedorismo ou Individualismo – a doutrina da submissão
A maior parte destas palavras não traz nenhum conceito novo, apenas vai mudando o vocábulo que o sistema atribui a um determinado conceito. Por exemplo, como fez no passado, eliminando a palavra “operário” e passando a utilizar a “colaborador”. No entanto, facilmente se verifica que não se alterou o conceito de “operário”, nem tampouco deixou de existir.
Hoje são várias as palavras que vão por aí aparecendo, sempre cobertas de uma inusitada novidade e sempre prontas a resolver todos os nossos problemas. Vem a modernidade e junta-se com a competitividade que não pode existir sem flexibilidade. Sem empreendedorismo, no entanto, não há empregabilidade o que destrói a nossa credibilidade e qualidade. Assim, é preciso recorrer à inovação para garantir o desenvolvimento sustentável, sem sacrificar nunca o mercado que determina a nossa felicidade. Assim vai sendo debitado o chorrilho cada vez mais caudaloso do disparate e da ilusão. A cortina de fumo que o sistema precisa criar tem de ser cada vez mais espessa para nos manter ignorantes.
Por hoje, vamos ao chamado “empreendedorismo”. Esta nova palavra aponta para algo que supostamente mistura “audácia” com “vontade” e “iniciativa”, o que, bem misturado redunda em “ambição”, conceito que aplicado ao indivíduo como princípio e fim de si mesmo, acaba por andar perigosamente próxima do conceito de “individualismo”. Ora, nem toda a ambição é individualista. Mas a utilização do conceito de “empreendedorismo” tal como se aplica hoje é incontornavelmente individualista. Vejamos: ser empreendedor passa por erguer o empreendimento. Neste caso concreto, o empreendimento em causa é uma empresa (passe a redundância dos sinónimos e entenda-se “empresa” como o conceito mais comum) – uma forma de obtenção de lucro e de auto-emprego como vem sendo promovido.
Já não são poucas as vezes em que o sistema e os seus partidos vão promovendo e exigindo mesmo a ambição e iniciativa individual. Claro está que o sistema não pretende com isto promover uma nova forma de iniciativa privada para os filhos do proletariado e para as camadas mais pobres da população. Estas palavras não se inserem em nenhuma mudança na orientação estratégica do capital, antes pelo contrário, são os normais e habituais instrumentos que o capital vai tendo de inventar e reinventar para manter exactamente a mesma fórmula de exploração de sempre.
Ou seja, estas novas palavras, estes vocábulos de encantar não são instrumentos materiais do capital, mas sim instrumentos ideológicos. São formas de dissimulação dos comportamentos que o sistema capitalista necessita promover a bem da sua própria sustentabilidade, ainda que inevitavelmente temporária.
Este “empreendedorismo” que aparentemente se vai exigindo não pretende de forma alguma que agora cada um faça uma empresa bem sucedida. Pelo contrário, isso colocaria o capitalismo numa situação deveras complicada. O que se pretende essencialmente é agir no plano ideológico sobre a população, particularmente a mais jovem, a quem vai sendo exigida cada vez maior “adaptabilidade” e “empreededorismo”. Com esta campanha, o sistema capitalista pretende essencialmente re-centrar a abstracção do indivíduo sobre si mesmo, desviando a atenção do papel que caberia ao estado e às regras sociais. Assim, responsabiliza-se o indivíduo pela sua própria situação. “Se há desemprego é porque não és suficientemente inovador”. “Criar emprego é uma responsabilidade de cada um”. “Não fiques à espera que te dêem um emprego”. São apenas algumas expressões associadas a esta ofensiva lexical. Ora, num sistema que dificulta cada vez mais a criação de pequenas e médias empresas, mesmo as com alto nível de inovação tecnológica, face a um presença esmagadora de corporações de envergadura mundial que constituem monopólios globais, este raciocínio individualista acaba por desaguar numa albufeira sem ligação para o mar. Este “empreendedorismo” perde a sua dimensão de objectiva criação de riqueza individual e aproxima-se da sua verdadeira intenção: instilar o individualismo e o desespero do trabalhador. A exigência de “adaptabilidade” torna-se numa brutal exigência de “flexibilidade”, o que significa que o indivíduo tem de estar preparado para trabalhar no que lhe for exigido, as horas que lhe forem exigidas, durante os meses que for considerado necessário e pelo salário que lhe for atribuído. O empreendedorismo transforma-se assim em mais uma forma de promoção do individualismo e de combate à acção colectiva, enquanto simultaneamente se desresponsabiliza o Estado dos seus papéis mais essenciais.
A ideia de que o desemprego é culpa do desempregado, e de que o mérito é condição suficiente para o emprego são desmentidas diariamente todos os dias pela própria realidade.
Com estas formulações encapotadas, o sistema capitalista vai ganhando novas formas de manipulação das consciências, sempre orientado para estruturar uma ideologia de submissão. O individualismo é o comportamento mais indicado para ser o esqueleto da doutrina da ilusão, porque sozinhos nunca desvendaremos o mundo. Mas eles sabem bem que unidos, os povos podem mudar o mundo.
Saturday, November 17, 2007
as manobras do império não vergarão cuba
O Povo cubano é hoje o centro de confluência de um ataque ideológico e material que se traduz numa ofensiva generalizada contra os seus direitos no plano internacional, orquestrada e liderada pelas sucessivas administrações norte-americanas.
O exemplo cubano é intolerável para o imperialismo norte-americano. Principalmente numa altura em que se torna cada vez mais evidente a incapacidade de o capitalismo fazer frente às necessidades das populações e a existência de alternativas construídas pelos próprios povos, é da maior importância negar os exemplos progressistas, se possível branqueando as suas experiências ou mesmo apagando-as material e historicamente. A ofensiva imperialista, nomeadamente no Caribe e na América do Sul, mas também em outros locais do globo, sempre assim foi.
Há, no entanto, quem se cruze persistentemente no caminho devastador do imperialismo e quem demonstre a todos, por todo o mundo, que mesmo nas condições mais adversas é possível resistir. Mas não só resistir. É possível vencer.
Todas as manobras têm sido válidas na sanguinária e desumana campanha para derrubar Cuba. Lêem-se num memorando de 1960, as seguintes palavras do Secretário de Estado Adjunto para os Assuntos Interamericanos, Lester Dewitt Mallory: “Não existe uma oposição política efectiva em Cuba; por tanto, o único meio previsível que temos hoje para alienar o apoio interno à revolução é através do desencantamento e do desânimo, baseados na insatisfação e nas dificuldades económicas. Deve utilizar-se sem demora qualquer meio concebível para debilitar a vida económica de Cuba. Negar-lhe dinheiro e fornecimentos para diminuir os salários reais e monetários visando causar a fome, o desespero e o derrubamento do governo.” Estas palavras de 1960 ainda hoje norteiam a acção dos Estados Unidos da América, mas às quais se acrescentariam muitos outros meios. Se em 1960, se anunciava com clareza o bloqueio económico e a vontade de derrubar o governo e a revolução pela via da fome e do empobrecimento da população, hoje poder-se-ia acrescentar a chantagem e pressões internacionais; o terrorismo de estado; o crime organizado e outras tantas formas criminosas de interferir na vida de um Estado e de um Povo.
Mas quanto mais forte é a ofensiva imperialista, da máquina brutal da nação mais poderosa do mundo, mais evidente se torna a força do povo que lhe resiste. E quanto mais implacável se torna a política anti-cubana; mais exemplar é a resistência do Povo.
Também no quadro das Nações Unidas, os Estados Unidos da América tudo têm feito para criar as condições necessárias à condenação do estado cubano. Manipulando e propagandeando, a nação que actualmente mais desrespeita os direitos humanos por todo o planeta faz-se de acusadora e tudo faz para colocar Cuba no banco dos réus dos direitos humanos. A mesma nação que assassina, tortura e bombardeia povos inteiros por esse mundo fora é quem veste a pele de cordeiro e tenta por tudo acusar Cuba de desrespeito aos direitos humanos no seio da extinta Comissão de Direitos Humanos da ONU.
Através dos seus pontas-de-lança na Comissão, os Estados Unidos da América tudo tentaram para condenar Cuba, para traçar de Cuba um retrato negro no plano dos direitos humanos. Não lograram, no entanto, esse fim.
São os EUA quem desrespeita diariamente os direitos humanos, nomeadamente dos cidadãos cubanos, que quer seja através do bloqueio económico, quer seja através da política de fomento ao terrorismo, treinando e estimulando forças criminosas para intervir impunemente em território cubano, partindo dos EUA. São os EUA que desrespeitam frontalmente os Direitos Humanos quando mantêm encarcerados os cinco antiterroristas cubanos sem qualquer justificação e em clara afronta e desrespeito pelo próprio povo cubano.
Cuba continua a mostrar a sua política pelo exemplo. Pelo exemplo corajoso num cenário cada vez mais áspero e cada vez mais agressivo. Nas mais remotas aldeias, montanhas e lugares de dezenas de países da América Latina e Caribe, África e Ásia se encontram milhares de colaboradores cubanos, médicos, enfermeiros, professores, treinadores desportivos, engenheiros e técnicos, e outros tantos especialistas em diversas áreas do saber. Nas Universidades cubanas encontram-se actualmente mais de 30 mil jovens de 118 países que completarão os seus cursos superiores gratuitamente.
Em Abril de
Mas não apenas a descontinuidade da política de subversão e manipulação são sinais de vitória. Apesar das pressões levadas a cabo pelos EUA e pela União Europeia, Cuba foi eleita membro fundador do Conselho de Direitos Humanos com 135 votos que totaliza mais de 2 terços do total dos membros da Assembleia-geral das Nações Unidas.
O vector material da ofensiva imperialista contra Cuba tem a sua expressão máximo num bloqueio desumano. Também nesta matéria a Assembleia-Geral das Nações Unidas tem tomados sucessivas deliberações aprovando resoluções por alargada maioria que apontam no sentido de ser levantado o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto a Cuba pelos Estados Unidos da América. Este bloqueio e seu efeito acumulado no tempo provocaram perdas na ordem dos 222 mil milhões de dólares ao Estado Cubano e é hoje o principal obstáculo ao desenvolvimento e bem-estar dos cubanos, pretendendo fazer vencer pela fome e doença o povo de Cuba.
Esta política de bloqueio, mesmo contra todas as resoluções da ONU, reveste-se das formais mais bárbaras. Além do bloqueio económico, os EUA impõem um bloqueio em todas as outras áreas das relações entre os povos, da cooperação à cultura. Empresas americanas de medicamentos são proibidas vender os seus produtos a Cuba. Artistas cubanos são proibidos de actuar em território norte-americano, tal como escritores cubanos proibidos de participar na Feira do Livro de Porto Rico. Oliver Stone foi multado pelo Governo dos EUA por se ter deslocado a Cuba para filmar os seus documentários “Comandante” e “À procura de Fidel”. Michael Moore está sob investigação por se ter deslocado a Cuba no âmbito da realização do seu último documentário “Sicko”.
É fácil entender os obstáculos que o exemplo heróico e socialista do povo cubano coloca no desenvolvimento do imperialismo. Numa altura em que o fim da história já estava escrito nos livros do grande capital, é uma derrota inaceitável reescrevê-los. Mas é isso mesmo que o Povo cubano obriga o imperialismo a fazer a cada dia que passa. Por isso mesmo, afirmando-se contra a ditadura capitalista da agressão e do belicismo, Cuba, por resistir, já vence!
É urgente que em Portugal, como em cada canto do mundo, os socialistas, os comunistas, mas todas as pessoas honestas e com análise objectiva do actual panorama político mundial, se coloquem na defesa activa da Revolução Cubana. Porque a revolução cubana é neste momento uma dupla frente de batalha: é a frente da ofensiva imperialista contra os povos e contra a sua auto-determinação política mas é simultaneamente a linha da frente da resistência socialista, da resistência de um povo à força gigantesca da máquina agressora do imperialismo.
A solidariedade dos portugueses, dos amigos de cuba, da revolução e do povo cubano é urgente tanto em Cuba, como
Wednesday, November 14, 2007
os pontos de contacto entre os impérios
Thursday, October 25, 2007
Ainda sobre o mesmo Nobel.
Al Gore - de senhor da guerra a Nobel da Paz
Wednesday, October 24, 2007
Algumas verdades incómodas sobre Al Gore*
O ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, foi um dos vencedores do Prémio Nobel da Paz 2007, "pelos seus esforços por construir e divulgar um maior conhecimento sobre as alterações climáticas". Ao Comité Nobel terão acontecido dois males para que tenha tomado tal decisão. O não encontrar na sua lista de candidatos nenhum defensor da Paz, e desconhecer o currículo do ex-vice-presidente. Pois, Al Gore não é nem um homem de Paz nem um aspirante a salvar a Terra com a sua visão ecologista.
Enquanto pacifista, baste recordar que a administração Clinto-Gore bombardeou a Jugoslavia, a Albania, o Sudão, o Afeganistão, o Iraque, o Haiti, o Zaire e a Libéria, utilizou todas as classes de munições destrutivas incluindo projécteis que continham urânio empobrecido, causando a morte de dezenas de milhares de civis e provocando irreparáveis danos ambientais, cujos efeitos perdurarão centenas de anos nas terras, ar e águas.
O excelentíssimo Comité deveria saber, por outro lado, que o actual herói do ecologismo quando entre 1993 e 2000 era vice-presidente do país mais poluente do mundo, e encarregue de todas as matérias ambientais, internas e internacionais do seu país, se negou a assinar o Protocolo de Quioto, acordo internacional para reduzir as emissões de gases que causam o aquecimento do planeta.
No seu documentário, oculta a verdade quando afirma que "somos todos responsáveis". Não diz que na realidade apenas 20% da humanidade, principalmente as multinacionais, cometem 80% das agressões contra o ambiente, nem que o consumo de energia de um cidadão do Primeiro Mundo é 70 vezes superior que o de um cidadão de um país em desenvolvimento. Na própria casa de Al Gore se consome 20 vezes mais energia que na de uma família média norte-americana!
Outra das pérolas da batalha do ex-vice é a sua defesa dos agro-combustíveis, ou cultivos energéticos como medida para reduzir a contaminação atmosférica. Que o milho e a soja substituam o cultivos de batata e arroz, alimentos básicos de centenas de milhões de pobres do planeta e, como consequência, colocar em causa a segurança alimentar.
A actual campanha de produção de monoculturas de matéria prima para os biocombustíveis já está provocando a desertificação de grandes superfícies, destruindo bosques, pastagens e solos agrícolas tradicionais na América Latina (Argentina, Brasil e Bolívia), na Ásia e na África para alimentar os "eco"-veículos. Uma desflorestação que aumentará a degradação ambiental e a emissão de gases, por drenagem de solos e agricultura intensiva, o que acelerará o aquecimento global.
Por detrás de tudo isto escondem-se os interesses das multinacionais do agronegócio de biocombustíveis.
*o texto acima é uma tradução do império do original em http://www.rebelion.org/noticia.php?id=57626. Claro que parte de uma análise com a qual não posso concordar e eu colocaria muitas aspas onde este documento não as tem. Ainda assim, releva bem a hipocrisia do senhor e do comité nobel e não deixa de ter o seu interesse.