Saturday, September 13, 2008

a deco - defesa de quem?

Eu já tinha, por motivos semelhantes aos que ora descreverei, uma ideia muito negativa da chamada Deco - defesa do consumidor. Seus estudos, seus critérios, vêm sempre atrelados a alguns interesses a coberto da defesa do consumidor. Por isso mesmo, quando na comunicação social se dá determinada importância a um estudo da Deco, eu prefiro não confiar. Da mesma forma, nunca me passou pela cabeça fazer queixa à Deco, como se de uma instância das instituições e autoridades portuguesas se tratasse. Na verdade, a defesa do consumidor cabe ao Governo - coisa que poucos lhe exigem exactamente pela falta de informação que por aí pulula.

Já me tinha acontecido isto, mas desta feita irritou-me de tal forma que preferi contar, para quem no google escrever "deco" levar com a minha experiência. Ontem, 21.30 horas, ligam-me para o número pessoal de casa (que muito poucas pessoas têm) e perguntam pelo Sr. tal, por sinal, eu próprio. Identificam-se como da Deco, a que pergunto: "como arranjou o meu número?" e que me responde que é uma base de dados obtida das operadoras de comunicações. De seguida pergunta-me imediatamente: "Está interessado em associar-se à deco e subscrever a revista proteste?" ao que digo: "a prova de que nunca farei tal coisa é precisamente este telefonema da deco, utilizando métodos dos quais diz defender-nos". A chamada foi desligada pelo interlocutor.

Duas coisas a registar portanto:

1. A deco compra ou alguém lhe entrega as valiosas bases de dados das operadoras que contêm os nossos dados pessoais, nome, morada, nr de telefone, e talvez algo mais. Com isto a deco invade claramente a nossa privacidade, incomodando-nos à hora de jantar, para nos importunar, imagine-se, sobre a assinatura da sua revista. A isto costuma chamar-se "técnica de marketing agressivo" que constitui uma prática que pretende vender à força, mesmo a quem nunca mostrou interesse no produto. É esta a associação/empresa/grémio ou de que raio se trata que diz por aí que defende os interesses dos consumidores... é preciso dizer mais?

2. a deco orienta os seus empregados - de call center, certamente, a que nem empregados se pode chamar, visto a precariedade do seu posto de trabalho ser mais instável que o átomo de plutónio - para não entrar em conversas que possam desmascarar o tipo de negócio que na verdade promove e que pouco tem a ver com defesa do consumidor. Ou isso, ou o empregado em causa sentiu-se tão mal ao desempenhar tão ingrata tarefa que me desligou o telefone na cara com vergonha... coitado, é compreensível.

Um última nota para dizer que essa tal deco também costuma enviar envelopes daqueles que trazem milhões de prémios para a malta toda, que basta comprar o colchão e experimentar a almofada e sai-nos a quantia dos nossos sonhos directamente para a nossa conta bancária. Ora, estamos habituados a que muitos façam esse tipo de coisas, que prometam isto e aquilo e mais o resto do mundo, a troco de rasparmos os números da sorte no envelope, de utilizar a chave de ouro que nos enviam e, claro, de comprar 10 serviços de prata e uma colecção de enciclopédias que não conseguem vender de outra forma. Mas seria no mínimo de esperar que não fosse a tal deco a fazer esse triste serviço.

7 comments:

Sérgio Ribeiro said...

Deco? Têm alguma coisa a ver com aquele português de importação que joga na selecção?!
Justa indignação. Estou mesmo a desejar que eles me telefonem para lhes dar a resposta para que me preparaste... Mas, como vivo na "província" não deve chegar cá o "marketing agressivo", além de que revistas não são para analfabetos como os que vivem na aldeia e nem têm diretos de consumidores para proteger....

linhadovouga said...

Lembro-me bem do estudo em que concluiam que a pior cidade para se viver era Setúbal e que a melhor era Viseu. Esse estudo tão rigoroso baseava-se num inquérito massivo a... cerca de 2000 pessoas (no universo de todas ascapitais de distrito portuguesas, e sem especificar quais os critérios sobre os quais foi feita a amostragem).
Depois, há produtos de determinada marca ou hipermercado que são sempre melhores que os outros, há bancos que co eles têm acordo e que têm melhores serviços e taxas, etc. etc.
Para além do tom moralista, de quem "denuncia" um problema público que caracteriza semre as suas capas. Vendem a imagem de grande rigor, como se estivessem acima de qualquer suspeita (o Ruas usou logo isso para promover os seus dotes de autarca de Viseu). Mas não estão, e as coisas facilmente se desmontam.

Fernando Samuel said...

Bem vistas as coisas, essa deco existe para defender alguma coisa: que coisa será só essa deco o sabe, mas, bem vistas as coisas, não é difícil adivinhar...


Um abraço.

Anonymous said...

Aquilo parece mais uma defesa de interesses obscuros...

SAL

JPG said...

Não existe de facto qualquer diferença, na actuação, entre esta "DEfesa do COnsumidor" e qualquer outra empresa de promoção&marketing, do género Selecções RD ou Círculo de Leitores. Os nossos dados são comercializados por altos preços nos mercados do telemarketing e de outras técnicas de venda "agressiva". Para qualquer pessoa ser permanentemente incomodada, basta preencher um cupão de qualquer concurso, assinar um qualquer serviço ou encomendar qualquer coisa à distância.
O que torna a DECO absolutamente insuportável, em relação à concorrência, é o pretexto que utiliza para a sua agressividade comercial: ataca os "clientes", como as outras empresas, mas fingindo que apenas os pretende "defender". Com a complacência do Estado e com a inerente simpatia da opinião pública mais distraída.

Anonymous said...

concordo plenamente.

Anonymous said...

2000000000% de acordo!