eu posso não estar de acordo com a opção dos grupos que convocaram a manifestação da praça da figueira para o 25 de Abril. Eu, pelo menos, não optaria por esta forma de luta à margem das massas. No entanto, respeito a opção e reconheço-lhe toda a legitimidade para, como entendeu, manifestar o desagrado para com o benevolente tratamento que os fascistas têm tido na praça pública e nas esferas do poder político.
não deixo de manifestar a minha solidariedade para com os jovens agredidos!
não deixo de manifestar a minha profunda revolta para com o simples facto de os nazis poderem fazer o que querem sem qualquer medida policial ou política enquanto um grupo de jovens que decide manifestar-se contra essa desavergonhada vara nazi, leva uma carga policial brutalmente agressiva em cima. Há fascistas na Polícia de Segurança Pública.
Um polícia gritava enquanto batia: "Comunas do caralho!", outro comentava "os nazis não se portam assim!".
Mas que merda de Estado é este que permite que um agente da autoridade grite "comunas do caralho" enquanto espanca um cidadão!? Que Polícia de Segurança Pública permite que aqueles que querem destruir a Constituição da República, a própria democracia, sejam seus membros?
Todos contra o fascismo. todos! e não seremos muitos!
Sunday, April 29, 2007
Wednesday, April 25, 2007
as teses da nova(velha) ordem fascista
Hoje fomos presenteados com o discurso dos senhores. A tribuna da Assembleia da República vomitou mais umas palavras horripilantes para nos lembrar, os fracassos de Abril e a contra-revolução (ainda) em marcha.
Claro que me refiro aos senhores que ali se arrastam pela direita, principalmente os que se prostram aos ditames do capital da forma mais dissimulada. Que o CDS acarinha o passado e o bolor da nossa história recente, que o CDS acha que o 25 de Novembro foi o momento libertador para o país, já todos sabemos e não é com espanto que ano após ano ouvimos o discurso do bafio obscuro desta direita infeliz que tenta governar a embarcação perdida da chamada "democracia-cristã".
O que nem todos sabemos é que há uma direita que se vai refinando, dando resposta às novas exigências ideológicas que se colocam ao avanço do capitalismo, na melhor utilização que se conhece da ilusão, do idealismo e da manipulação.
1. Discurso do Partido Socialista sobre o 25 de Abril: não tocou uma vez que fosse nos direitos materiais e imateriais que a revolução proporcionou, não ousou relevar as caracerísticas opressoras do fascismo. Uma intervenção infectada de verbos de encher, à boa maneira de quem diz poesia para encantar os ignorantes. Uma intervenção de retalhos, longe da realidade do país, incapaz de alertar para os perigos que a nossa pobre e limitada democracia corre. A Senhora Deputada Maria de Belém trouxe-nos infindas citações de franceses, ingleses, professores, poetas, escritores, e outros académicos que teimam em reescrever a história fingindo creatividade, para não reconhecerem que o código interpretativo da nossa história está escrito no materialismo e na dialéctica e no olhar atento à luta de classes.
2. Discurso do Cavaco: este senhor, usando da sua bela prosa e dicção exemplar, que mais parece um esófago afogueado em dia de ressaca num episódio de refluxo gástrico, trouxe-nos a mais bela das teses, que bem caberia nos textos fascistas dessa fantástica doutrina. O senhor presidente da república anunciou hoje o seguinte: "os jovens são o futuro do país". Pasme! em conjunto deliremos perante esta iluminada afirmação, longe que está do lugar-comum e daqueles que teimam em negar à juventude o presente, relegando-lhe sempre apenas o futuro, o inatingível futuro.
Mas não foi apenas esta a mensagem que nos deixou o presidente.
Disse-nos também que a liberdade aí está para quem a quiser usar. Que durante as suas viagens tem visto muitos jovens usá-la da melhor forma, empreendedores, capazes de vingar num mundo tão exigente. Disse-nos nos entretantos que o 25 de Abril estava estafado, que era apenas um feriado, um ritual enfadonho.
O presidente acha que a juventude não se deve resignar, que deve usar do seu afamado inconformismo para romper com o status quo. De facto, as palavras em si, não encerram o seu próprio significado. Atentemos à tese aqui veiculada.
Os jovens devem ser empreendedores e usar a liberdade: aqueles jovens que estão desempregados, mesmo que licenciados, aqueloutros que trabalham a recibos verdes, ou em regime de trabalho temporário a troco de 400 euros por mês, aqueles que não têm casa e vivem já sem vontade na casa dos pais, aqueles que não têm dinheiro para continuar os estudos, aqueles que vivem no interior sem saber sequer o que é uma escola, aqueles que vivem em casa a tratar dos pais doentes, e tantos outros que somam a grande maioria, vivem nestas condições por um único motivo: não querem ser livres, não usam a liberdade. Nunca deixa de me surpreender as formas que o capital desencanta para nos enganar, nos dar baile.
Pelo caminho, ficámos a saber que, para o presidente, a liberdade não tem donos, é de todos, dos ricos e dos pobres, dos patrões e dos trabalhadores, afinal de contas da grande nação que somos todos nós. (não sendo isto idealismo fascizante o que será?)
Escusado será dizer que este presidente conseguiu ludibriar-nos de tal forma entre palavras ofensivas contra a juventude que acabou por não tocar no papel do Governo. O que está mal, está porque não sabemos, principalmente os jovens, usar a liberdade.
3. curiosidade - discurso do Bloco de Esquerda: a senhora deputada do Bloco de Esquerda, Helena Pinto, deixou-nos as seguintes pérolas:
"não podemos permitir o branqueamento do Estado Novo"
"não perimitiremos que nos apaguem a memória"
estranho... porque não "fascismo" em vez de "Estado Novo"(relembro que este era o nome que o regime fascista dava a si próprio), porque não "resitência anti-fascista histórica" em vez de "memória"? é que com isto, conseguiram, de facto, não referir uma única vez a palavra "fascismo" nem dirigir-se por uma vez ao povo. "memória"... palavra inócua essa...
Claro que me refiro aos senhores que ali se arrastam pela direita, principalmente os que se prostram aos ditames do capital da forma mais dissimulada. Que o CDS acarinha o passado e o bolor da nossa história recente, que o CDS acha que o 25 de Novembro foi o momento libertador para o país, já todos sabemos e não é com espanto que ano após ano ouvimos o discurso do bafio obscuro desta direita infeliz que tenta governar a embarcação perdida da chamada "democracia-cristã".
O que nem todos sabemos é que há uma direita que se vai refinando, dando resposta às novas exigências ideológicas que se colocam ao avanço do capitalismo, na melhor utilização que se conhece da ilusão, do idealismo e da manipulação.
1. Discurso do Partido Socialista sobre o 25 de Abril: não tocou uma vez que fosse nos direitos materiais e imateriais que a revolução proporcionou, não ousou relevar as caracerísticas opressoras do fascismo. Uma intervenção infectada de verbos de encher, à boa maneira de quem diz poesia para encantar os ignorantes. Uma intervenção de retalhos, longe da realidade do país, incapaz de alertar para os perigos que a nossa pobre e limitada democracia corre. A Senhora Deputada Maria de Belém trouxe-nos infindas citações de franceses, ingleses, professores, poetas, escritores, e outros académicos que teimam em reescrever a história fingindo creatividade, para não reconhecerem que o código interpretativo da nossa história está escrito no materialismo e na dialéctica e no olhar atento à luta de classes.
2. Discurso do Cavaco: este senhor, usando da sua bela prosa e dicção exemplar, que mais parece um esófago afogueado em dia de ressaca num episódio de refluxo gástrico, trouxe-nos a mais bela das teses, que bem caberia nos textos fascistas dessa fantástica doutrina. O senhor presidente da república anunciou hoje o seguinte: "os jovens são o futuro do país". Pasme! em conjunto deliremos perante esta iluminada afirmação, longe que está do lugar-comum e daqueles que teimam em negar à juventude o presente, relegando-lhe sempre apenas o futuro, o inatingível futuro.
Mas não foi apenas esta a mensagem que nos deixou o presidente.
Disse-nos também que a liberdade aí está para quem a quiser usar. Que durante as suas viagens tem visto muitos jovens usá-la da melhor forma, empreendedores, capazes de vingar num mundo tão exigente. Disse-nos nos entretantos que o 25 de Abril estava estafado, que era apenas um feriado, um ritual enfadonho.
O presidente acha que a juventude não se deve resignar, que deve usar do seu afamado inconformismo para romper com o status quo. De facto, as palavras em si, não encerram o seu próprio significado. Atentemos à tese aqui veiculada.
Os jovens devem ser empreendedores e usar a liberdade: aqueles jovens que estão desempregados, mesmo que licenciados, aqueloutros que trabalham a recibos verdes, ou em regime de trabalho temporário a troco de 400 euros por mês, aqueles que não têm casa e vivem já sem vontade na casa dos pais, aqueles que não têm dinheiro para continuar os estudos, aqueles que vivem no interior sem saber sequer o que é uma escola, aqueles que vivem em casa a tratar dos pais doentes, e tantos outros que somam a grande maioria, vivem nestas condições por um único motivo: não querem ser livres, não usam a liberdade. Nunca deixa de me surpreender as formas que o capital desencanta para nos enganar, nos dar baile.
Pelo caminho, ficámos a saber que, para o presidente, a liberdade não tem donos, é de todos, dos ricos e dos pobres, dos patrões e dos trabalhadores, afinal de contas da grande nação que somos todos nós. (não sendo isto idealismo fascizante o que será?)
Escusado será dizer que este presidente conseguiu ludibriar-nos de tal forma entre palavras ofensivas contra a juventude que acabou por não tocar no papel do Governo. O que está mal, está porque não sabemos, principalmente os jovens, usar a liberdade.
3. curiosidade - discurso do Bloco de Esquerda: a senhora deputada do Bloco de Esquerda, Helena Pinto, deixou-nos as seguintes pérolas:
"não podemos permitir o branqueamento do Estado Novo"
"não perimitiremos que nos apaguem a memória"
estranho... porque não "fascismo" em vez de "Estado Novo"(relembro que este era o nome que o regime fascista dava a si próprio), porque não "resitência anti-fascista histórica" em vez de "memória"? é que com isto, conseguiram, de facto, não referir uma única vez a palavra "fascismo" nem dirigir-se por uma vez ao povo. "memória"... palavra inócua essa...
Soja ou Vacas?
quando é que esta malta percebe que o problema não está na natureza da exploração agrícola ou pecuária? está na natureza dos métodos e das relações de produção!
http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2007/abr/24/340.htm
http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2007/abr/24/340.htm
"documento de apoio ao post anterior"
Que fique claro então e peço desculpa por assim não ter ficado logo. O que foi votado na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura durante a tarde de dia 24 de Abril foram as conclusões e parecer de um relatório produzido pela Senhora Deputada Fernanda Aceisseira (do PS) e que visava concluir e sistematizar as iniciativas da Comissão através de um Grupo de Trabalho para as questões da Violência nas Escolas.
O Grupo Parlamentar do PCP apontou o facto de o relatório conter um parecer demasiadamente parcial, e sugeriu que fosse limpo de orientações políticas, limitando-se a identificar os problemas para que os grupos parlamentares pudessem, como entendessem, interpretá-los, tomando assim as posições ou iniciativas que entendessem, tal como acontece na generalidade dos relatórios.
O CDS-PP, o BE, o PS e o PSD votaram contra a proposta do PCP e o PEV esteve ausente da votação.
De seguida, tendo sido chumbada a proposta do PCP, os restantes partidos presentes aprovaram a seguinte lista de medidas entre outras, que por constarem das conclusõese não do parecer, me escusarei a enunciar:
"d) Elaborar iniciativa legislativa, na forma de Resolução, a subscrever pelos Grupos Parlamentares que o entendam fazer, visando o tema «A Segurança nas Escolas», na sequência das conclusões apresentadas, recomendando ao Governo a adopção de medidas, que visem contribuir para melhorar a resposta das escolas e da sociedade na prevenção de comportamentos de risco, proporcionando ambientes mais seguros e promovendo o sucesso escolar para todos(as) os(as) alunos(as), destacando as seguintes:
1- Promover as condições de contratualização com as Escolas que apresentem indicadores passíveis de serem integradas em contextos sócio educativos desfavorecidos e/ou com maiores índices de insegurança, tendo como objectivo o devido apetrechamento de meios, equipamentos e recursos como forma de contribuir para a integração de todos os alunos e para a melhoria da resultados escolares;
2- Desenvolver políticas promotoras da autoridade, do respeito e da responsabilidade, efectiva dos professores e da escola.
3- Promover medidas que reforçam a vertente da organização e gestão das escolas, nomeadamente ao nível da autonomia e das competências, com o respectivo acompanhamento e rigor na avaliação;
4- Contribuir para o desenvolvimento da dimensão pedagógica nas escolas, valorização da dimensão sócio-cultural e orientação escolar e profissional, , contribuindo com o reforço da dinâmica das redes de parceria locais. para uma intervenção global junto dos alunos e suas famílias;
5- Reforçar a componente de psicologia e orientação, dimensionando-a às reais necessidades e tendo em atenção os fenómenos da indisciplina e da violência;
6- Reforçar a instalação, aplicação e utilização dos meios electrónicos nas escolas, como forma de informação, comunicação e prevenção da segurança de pessoas e bens, com plena garantia dos direitos e liberdades dos vários agentes educativos;
7- Promover o desenvolvimento de acções de segurança de proximidade, em estreita articulação com os vários intervenientes da comunidade escolar e local;
8- Estabelecer redes de parceria e dinâmicas locais eficazes, facilitadoras e integradoras da informação nas áreas da educação, da acção social, da saúde e da segurança, com o importante envolvimento das autarquias, para que se actue na sinalização, na prevenção e no acompanhamento de comportamentos de risco dos alunos e das famílias;
9- Sensibilizar os estabelecimentos de ensino superior para a importância de integrar nos currículos dos cursos de formação inicial de professores a temática das Relações Interpessoais, nomeadamente na área da mediação e prevenção de conflitos em meio escolar;
10- Promover módulos de formação contínua no âmbito da gestão e prevenção de conflitos em meio escolar para professores e auxiliares de acção educativa;
11- Apostar na requalificação de espaços e equipamentos escolares degradados, na construção de novos e respectivas áreas envolventes, valorizando nos respectivos projectos, critérios arquitectónicos, ambientais e outros, que evidenciem requisitos promotores de ambientes seguros e de estilos saudáveis de vida;
12- Divulgar de forma regular e sistemática as «Boas Práticas» desenvolvidas pelas escolas, na manutenção diária de contextos escolares seguros e na implementação dos respectivos Projectos Educativos para a promoção do sucesso escolar dos seus alunos."
Sabendo já que a ministra vai apresentar um novo estatuto do estudante não superior que visa, segundo a própria, reforçar a autoridade do professor, mas que vem na prática aumentar o carácter punitivo das medidas perante a violência e indisciplina, escusou-se o PCP a apadrinhar tal iniciativa, tal como se escusou a fazer o número mediático do tudo vai bem, assinando de cruz como outros fizeram um documento do mais alto teor hipócrita. Vejamos: seria justo o PCP e PSD assinarem e votarem favoravelmente um documento que diz que é precisa uma nova lei de autonomia, quando sabemos que defendem o contrário nesta matéria? Seria justo, a bem do bonito (mas inconsequente) consenso parlamentar, o PCP assinar e votar favoravelmente um documento que aponta para a generalização dos meios de vidoe-vigilância e de controlo pessoal do estudantes como forma de responder à violência escolar, ignorando que a violência é um fenómeno da sociedade, amplificado pelas injustiças e contradições do sistema capitalista, apenas escondendo e reprimindo ou expulsando aqueles que são os filhos das injustiças?
resultado final:
Conclusões: a favor - PSD, PS, CDS e BE; abstenção - PCP
Parecer (alínea d): a favor - PSD, CDS, PS e BE; abstenção - PCP.
para mais informações, à disposição, claro!
O Grupo Parlamentar do PCP apontou o facto de o relatório conter um parecer demasiadamente parcial, e sugeriu que fosse limpo de orientações políticas, limitando-se a identificar os problemas para que os grupos parlamentares pudessem, como entendessem, interpretá-los, tomando assim as posições ou iniciativas que entendessem, tal como acontece na generalidade dos relatórios.
O CDS-PP, o BE, o PS e o PSD votaram contra a proposta do PCP e o PEV esteve ausente da votação.
De seguida, tendo sido chumbada a proposta do PCP, os restantes partidos presentes aprovaram a seguinte lista de medidas entre outras, que por constarem das conclusõese não do parecer, me escusarei a enunciar:
"d) Elaborar iniciativa legislativa, na forma de Resolução, a subscrever pelos Grupos Parlamentares que o entendam fazer, visando o tema «A Segurança nas Escolas», na sequência das conclusões apresentadas, recomendando ao Governo a adopção de medidas, que visem contribuir para melhorar a resposta das escolas e da sociedade na prevenção de comportamentos de risco, proporcionando ambientes mais seguros e promovendo o sucesso escolar para todos(as) os(as) alunos(as), destacando as seguintes:
1- Promover as condições de contratualização com as Escolas que apresentem indicadores passíveis de serem integradas em contextos sócio educativos desfavorecidos e/ou com maiores índices de insegurança, tendo como objectivo o devido apetrechamento de meios, equipamentos e recursos como forma de contribuir para a integração de todos os alunos e para a melhoria da resultados escolares;
2- Desenvolver políticas promotoras da autoridade, do respeito e da responsabilidade, efectiva dos professores e da escola.
3- Promover medidas que reforçam a vertente da organização e gestão das escolas, nomeadamente ao nível da autonomia e das competências, com o respectivo acompanhamento e rigor na avaliação;
4- Contribuir para o desenvolvimento da dimensão pedagógica nas escolas, valorização da dimensão sócio-cultural e orientação escolar e profissional, , contribuindo com o reforço da dinâmica das redes de parceria locais. para uma intervenção global junto dos alunos e suas famílias;
5- Reforçar a componente de psicologia e orientação, dimensionando-a às reais necessidades e tendo em atenção os fenómenos da indisciplina e da violência;
6- Reforçar a instalação, aplicação e utilização dos meios electrónicos nas escolas, como forma de informação, comunicação e prevenção da segurança de pessoas e bens, com plena garantia dos direitos e liberdades dos vários agentes educativos;
7- Promover o desenvolvimento de acções de segurança de proximidade, em estreita articulação com os vários intervenientes da comunidade escolar e local;
8- Estabelecer redes de parceria e dinâmicas locais eficazes, facilitadoras e integradoras da informação nas áreas da educação, da acção social, da saúde e da segurança, com o importante envolvimento das autarquias, para que se actue na sinalização, na prevenção e no acompanhamento de comportamentos de risco dos alunos e das famílias;
9- Sensibilizar os estabelecimentos de ensino superior para a importância de integrar nos currículos dos cursos de formação inicial de professores a temática das Relações Interpessoais, nomeadamente na área da mediação e prevenção de conflitos em meio escolar;
10- Promover módulos de formação contínua no âmbito da gestão e prevenção de conflitos em meio escolar para professores e auxiliares de acção educativa;
11- Apostar na requalificação de espaços e equipamentos escolares degradados, na construção de novos e respectivas áreas envolventes, valorizando nos respectivos projectos, critérios arquitectónicos, ambientais e outros, que evidenciem requisitos promotores de ambientes seguros e de estilos saudáveis de vida;
12- Divulgar de forma regular e sistemática as «Boas Práticas» desenvolvidas pelas escolas, na manutenção diária de contextos escolares seguros e na implementação dos respectivos Projectos Educativos para a promoção do sucesso escolar dos seus alunos."
Sabendo já que a ministra vai apresentar um novo estatuto do estudante não superior que visa, segundo a própria, reforçar a autoridade do professor, mas que vem na prática aumentar o carácter punitivo das medidas perante a violência e indisciplina, escusou-se o PCP a apadrinhar tal iniciativa, tal como se escusou a fazer o número mediático do tudo vai bem, assinando de cruz como outros fizeram um documento do mais alto teor hipócrita. Vejamos: seria justo o PCP e PSD assinarem e votarem favoravelmente um documento que diz que é precisa uma nova lei de autonomia, quando sabemos que defendem o contrário nesta matéria? Seria justo, a bem do bonito (mas inconsequente) consenso parlamentar, o PCP assinar e votar favoravelmente um documento que aponta para a generalização dos meios de vidoe-vigilância e de controlo pessoal do estudantes como forma de responder à violência escolar, ignorando que a violência é um fenómeno da sociedade, amplificado pelas injustiças e contradições do sistema capitalista, apenas escondendo e reprimindo ou expulsando aqueles que são os filhos das injustiças?
resultado final:
Conclusões: a favor - PSD, PS, CDS e BE; abstenção - PCP
Parecer (alínea d): a favor - PSD, CDS, PS e BE; abstenção - PCP.
para mais informações, à disposição, claro!
Tuesday, April 24, 2007
chantilly
É impressioante verificar nos actos, as teorias que vamos, ao longo dos tempos, formulando. É impressionante como se comprovam determinadas hipóteses com a persistente afirmação de uma realidade que teima em dar-nos razão.
O comportamento de uma esquerda que já não é sequer nata, é chantilly, porque se vem refinando, é um caso digno de estudo objectivo para avisar a malta, sim porque é preciso avisar. Mais que nunca é preciso avisar.
É verdade que temos uma esquerda jovem, irreverente e revolucionária na política portuguesa, com representação no seio da nossa tão querida assembleia da república, uma esquerda criativa, capaz de dar as respostas novas ao que é novo, mas saber admitir com seriedade que se devem manter as perspectivas perante cenários que se mantêm inalterados, ao invés de permanentemente buscar a sensação, o mediatismo, o facilitismo.
Também é verdade que temos uma esquerda de direita, uma esquerda mentirosa, falsa, próxima dos anelídeos(*) no que toca à ausência da espinha dorsal, mas ainda mais próxima dos nematelmintes(**) pela óbvia semelhança parasítica.
Não deixa, no entanto de ser verdade que também existe o Bloco de Esquerda, famigerado produto dos impactos mais ou menos passageiros da sua intervenção mediática, já que outras não se lhe conhecem a não ser a já fatigante, mas reconhecidamente perseverante, atitude anticomunista e anti-sindicalista.
Deste vos venho falar, breve prometo, para não entediar amigos e amigas que por aqui possam passar.
Teve lugar hoje mesmo, há menos de um par de horas, a reunião da Comissão Parlamentar de Ciência, Educação e Cultura, onde se discutia, entre outras matérias, a violência nas escolas. Pois havia decidido aquela mesma comissão há uns tempos atrás quando corria o mês de Janeiro, colocar aquele assunto na agenda, fazendo o óbvio frete a um Governo que se preparava já então para apresentar um novo Estatuto do Estudante não Superior, onde se inclui o estatuto disciplinar do tal estudante, claro está.
Pois é então normal que o PS e o PSD manifestem amplo acordo na definição de uma estratégia central de combate à violência nas escolas, sob a capa da preocupação social e do consenso em torno de questões que se querem tudo menos fracturantes. É então que o PS apresenta um relatório que coloca o Estado como último responsável pela violência nas escolas. Escusado será pois dizer porque lhe reconhece tanto mérito o outro PS, o PSD.
Nada digno de registo. A não ser mesmo o comportamento do Bloco de Esquerda. Da tal esquerda decrépita cuja força motriz nunca deixou de ser o anticomunismo mas a que se vai juntando uma outra, a da cedência galopante aos fascínios da burguesia e do estatuto parlamentar de dizer sempre, não o que é verdade, mas o que fica bem. Ora, tendo em conta que era bem mais fácil votar a favor de tudo quanto ali se dissesse porque afinal de contas, a comunicação social não mostrará as propostas – dirá apenas que se votou um pacote de medidas contra a violência escolar – ingrato seria o papel, como o do PCP, daqueles que optam pela seriedade e pela consistência das suas posições.
Da operação de propaganda hoje montada na Assembleia da República, tristes registos nos ficam. E, no entanto, com tanto para deles aprender.
(*) anelídeos: vermes pertencentes ao Filo Annelida, cuja característica principal é (à parte obviamente de serem invertebrados) terem o corpo segmentado, possuindo muitas vezes os órgaos internos reproduzidos em cada um desses segmentos. Esses segmentos, tendo em conta a natureza cilíndrica do corpo destes animais, têm uma forma anelar, dái o nome do Filo.
(**) Nematelmintes ou nemátodos, são os animais do Filo Nematelminthes, vermes cilíndricos de corpo não segmentado, onde se incluem, entre outros parasitas, as comuns lombrigas.
O comportamento de uma esquerda que já não é sequer nata, é chantilly, porque se vem refinando, é um caso digno de estudo objectivo para avisar a malta, sim porque é preciso avisar. Mais que nunca é preciso avisar.
É verdade que temos uma esquerda jovem, irreverente e revolucionária na política portuguesa, com representação no seio da nossa tão querida assembleia da república, uma esquerda criativa, capaz de dar as respostas novas ao que é novo, mas saber admitir com seriedade que se devem manter as perspectivas perante cenários que se mantêm inalterados, ao invés de permanentemente buscar a sensação, o mediatismo, o facilitismo.
Também é verdade que temos uma esquerda de direita, uma esquerda mentirosa, falsa, próxima dos anelídeos(*) no que toca à ausência da espinha dorsal, mas ainda mais próxima dos nematelmintes(**) pela óbvia semelhança parasítica.
Não deixa, no entanto de ser verdade que também existe o Bloco de Esquerda, famigerado produto dos impactos mais ou menos passageiros da sua intervenção mediática, já que outras não se lhe conhecem a não ser a já fatigante, mas reconhecidamente perseverante, atitude anticomunista e anti-sindicalista.
Deste vos venho falar, breve prometo, para não entediar amigos e amigas que por aqui possam passar.
Teve lugar hoje mesmo, há menos de um par de horas, a reunião da Comissão Parlamentar de Ciência, Educação e Cultura, onde se discutia, entre outras matérias, a violência nas escolas. Pois havia decidido aquela mesma comissão há uns tempos atrás quando corria o mês de Janeiro, colocar aquele assunto na agenda, fazendo o óbvio frete a um Governo que se preparava já então para apresentar um novo Estatuto do Estudante não Superior, onde se inclui o estatuto disciplinar do tal estudante, claro está.
Pois é então normal que o PS e o PSD manifestem amplo acordo na definição de uma estratégia central de combate à violência nas escolas, sob a capa da preocupação social e do consenso em torno de questões que se querem tudo menos fracturantes. É então que o PS apresenta um relatório que coloca o Estado como último responsável pela violência nas escolas. Escusado será pois dizer porque lhe reconhece tanto mérito o outro PS, o PSD.
Nada digno de registo. A não ser mesmo o comportamento do Bloco de Esquerda. Da tal esquerda decrépita cuja força motriz nunca deixou de ser o anticomunismo mas a que se vai juntando uma outra, a da cedência galopante aos fascínios da burguesia e do estatuto parlamentar de dizer sempre, não o que é verdade, mas o que fica bem. Ora, tendo em conta que era bem mais fácil votar a favor de tudo quanto ali se dissesse porque afinal de contas, a comunicação social não mostrará as propostas – dirá apenas que se votou um pacote de medidas contra a violência escolar – ingrato seria o papel, como o do PCP, daqueles que optam pela seriedade e pela consistência das suas posições.
Da operação de propaganda hoje montada na Assembleia da República, tristes registos nos ficam. E, no entanto, com tanto para deles aprender.
(*) anelídeos: vermes pertencentes ao Filo Annelida, cuja característica principal é (à parte obviamente de serem invertebrados) terem o corpo segmentado, possuindo muitas vezes os órgaos internos reproduzidos em cada um desses segmentos. Esses segmentos, tendo em conta a natureza cilíndrica do corpo destes animais, têm uma forma anelar, dái o nome do Filo.
(**) Nematelmintes ou nemátodos, são os animais do Filo Nematelminthes, vermes cilíndricos de corpo não segmentado, onde se incluem, entre outros parasitas, as comuns lombrigas.
Wednesday, March 28, 2007
O recrudescimento do fascismo
Nas situações de degradação acentuada e generalizada da qualidade de vida, fruto da intensificação das políticas de direita, a condição dos trabalhadores e da população em geral tende a adoptar posturas de ruptura. A acumulação obscena do lucro num punhado cada vez mais reduzido de elites e grupos económicos significa incontornavelmente um fluxo de riqueza no sentido trabalho -> capital. Consequentemente, o empobrecimento do conjunto dos trabalhadores é a primeira condição para o enriquecimento daqueles que detêm posse sobre os meios de produção.
Nesta senda de acumulação crescente de capital, pela via da apropriação das mais-valias, o patronato não olha a meios para inventar novas formas de exploração que lhe permitam obter uma cada vez maior obtenção de lucro. É nesse sentido que a precariezação do trabalho, o aumento do custo de vida e a destruição dos serviços do Estado, juntamente com o aparelho produtivo nacional e do estado, se encaixam perfeitamente com os desígnios da classe dominante.
Ridículo seria pensar que, em algum momento da história, o regime capitalista poderia dar resposta às necessidades dos trabalhadores já que elas são intrinsecamente contrárias às do grande capital.
No entanto, a classe dominante e os estados que se lhe colocam ao serviço não ignoram a capacidade transformadora dos trabalhadores e têm bem presente que a ruptura pode desenhar-se a qualquer momento no quadro da intensificação da ofensiva contra o povo.
O capitalismo caminha num fio de navalha: como obter dos trabalhadores a maior fatia possível dos frutos do seu trabalho sem desencadear a revolta generalizada. Dois grandes caminhos se mostram à partida e que, conforme o estado da luta operária e progressista de cada país, o capitalismo os trilham, ora um, ora outro.
1. o da social-democracia e da contenção dos objectivos do grande capital, alongando as medidas mais ofensivas no tempo, diluindo o efeito catalizador da revolta, ao mesmo tempo que gradualmente se destroem os serviços centrais dos Estados, nomeadamente a Educação, a Saúde e a Segurança Social.
2. o da repressão física, militar e política aberta dirigida contra as classes exploradas nos países onde o nível de organização destas é mais incipiente ou inexistente.
Claro que, na maior parte dos casos, o capitalismo tem um comportamento intermitente entre um e outro (1 e 2) como forma de gerir os fluxos e refluxos da força dos trabalhadores e dos seus movimentos de massas.
Ainda assim, o capitalismo não consegue sempre gerir as suas crises e contradições internas, ou mesmo a sua relação com a exploração do trabalho. É por isso que, nas situações de crise acentuada, nos circuitos do trabalho que se reflectem, claro, nos circuitos do capital, existe uma tendência para a ruptura com o descontentamento. Mas também aí o capital, através das múltiplas jogadas, tem capacidade de resposta pela via de muitos mecanismos instrumentais, todos eles baseados na ampliação do idealismo, contra o raciocínio objectivo, científico e materialista.
Quer seja pela via da criação de bolsas de contenção do descontentamento organizadas para captar inconsequentemente a criatividade e a força do povo, situadas especialmente na dita "extrema-esquerda" (organizações esquerdistas de carácter profundamente idealista e alinhadas com os desejos da burguesia); quer seja pela via da criação de organizações ou tendências fascistas que aparentemente propõem soluções para os problemas das populações, exaltando os sentimentos mais primários do Ser Humano idealista (como por exemplo deus, pátria, família ou raça, heroísmo, honra, orgulho).
É neste quadro que a atenção tende a recair, orientada pela própria classe dominante, sobre estes movimentos embrionários e profundamente inconsequentes no que toca à transformação da realidade e à superação do sistema e das actuais relações de produção.
Confrontado com a necessidade de manter os seus privilégios, ainda assim garantindo a submissão popular, o capital vê-se instigado a fomentar tendências fascistas que, no seu seio preserva. A ruptura com o actual estado de coisas, obtida pela via do recrudescimento fascista e pela repressão, ainda que exaltando os valores idealistas e etéreos a que, por enquanto, muitos trabalhadores e trabalhadoras são sensíveis significa a manutenção dos privilégios da classe dominante - distantes que estão do conceito de raça, pátria, deus, ou família.
A garantia da manutenção dos privilégios, ou seja, da propriedade privada dos meios de produção, inclusivamente, com a certeza do aumento das taxas de concentração da riqueza e da acumulação cada vez mais centralizada do capital é assim contemplada pelo estado fascista que orbita em torno dos desejos mais primários da burguesia e do grande capital de que é dententora ou em que participa.
Por outro lado, a intensificação do combate ao materialismo, à ciência objectiva, ao comunismo e ao marxismo, representa a viva ofensiva contra o fortalecimento da doutrina operária da extinção da propriedade privada e, consequentemente, do estado que a protege.
Garante-se o estado dos privilégios burgueses, a intensificação da exploração do trabalho enquanto simultaneamente se federam os descontentamentos e a revolta do povo trabalhador.
O que presenceamos actualmente não é mais do que a tentativa de empolgar um movimento incipiente de proto-fascistas como forma de garantir a existência real da resposta da burguesia perante as contradições internas do capitalismo. Tudo feito com a alta cooperação do Partido Socialista que prossegue o rumo de desmantelamento das conquistas dos trabalhadores portugueses.
Aproveita este post para apelar a todos aqueles que, compreensivelmente tendem a identificar-se com a exaltação dos valores idealistas e da revolta pelo ódio, que procurem a ciência e a objectividade, para que não se deixem manipular no seu descontentamento por aqueles mesmos que vos querem esmagar.
nota: os resultados das eleições para a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa são inspiradores da confiança dos democratas e mostram bem a que se resumem as tendências fascistas perante a emagadora maioria do povo português que está com a fraternidade, a amizade, o trabalho, a liberdade e a democracia.
Nesta senda de acumulação crescente de capital, pela via da apropriação das mais-valias, o patronato não olha a meios para inventar novas formas de exploração que lhe permitam obter uma cada vez maior obtenção de lucro. É nesse sentido que a precariezação do trabalho, o aumento do custo de vida e a destruição dos serviços do Estado, juntamente com o aparelho produtivo nacional e do estado, se encaixam perfeitamente com os desígnios da classe dominante.
Ridículo seria pensar que, em algum momento da história, o regime capitalista poderia dar resposta às necessidades dos trabalhadores já que elas são intrinsecamente contrárias às do grande capital.
No entanto, a classe dominante e os estados que se lhe colocam ao serviço não ignoram a capacidade transformadora dos trabalhadores e têm bem presente que a ruptura pode desenhar-se a qualquer momento no quadro da intensificação da ofensiva contra o povo.
O capitalismo caminha num fio de navalha: como obter dos trabalhadores a maior fatia possível dos frutos do seu trabalho sem desencadear a revolta generalizada. Dois grandes caminhos se mostram à partida e que, conforme o estado da luta operária e progressista de cada país, o capitalismo os trilham, ora um, ora outro.
1. o da social-democracia e da contenção dos objectivos do grande capital, alongando as medidas mais ofensivas no tempo, diluindo o efeito catalizador da revolta, ao mesmo tempo que gradualmente se destroem os serviços centrais dos Estados, nomeadamente a Educação, a Saúde e a Segurança Social.
2. o da repressão física, militar e política aberta dirigida contra as classes exploradas nos países onde o nível de organização destas é mais incipiente ou inexistente.
Claro que, na maior parte dos casos, o capitalismo tem um comportamento intermitente entre um e outro (1 e 2) como forma de gerir os fluxos e refluxos da força dos trabalhadores e dos seus movimentos de massas.
Ainda assim, o capitalismo não consegue sempre gerir as suas crises e contradições internas, ou mesmo a sua relação com a exploração do trabalho. É por isso que, nas situações de crise acentuada, nos circuitos do trabalho que se reflectem, claro, nos circuitos do capital, existe uma tendência para a ruptura com o descontentamento. Mas também aí o capital, através das múltiplas jogadas, tem capacidade de resposta pela via de muitos mecanismos instrumentais, todos eles baseados na ampliação do idealismo, contra o raciocínio objectivo, científico e materialista.
Quer seja pela via da criação de bolsas de contenção do descontentamento organizadas para captar inconsequentemente a criatividade e a força do povo, situadas especialmente na dita "extrema-esquerda" (organizações esquerdistas de carácter profundamente idealista e alinhadas com os desejos da burguesia); quer seja pela via da criação de organizações ou tendências fascistas que aparentemente propõem soluções para os problemas das populações, exaltando os sentimentos mais primários do Ser Humano idealista (como por exemplo deus, pátria, família ou raça, heroísmo, honra, orgulho).
É neste quadro que a atenção tende a recair, orientada pela própria classe dominante, sobre estes movimentos embrionários e profundamente inconsequentes no que toca à transformação da realidade e à superação do sistema e das actuais relações de produção.
Confrontado com a necessidade de manter os seus privilégios, ainda assim garantindo a submissão popular, o capital vê-se instigado a fomentar tendências fascistas que, no seu seio preserva. A ruptura com o actual estado de coisas, obtida pela via do recrudescimento fascista e pela repressão, ainda que exaltando os valores idealistas e etéreos a que, por enquanto, muitos trabalhadores e trabalhadoras são sensíveis significa a manutenção dos privilégios da classe dominante - distantes que estão do conceito de raça, pátria, deus, ou família.
A garantia da manutenção dos privilégios, ou seja, da propriedade privada dos meios de produção, inclusivamente, com a certeza do aumento das taxas de concentração da riqueza e da acumulação cada vez mais centralizada do capital é assim contemplada pelo estado fascista que orbita em torno dos desejos mais primários da burguesia e do grande capital de que é dententora ou em que participa.
Por outro lado, a intensificação do combate ao materialismo, à ciência objectiva, ao comunismo e ao marxismo, representa a viva ofensiva contra o fortalecimento da doutrina operária da extinção da propriedade privada e, consequentemente, do estado que a protege.
Garante-se o estado dos privilégios burgueses, a intensificação da exploração do trabalho enquanto simultaneamente se federam os descontentamentos e a revolta do povo trabalhador.
O que presenceamos actualmente não é mais do que a tentativa de empolgar um movimento incipiente de proto-fascistas como forma de garantir a existência real da resposta da burguesia perante as contradições internas do capitalismo. Tudo feito com a alta cooperação do Partido Socialista que prossegue o rumo de desmantelamento das conquistas dos trabalhadores portugueses.
Aproveita este post para apelar a todos aqueles que, compreensivelmente tendem a identificar-se com a exaltação dos valores idealistas e da revolta pelo ódio, que procurem a ciência e a objectividade, para que não se deixem manipular no seu descontentamento por aqueles mesmos que vos querem esmagar.
nota: os resultados das eleições para a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa são inspiradores da confiança dos democratas e mostram bem a que se resumem as tendências fascistas perante a emagadora maioria do povo português que está com a fraternidade, a amizade, o trabalho, a liberdade e a democracia.
Friday, March 23, 2007
Dia da Juventude
Aproxima-se o dia 28 de Março. Passam assim exactamente 60 anos sobre os episódios que marcaram o Dia Nacional da Juventude.
Estávamos em 1947. O MUD-Juvenil, organização unitária democrática e antifascista, organizara um acampamento juvenil de convívio e participação em S. Pedro de Moel. Milhares de jovens responderam ao apelo da organização juvenil, milhares participaram no acampamento.
Naquele tempo a preto & branco, a juventude pintava de todas as cores os momentos de luta, de alegria, fraternidade e amizade. Assim são também as suas características mesmo sob a sombra da opressão. Ninguém poderá apagar a luz radiosa da juventude e os jovens encarregam-se de mostrar isso mesmo. Mostram também que a força do colectivo ultrapassa todas as barreiras e cria realidades onde antes estavam sonhos.
A juventude portuguesa criou a liberdade ao lado de jovens soldados e capitães, criou-a ao lado de jovens operárias e jovens operários. Rompeu corajosamente os grilhões da ditadura e levou a cultura, o convívio, a arte e o sorriso a milhares de recantos deste país, por este país espalhados.
Um acampamento de jovens, de milhares, vejam bem! aos magotes de mochilas às costas, cantando, reunindo, caminhando! como podia isso ser? Como podia o regime fascista permitir que nas suas barbas a juventude saísse do mundo desenhado a tons de cinza pelas mãos dos monopólios?
A intervenção é rápida. A PIDE bate, espanca, tortura e prende.
O fascismo entendeu que a juventude não podia romper a mordaça. E então correu muitos dos dirigentes do MUD-Juvenil para as cadeias, na esperança de calar a revolta.
Mal, que a carne macerada não tendeu a resignar-se. Antes se levantou surpreendentemente e ergeu a luta solidária por todo o país. Não foram só os milhares de jovens que participaram no acampamento a manifestar o apoio aos presos. Não foram só os presos a teimar manter o rosto erguido e a razão da luta intacta.
Numa demosntração de firmeza, coragem e unidade, levantou-se um gigantesco movimento de solidariedade para com os jovens presos.
Em 1968 já o dia se comemorava como dia de luta de luta pela liberdade, dia da juventude proibido pelo Estado fascista. Nesse ano, inúmeras iniciativas percorreram o país em jornadas de luta pelo reforço dos laços de amizade e solidariedade entre a juventude, indo mais além na luta pela resolução dos seus problemas e pelo cumprimento das suas justas aspirações.
A 28 de Março de 1975 comemora-se pela primeira vez em liberdade o Dia Nacional da Juventude.
2007.
Dia Nacional da Juventude. 28 de Março - A juventude em luta por uma vida melhor, pelo direito a um emprego com direitos, pelo direito a melhores salários, ao emprego e ao apoio do estado na educação, habitação, saúde, criação e fruição culturais, maternidade e paternidade, à igualdade e à mais justa distribuição da riqueza. A juventude em luta pela paz e cooperação entre os povos.
Passados os 60 anos, a Juventude tem organização sindical de classe. Os jovens trabalhadores carregam bandeiras de descontentamento mas também de esperança, porque sabem que o futuro depende da sua luta. E ela cresce.
Estávamos em 1947. O MUD-Juvenil, organização unitária democrática e antifascista, organizara um acampamento juvenil de convívio e participação em S. Pedro de Moel. Milhares de jovens responderam ao apelo da organização juvenil, milhares participaram no acampamento.
Naquele tempo a preto & branco, a juventude pintava de todas as cores os momentos de luta, de alegria, fraternidade e amizade. Assim são também as suas características mesmo sob a sombra da opressão. Ninguém poderá apagar a luz radiosa da juventude e os jovens encarregam-se de mostrar isso mesmo. Mostram também que a força do colectivo ultrapassa todas as barreiras e cria realidades onde antes estavam sonhos.
A juventude portuguesa criou a liberdade ao lado de jovens soldados e capitães, criou-a ao lado de jovens operárias e jovens operários. Rompeu corajosamente os grilhões da ditadura e levou a cultura, o convívio, a arte e o sorriso a milhares de recantos deste país, por este país espalhados.
Um acampamento de jovens, de milhares, vejam bem! aos magotes de mochilas às costas, cantando, reunindo, caminhando! como podia isso ser? Como podia o regime fascista permitir que nas suas barbas a juventude saísse do mundo desenhado a tons de cinza pelas mãos dos monopólios?
A intervenção é rápida. A PIDE bate, espanca, tortura e prende.
O fascismo entendeu que a juventude não podia romper a mordaça. E então correu muitos dos dirigentes do MUD-Juvenil para as cadeias, na esperança de calar a revolta.
Mal, que a carne macerada não tendeu a resignar-se. Antes se levantou surpreendentemente e ergeu a luta solidária por todo o país. Não foram só os milhares de jovens que participaram no acampamento a manifestar o apoio aos presos. Não foram só os presos a teimar manter o rosto erguido e a razão da luta intacta.
Numa demosntração de firmeza, coragem e unidade, levantou-se um gigantesco movimento de solidariedade para com os jovens presos.
Em 1968 já o dia se comemorava como dia de luta de luta pela liberdade, dia da juventude proibido pelo Estado fascista. Nesse ano, inúmeras iniciativas percorreram o país em jornadas de luta pelo reforço dos laços de amizade e solidariedade entre a juventude, indo mais além na luta pela resolução dos seus problemas e pelo cumprimento das suas justas aspirações.
A 28 de Março de 1975 comemora-se pela primeira vez em liberdade o Dia Nacional da Juventude.
2007.
Dia Nacional da Juventude. 28 de Março - A juventude em luta por uma vida melhor, pelo direito a um emprego com direitos, pelo direito a melhores salários, ao emprego e ao apoio do estado na educação, habitação, saúde, criação e fruição culturais, maternidade e paternidade, à igualdade e à mais justa distribuição da riqueza. A juventude em luta pela paz e cooperação entre os povos.
Passados os 60 anos, a Juventude tem organização sindical de classe. Os jovens trabalhadores carregam bandeiras de descontentamento mas também de esperança, porque sabem que o futuro depende da sua luta. E ela cresce.
Thursday, March 08, 2007
Dia Internacional da Mulher

Hoje, 8 de Março de 2007, comemoramos da melhor forma possível o dia internacional da Mulher. A história assim vai sendo feita, com avanços e recuos no progresso, mas sempre no caminho do futuro. Hoje as mulheres conquistaram mais um direito.
À semelhança de tantos outros grupos das classes exploradas, este, o do sexo feminino não é excepção e vai conquistando a sangue os seus direitos numa sociedade em que o Estado enquanto instrumento de classe, as oprime como a todos os trabalhadores.
Mais um direito, enquanto tantos outros faltam aprofundar e muitos ainda por conquistar, sem dúvida. Faltam tantos outros para todas as classes exploradas e para todos os seus indivíduos. O direito ao trabalho com direitos, à saúde, direito à educação, à habitação, o direito ao salário, às férias, à tecnologia.
É mais um direito que todos hoje conquistam, pela luta das mulheres, é certo, mas um direito de todos.
A luta pela emancipação da Mulher é a luta pela emancipação dos trabalhadores.
A luta pela emancipação da Mulher é a luta pela emancipação do Homem.
Hoje, um passo foi dado. Hoje a Assembleia da República aprovou a alteração ao Código Penal necessária para a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.
A todos os trabalhadores, uma etapa passada pela luta!
A todas as mulheres, obrigado pelo empenho na luta pelos vossos direitos que garantem os de todos!
A todas as mulheres, hoje o dia é vosso, em honra ao vosso passado. Em honra ao vosso presente. Ao nosso futuro!
À semelhança de tantos outros grupos das classes exploradas, este, o do sexo feminino não é excepção e vai conquistando a sangue os seus direitos numa sociedade em que o Estado enquanto instrumento de classe, as oprime como a todos os trabalhadores.
Mais um direito, enquanto tantos outros faltam aprofundar e muitos ainda por conquistar, sem dúvida. Faltam tantos outros para todas as classes exploradas e para todos os seus indivíduos. O direito ao trabalho com direitos, à saúde, direito à educação, à habitação, o direito ao salário, às férias, à tecnologia.
É mais um direito que todos hoje conquistam, pela luta das mulheres, é certo, mas um direito de todos.
A luta pela emancipação da Mulher é a luta pela emancipação dos trabalhadores.
A luta pela emancipação da Mulher é a luta pela emancipação do Homem.
Hoje, um passo foi dado. Hoje a Assembleia da República aprovou a alteração ao Código Penal necessária para a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.
A todos os trabalhadores, uma etapa passada pela luta!
A todas as mulheres, obrigado pelo empenho na luta pelos vossos direitos que garantem os de todos!
A todas as mulheres, hoje o dia é vosso, em honra ao vosso passado. Em honra ao vosso presente. Ao nosso futuro!
Friday, February 02, 2007
A nódoa.
O ministro da economia Manuel Pinho não é, ao contrário do que somos levados a pensar, uma nódoa. Não é, porque se insere num Governo que todo ele age em bloco, articuladamente. Portanto, o governo é, em si mesmo, uma nódoa. Arrisco dizer aliás que, à luz de uma ética própria de uma classe, este governo é um conjunto de criminosos, de mentirosos, corruptos.
Claro que a lei que temos, estabelecida em grande medida pela força política institucional da burguesia, não considera criminoso aquele que submete os interesses de uma nação aos interesses do capital transnacional; não considera criminoso aquele que angaria votos com uma propaganda mas que faz o contrário depois de os ter; não considera criminoso aquele que autoriza a utilização dos recursos de um país por uma empresa privada retirando o acesso a esse recurso pelo povo; não considera criminoso aquele que, depois de colectivamente o país ter retomado posse sobre a indústria, a banca, o Serviço de Saúde, a Educação, vende ao desbarato esse património.
Pois… triste lei esta que é feita pelos pontas-de-lança dos interessados na destruição do país. Triste país que tem a decisão política entregue a quem melhor engana o eleitor, e não a quem melhor o defende. Triste sistema político aquele que tem como decisora a classe menos numerosa mas mais poderosa.
Mas dizia-se, não é nódoa Manuel Pinho porque ele é apenas mais uma entre estas encomendas. O que este Sr. Ministro tem de especial é que é manifestamente mais mentecapto que a generalidade dos seus comparsas de fraude. Manuel Pinho fala pouco. Mas quando fala sai porcaria da grossa. Cada cavadela, cada minhoca; Cada tiro, cada merlo… como se costuma dizer. O homem, coitado, que não passa de um ser calmo e ligeiramente adormecido, com aquele ar típico de quem não tem sequer a preocupação de se informar sobre o que vai falar, não tem culpa nenhuma por falar a verdade.
Claro que exceptuamos a sua célebre passagem “a crise acabou” deste cabaz de verdades imponderadas. Esta foi uma mentira imponderada, provavelmente, rasgo de loucura temporária, semelhante àqueles que acontecem quando se consomem em excesso substâncias psicotrópicas.
Mas, analisemos as suas sábias palavras na Missão China! (Missão China … por favor! Haverá nome mais ridículo para uma visita institucional a um outro estado? – clara nomenclatura propagandística…) Dizia Manuel Pinho:
“os custos salariais [em Portugal] são mais baixos do que a média dos países da União Europeia e a pressão para o seu aumento inferior.”
Eis a verdade sobre a política do Governo. Temos pena que só tenha coragem de a afirmar lá fora. É a cobardia da burguesia: aqui, perante os trabalhadores, mente; lá fora, perante os magnatas, diz a verdade.
De facto, este Governo tem o capital desígnio de destruir a capacidade produtiva nacional, exterminando a soberania nacional, enquanto expressão da vontade popular. Este é o melhor Governo da recuperação fascista. É o mais vingativo e obstinado com a eliminação dos direitos dos trabalhadores. Este é o Governo de um Partido Socialista de corrupção legal. O Partido que cumpre a orientação nacional do grande capital. É esta o mais alinhado, o mais apostado.
É óbvio que, num Governo com estas características há corruptos competentes e incompetentes. Ou seja, os que conseguem cumprir o seu papel central de desmantelamento do Estado, mas resguardando a sua legitimidade pública, acolhendo apoios aqui e além. E os que, cumprindo o seu papel político destinado, não conseguem sequer fingir inteligência. É assim, a privação de inteligência não afecta só os incultos…
Claro que a lei que temos, estabelecida em grande medida pela força política institucional da burguesia, não considera criminoso aquele que submete os interesses de uma nação aos interesses do capital transnacional; não considera criminoso aquele que angaria votos com uma propaganda mas que faz o contrário depois de os ter; não considera criminoso aquele que autoriza a utilização dos recursos de um país por uma empresa privada retirando o acesso a esse recurso pelo povo; não considera criminoso aquele que, depois de colectivamente o país ter retomado posse sobre a indústria, a banca, o Serviço de Saúde, a Educação, vende ao desbarato esse património.
Pois… triste lei esta que é feita pelos pontas-de-lança dos interessados na destruição do país. Triste país que tem a decisão política entregue a quem melhor engana o eleitor, e não a quem melhor o defende. Triste sistema político aquele que tem como decisora a classe menos numerosa mas mais poderosa.
Mas dizia-se, não é nódoa Manuel Pinho porque ele é apenas mais uma entre estas encomendas. O que este Sr. Ministro tem de especial é que é manifestamente mais mentecapto que a generalidade dos seus comparsas de fraude. Manuel Pinho fala pouco. Mas quando fala sai porcaria da grossa. Cada cavadela, cada minhoca; Cada tiro, cada merlo… como se costuma dizer. O homem, coitado, que não passa de um ser calmo e ligeiramente adormecido, com aquele ar típico de quem não tem sequer a preocupação de se informar sobre o que vai falar, não tem culpa nenhuma por falar a verdade.
Claro que exceptuamos a sua célebre passagem “a crise acabou” deste cabaz de verdades imponderadas. Esta foi uma mentira imponderada, provavelmente, rasgo de loucura temporária, semelhante àqueles que acontecem quando se consomem em excesso substâncias psicotrópicas.
Mas, analisemos as suas sábias palavras na Missão China! (Missão China … por favor! Haverá nome mais ridículo para uma visita institucional a um outro estado? – clara nomenclatura propagandística…) Dizia Manuel Pinho:
“os custos salariais [em Portugal] são mais baixos do que a média dos países da União Europeia e a pressão para o seu aumento inferior.”
Eis a verdade sobre a política do Governo. Temos pena que só tenha coragem de a afirmar lá fora. É a cobardia da burguesia: aqui, perante os trabalhadores, mente; lá fora, perante os magnatas, diz a verdade.
De facto, este Governo tem o capital desígnio de destruir a capacidade produtiva nacional, exterminando a soberania nacional, enquanto expressão da vontade popular. Este é o melhor Governo da recuperação fascista. É o mais vingativo e obstinado com a eliminação dos direitos dos trabalhadores. Este é o Governo de um Partido Socialista de corrupção legal. O Partido que cumpre a orientação nacional do grande capital. É esta o mais alinhado, o mais apostado.
É óbvio que, num Governo com estas características há corruptos competentes e incompetentes. Ou seja, os que conseguem cumprir o seu papel central de desmantelamento do Estado, mas resguardando a sua legitimidade pública, acolhendo apoios aqui e além. E os que, cumprindo o seu papel político destinado, não conseguem sequer fingir inteligência. É assim, a privação de inteligência não afecta só os incultos…
Tuesday, January 30, 2007
Interrupção Voluntária da Gravidez - a saga continua!
se a pergunta fosse:
"concorda com a instrumentalização da lei para servir dogmas éticos ou religiosos?"
que responderias?
a questão é que o nosso estado é laico, independentemente da confissão religiosa da maioria. ou seja, é um estado de leis do Homem e não de Deus. independentemente das concepções éticas da maioria, independentemente de quais essas concepções, a lei em portugal baseia-se nos princípios da laicicidade, nos princípios da liberdade e da igualdade.
Perante a pergunta do referendo que nos oferecem, aqueles que respondem não são a face mais pura da hipocrisia, da intolerância e do machismo entranhado na ausência de sinapses próprias.
Mas há outra componente nos movimento do "Não" - a componente manipuladora.
Componente que assenta a sua acção na ignorância, que direcciona o seu discurso a uma camada da população que não tem acesso à informação, que julga superficialmente e de forma pouco informada. Essa componente do movimento do "Não" é a cabeça de um movimento que, paradoxalmente, toma posições acéfalas.
A igreja, instrumento poderoso da classe dominante, e os sectores mais retrógrados de uma burguesia decadente que ainda quer impôr a subrevivência dos seus métodos de exploração exacerbada, sendo que são hoje representados pela exploração desmedida da mão de obra, sustentados pela existência permanente de um exército de recurso para a exploração capitalista. É esta burguesia, decadente mas influente na burguesia enquanto um todo, que ainda exerce este poder. Poder que chegou para o PS convocar o referendo ao invés de resolver a questão na Assembleia da Républica. Poder que é ainda suficiente para fazer do PS um instrumento político ao serviço do "Não", invocando os argumentos mais falaciosos e frágeis, anunciando custos infundados para o Estado após a despenalização, escondendo a realidade actual, altamente dividido nas suas capelas bolorentas, onde abundam as aves raras que ainda se afirmam publicamente pelo "Não".
Este Blog está pelo Sim, e daqui acusa os hipócritas do "Não" de serem carrascos das mulheres, de serem desumanos e falsos. Quem está pelo "não" não está pela vida, está é pela rejeição da mulher enquanto ser capaz de decidir sobre si própria. Assassinos.
"concorda com a instrumentalização da lei para servir dogmas éticos ou religiosos?"
que responderias?
a questão é que o nosso estado é laico, independentemente da confissão religiosa da maioria. ou seja, é um estado de leis do Homem e não de Deus. independentemente das concepções éticas da maioria, independentemente de quais essas concepções, a lei em portugal baseia-se nos princípios da laicicidade, nos princípios da liberdade e da igualdade.
Perante a pergunta do referendo que nos oferecem, aqueles que respondem não são a face mais pura da hipocrisia, da intolerância e do machismo entranhado na ausência de sinapses próprias.
Mas há outra componente nos movimento do "Não" - a componente manipuladora.
Componente que assenta a sua acção na ignorância, que direcciona o seu discurso a uma camada da população que não tem acesso à informação, que julga superficialmente e de forma pouco informada. Essa componente do movimento do "Não" é a cabeça de um movimento que, paradoxalmente, toma posições acéfalas.
A igreja, instrumento poderoso da classe dominante, e os sectores mais retrógrados de uma burguesia decadente que ainda quer impôr a subrevivência dos seus métodos de exploração exacerbada, sendo que são hoje representados pela exploração desmedida da mão de obra, sustentados pela existência permanente de um exército de recurso para a exploração capitalista. É esta burguesia, decadente mas influente na burguesia enquanto um todo, que ainda exerce este poder. Poder que chegou para o PS convocar o referendo ao invés de resolver a questão na Assembleia da Républica. Poder que é ainda suficiente para fazer do PS um instrumento político ao serviço do "Não", invocando os argumentos mais falaciosos e frágeis, anunciando custos infundados para o Estado após a despenalização, escondendo a realidade actual, altamente dividido nas suas capelas bolorentas, onde abundam as aves raras que ainda se afirmam publicamente pelo "Não".
Este Blog está pelo Sim, e daqui acusa os hipócritas do "Não" de serem carrascos das mulheres, de serem desumanos e falsos. Quem está pelo "não" não está pela vida, está é pela rejeição da mulher enquanto ser capaz de decidir sobre si própria. Assassinos.
Wednesday, January 17, 2007
Tuesday, January 09, 2007
Apocalypto
Entre mim e a habitual crítica de cinema desenha-se um fosso irrevogável. De facto, tenho apanhado as maiores desilusões quando rumo confiante a uma sala de cinema para ver um filme apadrinhado pela crítica e de lá volto incrédulo com tamanho desastre cinematográfico. Ora são argumentos intragáveis, ora são filmes recauchutados, ora são efeitos especiais que fazem suporte a elencos miseráveis e por aí fora.
O cinema de entretenimento puro e simples tem todo o sentido e agradeço o facto de existir alguém que ainda o faça. Da comédia aos thrillers ou mesmo aos filmes de acção desenfreada lá vão saindo bons momentos de descontracção. Pena que, na generalidade, não seja assim.
Chegou às nossas salas de cinema um filme que recebeu as piores considerações dos críticos de cinema da praça. Apocalypto, de Mel gibson. Um filme soberbo. Um filme desfeito pela crítica acéfala.
Aconselho vivamente o filme de Mel Gibson. Embora não conheça o senhor, reconheço-lhe uma aguçada vontade e o um olhar diferente dos dominantes. Apocalypto passa-se no período decadente do império Maya (a que se costuma chamar civilização) e tem, por entre diversas cenas de violência aparentemente gratuita, a virtude de denunciar o que são os pilares dos impérios.
Gibson transporta-nos, apoiado num elenco fenomenal e numa reconstrução histórica e ambiental notável, com excelente cenografia, guarda-roupa e maquilhagem, para um mundo perdido, onde os nossos sentimentos são recorrentemente sobressaltados. Claro está que para os devoradores-de-pipocas que povoam as salas de cinema que por aí se espalham, este filme é mais um documentário enfadonho do que propriamente um filme. De facto, como outros, não se encaixa no estereótipo de filme de entretenimento e, atrevo-me a dizer que não é esse o seu objectivo.
A violência que muitos reputam de gratuita é um dos pilares de um filme que nos quer envolver, que nos quer mexer com os instintos e com os sentimentos. O filme, com sequências geniais e com um realismo extremo, mostra-nos a hierarquização inevitável dos impérios e as relações entre os seres humanos, criadas pela organização imperial de uma sociedade.
Uma aristocracia moralmente decadente, um clero balofo de apoio ao sistema de poder, o trabalho escrevo e a superioridade racial são bem mostrados como instrumentos ao serviço de um império onde o lucro e a acumulação de riqueza já eram o objectivo. A concentração em grandes cidades a um ritmo desfasado da capacidade de dar respostas no plano do ordenamento, da higiene e da segurança, encaminha uma povoação inteira para a doença e o definhamento, sustentando apenas uma pequena classe aristocrata com a ajuda de um clero que detinha o conhecimento científico em regime de exclusividade.
É um filme perturbante. É uma experiência recomendável. Desfazermo-nos da expectativa e usufruir da imagem e do som que este filme nos traz, não tanto enquanto um conto importante, mas enquanto estória e história pode surpreender muitos. É um pouco como um quadro… ninguém pede a um quadro que tenha um bom enredo, que conte uma estória bela… este filme é um quadro de duas horas e alguns minutos que retrata bem uma paisagem social, especulativa ou não.
O cinema de entretenimento puro e simples tem todo o sentido e agradeço o facto de existir alguém que ainda o faça. Da comédia aos thrillers ou mesmo aos filmes de acção desenfreada lá vão saindo bons momentos de descontracção. Pena que, na generalidade, não seja assim.
Chegou às nossas salas de cinema um filme que recebeu as piores considerações dos críticos de cinema da praça. Apocalypto, de Mel gibson. Um filme soberbo. Um filme desfeito pela crítica acéfala.
Aconselho vivamente o filme de Mel Gibson. Embora não conheça o senhor, reconheço-lhe uma aguçada vontade e o um olhar diferente dos dominantes. Apocalypto passa-se no período decadente do império Maya (a que se costuma chamar civilização) e tem, por entre diversas cenas de violência aparentemente gratuita, a virtude de denunciar o que são os pilares dos impérios.
Gibson transporta-nos, apoiado num elenco fenomenal e numa reconstrução histórica e ambiental notável, com excelente cenografia, guarda-roupa e maquilhagem, para um mundo perdido, onde os nossos sentimentos são recorrentemente sobressaltados. Claro está que para os devoradores-de-pipocas que povoam as salas de cinema que por aí se espalham, este filme é mais um documentário enfadonho do que propriamente um filme. De facto, como outros, não se encaixa no estereótipo de filme de entretenimento e, atrevo-me a dizer que não é esse o seu objectivo.
A violência que muitos reputam de gratuita é um dos pilares de um filme que nos quer envolver, que nos quer mexer com os instintos e com os sentimentos. O filme, com sequências geniais e com um realismo extremo, mostra-nos a hierarquização inevitável dos impérios e as relações entre os seres humanos, criadas pela organização imperial de uma sociedade.
Uma aristocracia moralmente decadente, um clero balofo de apoio ao sistema de poder, o trabalho escrevo e a superioridade racial são bem mostrados como instrumentos ao serviço de um império onde o lucro e a acumulação de riqueza já eram o objectivo. A concentração em grandes cidades a um ritmo desfasado da capacidade de dar respostas no plano do ordenamento, da higiene e da segurança, encaminha uma povoação inteira para a doença e o definhamento, sustentando apenas uma pequena classe aristocrata com a ajuda de um clero que detinha o conhecimento científico em regime de exclusividade.
É um filme perturbante. É uma experiência recomendável. Desfazermo-nos da expectativa e usufruir da imagem e do som que este filme nos traz, não tanto enquanto um conto importante, mas enquanto estória e história pode surpreender muitos. É um pouco como um quadro… ninguém pede a um quadro que tenha um bom enredo, que conte uma estória bela… este filme é um quadro de duas horas e alguns minutos que retrata bem uma paisagem social, especulativa ou não.
Praga itinerante
“e têm o desplante de nos oferecer um bónus se acabarmos as cablagens a tempo” Sérgio Cruz, 29 anos, operário fabril na Yazaki Saltano de Ovar.
A yazaki saltano, com o amparo do nosso governo, vem ameaçando o despedimento e o encerramento das suas unidades em Portugal há muito tempo e tem vindo mesmo a concretizar uma redução no número de trabalhadores, empurrando para o desemprego centenas e centenas de operários e operárias. As componentes do capitalismo, as grandes empresas e multinacionais são como uma praga de gafanhotos: desloca-se de colheita em colheita, devastando uma a uma. Estas empresas vagueiam em busca das melhores colheitas e Portugal enquadra-se bem para um bom banquete destas entidades parasitas. Claro que, no quadro da sociedade em que vivemos, as empresas buscam as condições para a obtenção de maior lucro possível e cabe aos trabalhadores estabelecerem as condições em que prestam o seu trabalho.
O que acontece, contudo, em Portugal é que estes gafanhotos são convidados pelo espantalho. Se os trabalhadores fossem as espigas, os gafanhotos seriam a yazaki saltano, o espantalho seria o Governo. Ora, o nosso espantalho decidiu trabalhar para a praga em vez de defender a colheita.
E… no fim de um processo que se anunciava, os trabalhadores choram o seu trabalho que se vai perdendo. Pelo meio, uns senhores na televisão dizem-lhes que não são competitivos porque não gostam é de trabalhar.
Lamento o facto de hoje se fecharem portas perante olhares cabisbaixos, ao invés de enfrentarem punhos erguidos e olhos de esperança. Lamento que, naqueles dias, em que nos deslocámos aos portões da empresa, apelando à luta, muitos não tenham sequer ouvido o que lhes tínhamos para lhe dizer… todavia, quando o povo acorda nunca é tarde!
A yazaki saltano, com o amparo do nosso governo, vem ameaçando o despedimento e o encerramento das suas unidades em Portugal há muito tempo e tem vindo mesmo a concretizar uma redução no número de trabalhadores, empurrando para o desemprego centenas e centenas de operários e operárias. As componentes do capitalismo, as grandes empresas e multinacionais são como uma praga de gafanhotos: desloca-se de colheita em colheita, devastando uma a uma. Estas empresas vagueiam em busca das melhores colheitas e Portugal enquadra-se bem para um bom banquete destas entidades parasitas. Claro que, no quadro da sociedade em que vivemos, as empresas buscam as condições para a obtenção de maior lucro possível e cabe aos trabalhadores estabelecerem as condições em que prestam o seu trabalho.
O que acontece, contudo, em Portugal é que estes gafanhotos são convidados pelo espantalho. Se os trabalhadores fossem as espigas, os gafanhotos seriam a yazaki saltano, o espantalho seria o Governo. Ora, o nosso espantalho decidiu trabalhar para a praga em vez de defender a colheita.
E… no fim de um processo que se anunciava, os trabalhadores choram o seu trabalho que se vai perdendo. Pelo meio, uns senhores na televisão dizem-lhes que não são competitivos porque não gostam é de trabalhar.
Lamento o facto de hoje se fecharem portas perante olhares cabisbaixos, ao invés de enfrentarem punhos erguidos e olhos de esperança. Lamento que, naqueles dias, em que nos deslocámos aos portões da empresa, apelando à luta, muitos não tenham sequer ouvido o que lhes tínhamos para lhe dizer… todavia, quando o povo acorda nunca é tarde!
Saturday, December 30, 2006
2007
todos os dias passa um ano sobre outro.
contudo, fazemos questão de nos ater ao calendário de referência e fazer do 1º de Janeiro o dia em que mudamos de agenda, dia a partir do qual continuaremos a escrever durante semanas "2006" com o último algarismo corrigido para "7" por falta de hábito.
nós por cá não somos diferentes e aqui ficam sinceros votos de bom ano a todos.
um ano que marque pela força da luta, que subleve e eleve a nossa perseverança, que a premeie.
um ano novo que reforce a história dos anos passados, que evolua.
um ano em que a nossa luta pelo trabalho com direitos, pelos salários, pela igualdade, pela saúde, pela educação, pela cultura, pelo respeito, pelo emprego, pela distribuição da riqueza, pela habitação e pelo pão se reforce e veja sucessos!
o contar dos anos se encarregará de nos trazer a vitória, a ver se é este!
saudações!
contudo, fazemos questão de nos ater ao calendário de referência e fazer do 1º de Janeiro o dia em que mudamos de agenda, dia a partir do qual continuaremos a escrever durante semanas "2006" com o último algarismo corrigido para "7" por falta de hábito.
nós por cá não somos diferentes e aqui ficam sinceros votos de bom ano a todos.
um ano que marque pela força da luta, que subleve e eleve a nossa perseverança, que a premeie.
um ano novo que reforce a história dos anos passados, que evolua.
um ano em que a nossa luta pelo trabalho com direitos, pelos salários, pela igualdade, pela saúde, pela educação, pela cultura, pelo respeito, pelo emprego, pela distribuição da riqueza, pela habitação e pelo pão se reforce e veja sucessos!
o contar dos anos se encarregará de nos trazer a vitória, a ver se é este!
saudações!
Thursday, November 30, 2006
ele merece
"O mundo só será mundo no dia em que enforcarmos o último rei nas tripas do último padre"
François-Marie Arouet - Voltaire
Wednesday, November 29, 2006
até onde irá a estupidez...?
"politólogo - s. m. aquele que estuda politologia
politologia - s. f. ciência que estuda a política"
in Dicionário Inventado pela Burguesia Portuguesa e veiculado pela sua Comunicação Social, edições Branquamento Ideológico, S.A.
que curso tenho eu de terminar com sucesso para ser politólogo?
que instituições de ensino superior em Portugal dispõem de tal licenciatura, mestrado ou doutoramento?
que empresas contratam politólogos?
quais os requisitos curriculares para a contratação?
que merda é um politólogo?
politologia - s. f. ciência que estuda a política"
in Dicionário Inventado pela Burguesia Portuguesa e veiculado pela sua Comunicação Social, edições Branquamento Ideológico, S.A.
que curso tenho eu de terminar com sucesso para ser politólogo?
que instituições de ensino superior em Portugal dispõem de tal licenciatura, mestrado ou doutoramento?
que empresas contratam politólogos?
quais os requisitos curriculares para a contratação?
que merda é um politólogo?
Friday, November 17, 2006
Wednesday, November 15, 2006
a esquerda do mesmo império
Hoje, os deputados do Partido Socialista levaram à Assembleia da República o elogio dos seus próprios defeitos. Para quem quisesse ouvir.
Esta estratégia de propaganda começa a ruir. As brechas que vão ferindo o edifício de aparente concordância entre a população portuguesa e as políticas deste Partido Socialista são já tão largas que passam manifestações inteiras por entre elas. Manifestações grandes. Daquelas com centenas de milhar de jovens, empregados, estudantes, mulheres, reformados, professores, agentes da autoridade, funcionários da administração pública, operários, agricultores… das grandes, pois.
As brechas aí estão a demonstrar a ruína da propaganda do PS. A táctica de dizer que tudo está bem até à exaustão, mesmo quando as condições objectivas comprovam exactamente o inverso, começa a mostrar a sua fragilidade. O que não poderia ser de outra forma. Permito-me a utilizar a sábia expressão: “Podem enganar uma pessoa por muito tempo. Podem enganar muitas pessoas por algum tempo. O que não podem é enganar toda a gente, durante todo o tempo.”
Então aí estão os aumentos do custo de vida, a degradação das condições de vida dos jovens, dos trabalhadores e dos reformados. Aí estão as jogadas maquiavélicas em torno do aborto. Aí está a diminuição do custo do trabalho e a diminuição dos salários, o congelamento da progressão nas carreiras da administração pública, o aumento das propinas no ensino superior, o desmantelamento do Incentivo ao Arrendamento por Jovens, as “taxas moderadoras” de internamentos, consultas e tratamentos nos hospitais públicos, a destruição das redes de transportes públicos, a entrega do sector público à exploração privada, os aumentos dos custos da electricidade e dos combustíveis. (respira) Aí estão os impostos também para deficientes, a diminuição das verbas para os laboratórios de estado, a diminuição da acção social escolar, a privatização do ensino e dos serviços de cantinas, refeitórios e residências, aí está o aumento do IVA, a implementação da co-incineração como estratégia primária de tratamento de resíduos industriais perigosos ou banais. Aí temos a diminuição das verbas do Orçamento do Estado para as autarquias locais, a perseguição política a dirigentes sindicais, associativos e estudantis. Para não ir mais longe que já se entende o sentido de tão vasto rol de atrocidades.
Aí estão… para mostrar tudo quanto este governo tem feito para beneficiar os do costume. Os lucros da EDP, das petrolíferas, da indústria e comércio multi e transnacionais, da banca e das instituições de crédito agigantam-se escandalosamente. Daí nasce uma primeira pergunta: é de esquerda um governo que prefere a concentração dos meios de produção, dos lucros do capital produtivo e especulativo num punhado de balofos capitalistas ou empresas?
Isto porque foi hoje mesmo que o Partido Socialista nos brindou com a sua indignação perante a acusação de que não estaria executando políticas de esquerda. Observação do Partido Comunista Português em resposta à encenação que o Partido Socialista acabara de levar a cabo. Indignado, responde o PS de que é de esquerda sim senhor. Que não recebe lições sobre o que é ser de esquerda de ninguém e muito menos do PCP.
Escusar-me-ei a mais que o seguinte:
Sócrates diz no debate na generalidade sobre o Orçamento do Estado para 2007 que o PSD está irritado porque este Governo PS está a fazer tudo quanto o PSD queria ter feito, mas não foi capaz.
Palavras para quê? É de esquerda também o PSD…
Esta estratégia de propaganda começa a ruir. As brechas que vão ferindo o edifício de aparente concordância entre a população portuguesa e as políticas deste Partido Socialista são já tão largas que passam manifestações inteiras por entre elas. Manifestações grandes. Daquelas com centenas de milhar de jovens, empregados, estudantes, mulheres, reformados, professores, agentes da autoridade, funcionários da administração pública, operários, agricultores… das grandes, pois.
As brechas aí estão a demonstrar a ruína da propaganda do PS. A táctica de dizer que tudo está bem até à exaustão, mesmo quando as condições objectivas comprovam exactamente o inverso, começa a mostrar a sua fragilidade. O que não poderia ser de outra forma. Permito-me a utilizar a sábia expressão: “Podem enganar uma pessoa por muito tempo. Podem enganar muitas pessoas por algum tempo. O que não podem é enganar toda a gente, durante todo o tempo.”
Então aí estão os aumentos do custo de vida, a degradação das condições de vida dos jovens, dos trabalhadores e dos reformados. Aí estão as jogadas maquiavélicas em torno do aborto. Aí está a diminuição do custo do trabalho e a diminuição dos salários, o congelamento da progressão nas carreiras da administração pública, o aumento das propinas no ensino superior, o desmantelamento do Incentivo ao Arrendamento por Jovens, as “taxas moderadoras” de internamentos, consultas e tratamentos nos hospitais públicos, a destruição das redes de transportes públicos, a entrega do sector público à exploração privada, os aumentos dos custos da electricidade e dos combustíveis. (respira) Aí estão os impostos também para deficientes, a diminuição das verbas para os laboratórios de estado, a diminuição da acção social escolar, a privatização do ensino e dos serviços de cantinas, refeitórios e residências, aí está o aumento do IVA, a implementação da co-incineração como estratégia primária de tratamento de resíduos industriais perigosos ou banais. Aí temos a diminuição das verbas do Orçamento do Estado para as autarquias locais, a perseguição política a dirigentes sindicais, associativos e estudantis. Para não ir mais longe que já se entende o sentido de tão vasto rol de atrocidades.
Aí estão… para mostrar tudo quanto este governo tem feito para beneficiar os do costume. Os lucros da EDP, das petrolíferas, da indústria e comércio multi e transnacionais, da banca e das instituições de crédito agigantam-se escandalosamente. Daí nasce uma primeira pergunta: é de esquerda um governo que prefere a concentração dos meios de produção, dos lucros do capital produtivo e especulativo num punhado de balofos capitalistas ou empresas?
Isto porque foi hoje mesmo que o Partido Socialista nos brindou com a sua indignação perante a acusação de que não estaria executando políticas de esquerda. Observação do Partido Comunista Português em resposta à encenação que o Partido Socialista acabara de levar a cabo. Indignado, responde o PS de que é de esquerda sim senhor. Que não recebe lições sobre o que é ser de esquerda de ninguém e muito menos do PCP.
Escusar-me-ei a mais que o seguinte:
Sócrates diz no debate na generalidade sobre o Orçamento do Estado para 2007 que o PSD está irritado porque este Governo PS está a fazer tudo quanto o PSD queria ter feito, mas não foi capaz.
Palavras para quê? É de esquerda também o PSD…
Tuesday, October 31, 2006
Pausa
eu bem queria que assim não fosse.
mas temos um Governo que não dá descanso aos trabalhadores a bem do lucro dos patrões. e, por isso mesmo, uns dias de pausa na escrita justificar-se-ão certamente. até ao fim da discussão do Orçamento do Estado, o famigerado orçamento.... ou o famigerado Estado.... Até lá!
mas temos um Governo que não dá descanso aos trabalhadores a bem do lucro dos patrões. e, por isso mesmo, uns dias de pausa na escrita justificar-se-ão certamente. até ao fim da discussão do Orçamento do Estado, o famigerado orçamento.... ou o famigerado Estado.... Até lá!
Tuesday, September 26, 2006
Da Interrupção Voluntária da Gravidez – notas
Motiva-me um programa da manhã chamado “opinião pública” que a Sic Notícias nos proporciona diariamente. Hoje, sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez.
Todos sabemos que existem em torno deste problema social um conjunto de tentativas de mistificação, quer da parte dos que defendem a criminalização e penalização da prática de aborto, quer da parte de alguns oportunistas que cavalgam a onda da despenalização. E este programa é óptimo exemplo disso. A Sic Notícias, embora certamente conheça o facto de que existem plataformas, partidos e associações representativas de vastas massas defensoras da tolerância e do direito de optar, convida uma associação residual sem qualquer intervenção significativa na sociedade portuguesa (provavelmente teriam preferido convidar o Bloco, mas assim, foi menos flagrante), a “não te prives”. E convida para a defesa da penalização uma senhora em nome do movimento pela vida.
Argumentos
Movimento pela vida: “não há necessidade de fazer um referendo por que as condições que determinaram o resultado do último não se alteraram.”; “a mulher poder abortar sem mais nem menos é uma afronta ao direito básico do nosso Estado, a vida”; “eu preferia que o ministro [da saúde] não tivesse dito o que disse, porque é um incentivo ao aborto. Eu sei porque sou mulher.”
Não te prives: “o aborto é uma matéria privada”; “obrigar uma mulher a ir a um hospital público é trazer o seu íntimo para a esfera pública”; “o aborto deve ser apenas uma escolha privada da mulher”.
A mistificação é óbvia de ambas as partes. O movimento pela vida insiste nas suas teses conservadoras, partindo do princípio que a mulher é uma devassa que não tem consciência de decidir sobre os seus problemas. A igreja e estes movimentos controlados pelos resquícios da influência moral católica entendem que a mulher é um ser, por definição, amoral e com tendências demoníacas e como tal, a sociedade tem de limitar as suas opções. Além disso, a senhora que ali foi falar em nome desta plataforma considera que as mulheres abortam sem mais nem menos e que qualquer coisa é um incentivo ao aborto. Esta senhora, muito provavelmente, teve uma educação muito restritiva, isto porque ela, certamente teria abortado todos os dias e fornicado com tudo e todos, caso não fossem os seus pais a limitar tais impulsos pagãos.
A senhora da “não te prives” que engoliu a mesma cassete “lições de retórica em k7” que o Louça, provavelmente encomendadas a um seminário onde se ensina a doutrina cristã, teve um papel brilhante. Qual desenho animado simpático, de sorriso permanente e voz calma e altaneira, defende que exista um referendo e que as pessoas votem “sim à despenalização”. Estas associações satélites do Bloco de Esquerda defendem que a direita mais conservadora tenha todo o tempo para aproveitar inclusivamente o natal para voltar à carga com a argumentação bolorenta e demagógica. Defendem o referendo como única forma de fazer o BE voltar à ribalta na comunicação social. Em torno da liberdade individual e colocando o problema exclusivamente na esfera da privada da mulher desviam os olhares e a crítica social das questões de fundo. Direitos das mulheres! D I R E I T O S. Direito à maternidade. Direito a salários condignos. Direito à saúde e à educação. Esta não é uma questão privada da mulher. Aquilo que é privado é a decisão em si, nada mais. De resto, o aborto é um problema social, reflexo de outros, problema de saúde pública radicado na luta de classes.
Esta não é uma matéria privada. é uma matéria de saúde pública e direitos sociais. O Estado burguês está a punir mulheres por um problema que o próprio criou. Esta não é assim, matéria de referendo, porque isso é assumir que esta é uma questão de impasse moral. E não é. Nenhuma concepção ética pode ser imposta. O que cada voto no "não" fará é isso mesmo.
O Estado Português é laico - do grego "laos" que significa "povo, gentes". Ou seja, não é um Estado fundado em concepções éticas, religiosas ou morais de uns ou outros. E essa é a única forma de permitir que todas essas concepções são livres de existir.
Todos sabemos que existem em torno deste problema social um conjunto de tentativas de mistificação, quer da parte dos que defendem a criminalização e penalização da prática de aborto, quer da parte de alguns oportunistas que cavalgam a onda da despenalização. E este programa é óptimo exemplo disso. A Sic Notícias, embora certamente conheça o facto de que existem plataformas, partidos e associações representativas de vastas massas defensoras da tolerância e do direito de optar, convida uma associação residual sem qualquer intervenção significativa na sociedade portuguesa (provavelmente teriam preferido convidar o Bloco, mas assim, foi menos flagrante), a “não te prives”. E convida para a defesa da penalização uma senhora em nome do movimento pela vida.
Argumentos
Movimento pela vida: “não há necessidade de fazer um referendo por que as condições que determinaram o resultado do último não se alteraram.”; “a mulher poder abortar sem mais nem menos é uma afronta ao direito básico do nosso Estado, a vida”; “eu preferia que o ministro [da saúde] não tivesse dito o que disse, porque é um incentivo ao aborto. Eu sei porque sou mulher.”
Não te prives: “o aborto é uma matéria privada”; “obrigar uma mulher a ir a um hospital público é trazer o seu íntimo para a esfera pública”; “o aborto deve ser apenas uma escolha privada da mulher”.
A mistificação é óbvia de ambas as partes. O movimento pela vida insiste nas suas teses conservadoras, partindo do princípio que a mulher é uma devassa que não tem consciência de decidir sobre os seus problemas. A igreja e estes movimentos controlados pelos resquícios da influência moral católica entendem que a mulher é um ser, por definição, amoral e com tendências demoníacas e como tal, a sociedade tem de limitar as suas opções. Além disso, a senhora que ali foi falar em nome desta plataforma considera que as mulheres abortam sem mais nem menos e que qualquer coisa é um incentivo ao aborto. Esta senhora, muito provavelmente, teve uma educação muito restritiva, isto porque ela, certamente teria abortado todos os dias e fornicado com tudo e todos, caso não fossem os seus pais a limitar tais impulsos pagãos.
A senhora da “não te prives” que engoliu a mesma cassete “lições de retórica em k7” que o Louça, provavelmente encomendadas a um seminário onde se ensina a doutrina cristã, teve um papel brilhante. Qual desenho animado simpático, de sorriso permanente e voz calma e altaneira, defende que exista um referendo e que as pessoas votem “sim à despenalização”. Estas associações satélites do Bloco de Esquerda defendem que a direita mais conservadora tenha todo o tempo para aproveitar inclusivamente o natal para voltar à carga com a argumentação bolorenta e demagógica. Defendem o referendo como única forma de fazer o BE voltar à ribalta na comunicação social. Em torno da liberdade individual e colocando o problema exclusivamente na esfera da privada da mulher desviam os olhares e a crítica social das questões de fundo. Direitos das mulheres! D I R E I T O S. Direito à maternidade. Direito a salários condignos. Direito à saúde e à educação. Esta não é uma questão privada da mulher. Aquilo que é privado é a decisão em si, nada mais. De resto, o aborto é um problema social, reflexo de outros, problema de saúde pública radicado na luta de classes.
Esta não é uma matéria privada. é uma matéria de saúde pública e direitos sociais. O Estado burguês está a punir mulheres por um problema que o próprio criou. Esta não é assim, matéria de referendo, porque isso é assumir que esta é uma questão de impasse moral. E não é. Nenhuma concepção ética pode ser imposta. O que cada voto no "não" fará é isso mesmo.
O Estado Português é laico - do grego "laos" que significa "povo, gentes". Ou seja, não é um Estado fundado em concepções éticas, religiosas ou morais de uns ou outros. E essa é a única forma de permitir que todas essas concepções são livres de existir.
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