Wednesday, August 24, 2005

Shoa? Sionismo, invasão e exploração.


Já passam mais de 50 anos sobre as primeiras mortes às mãos do nazismo. Shoa é a escrita latina para uma palavra hebraica que significa "calamidade". É utilizada em substituição de "Holocausto".

Utilizarei "Shoa" exactamente porque aqueles que mais esquecem a calamidade, são aqueles que a ela mais expostos foram.

São exactamente os membros do povo que utiliza essa palavra. "Holocausto" é a forma mais comum de nos referirmos a essa bárbara calamidade que assolou o Ser Humano na Europa, pelas próprias mãos do poder que ele acabou por desenhar. "Holos" em grego significa "total", como "Kaustos" significa queimado, queimada. Holocausto seria a queimada total. Não estará deslocado da realidade... infelizmente.

Mas mais que holocausto, que é uma palavra mais utilizada pelos não-judeus, importa relembrar Shoa nestes tempos. Os revisionistas históricos, nacionais-socialistas e outros fascistas negam a existência do Holocausto por óbvios motivos de interesse político. O que não é tolerável é que o povo judeu esqueça o Shoa. Não pode esquecer. Na verdade também não esqueceu. Sempre que lhe convém utiliza a sua evocação para se martirizar, para relembrar o quão sofredor foi.

E ninguém negará a desgraça que, por várias vezes na história, se abateu sobre esse povo. Nem ninguém, no seu estado normal, poderá tentar apagar o que aconteceu em meados do século XX. Milhões de crianças, mulheres e homens judeus pereceram sob o jugo do império da águia e da suástica. Milhares e milhares de muitos outros homens, membros de outros povos, comunistas, ciganos também lá ficaram, por aqueles infames campos de concentração, por aquelas ruas, mortos a tiro pelas costas ou torturados até à morte.



Quem sofreu com esta tragédia, calamidade foi a Humanidade. Claro que, pelo significado e peso económico e populacional que o povo judeu representava na Alemanha até 1942, o genocídio em massa a que foi sujeito é motivo para profunda reflexão colectiva, para homenagem e evocação.

O Shoa não pode ser um mero instrumento de martirização de um povo. Não pode ser a justificação do sionismo de extrema-direita nem das suas acções e atropelos aos mais básicos direitos humanos.

Após a fixação do Estado de Israel no médio-oriente, este Estado tudo tem feito para expandir o seu território e a exploração dos recursos naturais de um outro estado que, por acaso, também ali existe - o Estado Palestiniano. É aqui que entra o esquecimento do Shoa.

Como pode um estado de um povo que passou pelo mais hediondo e obscuro episódio da história contemporânea, levar agora a cabo, em nome das suas sagradas escrituras, com o incondicional apoio dos Estados Unidos da América e a complacência e passividade da União Europeia, a mais selvagem campanha contra o povo palestiniano? Esses terroristas...

Como pode o Estado sionista de Israel esquecer o Shoa nestes tempos? Como pode agora desenvolver a mais selvagem campanha de ocupação tortura, morte e privação de saúde, educação e habitação? Espalhar colonatos, check points e implantar-se militarmente com toda a força em território de outro povo? É o desígnio que lhes foi atribuído pelo seu Deus? É vir semear a vingança de todos os martírios a que foi sujeito, mas desta feita ao povo palestiniano que, será, certamente, reencarnação conjunta de egípcios e nazis?

Também aqui a religião é pretexto perfeito para chamar terroristas a uns e mártires a outros. Serve de cobertura perfeita para o avanço dos interesses do capital israelita e internacional. A questão não é religiosa. Deus não se quer meter nas guerras dos Homens, por mais que o queiram cá enfiar à força. E, quando bem vistas as coisas, deus é o pretexto.

Como pode hoje Israel ocupar ilegalmente e ao arrepio dos acordos internacionais um estado, massacrar diariamente um povo inteiro e sair mais que impune nos meios da Comunicação Social Dominante. Como se sentiriam os judeus de 1942 se o nazismo lhes tivesse montado barreiras militares à porta de suas casas? se lhes tivessem retirado todos os direitos, incluindo a sua própria dignidade? Custa a crer... mas isso passou-se. E agora, de novo se passa, pelas mãos do torturado, nasceu um novo carrasco.

Por grandes áreas da Palestina abundam colonatos, cidades erguidas em território palestiniano, donde um palestiniano não pode sequer aproximar-se. Em diversos pontos estratégicos o exército israelita montou os seus famosos Check-points, onde passa arbitrariamente apenas quem o soldado de serviço quiser. Se acaso um dia está de mau humor, calha e dá um tiro na nuca do pobre estudante palestiniano a caminho da sua escola. A humilhação e a destruição da pátria palestiniana é constante, diária. O terror sionista espalhou-se por toda a Palestina. E nós por cá? Que vemos disso? Muros gigantes levantam-se na Palestina para controlar as movimentações da população à vontade indiscriminada de Israel. As águas palestinianas, recurso finito e indispensável à vida da população, são exploradas por Israel num controlo claramente abusivo dos recursos da região.

E ainda temos que assistir, incrédulos, à suposta retirada dos colonos da faixa de Gaza. Mas ninguém é capaz de dizer na TV que um colono é um ocupante. É um Judeu que exerce sobre outros o terror que outrora infligiram a seus pais. É imperdoável. Colono...? porque não terrorista, invasor? Ambas as palavras se aplicariam bem melhor que "colono".
Um estado que fomenta a colonização de outro, através de fortes meios militares não pode chamar ninguém de terrorista.

Mataram-lhes os pais, os avós, destruiram-lhes casas, escolas e hospitais (tudo à revelia da nossa TV), violaram-lhes a mãe e a irmã, mataram-lhe o irmão a caminho da escola... Eles pegaram em pedras e marcharam contra os canhões... Quem é o terrorista?

Deus não deixou escrito em lugar algum que Israel deveria dominar os outros povos... Shoa? isso existiu?

Por cá, lembramos o holocausto. Pelos vistos, o Shoa anda esquecido no Médio-Oriente, por aqueles que menos o poderiam alguma vez esquecer.

Longa vida à luta do povo Palestiniano!
Palestina vencerá!

Nota: A frase alemã "Arbeit Macht Frei" significa "o Trabalho liberta" e estava inscrita em diversos locais ao longo dos campos de concentração. Sarcasmo na propaganda.

1 comment:

Berel said...

QUE RIDICULO!!!!!!!!!!!!>Quem escreveu essas besteiras deve ter alguma ligaçao com revisionistas(Ex.Siegfrid Ellwanger) ou entao ter ligaçoes com neonazistas pois Israel nunca teve ideias de aniquilar os palestinos e sim proteger o povo judeu de ataques ridiculos do Hamas,Hezbollah,Alqaeda e outros.Agora tambem temos o presidente do Iraquerendo exterminar os judeus e ninguem fala nada inclusive o autor deste texto(Imperio Barbaro).Berel Hofjud