Saturday, October 25, 2008

suspensão da avaliação de professores

Para que algumas coisas se esclareçam, julgo importante escrever o que se segue.

No dia 22 de Outubro, pelas 16.00h, o Grupo Parlamentar do PCP apresentou um Projecto de Resolução que recomenda ao Governo a Suspensão da Avaliação de Professores e Educadores decorrente da aplicação do novo Estatuto da Carreira Docente e do Decreto-Regulamentar nº 2/2008.

Diz-se por aí que o Bloco de Esquerda apresentou primeiro um Projecto de Resolução com o mesmo objectivo. Vale o que vale e claro que com isto não quero fazer parecer que importe alguma coisa saber quem apresentou primeiro. A questão é que, no mesmo dia, pelas 16.30h o BE faz uma conferência de imprensa onde anuncia a entrega de um Projecto para a suspensão da avaliação.

Poucos minutos depois da entrega do Projecto do PCP, o BE anuncia um Projecto, portanto, pode dizer-se que ambos os partidos entendem esta questão como fundamental e que ambos devem ser valorizados por isso. No entanto, não será de todo justo anunciar que o BE entregou primeiro, independentemente da importância ou relevância política que essa corrida pelo primeiro lugar possa ter.

Depois de verificar com atenção as iniciativas legislativas entradas nos últimos 15 dias, verifico no entanto que o Projecto de Resolução do BE nem sequer existe para além das páginas e sites do próprio BE, que anuncia o seu Projecto de Resolução (com toda a legitimidade). Oficialmente, tal Projecto não foi ainda colocado à consideração da Assembleia da República. Adiante, sobre os conteúdos, também reveladores das concepções dos partidos sobre a política e os seus papéis no combate.

O Projecto de Resolução do PCP aponta apenas duas recomendações:
1. a suspensão imediata do processo de avaliação;
2. a antecipação do processo negocial entre Governo e sindicatos, como forma de determinar novas metodologias que vão ao encontro das necessidades do Sistema Educativo.

O Projecto de Resolução do BE, segundo consta nos anúncios do próprio partido (ou movimento, ou grupo, ou agremiação ou que raio é) não propõe, na verdade a suspensão, nem valoriza o papel dos próprios professores e estruturas representativas, antes propõe a substituição deste processo de avaliação por um outro, todo ele determinado no documento do BE, ignorando a necessidade de participação dos próprios professores, dos sindicatos. Ou seja, o BE entende que está em condições de propôr um novo modelo de avaliação de professores mesmo antes de qualquer processo de negociação e discussão entre sindicatos e entre professores e governo. Fica bem, dá umas linhas nos jornais (o que não sucedeu com o PJR do PCP), mas não é um contributo para a luta dos professores. ponto.

7 comments:

Maria said...

Há "coisas" que me revoltam o fígado...
Valha-nos a paciência, que ainda vamos tendo alguma...

Abraço

Sérgio Ribeiro said...

Mais uma para o CV... Num caso, para o "deles". Cada vez mais sujo.

Noutro lado da barricada, para o teu. Que nos honra, e merece um grande abraço

samuel said...

Em cheio!

Sal said...

Já estou como a Maria... há coisas que revoltam o fígado!!!
Esses (%$/%#&$%"63 dos bloquistas não sabem fazer mais nada. É que não sabem fazer mais nada, mesmo.
bjs

Miguel Botelho said...

O Bloco de Esquerda faz lembrar aquele cartaz contra a AD que dizia o seguinte: "Um barrete destes só se enfia uma vez". Alguns enfiaram esse "barrete" na campanha do "Zé faz falta". E o que fez o Zé, afinal? O Bloco mostra não ter princípios e serve-se muito dos votos e dos apoios de gente, momentaneamente, descontrolada.

apb said...

Afinal o Projecto do BE ainda não deu entrada na AR?
Grande PCP!!!

pedras contra canhões said...

Caro(a) APB:

o post que comentou referia-se a uma situação de dia 22 de Outubro. Como agora verificará, o PJR do BE não só já deu entrada na AR, como aparentemente foi admitido na mesa no dia 21, um dia antes do PJR do PCP. No entanto, tudo o que está escrito no post refere as coisas como realmente aconteceram. à data de 24 de Outubro, o PJR do BE ainda não estava disponível e só na segunda-feira, dia 27, ele finalmente apareceu. Estranhamente, o PJR do PCP estava numerado como 396/X e o do BE como 397/X e, alguns dias depois a situação alterou-se e o do BE passou a ser 396... De qualquer das formas, esta é a segunda vez que o PCP apresenta tal PJR, sendo que a primeira foi há cerca de 8 meses atrás. Como eu dizia: independentemente de quem avançou antes, e isso não é o que importa (até porque o do BE não é um bom PJR)o Bloco andava por aí a anunciar a toda a gente um PJR que, na verdade, não estava oficialmente entregue.