Monday, September 12, 2005

Lixo, falsidade, americanização

Com um forte contributo de um partido que se diz de esquerda, e uma ajudinha de um grupelho social-democrata, a forma de fazer política vai-se degradando a ritmo acelerado nesta nossa terrinha.

Já as últimas eleições legislativas foram levadas a cabo num ambiente de total desprezo pelos eleitores. Encenações de mau gosto, debates com semáforos à boa maneira americana, cartazes de mensagens vãs e caras com sorrisos amarelos.

O semáforo, não sei o que terá trazido de novo, àparte claro uma luz vermelha para Portugal, agora parado à espera que passe o comboio do desenvolvimento, para depois seguir o seu triste caminho de degradação, rumo ao monte de esterco deixado pela política espectáculo.

Os slogans já não dizem nada, a cara mais bonita vence eleições. Já que a política é igual, distinguem-se as duas maiores forças partidárias pelas caras que melhor ficam em cartaz do tamanho do mundo. A televisão lá vai garantindo que só duas candidaturas existem para tudo. Duas para primeiro-ministro, duas para as autárquicas, duas para as Presidenciais. À partida, não existe qualquer igualdade de tratamento das candidaturas. Há os dois que podem ganhar eleições e os outros...

Realmente não sei como papamos tudo isto sem questionar. Ou talvez questionemos... Talvez seja por isso que quase metade da população se abstém. Muitos são já os que se negam a participar em tal palhaçada montada pela tv e pelos dois mais votados partidos. Depois há ainda os outros, os da política espectáculo de esquerda. Os que não tendo com quem contar, contam com a sua própria ridicularidade para irem angariando uns votos ali na linha de Sintra.

Serve o presente post, essencialmente, para alertar para o facto de que a bipolarização pártidária se acentua com particular responsabilidade da Comunicação Social. Esquecemos o que foram os tempos do Cavaco? A porrada sobre as manifestações, o défice orçamental de oito por cento, a prepotência total, a diminuição absurda do nível de vida, a destruição do aparelho produtivo, os atentados contra os direitos dos trabalhadores? Esquecemos isso?

A Comunicação Social faz por esquecer e mostra-nos agora esse esqueleto fossilizado do Aníbal como um salvador da pátria, um douto e reconhecido entendido em matéria financeira e económica. Esquecemos que o próprio povo português optou por o mandar embora, rejeitando democraticamente a sua infeliz linhagem política. Esse fóssil da política foi derrotado. Por mais que tentem branquear o passado.

Não há forma de apagar os dias difíceis dos portugueses que foram passados, mercê das políticas desse senhor enquanto foi primeiro-ministro.

Estamos perante uma magnífica operação de propaganda. A comunicação social dominante, tudo faz para engrandecer a figura do Aníbal. Recorrentemente coloca à esquerda a pergunta "quando desistirá o seu candidato para apoiar Mário Soares?". Esta pergunta contém em si uma sobrevalorização do Aníbal. Parece que existe um titã de direita que os pequenitos da esquerda têm de derrotar, desistindo das suas candidaturas.
Um titã? Um dos homens mais odiados pelo povo na área política...

Porque não perguntam a Mário Soares se está disponível para desistir da sua candidatura em favor de Jerónimo de Sousa? Tudo está decidido nas cabecinhas da Comunicação Social. Aposta: fazer vencer a direita, atentar contra o regime democrático.

3 comments:

Basimah said...

Olha amigo, os Portugueses têm o governo que merecem, ele não aparece lá por milagre.
Resta saber que presidente é que merecemos desta vez...
Que contributo é que um velho de 81 anos, acabado e presumido pode dar ao país? Está à espera de morrer a meio do mandato e de ter um funeral de luxo? Só se for para acabar em beleza. Mas antes ainda deve ter tempo para dar umas voltinhas ao mundo. Não é por nada que se dizia que "Deus está em todo o lado e Mário Soares já esteve". É mesmo disto que precisamos para chefe de estado...
Quanto ao outro senhor, o salvador da pátria, a primeira coisa que faria assim que assumisse o mandato seria ameaçar dissolver o governo socialista e depois era um dejá vous...
Infelizmente é assim. Enquanto não pararmos para questionar tudo o que nos passa pelos olhos e ouvidos, a situação mantém-se e, olhando para a frente, penso que vai manter-se por muito tempo. Pelo menos vai manter-se enquanto esperarmos que venha alguém superior que cumpra com os nossos deveres de seres humanos e cidadãos por nós.

lux said...

1º. Dejá vu, Já visto e não já vós.

Quanto ao recurso a um lugar comum, "cada um tem aquilo que merece", não é senão justificar com muito pouca complexidade algo que não se compadece com clichés. O povo português não tem o governo que merece. Tem o governo que elegeu. Isso é colocar de fora todos aqueles que votaram noutro partido que não o da maioria que hoje, despoticamente, exerce o poder.
Há muitos portugueses e portuguesas que lutam por uma outra sociedade, que combatem estas políticas e, exemplo disso mesmo, têm sido as sucessivas manifestações e contestação generalizada às medidas adoptadas.
Dizer que os portugueses têm o governo que merecem é reduzi-los, injustificada e injustificavelmente.

pedras contra canhões said...

muito beeeem!
Gosto muito da lux e do camelinho... mas aqui os reparos da lux fazem todo o sentido. No entanto, não posso deixar de dizer que, conhecendo a intenção do camelinho, a sua reacção é perfeitamente normal. Grande parte dos insatisfeitos com a actual política acha que os outros optaram por ela, ignorando que em grande parte, o povo opta por aquilo que lhe dizem que vão fazer e não pelo que na verdade acabam por fazer... Esta posição do camelinho não denota injustiça, denota sim, falta de discussão colectiva na definição das suas posições...