Tuesday, May 27, 2008

"À má-fila" ou "A mafia"?

Já não conheço surpresas nem me escandalizo com as barbaridades da região autónoma da madeira. Não me escandalizo mas revolto-me mais e mais. Eu e outros, valha-nos isso.

Há cerca de um ano atrás, um deputado eleito pelo PCP na Assembleia da República e um deputado eleito pelo PCP na Assembleia Legislativa Regional da Madeira foram acompanhados de alguns membros da Organização da Madeira da Juventude Comunista Portuguesa visitar uma escola no Concelho de Câmara de Lobos - um dos mais pobres da Europa - e viram-se impedidos de realizar a visita. A Srª Presidente do Conselho Executivo, avisada com antecedência da visita, limitou-se a dizer que estava numa reunião. Ao que a delegação de comunistas respondeu que não havia mal, que contactaria com estudantes, professores e funcionários no âmbito da sua normal actividade de ligação entre as tarefas institucionais e o trabalho de massas. Disse então a Srª Presidente que não gostaria que por ali andassem comunistas a contactar com alunos e professores sem controlo ou supervisão. Claro que a invocação do Estatuto do Deputado, da Constituição da República não foram suficientes para demover a senhora da sua ânsia de satisfazer as exigências da máfia local. Mostrou, pois, o seu bom trabalho e a sua língua sempre pronta lamber as botas de qualquer porco que por ali ganhe eleições.

E pronto. Contei um episódio.

Mas esta segunda-feira, numa iniciativa do mesmo género, de visita à Universidade da Madeira, o PCP e a JCP convocam a comunicação social da ilha para uma conferência sobre a situação do Ensino Superior. Ora lá estavam os jovens comunistas e mais um deles que por acaso tem a tarefa de realizar trabalho institucional na Assembleia da República aguardando os dedicados agentes da comunicação social local. Continuaram esperando até verificar que alguns chegavam, recolhiam imagens, e abalavam. "estranho comportamento este" para quem quer fazer jornalismo a sério, pensaram os jovens comunistas. E não é que nenhum desses ditos jornalistas se dignou sequer a dirigir-se aos jovens comunistas? Vinham como iam, sem palavras.

Que se passaria ali?
por que estariam aqueles jornalistas a ter aquele comportamento?

A situação foi-nos esclarecida mais tarde quando vimos os jornais e a tv. A direcção da JSD - Madeira e da Associação Académica da Universidade da Madeira interceptou os empenhados jornalistas a meio e disse-lhes que a iniciativa da JCP era sobre o preço dos transportes (!!! relembro que a conferência de imprensa relacionava a visita da JCP com a situação do Ensino Superior Público) e que esse problema havia sido resolvido pela JSD depois de contactada pela Associação Académica. Assim, em conjunto e certamente de braço dado, a direcção associativa e a direcção dos jovens porquinhos lá do sítio deram uma conferência de imprensa aproveitando que lá estavam os órgãos da comunicação social.

A verdade:
A JCP convocou uma conferência de imprensa sobre o Ensino Superior Público e a Universidade da Madeira;
A JCP cumpriu e realizou a iniciativa de contacto com os estudantes, como anunciado;
A JCP aguardou a comunicação social no local, que não chegou a contactar em momento algum nenhum elemento da JCP.

A notícia:
A JSD e AAUMA anunciam conjuntamente que a JCP havia cancelado a iniciativa porque essa iniciativa era em torno do preço dos transportes, problema entretanto resolvido pela JSD e pela AAUMA em ferverosa colaboração, revelando a sensibilidade do Governo Regional para as questões dos estudantes e dos jovens.

depois disto... que dizer mais?
que dizer mais a não ser que a comunicação social noticiou um anúncio calamitosamente mentiroso, dando cobertura a uma manobra do mais nível mais rasteiro e mais anti-democrático promovida por uma associação académica que deveria defender os interesses dos estudantes que representa ao invés de catar os piolhos dos macacos mafiosos que espalham tentáculos pela ilha sufocando a liberdade e a democracia e vivendo, qual parasitas, da pobreza de mais de 30% da população que ocupa a região autónoma da Madeira e que continua, inconscientemente a acreditar, que o porco maior é o salvador e o messias e que o bem-estar se mede pelos cristianos ronaldos e vânias, pelos mundiais, europeus ou festivais da canção.
bem-haja ao povo da madeira, por terem lá ficado com o que de pior temos na política, bem-haja pelo involuntário martírio a que se submete. Ah! triste sois povo madeirense, mesmo sem o saberdes.

5 comments:

Sérgio Ribeiro said...

O que contas seria um verdadeiro escândalo... se não fosse onde foi!
Toda a solidariedade, se esta palavra é adequada... até porque tão em desuso anda por fora das nossas áreas.
Grande abraço

poesianopopular said...

O problema da Madeira já não é só o porco, mas a vara!
abraço

Crixus said...

Parece que a democracia na Madeira está de vento em popa. E folgo em saber que AJJ tem sucessores(na JSD) á sua altura. O comportamento dos jornalistas, dos titulares de cargos publicos ou representantes do psd na Madeira é completamaente desprezivel, mas tambem não seria de esperar melhor quando o sr PR foi lá e só lhe faltou sair a rastejar as pés do Excelentissimo sr AJJ.

Fernando Samuel said...

São esses exemplos de democracia que o dr Jaime Gama tanto aprecia...

Mide said...

Pois, parece que o porquinho não é uma espécie em vias de extinção. Mas este tipo de porco nem dá para fazer um churrasquinho, ou uns rojões, ou uma dobrada... Só mesmo para meter nojo, e sem graça nenhuma.